Audiência pública discute desativação da seção de Bibliografia e Documentação da Biblioteca Monteiro Lobato

 

JRaposo | REDE CÂMARA

Audiência Pública da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa desta quinta-feira (19/8)

CAROL FLORES
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Na manhã desta quinta-feira (19/8) a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa) realizou uma Audiência Pública virtual para discutir a desativação da seção de Bibliografia e Documentação da Biblioteca Municipal Infantojuvenil Monteiro Lobato, localizada na região central da capital paulista.

Os trabalhos foram conduzidos pelo vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL), um dos autores requerimento, que solicitou a realização da Audiência Pública, juntamente com a vereadora Luana Alves (PSOL). Participaram das discussões representantes de entidades ligadas à cultura, sociedade civil e representantes da Secretaria Municipal de Cultura.

O professor da ECA USP (Escola de Comunicação e Artes da USP), Edmir Perroti, comentou que a documentação guardada na Biblioteca Monteiro Lobato serve de referência para outras bibliotecas. Ele lembrou ainda que a documentação precisa ser bem cuidada pois dá acesso ao passado e ainda auxilia na construção do futuro.

Já o vice-presidente do SINDESP (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo), João Gabriel Guimarães, destacou que nos últimos tempos há uma desconstrução dos espaços públicos e da cultura. Para ele, mesmo que a Secretaria de Cultura diga que o fechamento das seções é falso, a situação vai além e perpassa a falta de investimentos no setor.

Na mesma linha, a bibliotecária Luciana Maria Melo destacou o quanto as políticas públicas vem sendo atacadas nos últimos anos e lembrou que no processo de desmonte o trabalhador é quem mais sofre. “A gente sabe que nesse processo de desmonte o trabalhador que está na ponta do processo é o mais prejudicado”, ressaltou a bibliotecária e ainda destacou que na Monteiro Lobato de todos os funcionários somente um não está em tempo de se aposentar. “Se todos os funcionários da Monteiro Lobato, que tem condições para se aposentar, fizer isso teremos somente uma pessoa trabalhando no local. Isso é gravíssimo”.

A representante do Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo da Oitava Região, Ana Claudia Martins, questionou os representantes da Secretaria de Cultura, sobre uma ata de reunião onde foi registrado o fechamento dos setores de Bibliografia e Documentação da Biblioteca Monteiro Lobato e afirmou que o Conselho abriu uma sindicância para apurar os fatos.

A presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo), Vera Stefanov, lembrou que a Biblioteca Monteiro Lobato contou com o apoio do poeta e escritor Mário de Andrade no seu surgimento e afirmou que é assustador ter que haver uma movimentação social para defender um centro bibliográfico, um centro técnico e ainda ter que ensinar gestores sobre a importância da cultura. “É inadmissível termos que ensinar gestores sobre a importância da cultura e ainda termos profissionais em trabalhos insalubres para defender 35 mil itens que estão na Monteiro Lobato. Falta modernização, investimento no setor e aumento no quadro de funcionários”, desatacou.

A pesquisadora Fernanda Lima lembrou que a Biblioteca Monteiro Lobato em 1953 recebeu da UNESCO o título de destaque pelos trabalhos realizados. “Temos que ter claro que memória não se constitui do dia para a noite e que é preciso preservá-las”, disse.

Já a representante da Secretaria de Cultura, Taís Lara, explicou que nunca houve intenção de retirada das seções de acervo da Biblioteca Monteiro Lobato e afirmou que só ficou sabendo da existência de uma ata de reunião que citava o tema através do jornal Folha S. Paulo. “Não houve orientação do gabinete do prefeito para o fechamento do acervo e também remoção de servidores”, destacou.

Taís Lara ainda disse que será aberta uma investigação para saber a origem da informação sobre o fechamento das seções de Bibliografia e Documentação da Biblioteca Monteiro Lobato.

Sobre a Biblioteca Monteiro Lobato

Criada em 14 de abril de 1936, a Biblioteca Municipal Infantojuvenil Monteiro Lobato é a mais antiga biblioteca infantil em funcionamento no País e precursora de outras similares, tanto na capital, como no interior do Estado de São Paulo; Atualmente, a biblioteca conta com um acervo de 68 mil exemplares, entre livros de literatura e informação, revistas e itens multimídia.

A Seção de Bibliografia e Documentação, tema da audiência, é responsável por catalogar e gerenciar os acervos de circulação (empréstimo domiciliar) e os acervos de preservação da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato. Foi responsável pela publicação da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil, referência nacional na área, desde 1941, porém, a publicação foi interrompida em 2007 e não foi retomada desde então.

Para conferir na íntegra da audiência, clique aqui

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