Economia circular é pauta da Comissão de Meio Ambiente

Luiz França / CMSP

Audiência Pública da Comissão de Meio Ambiente

JOTA ABREU
DA REDAÇÃO

A Comissão Extraordinária de Meio Ambiente se reuniu em Audiência Pública, nesta terça-feira (13/11), para discutir o tema “Economia Circular, Muito Mais do que um Canudinho”. Baseada no desenvolvimento de produtos que prezem, desde o design, pela possibilidade de sua reutilização imediata, a economia circular é capaz de criar matéria-prima para novos produtos ou combustível para a geração de energia.

Presente à Audiência, Silvia Piedrahila Rolim, assessora técnica da Plastivida, instituição sem fins lucrativos, ligada a questões ambientais, defende a ideia de que não é correto classificar o plástico apenas como vilão, como tende a ocorrer hoje em dia. “Seria preciso um olhar inclusivo no conceito de economia circular, para buscar alternativas inteligentes de reutilização do material”, disse Silvia. “Por ser um material extremamente versátil e 100% reciclável, o plástico está totalmente dentro do conceito de economia circular. Se tenho plástico e faço dele um combustível, é uma reinserção no ciclo produtivo pós-consumo”, afirmou Silvia.

O diretor de planejamento da AMLURB (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana), Monty Dahan, fez uma exposição dos conceitos de economia circular. Segundo ele, a municipalidade tem perseguido e alcançado metas de modernização na gestão dos resíduos como uma etapa intermediária. “Estamos em um estágio anterior para poder implantar a economia circular. Trabalhamos em redução de consumo, reciclagem, destinação correta, educação ambiental, mas a sociedade ainda não está madura para falar em economia circular, por isso estamos um passo antes, nos preparando para isso”, definiu o diretor da AMLURB.

Para o engenheiro e empreendedor Chicko Sousa, criador da Plataforma Verde, um software que disponibiliza aos assinantes serviços de gestão de resíduos, esse é um tema discutido globalmente. “Isso ocorre desde a questão produtiva, em que você tem que continuar mantendo o ritmo de produção e, não só gerar menos resíduos, como também recuperar o máximo de material neste processo. Nas empresas, ganha espaço o conceito de logística reversa para essa gestão”, disse Sousa, cujo site foi premiado pelo Fórum Econômico Mundial.

Também presente ao evento, Flávio de Miranda Ribeiro, gerente do Departamento de Políticas Públicas de Resíduos Sólidos e Eficiência dos Recursos Naturais da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), disse que a discussão busca adequar o desenvolvimento econômico às necessidades humanas e à preservação ambiental.

Esses objetivos, diz Ribeiro, deveriam caminhar juntos, incluindo aí uma série de medidas que a prefeitura pode adotar para acelerar essa transição. “Existem várias iniciativas em curso na cidade de São Paulo, no estado e também no país. São Paulo já tem um programa de compostagem que começou e precisa ser melhorado. Tem a coleta seletiva, o apoio à cooperativa de catadores, são iniciativas que já existem, mas precisam ser fortalecidas e ampliadas ao longo do tempo”, defendeu o gerente da Cetesb.

O evento trouxe o assunto à tona em meio à discussão do PL 99/2018, de autoria do vereador Reginaldo Tripoli, coassinado por diversos vereadores, que propõe a proibição do fornecimento de canudos plásticos aos clientes de hotéis, restaurantes, bares, padarias, entre outros estabelecimentos comerciais de São Paulo.

A ideia do PL é que possam ser oferecidos canudos em papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados, feitos do mesmo material. Após passar por todas as comissões, o projeto está pronto para a primeira votação no Plenário da Câmara.

A discussão contou com a presença dos vereadores Reginaldo Tripoli (PV), presidente da Comissão, Fábio Riva (PSDB) e Soninha (PPS).

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