Em reunião nesta terça-feira (01/09), a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Metanol aprovou por unanimidade o relatório final dos trabalhos. Ao longo dos últimos 11 meses, o colegiado apurou a comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol na cidade de São Paulo. A leitura do texto foi acompanhada por familiares de vítimas prejudicadas com a falsificação dos destilados.
O documento tem 58 páginas. Com a relatoria da vereadora Sandra Santana (MDB), a conclusão das atividades faz um balanço das investigações e aponta recomendações para fortalecer a fiscalização – com a integração obrigatória dos órgãos para o cruzamento de denúncias de bebidas adulteradas; a rastreabilidade de bebidas – com a obrigatoriedade de apresentação de nota fiscal de compra e venda em toda a cadeia; e a proteção ao consumidor, com campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos do metanol e como identificar bebida adulterada.
Na apresentação do relatório final, Sandra Santana destacou o foco na prevenção. “Este relatório mostra que não estamos falando apenas de uma fraude comercial, estamos falando de um crime contra a vida. O que apuramos aqui precisa virar política pública para que nenhuma outra família passe pelo que essas vítimas passaram. Propomos medidas concretas de fiscalização e rastreio”.
O caráter técnico dos trabalhos da CPI foi ressaltado pela presidente do colegiado, vereadora Zoe Martínez (PL). “Nós ouvimos todos os lados, vítimas, comerciantes, especialistas e Poder Público. O objetivo foi entender como essa bebida adulterada chegou na ponta e como podemos fechar essas brechas na fiscalização. A comissão cumpriu o papel e entrega um documento que vai ajudar a salvar vidas. Mas nosso trabalho não para por aqui. Como parlamentares, vamos continuar fiscalizando e cobrando os órgãos competentes”.
Vice-presidente da CPI, a vereadora Ely Teruel (MDB) também defendeu que as recomendações sejam efetivadas. “Vimos de perto o sofrimento das famílias. O que queremos agora é que esse relatório não fique na gaveta, que vire ação efetiva na ponta, com mais fiscalização e mais segurança para quem consome. Acompanharemos isso de perto, para que novas vidas não sejam ceifadas e que famílias não venham ter a dor da perda”.
Com a aprovação, o documento será encaminhado ao MPE-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), ao Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), à Vigilância Sanitária e às secretarias municipal e estadual da Saúde. Também participaram da reunião desta terça os vereadores integrantes da CPI Adrilles Jorge (UNIÃO) e Sargento Nantes (PP). Compõem ainda o colegiado os parlamentares Celso Giannazi (PSOL) e Hélio Rodrigues (PT).
Metanol
É um álcool de uso industrial, presente em solventes e produtos químicos, altamente tóxico quando ingerido. No organismo, ele é transformado pelo fígado em substâncias que atacam a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo provocar cegueira, coma, insuficiências pulmonar e renal e morte.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, até maio de 2026, São Paulo registrou 54 casos de contaminação por metanol em bebida alcoólica, com 12 mortes confirmadas. De acordo com a Polícia Civil, por meio do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), as ações resultaram em 46 prisões em 2026, totalizando 66 prisões desde 2025, além da apreensão de 140 mil vasilhames, 22,5 mil garrafas e 481,5 mil itens usados na falsificação, como rótulos e lacres.
CPI do Metanol
Instalada em outubro de 2025 após o aumento de casos de intoxicação no Estado, vereadores da CPI ouviram vítimas, familiares, proprietários de bares e adegas, representantes do setor de bebidas e médicos especialistas. Durante os trabalhos, o colegiado aprovou diversos requerimentos. Os documentos convocaram novos investigados e convidaram empresas a auxiliarem no andamento das investigações, que resultaram nas 58 páginas do relatório final.
Confira aqui a reunião da CPI do Metanol desta terça-feira.
