Cuidados com a saúde mental de quem atua na linha de frente da pandemia são debatidos em Audiência

MARCO CALEJO
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Em harmonia com o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, a saúde mental dos profissionais das áreas da saúde e da assistência foi pauta de trabalho da Câmara Municipal de São Paulo. No início da noite desta segunda-feira (13/9), a Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher discutiu em Audiência Pública o tema “Quem Cuida de Quem Cuida? Saúde Mental dos Profissionais da Saúde e Assistência”.

O requerimento da reunião foi protocolado pela vereadora Luana Alves (PSOL), integrante do colegiado. No início da audiência, a parlamentar, que presidiu o debate, justificou a realização da audiência. 

“A pandemia trouxe mais trabalho e todo o tipo de demanda, mas não veio acompanhada em boa parte das vezes de uma resposta à altura do Poder Público. Nem do Executivo, nem do Legislativo. É importante que essa Comissão de Saúde consiga se colocar e se comprometer com quem está na ponta da cidade de São Paulo, com quem executa a política pública”, disse Luana.

O presidente da Comissão de Saúde, vereador Felipe Becari (PSD), acompanhou a audiência e valorizou o espaço do debate. “Realmente são muitas demandas. Essas pessoas precisam ser cuidadas. Quem cuida, também precisa ser cuidada”.

A vice-presidente do colegiado, vereadora Juliana Cardoso (PT), também participou do encontro. “Pauta muitíssimo importante porque estamos vivendo um momento em que o mundo está doente. E quem cuida, também precisa de cuidados e de políticas públicas fortalecidas para poder dar conta desse processo”. 

Profissionais e representantes de entidades

A Comissão de Saúde recebeu convidados, que representaram diferentes categorias e entidades. Os profissionais que participaram da audiência trabalham em unidades de saúde e hospitais na cidade de São Paulo. 

A médica psiquiatra Lívia Vieira é diretora do Simpesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo) e atende em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) da capital paulista. Ela retratou a realidade de colegas de trabalho e defendeu a criação de um serviço público específico para oferecer aos profissionais da área da saúde. 

“Tenho tentado atender os profissionais lá da UBS. A gente percebe, de fato, um adoecimento muito grande, um sofrimento psíquico intenso. Mas, a gente não dá conta de fazer as coisas por favor. Há a necessidade de um serviço que seja voltado para o atendimento aos profissionais”, falou Lívia. 

O farmacêutico Marcos Ferreira Machado representou o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo. Ele também vê necessidade em estabelecer políticas públicas para cuidar da saúde mental dos profissionais da saúde e de assistência. Marcos chamou a atenção para as longas jornadas de trabalho. “Nós tivemos em 2020 e 2021, profissionais da saúde tendo que cobrir a ausência de colegas que tiveram de se ausentar por conta do coronavírus e porque estavam exaustos. Mentalmente em condições inadequadas de trabalho”.

Para o psicólogo André Teixeira, a pandemia agravou os problemas relacionados à saúde mental de quem trabalha na área da saúde. De acordo com ele, é preciso criar ações para enfrentar o período pós-covid. “Se nós formos pensar em termos de serviço público, um profissional que frente ao impacto à sua saúde não vai estar apto a desempenhar suas funções. Quem perde é a sociedade e, claro, esse profissional que vai estar em uma situação bem delicada”.

A psicóloga Karen Scavacini também fez algumas considerações durante o debate. “Temos diversas cartilhas e campanhas. Quero deixar tudo à disposição para poder ajudar quem puder. Que a gente possa cada vez mais nos unir com relação ao cuidado da saúde mental e à prevenção do suicídio”. 

Há 38 anos trabalhando na área da saúde, a enfermeira Iara Maria Ferreira disse que a saúde mental de profissionais da saúde e da população foi agravada com a pandemia. “Sem dúvida, a pandemia afetou não só os trabalhadores da saúde, mas acredito que todo mundo está adoecido. A gente tem comentado muito isso, como tem aumentado a procura pelos serviços de saúde mental”.

A agente de saúde Marlene Souza revelou que os momentos de estresse ao sair de casa para trabalhar afligiu os profissionais que atuam na linha de frente da pandemia. “É o medo de pegar a doença, é o medo de trazer a doença para casa”. 

O enfermeiro Sérgio Cleto representou o Conselho Regional de Enfermagem. “Nós, da enfermagem, não somos super-heróis. Somos seres-humanos, dotados de sentimentos, emoções, medos e angústias”.

A fisioterapeuta Cristiane Carvalho representou o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região. Ela atua na linha de frente em hospitais da capital paulista desde o início da pandemia. “Eu cheguei a trabalhar quase quatro semanas direto, sem folga, naquele período de pico mesmo acelerado. Todo mundo entrou em um estresse terrível no início da pandemia. Para nós, profissionais da saúde, quando saíamos de casa era como se estivéssemos recebendo uma sentença de morte”.

A Audiência Pública está disponível aqui

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