Métodos montessoriano e de disciplina positiva para as crianças são discutidos em comissão

JOTA ABREU
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A Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude realizou nesta quinta-feira (6/5) reunião ordinária virtual com a presença de especialistas que abordaram como tema a disciplina positiva e o método montessoriano de educação.

A reunião foi conduzida pela presidente do colegiado, Janaína Lima (NOVO), com participação das vereadoras Ely Teruel (PODE), Elaine do Quilombo Periférico (PSOL), Juliana Cardoso (PT) e Rute Costa (PSDB).

Mestre em Educação e Disciplina Positiva, Fernanda Lee iniciou sua exposição explicando que, no universo dos bebês e crianças, o cérebro humano é desenvolvido na idade dos 0 aos 3 anos. Segundo ela, o aprendizado nesta fase se dá através dos relacionamentos, e que estes são fundamentais, porque todos são agentes de mudança na vida dessas crianças. Falou sobre a mudança das gerações, com os filhos demandando democracia dentro de casa. E que na escola e no trabalho, os ambientes também foram se transformando com o passar do tempo, ressaltando a importância de uma experiência relacionada à colaboração, para desenvolver o desempenho acadêmico e as habilidades socioemocionais de forma conjunta. “A disciplina positiva trabalha com princípios universais humanos”, defendeu.

A pedagoga e comunicadora social, Solange Depintor, começou sua exposição falando sobre as semelhanças entre o método Montessori e Disciplina Positiva, pois ambos tratam do desenvolvimento da criança para que ela seja ouvida, entendida, e possa crescer em liberdade. Ela explicou um pouco sobre a vida da educadora e médica italiana, Maria Montessori, fundadora e criadora do método Montessori, que fala da liberdade e do estímulo como ferramentas para o desenvolvimento das crianças.

Milena Aragão, psicóloga, educadora e escritora, alertou para a necessidade de pensar na criança no momento atual, como sujeito de direito. Sobre o contexto educacional, defendeu que cada sala de aula é uma minicultura, e a necessidade de olhar para as salas, e não apenas para as escolas. “É preciso desmontar a ideia de que educação é sinônimo de punição. Mas que sejam processos de aprendizados de imersão”, ressaltou.

Gabriel Salomão, doutor em Letras pela USP e que também estuda a educação montessoriana, lembrou que para Maria Montessori a educação não é apenas aprendizado, mas um olhar para a vida, e também para construção da paz como estado positivo e produtivo de viver. Ele ainda tratou da conquista de diferentes níveis de independência, quando a criança pode ir aprendendo por conta própria, através de contextos de experiências.

A psicopedagoga, educadora parental e escritora Juliana Palma tratou do impacto dos castigos e punições no desenvolvimento humano. Salientou que educação está relacionada a ensinamentos, e não punição. Ela trouxe informações sobre os efeitos nocivos dos castigos e palmadas, através de constatações de um estudo da Universidade de Harvard. Segundo a pesquisa, as palmadas alteram a resposta cerebral, com similaridade a casos de maus tratos graves, abuso sexual, e aumenta a probabilidade de desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão, dificuldade escolar, etc. “O adulto que bate ensina a criança a bater para conseguir o que ela quer”, afirmou.

Ao final das exposições, a vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL) elogiou as exposições, mas fez a ressalva de que mães e pais que enfrentam muitas dificuldades, têm trabalho braçal, não conseguem participar da educação dos filhos com mais presença. Segundo ela, é preciso pensar em soluções que estejam alinhadas a quem precisa de apoio do Poder Público e da estrutura de serviços, que são as famílias mais vulneráveis da cidade. E ainda levantou a necessidade de levar em consideração as questões raciais, porque elas fazem parte da realidade das crianças brasileiras nas escolas de São Paulo.

A vereadora Juliana Cardoso (PT) também parabenizou pelo conteúdo de qualidade, e disse que são “perspectivas perfeitas para o mundo ideal”, para ela ainda distante da realidade que se vive na cidade. A parlamentar também argumentou que ainda existe a necessidade de discussão da igualdade racial, respeito à cultura indígena, diversidade de gênero, etc.

A presidente Janaína Lima agradeceu a todos os participantes, falou sobre o embasamento que a comissão coletou durante a reunião, e que os materiais e conteúdos servirão de subsídio para utilização nos debates. “Agora estamos aptos a desenhar políticas públicas realmente eficazes para a cidade”, finalizou.

A íntegra da reunião pode ser assistida aqui.

 

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