Após o período do recesso parlamentar, a Câmara Municipal de São Paulo retomou nesta terça-feira (3/2) os trabalhos do Plenário. A sessão que marcou o início das atividades de 2026 abriu espaço para os vereadores discursarem sobre temas livres. Cada parlamentar que subiu à tribuna teve entre cinco e quinze minutos de fala.
A Sessão Plenária foi conduzida pelo 1° vice-presidente da Casa, vereador João Jorge (MDB). O parlamentar assumiu interinamente a presidência do Legislativo paulistano durante a ausência do presidente Ricardo Teixeira (UNIÃO), que se licenciou da função por 38 dias para cuidar da saúde. Neste período, o suplente Adilson Amadeu (UNIÃO) permanecerá no lugar dele.
Teixeira está com herpes zoster – doença infecciosa que causa lesão na pele. Presidente em exercício, João Jorge desejou pronta recuperação ao parlamentar. “É claro que eu preferia assumir a presidência da Casa, ainda que interinamente, em outras situações, mas estou assumindo em um momento que não é o mais agradável nem para celebração. É um momento de enfermidade do presidente Ricardo Teixeira”.
Ainda na sessão de hoje, João Jorge informou que na segunda-feira (2/2) foi publicada no Diário Oficial a representação numérica das bancadas que irão compor as comissões e a corregedoria ao longo do ano. A partir desta terça, as lideranças partidárias da Câmara têm até cinco dias úteis para indicar os nomes que farão parte dos colegiados.
Na primeira sessão de 2026, João Jorge afirmou que embora seja um ano de eleições para os governos estaduais e federal, a Câmara seguirá atuante. “A Casa não vai parar. Estaremos aqui, em atividade de Plenário, toda terça, quarta e quinta”. O presidente interino também disse que o Parlamento da capital estará atento às necessidades da população.
“Estamos aqui prontos e aptos para votar projetos do Executivo, mas há sempre uma prioridade dos vereadores. Somos 55 (parlamentares), temos o nosso eleitorado e as nossas bandeiras. O ano passado foi de grande produtividade e já estamos prevendo a primeira votação de projetos de vereadores para quarta-feira da semana que vem”, destacou João Jorge.
Líder do governo na Casa, o vereador Fabio Riva (MDB) reforçou o compromisso da Câmara com a cidade de São Paulo. De acordo com ele, inicialmente o Plenário irá incluir na pauta de votação propostas de parlamentares que ficaram pendentes no ano passado. Riva destacou ainda que após o Carnaval vai se reunir com a Secretaria Municipal da Casa Civil para discutir as demandas da Prefeitura para 2026.
“O Executivo vai encaminhar alguns projetos que estão sendo elaborados pelas secretarias. Vamos ter uma reunião com a Casa Civil depois do Carnaval para passar para os vereadores quais projetos vão chegar aqui na Câmara”, disse Fabio Riva. “E o prefeito (Ricardo Nunes) virá à Câmara assim que o presidente (Ricardo Teixeira) se restabelecer. Ele também prestará contas de 2025 e dizer quais as pretensões do Executivo municipal para 2026”.
A abertura dos trabalhos legislativos de 2026 no Plenário também foi marcada por outros assuntos. O vereador Major Palumbo (PP) aproveitou o espaço de debate para ressaltar a importância dos investimentos feitos na área da segurança pública da capital paulista. Segundo o parlamentar, os índices de criminalidade na cidade diminuíram. “Os dados da Segurança Pública comprovam”.
“Além da Guarda Civil Metropolitana, que recebeu o maior investimento da história, temos também a ampliação das operações delegadas com a Guarda Civil e a Polícia Militar dando maior sensação de segurança junto com o Smart Sampa (sistema de monitoramento por câmeras)”, falou Palumbo. “Temos que destacar o investimento, a união e a cooperação entre a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana”.
Já o novo líder do PT na Câmara, vereador Alessandro Guedes (PT), repercutiu os problemas causados pelas fortes chuvas que atingiram a cidade de São Paulo nas últimas semanas. O parlamentar cobrou políticas públicas para minimizar os impactos provocados pelas mudanças climáticas. “Mais uma vez a cidade presencia cenas horríveis, presencia cenas que levaram a vida de pessoas. São Paulo registra isso ano após ano”.
“O mundo está mudando, o clima está mudando. Toda hora cai uma pancada de chuva em algum canto e acaba com tudo. Temos que ter um trabalho de planejamento, principalmente, para que possamos preparar a nossa cidade para reagir nessa situação. Porque, senão, ano após ano veremos as mesmas cenas tristes de pessoas perdendo pertences, materiais e a vida – o que é deprimente para uma cidade tão rica como São Paulo”.
O vereador Silvinho Leite (UNIÃO) também demonstrou preocupação com as enchentes e alagamentos que geram transtornos em diversas regiões da capital. Para ele, o cenário “só não tem sido pior porque o Poder Público tem feito muita obra, mas ainda tem muita a fazer. Por outro lado, também precisamos de um apoio forte das comunidades para evitarem de jogar lixo, entulho, bagulho e móveis velhos (irregularmente). Tudo isso não desce no córrego. Se trabalharmos juntos, tenho certeza, vamos dar uma resposta muito boa”.
A educação foi outro tema discutido no Plenário. Da tribuna, o vereador Celso Giannazi (PSOL) lembrou que os estudantes das escolas públicas municipais retornam às aulas nesta quarta-feira (4/2). Giannazi disse que 2026 se inicia com questões que não foram resolvidas no ano passado nas unidades escolares da capital: o déficit de profissionais.
“Faltam professores e profissionais do quadro de apoio – os ATEs (Auxiliares Técnicos de Educação). Temos dois concursos públicos aprovados pela Câmara Municipal e realizados pela Secretaria Municipal de Educação com recurso destinado à convocação dos aprovados”, destacou Celso. “Falta apenas o prefeito Ricardo Nunes nomear os aprovados”.
A poucos dias do Carnaval, a festa popular da cidade foi tema de discurso da vereadora Marina Bragante (REDE). A parlamentar fez observações sobre diferentes questões que envolvem a folia paulistana. “Que os pequenos e médios blocos consigam patrocínio para fazer com que o Carnaval seja bonito e que os foliões daqui ou que vêm para cá possam aproveitar. O segundo ponto é a gestão de resíduos. O Carnaval ainda gera muito resíduo. É um período importante para os catadores e catadoras para que eles possam catar bastante material e ter um retorno financeiro significativo”.
“Por último e não menos importante, é o assédio contra as mulheres. Precisamos de um Carnaval sem assédio, assédio zero aqui em São Paulo e sem feminicídio. A violência contra a mulher tem crescido na cidade e no Estado. Portanto, esse é um período que precisamos redobrar o cuidado e atenção com as mulheres para garantir que todo mundo possa curtir a rua do jeito que quiser”, disse Marina.
Próxima sessão
A próxima Sessão Plenária está convocada para esta quarta-feira (4/2), às 15h. A Câmara Municipal de São Paulo transmite a sessão, ao vivo, por meio do Portal da Câmara no link Plenário 1º de Maio, do canal Câmara São Paulo no YouTube e do canal 8.3 da TV aberta digital (TV Câmara São Paulo).
A íntegra da Sessão Plenária desta terça-feira pode ser conferida aqui.
