Comissão da Criança discute violência contra juventude periférica

André Bueno | REDE CÃMARA SP

Reunião ordinária da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e Juventude desta quinta-feira (25/11)

CAROL FLORES
DA REDAÇÃO

No Brasil, as vítimas de violência letal são majoritariamente negras – 65% têm entre zero e nove anos e 81% entre 15 e 19 anos. Os dados que são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foram apresentados pela pesquisadora Marisa Feffermann na reunião da Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e Juventude, que aconteceu na tarde desta quinta-feira (25/11).

Para a pesquisadora, os números apontam um tipo de genocídio velado contra os jovens negros e periféricos. “Nós temos um sujeito que pelo fato de ser negro já é suspeito de várias criminalizações. A morte física é o último ponto, antes disso ele tem morte emocional, morte de dignidade e morte de cidadania”, explicou.

A pesquisadora que também é articuladora da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, contou que a entidade atende jovens negros e da periferia que foram presos injustamente e mães que tiveram os filhos executados. Segundo ela, todas as histórias se entrelaçam na criminalização e humilhação dos jovens e seus familiares. “São histórias de pessoas que são impedidas de pensarem como cidadão e o Estado finaliza com a morte a partir do momento que não fornece o direito para essas pessoas. Temos que pensar políticas públicas para essas pessoas”, destacou.

O impacto do novo currículo escolar  para a juventude mais pobre também foi abordado durante a reunião. Para a pesquisadora Jéssica Ferreira, o método é excludente. “Ele não considera as especificidades e as questões da juventude negra e periférica” ressaltou a pesquisadora, que ainda lembrou do fechamento dos turnos noturnos de ensino o que vai contra a realidade dos jovens que precisam trabalhar e estudar.

A vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL), que presidiu a reunião, disse que os dados apontados durante o encontro servirão como direcionamento para a elaboração de politicas públicas. “Esses dados vão balizar como a gente pode escrever as leis e politicas públicas para a juventude do município de São Paulo”, finalizou.

Consumismo na infância

A Comissão também aprovou um requerimento de autoria da vereadora Janaina Lima (NOVO) que convida a psicóloga Raiana Gravatá para falar sobre o consumismo na infância no próximo dia 09/12.

Também participaram dos trabalhos desta quinta as vereadoras Ely Teruel (PODE) e Juliana Cardoso (PT). Para assistir a reunião na íntegra, clique aqui.

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