CPI do Jockey Club ouve presidente e prorroga trabalhos por mais 120 dias

Por: VITÓRIA SANTIAGO
DA REDAÇÃO

8 de setembro de 2026 - 16:13

Nesta terça-feira (08/09), vereadores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club ouviram o presidente da instituição e aprovaram quatro requerimentos. Entre as solicitações aprovadas está a prorrogação dos trabalhos do colegiado por mais 120 dias.

A CPI investiga possíveis irregularidades nas atividades do Jockey Club de São Paulo, incluindo eventuais dívidas tributárias, negociações envolvendo terrenos e construções, além de apurar possíveis falhas ou omissões do Poder Público.

Depoimento

O vice-presidente da CPI, vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS), iniciou os questionamentos ao presidente do Jockey Club. Entre os assuntos abordados esteve a elaboração, assinatura e protocolização, junto ao DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), de cerca de 10 mil documentos apresentados pela entidade como prestação de contas de projetos da Lei Rouanet, incluindo notas fiscais de restaurantes, hotéis e passagens aéreas.

Segundo o depoimento do presidente do Jockey Club, Vicente Renato Paolillo, a documentação teria sido organizada por uma equipe interna da entidade, sob responsabilidade do diretor-executivo, José Carlos Pires. “Eu acho que é uma equipe interna lá do clube, do diretor-executivo, que é o José Carlos Pires”, comentou Vicente Paolillo.

Na sequência, o integrante do colegiado, vereador Roberto Tripoli (PV), questionou o depoente sobre a dívida do Jockey Club de São Paulo com a Prefeitura. Em resposta, o presidente da entidade afirmou que a questão é complexa e contestou os critérios utilizados pelo município para calcular os valores cobrados.

Segundo Paolillo, a administração municipal considera de maneira semelhante diferentes tipos de benfeitorias existentes no clube. “Os lançamentos que a Prefeitura faz, já desde sempre, ao nosso ver, não estão bem baseados, porque lança-se um valor venal das benfeitorias. Nós temos as tribunas, que são bonitas e valiosas, e temos cocheiras muito simples, mas a Prefeitura tem lançado o mesmo valor tanto para as posições melhores como para as mais simples”, comentou.

Tripoli então buscou entender há quanto tempo o clube discute a dívida e os valores cobrados pela Prefeitura. Em resposta, o presidente afirmou que o impasse se arrasta há muitos anos. “Temos conversado sobre a dívida com a Prefeitura e creio que chegaremos em um acordo”, pontuou o presidente do Jockey.

Em seguida, o presidente da CPI, vereador Gilberto Nascimento (PL), questionou o depoente sobre a capacidade financeira do Jockey Club de São Paulo para manter suas atividades. Paolillo explicou que parte dos recursos vem da exploração de apostas nas corridas e destinada à manutenção da entidade.

“Temos uma autorização para explorar apostas nas corridas. Com o resultado dessas apostas, o Jockey retira uma pequena participação para sua manutenção. A maior parte é devolvida aos próprios apostadores, e uma parte é destinada aos proprietários, criadores e treinadores que participam das corridas”, explicou.

Avaliação da reunião

Ao analisar o depoimento desta terça-feira, o presidente da CPI, vereador Gilberto Nascimento, considerou positivos os esclarecimentos apresentados pelo representante do clube e destacou ainda a situação financeira da instituição e a possibilidade de atração de investimentos como um caminho para a quitação da dívida com a cidade.

“Eu acho que é uma notícia positiva para a cidade de São Paulo. Eles têm uma dívida muito grande com a cidade, tiveram um prejuízo, nos últimos dois anos, de mais de R$ 60 milhões, mas transformou-se em positivo quando ele falou que existe um grupo ligado a um banco, que é o caso do BTG, que tem interesse em fazer um investimento ali e remodelar todo o clube. Então, começa a parecer que eles vão conseguir pagar a conta, o que, para a gente da CPI, é extremamente importante”, avaliou o parlamentar.

Requerimentos

Durante a reunião, também foram aprovados quatro requerimentos. Um deles, assinado por integrantes do colegiado, solicita a prorrogação das atividades da CPI por mais 120 dias. O presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento, ressaltou que o período adicional será importante para concluir as oitivas e avançar na elaboração do relatório final.

“É fundamental, porque nós estamos trabalhando em três fases. A gente precisa desse prazo até para começar a direcionar um relatório”, ressaltou o presidente.

Outro requerimento aprovado determina a intimação de Benjamin Steinbruch, ex-presidente do Jockey Club de São Paulo e membro do Conselho de Administração, para prestar esclarecimentos à CPI. Na ocasião, o vereador ainda aproveitou para comentar do porquê essa medida foi adotada e criticou a ausência de depoentes.

“Nós tivemos hoje algumas faltas. O ex-presidente do Jockey, Benjamin Steinbruch, a gente conseguiu entregar o convite em um dos endereços, mas ele não esteve presente. Aí, aprovamos uma intimação e também despachamos hoje uma condução coercitiva a um outro depoente que deveria ter vindo”, pontuou Nascimento.

A reunião, que pode ser conferida na íntegra aqui, teve a participação do presidente da CPI, vereador Gilberto Nascimento (PL), e dos parlamentares Sansão Pereira (REPUBLICANOS), Kenji Ito (PODE), Roberto Tripoli (PV) e Guilherme Corrêa (UNIÃO).

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