Comissão de Direitos Humanos ouve secretários de Saúde e Desenvolvimento Urbano

JOTA ABREU
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A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal de São Paulo realizou nesta segunda-feira (18/5), uma reunião com a participação dos secretários municipais da Saúde, Edson Aparecido, e do Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre, para falar sobre as ações da cidade no combate à pandemia do novo coronavírus. Participaram da reunião os vereadores Eduardo Suplicy (PT), presidente da Comissão, além de Soninha Francine (CIDADANIA), Patrícia Bezerra (PSDB), Fábio Riva (PSDB) e Alessandro Guedes (PT).

A coordenadora-geral do Instituto Pólis, Danielle Klintovisk, realizou a exposição de dados de um estudo realizado pela instituição levando em conta os dados do poder público, indicando a necessidade atenção aos bairros mais periféricos da cidade na proliferação da Covid-19. De acordo com o estudo, a partir de 28 de março, quando começaram a aumentar os números de óbitos gerais em São Paulo, houve crescimento também na periferia. Ela mostrou dados e apresentou gráficos indicando ainda que, nas regiões da cidade onde existe maior número de trabalhadores ambulantes, de serviços externos (como instaladores)e autônomos, também são as áreas da cidade com maior índice de mortalidade depois do início da pandemia.

Ela ainda indicou que muitos desses trabalhadores retornam para a casa com a possibilidade de estarem contaminados, e encontram muitas pessoas morando no mesmo local, já que são bairros onde existem vários casos de coabitação (casas com mais de uma família). “O município dever criar a oportunidade de que essas pessoas façam o isolamento adequado, oferecendo garantia de segurança alimentar e nutricional e de renda. É uma população que precisa ser mais protegida pelo poder público neste momento do que o restante da cidade”, disse Danielle Klintovisk.

Na mesma linha, também participou da reunião, a professora de geografia da Universidade Federal do ABC (UFABC), Patricia Maria. Ela disse que há vários estudos acadêmicos sendo desenvolvidos para contemplar todas as diferentes formas de habitação. Ela demonstrou preocupação com a adoção de medidas e estratégias específicas regionalizadas, respeitando as características de cada área.

MAPEAMENTO REGIONALIZADO DA COVID

O secretário da Saúde, Edson Aparecido, disse que existe um mapeamento das favelas e comunidades, com dados regionalizados. Ele confirmou que os dados permitem verificar claramente que, embora a doença tenha entrado pelo chamado centro expandido, as pessoas estão morrendo, agora, na periferia. “Estamos fazendo a busca ativa das pessoas sintomáticas, com dois ou três dias de sintomas, elas já são testadas e, se houver necessidade, isoladas no hospital do Anhembi”, explicou.

O secretário disse que a pasta está acompanhando e monitorando desde março as famílias consideradas vulneráveis, e ainda passou os números de cada área: 81 mil famílias na zona Norte, 81 mil na zona Sul, 56 mil na zona Leste, 28 mil na zona Oeste, 7,4 mil no Centro, e 53 mil na zona Sudeste 53 mil.

Edson ainda afirmou que as ações da pasta começaram em 10 de janeiro, um dia depois da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgar comunicado sobre o que seria uma “nova pneumonia”. Entre as medidas, está a capacitação de quatro mil profissionais de saúde e o início do processo de preparação da rede hospitalar. Ele ainda ressaltou que, desde então, a secretaria fez a contratação de doze mil profissionais, instalou dos hospitais de campanha e equipou leitos de enfermaria e UTI nos hospitais já existentes, entre outras ações.

FORNECIMENTO DE EPIs

O chefe da pasta da Saúde ainda disse que, em relação aos EPIs (equipamentos de proteção individual) dos profissionais, está tudo regularizado. Ele exemplificou com o número de máscaras de proteção, que em tempos normais eram 250 mil consumidas por mês, e que agora são 700 mil por semana.

NOVO HOSPITAL NO GUARAPIRANGA

Em resposta aos questionamentos dos vereadores, Edson Aparecido disse que em 30 de maio será aberto um hospital no Guarapiranga, ressaltando que a maior parte de todos os hospitais municipais são na periferia, e que os levantamentos feitos apontando vagas nas regiões mais nobres levam em consideração os hospitais privados.

Aparecido ainda disse que a Prefeitura tem trabalhado em parceria com a Sabesp, levando demandas de localidades com falta de abastecimento de água, essencial para a higienização que previne o contágio da Covid-19.

PROGRAMA CIDADE SOLIDÁRIA

Em seguida, foi a vez do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre passar informações. Ele disse que, desde o início da pandemia, o programa “Cidade Solidária” já realizou a entrega de 270 mil cestas básicas nas áreas mais carentes. “Normalmente, a assistência social distribui por volta de três mil cestas por mês. Então, em um período um pouco maior, praticamente multiplicamos por 100”, calculou.

Segundo Chucre, a maior dificuldade para a correta distribuição, privilegiando quem mais precisa, abastecendo quem ainda não recebeu, é a deficiência de cadastros. “As informações sobre as pessoas mais necessitadas precisariam ser melhor organizadas e estruturadas, para distribuir renda, neste momento. A distribuição de cestas básicas é mais difícil por conta da questão logística complexa na cidade”, declarou.

Ele aproveitou a transmissão por videoconferência para mostrar o funcionamento de um dos centros de distribuição de cestas básicas, um galpão montado na sede da Cruz Vermelha. No local, caminhões e empilhadeiras trabalham para organizar e realizar a entrega de cestas básicas do “Cidade Solidária”.

Chucre também tem comandado as articulações com hotéis que se comprometeram a receber pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade social que precisarem de isolamento social.

A Comissão acertou o compromisso de redigir uma carta para uma associação que representa empresários do setor de hotéis que, segundo os vereadores apuraram, se recusou a receber moradores em situação de rua. O documento vai solicitar respostas que esclareçam os motivos da negativa.

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