CPI do Jockey Club ouve sócios de empresa imobiliária sobre aquisição de potencial construtivo

Por: ANA BEATRIZ ALVES
DA REDAÇÃO

1 de setembro de 2026 - 16:01

Na tarde desta terça-feira (01/09), os integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club se reuniram para colher depoimentos de representantes da empresa Nova Paulista Empreendimentos Imobiliários Ltda. O colegiado apura a regularidade fiscal e imobiliária das atividades do Jockey Club de São Paulo, o gerenciamento de seus débitos tributários, a atuação do Poder Público e eventuais irregularidades na alienação de potencial construtivo.

Na pauta da reunião estavam previstas as oitivas de Vicente Renato Paolillo, atual presidente interino do Jockey Club, e de Benjamin Steinbruch, ex-presidente da entidade e integrante do Conselho de Administração. Ambos foram formalmente convidados pelo colegiado, mas não compareceram.

Oitivas

Os vereadores colheram o depoimento do investidor José Emílio Pessanha, intimado pela segunda vez após os parlamentares apontarem a necessidade de esclarecer informações prestadas na reunião anterior. Questionado sobre sua atuação na Nova Paulista Empreendimentos, Pessanha declarou novamente que figura apenas como sócio investidor, sem envolvimento técnico ou executivo nas rotinas da empresa. Em contrapartida, o vice-presidente da CPI, vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS), apresentou certidões obtidas junto à Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) que indicam o depoente formalmente como sócio e diretor, status que confere responsabilidade pelas decisões corporativas.

“Eu converso por telefone com o meu sócio, eu não sou consultor, nem engenheiro, é ele quem toca todo esse dia a dia”, esclareceu Pessanha.

O engenheiro e sócio-administrador Renato Mauro também prestou esclarecimentos ao colegiado. Ele detalhou a realização de duas operações de aquisição de TDC (Transferência do Direito de Construir), que juntas correspondem a cerca de 26 mil metros quadrados de potencial construtivo, totalizando cerca de R$ 15 milhões.

Renato explicou a mecânica dos pagamentos e a intermediação do negócio: “Eu paguei o corretor Roberto de Almeida Demenato Garcia Figliolini, e pagamos o TDC na conta do Jockey, cerca de 15 milhões de reais, ele que tratou de toda a tramitação junto ao clube”.

O advogado dos representantes, Fernando Antônio Campos Silvestre, pontuou durante a reunião que todas as transações foram realizadas de boa-fé e dentro da regularidade: “A operação foi absolutamente regular e não poderia ser diferente. Meus clientes fizeram a operação partindo da premissa de regularidade impecável”.

Avaliação dos trabalhos

Ao final do encontro, os vereadores repercutiram os questionamentos dos intimados sobre os motivos de a empresa ter sido chamada para prestar esclarecimentos à CPI. “Todas as informações que solicitamos são importantes para apurarmos, isso não quer dizer que ‘A ou B’ é culpado de alguma coisa, mas é importante para a CPI chegar nas informações necessárias para que o relator faça o relatório”, afirmou o vice-presidente do colegiado, Sansão Pereira.

O vereador Guilherme Corrêa (UNIÃO) ,apontou a necessidade de complementação e solicitação de documentos por parte dos representantes da empresa.

“Eles disseram que vão colaborar e trazer as documentações necessárias. As respostas foram meio ‘truncadas’, é uma empresa que só tinha uma folha de pesquisa da Junta Comercial, eles têm registrado naquele documento um capital de apenas três mil reais e, para uma negociação tão vultosa, precisamos olhar. Eles falam que a empresa não é objeto de investigação, e sim o Jockey, mas como eles estão negociando com a entidade e essa documentação está muito nebulosa, precisamos olhar sem pressa para dar a resposta que a sociedade precisa”, disse.

A reunião, que pode ser vista aqui, também contou com a participação dos parlamentares: Gilberto Nascimento (PL), Carlos Bezerra Jr. (PSD), Kenji Ito (PODE) e Roberto Tripoli (PV).

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