CPI do Metanol: oitivas com vítimas e donos de comércios marcam investigações no 1º semestre

Por: ANA BEATRIZ ALVES
DA REDAÇÃO

27 de julho de 2026 - 12:00
Richard Lourenço / REDE CÂMARA SP

No primeiro semestre deste ano, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Metanol realizou cinco reuniões e expediu 29 ofícios (*). O colegiado foi instalado em outubro de 2025 com o objetivo de investigar a procedência de bebidas alcoólicas comercializadas em estabelecimentos da capital paulista. 

Reuniões

Na primeira reunião do ano – em fevereiro – os vereadores da CPI ouviram Fagne Santos, um dos proprietários do Ministrão Bar. O local foi interditado em setembro passado após uma cliente relatar a perda da visão depois de consumir caipirinhas no bar. Na mesma ocasião, também prestou depoimento Gabriel Marques Pinheiro, diretor-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

No encontro seguinte, o colegiado ouviu relatos de familiares de vítimas fatais e de pessoas que ficaram com sequelas com a ingestão de bebidas adulteradas. A reunião contou ainda com a colaboração de Hélio Silveira Lescio e Ualaci Anjos de Souza – representantes do Sindibesp (Sindicato dos Trabalhadores em Depósito de Distribuição de Bebidas de São Paulo, Guarulhos, Osasco, Itapecerica da Serra, ABC e Diadema).

Em março, a CPI deu continuidade às oitivas e recebeu proprietários de estabelecimentos investigados por suposta venda de produtos adulterados. Entre as pessoas que prestaram esclarecimentos estão José Rodrigues, dono do Torres Bar, localizado na Mooca, zona leste da capital, e Ricardo dos Santos Pereira, proprietário do Empório Santos, adega onde o jovem chamado Rafael dos Anjos Martins teria comprado bebida adulterada antes de falecer. A mãe de Rafael, Helena dos Anjos Martins da Silva, também depôs à comissão.

Douglas Ferreira / REDE CÂMARA SP

Já em abril, a oitiva foi realizada com Vanessa Maria da Silva, detida em flagrante por falsificação de bebidas em uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em outubro de 2025. O local é apontado pelas investigações como a origem das garrafas consumidas no Torres Bar. No mesmo encontro, os vereadores colheram novos relatos de vítimas intoxicadas por metanol.

Na última reunião do período, em junho, prestaram esclarecimentos representantes do Sindbeb (Sindicato dos Trabalhadores em Depósito de Distribuição de Bebidas de São Paulo e Região) e da ABBD (Associação Brasileira de Bebidas Destiladas). Os depoimentos foram pautados por ações e legislações referentes à fiscalização do setor.

Requerimentos 

Ao longo dos trabalhos destes primeiros seis meses do ano, a CPI aprovou diversos requerimentos. Os documentos convocaram novos investigados e convidaram empresas a auxiliarem no andamento das investigações.

CPI do Metanol

A proposta da CPI do Metanol é trazer resultados efetivos para a cidade, com foco no aumento das fiscalizações, principalmente na cadeia de descarte de garrafas e na punição dos responsáveis pela adulteração que coloca em risco a saúde pública.

Douglas Ferreira / REDE CÂMARA SP

O colegiado é composto por sete vereadores: Zoe Martínez (PL) – presidente, Ely Teruel (MDB) – vice-presidente, Sandra Santana (MDB) – relatora, além de Adrilles Jorge (UNIÃO), Celso Giannazi (PSOL), Hélio Rodrigues (PT) e Sargento Nantes (PP).

(*) Dados fornecidos pela Secretaria de Comissões

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