CCJ dá aval à criação de Frente Parlamentar Antiwoke

O parecer de legalidade da proposta recebeu 6 votos favoráveis e 3 contrários; projeto segue em tramitação na Casa

Por: KAMILA MARINHO
DA REDAÇÃO

25 de março de 2026 - 17:06
Imagem de uma sessão na Câmara Municipal com oito pessoas sentadas em uma mesa de madeira clara. Público está sentado em poltronas. Ao fundo, parede colorida com pintura urbana. Ambiente interno, iluminação natural e clima de reunião formal.Richard Lourenço / REDE CÂMARA SP

As vereadoras e os vereadores que compõem a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa) da Câmara Municipal de São Paulo se reuniram na tarde desta quarta-feira (25/3) para analisar uma  pauta com 37 itens. Entre as propostas estão projetos de denominação de logradouros, títulos e honrarias e projetos de lei.

PR (Projeto de Resolução) 4/2025 – do vereador Lucas Pavanato (PL) com coautoria da Sonaira Fernandes (PL), do Rubinho Nunes (UNIÃO) e do Adrilles Jorge (UNIÃO) – anvançou no colegiado. A matéria propõe a criação da Frente Parlamentar Antiwoke. De acordo com a justificativa do texto, o grupo de trabalho “responde a uma demanda de parcela da população preocupada com os impactos de determinadas pautas ideológicas, associadas a movimento conhecido como  woke”.

Pavanato explicou que a palavra woke – embora originalmente expressada por movimentos afrodescendentes americanos – está relacionada às narrativas e linhas de pensamento como a militância LGBTQIA+, ideologia de gênero, feminismo, aborto e demais pautas progressistas. 

“A Frente Parlamentar busca impedir os avanços dessa ideologia nefasta, preservando o direito à liberdade de expressão. O caráter suprapartidário da Frente Parlamentar Antiwoke garante sua ampla representatividade e permite o melhor desenvolvimento de propostas equilibradas e respeitosas à pluralidade da sociedade paulistana,” disse Pavanato.

Silvia da Bancada Feminista (PSOL)Thammy Miranda (PSD) e Luna Zarattini (PT) se posicionaram contrariamente à tramitação da criação da Frente Parlamentar Antiwoke. “Sou contrária a essa matéria. Quero aproveitar a oportunidade e indagar se os colegas sabem o que seria o movimento Woke”, falou Luna.

Também avançou na CCJ o  PL (Projeto de Lei) 553/2025 – do vereador Adrilles Jorge. O projeto proíbe a veiculação de publicidade de apostas esportivas e de jogos online em espaços públicos. A proposta ainda promove campanhas educativas de conscientização sobre os riscos.

Na justificativa do texto, Adrilles afirma que proibir anúncios de apostas e jogos online é essencial para proteger a sociedade dos riscos associados ao endividamento. “Faz-se necessário, e o presente projeto ainda prevê, que se façam campanhas educativas de conscientização em escolas, redes sociais, eventos esportivos e até nas vias públicas”.

Da vereadora Rute Costa (PL), o PL 859/2025 teve o parecer de legalidade aprovado. A matéria cria a Campanha Permanente de Orientação, Conscientização e Combate ao Capacitismo no Município de São Paulo. “O intuito é promover o respeito, a inclusão e a valorização das pessoas com deficiência”, explica Rute Costa na justificativa do projeto. 

Capacitismo se refere à discriminação, ao preconceito ou à estigmatização sistemática contra PCDs (Pessoas com Deficiência). O termo retrata a ideia equivocada de que essas pessoas são inferiores, menos capazes ou menos produtivas. As manifestações podem acontecer  de forma estrutural, institucional e individual, prejudicando o acesso de PCDs aos direitos fundamentais como educação, saúde, trabalho, cultura e mobilidade. 

Projeto adiado

A proposta de criação da Frente Parlamentar de Políticas Públicas em HIV-Aids/ Infecções Sexualmente Transmissíveis, Hepatites Virais e Tuberculose, sugerida no PR 78/2025, da vereadora Amanda Paschoal (PSOL), foi adiada da pauta por duas sessões a pedido do vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS).

O parlamentar explicou que a Frente sobre esses assuntos seria de competência da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher. “Essa Frente Parlamentar proposta fala de assuntos técnicos voltados à Saúde. Por isso, eu quero consultar o outro colegiado para que não haja conflitos de poderes entre os colegiados”.

A reunião contou com a presença da presidente Sandra Santana (MDB), o vice-presidente Silvão Leite (UNIÃO) e dos vereadores Dr. Milton Ferreira (PODE), Janaina Paschoal (PP), Lucas Pavanato (PL), Luna Zarattini (PT), Sansão Pereira (REPUBLICANOS)Silvia da Bancada Feminista (PSOL) e Thammy Miranda (PSD)

Assista aqui à íntegra da reunião da CCJ desta quarta-feira.

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