Seminário discute estratégias para controle da disseminação do novo coronavírus

DANIEL MONTEIRO
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A Comissão de Finanças e Orçamento, em parceria com a Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, realizou na manhã desta quinta-feira (29/4) o seminário virtual “Gestão pública no combate ao Covid-19: saúde e serviço funerário”, com duas mesas de debate sobre o tema. A mediação do encontro ficou a cargo do vereador Jair Tatto (PT), presidente da Comissão.

O objetivo geral do seminário foi analisar e compreender as limitações e desafios da estratégia de testagem atual, identificar as formas efetivas de rastreamento de contatos para induzir medidas de isolamento específicas para contaminados e pessoas que tiveram contato com contaminados, além de construir alternativas para que o sistema funerário municipal seja capaz de se manter operativo e eficaz.

A primeira mesa, intitulada “Para além da vacina, testagem e rastreamento de contatos como estratégias de controle da disseminação do coronavírus”, buscou discutir e compreender como medidas severas de isolamento individual por meio de testagem e do rastreamento de contatos pode contribuir com a redução da disseminação do vírus e evitar a adoção de medidas de restrição coletiva.

Em sua fala, o médico epidemiologista André Ricardo Ribas de Freitas, professor de Epidemiologia e Estatística da Faculdade de Medicina São Leopoldo, fez uma breve explicação sobre as formas de contágio do novo coronavírus, o período de incubação do vírus e como se dá a lógica da cadeia de transmissão da Covid-19.

Ao abordar a questão, Freitas ressaltou a importância de uma ação coordenada e estruturada de rastreamento das pessoas que tiveram contato com o contaminado, de forma quebrar a cadeia de transmissão do novo coronavírus e garantir que as medidas propostas tenham maior efetividade.

O médico epidemiologista destacou que o país tem expertise nessa ação, uma vez que realiza o rastreamento ativo em outras doenças, como a caxumba. Entretanto, em relação ao novo coronavírus, ele elencou problemas para efetivação dessa estratégia, como a baixa adesão da população à quarentena e ao rastreamento. Também apontou a baixa cobertura dessa ação, uma vez que, atualmente, apenas a pessoa com sintomas é isolada, e não o núcleo próximo que teve contato com ela durante a janela de transmissão do vírus.

Em relação às perspectivas para 2021, ele disse que os desafios continuam, uma vez que não há remédios cientificamente comprovados contra a doença e a disponibilidade de vacinas ainda não será suficiente para toda a população. “As ferramentas não farmacológicas são fundamentais nesse momento”, destacou, ao reforçar a importância do rastreamento e da implementação de uma quarentena estruturada.

Estratégias municipais

O segundo palestrante foi Luiz Artur Vieira Caldeira, coordenador da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) da capital, que apresentou informações relativas à estratégia de imunização contra o novo coronavírus na cidade de São Paulo.

Entre os dados apresentados, ele mostrou a capacidade de armazenamento de vacinas no município, a estrutura logística para distribuição e aplicação dos imunizantes – com a lista de todos os postos de vacinação em funcionamento na cidade -, o estoque de insumos e o cronograma detalhado de todas as fases de vacinação implementadas na capital, com destaque às diretrizes de priorização de doses para os diferentes públicos-alvo, de acordo com a disponibilidade da vacina.

Inclusive, como forma de garantir uma melhor gestão das vacinas, foi criado o Sistema Municipal de Monitoramento de doses, que permite o controle de estoque, doses aplicadas e perda por serviço, com o detalhamento das doses aplicadas e estoques de cada UBS (Unidade Básica de Saúde) do município, além do monitoramento em tempo real das aplicações.

Outro ponto ressaltado por Caldeira foram os canais de comunicação e transparência da informação implementadas pelo município, com a criação de novos canais on-line abertos ao público com informações relativas à disponibilidade de doses, horários de funcionamento dos postos de vacinação e detalhamento da situação epidemiológica da cidade com boletins informativos diários. “Nós estamos preparados, estamos empenhados trabalhando para vacinar o maior número de pessoas no menor espaço de tempo”, destacou.

Ainda sobre a estrutura municipal, Ana Paula Lima Orlando, coordenadora substituta da Atenção Básica da Secretaria de Saúde, apresentou as estratégias de rastreamento implementadas na capital paulista e informações relacionadas à quantidade de exames Rt-PCR e sorológicos realizados na cidade de São Paulo.

Como uma das principais ações, ela destacou a realização do inquérito sorológico no município, que apresenta a evolução da prevalência de infecção (número de pessoas que apresentam anticorpos ao novo coronavírus) na capital, que possibilita mapear a disseminação do vírus na cidade.

Outra ação apontada por Ana Paula é a realização do Censo Escolar Municipal – Sorologia Covid-19, que permite realizar o mapeamento da situação sorológica em toda a comunidade escolar – não apenas alunos e professores, mas as demais pessoas ligadas à estrutura educacional.

Além desses dois mapeamentos, ela pontuou que também estão em curso outras ações, como a busca ativa de faltosos (pessoas pertencentes aos públicos-alvo que não tomaram a vacina) por agentes comunitários de saúde e o monitoramento telefônico de pessoas que testaram positivo para o novo coronavírus.

Apontamentos

Participante do seminário, a técnica em enfermagem Jovelina Rodrigues, representante dos trabalhadores do Conselho Gestor de Saúde da Supervisão de Saúde de Guaianases, externou preocupação em relação ao gerenciamento da pandemia. “O que a gente se preocupa na verdade, enquanto usuário do SUS (Sistema Único de Saúde), enquanto trabalhador, é essa letalidade que a gente tá vendo. Pelas estatísticas, a gente tá vendo que o mês de abril de 2021 está sendo o mais letal. E também a nossa preocupação é a questão da vacina, que está muito devagar”, disse Jovelina.

Outro participante do seminário, James Francisco Pedro dos Santos, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, pediu a priorização da vacinação dos profissionais da área. “Entendemos que, por conta de toda uma política pública e governamental, não temos vacinas para todos. Mas nós também sabemos que, mesmo existindo vacinas em alguns serviços, nós temos a dificuldade de que os profissionais de enfermagem sejam vacinados, mesmo estando na linha de frente”, frisou Santos, que também cobrou mais ações de segurança voltadas aos profissionais da área, devido aos crescentes casos de agressões registrados desde o começo da pandemia.

Manifestações

Ouvinte do seminário, João Gomes, membro da diretoria do Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), foi convidado a se manifestar e apresentou uma série de questionamentos sobre a situação dos trabalhadores do serviço funerário, com especial destaque à possibilidade de exaustão devido às altas cargas de trabalho decorrentes dos enterros ocasionados pela Covid-19.

Ao final da primeira mesa de debate, o vereador Jair Tatto fez uma breve manifestação de encerramento. “Fica sempre a nossa homenagem carinhosa aos profissionais da saúde, aos que estão na linha de frente e às vidas perdidas”, finalizou.

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