Mudança do nome da Rua Peixoto Gomide, zeladoria em cemitério e cultura estiveram entre os assuntos debatidos na Sessão Plenária desta terça-feira (24/3). O 2º vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Isac Félix (PL), conduziu os trabalhos da tarde.
Rua Peixoto Gomide
Aprovado em primeiro turno de votação na semana passada, o PL (Projeto de Lei) 482/2025, que altera o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide, foi novamente assunto no Plenário 1º de Maio. A vereadora Amanda Vettorazzo (UNIÃO) questionou alguns pontos colocados na matéria, como a data de nomeação na via localizada na Bela Vista, região central da cidade.
“Eu busquei um pouco da história aqui na própria Câmara Municipal e existem relatos de 1898 que a rua já se chamava Peixoto Gomide. Também encontrei um mapa que mostrava que a rua já tinha esse nome em 1897. Isso remete ao pai de Peixoto Gomide e não ao filho, que foi quem assassinou Sophia. Eles são homônimos”, disse a vereadora.
Para Amanda Vettorazzo, a mudança nominal da via pode “cometer uma injustiça histórica”. “É o avô da Sophia Gomide, que também foi procurador, juiz e deputado federal. Ele, na verdade, foi o homenageado desta rua. Podemos cometer um equívoco histórico, uma injustiça. Por isso, eu fui pesquisar e trouxe isso para todos os vereadores”.
A vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL), que apresentou o projeto na Casa, rebateu as informações. A parlamentar esclareceu que consultou o Executivo municipal, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, para se certificar que a proposta está apta para ir à votação em Plenário.
“Todas as secretarias deram parecer positivo para que o nosso projeto continuasse a tramitação. Ou seja, o projeto tem a legalidade do Executivo e a legalidade da CCJ”, falou Silvia da Bancada Feminista.
De acordo com Silvia, em 1897, de fato, uma parte da via era denominada Rua Peixoto Gomide. No entanto, em 1914, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou oficialmente o nome para toda a extensão da rua. “Naquela época era muito comum que pessoas vivas ganhassem nome de rua. Hoje não pode mais, mas naquela época era permitido. Peixoto Gomide estava em seu auge político em 1897 e, por isso, a homenagem foi a ele, o assassino da Sophia Gomide, sua filha”.
Silvia da Bancada Feminista ainda destacou que o pai de Peixoto Gomide tinha o mesmo nome, porém, o filho não utilizava “Júnior” no registro. “Ele nunca utilizou Júnior. Não existe em nenhum documento. Nem na certidão de batismo, nem na certidão de nascimento da sua filha, nem na certidão de óbito. Ele jamais utilizou Júnior no final. E nem existe documentação que fale que ele era o Peixoto Gomide Júnior. É uma invenção que fizeram agora para que o nome da rua não seja modificado para Sophia Gomide”.
Teatro de Contêiner
Da tribuna, o vereador Celso Giannazi (PSOL) falou sobre o Teatro de Contêiner Mungunzá, na região central da capital paulista. Segundo Giannazi, o espaço foi demolido no último final de semana. “O teatro foi destruído, foi cortado por máquinas da Prefeitura. O Teatro de Contêiner é um equipamento cultural que está na cidade há dez anos, desenvolve um trabalho premiado no município, no Estado e no país, internacionalmente também já ganhou vários prêmios”.
O parlamentar ainda falou que a Prefeitura de São Paulo descumpriu um acordo de transferência do teatro para a Rua Helvétia, em Campos Elíseos, centro da cidade. “Tem esse termo de colaboração que foi descumprido pelo prefeito Ricardo Nunes, impedindo que o teatro pudesse ser transferido para um novo endereço e continuasse sua atividade. É um equipamento de arte popular que atende à comunidade do centro. Vamos acionar o Ministério Público para que tome providências”.
Zeladoria
Outro tema desta tarde tratou da zeladoria da capital. O vereador Dheison Silva (PT) afirmou que houve uma denúncia sobre a falta de cuidado com o cemitério da Vila Formosa – zona leste. “O mato está na altura do pescoço das pessoas, não dá para ver os túmulos. Por que não abrimos a CPI dos cemitérios nesta Casa? Precisamos investigar essas empresas, essas concessionárias que não estão fazendo o papel delas”.
Dheison também fez observações em relação ao valor cobrado para os sepultamentos. “Morrer na cidade de São Paulo ficou mais caro. As pessoas não conseguem enterrar os seus entes queridos. O serviço de SVO (Serviço de Verificação de Óbito) é uma vergonha. A concessionária cobra R$ 4 mil, R$ 5 mil, R$ 6 mil para um velório e enterro simples, não dando a taxa social para as famílias”.
Próxima sessão
A próxima Sessão Plenária está convocada para esta quarta-feira (25/3), às 15h. A Câmara Municipal de São Paulo transmite a sessão, ao vivo, por meio do Portal da Câmara no link Plenário 1º de Maio, do canal Câmara São Paulo no YouTube e do canal 8.3 da TV aberta digital (TV Câmara São Paulo).
A íntegra da Sessão Plenária desta quarta-feira está disponível aqui.
