Inquérito sorológico aponta que um terço da população da capital já teve contato com o novo coronavírus

Marcelo Pereira | SECOM | PMSP

Coletiva on-line da Prefeitura de São Paulo desta quinta-feira (13/5)

DANIEL MONTEIRO
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A Prefeitura de São Paulo apresentou, em coletiva virtual realizada nesta quinta-feira (13/5), os resultados da quinta fase do inquérito sorológico realizado na capital paulista, elaborado pela Secretaria Municipal da Saúde.

Os dados mostram que a prevalência do novo coronavírus na população da cidade, hoje, é de 33,5%. Ou seja, um terço da população da capital paulista já teve contato e apresenta anticorpos para o vírus.

O inquérito sorológico também confirmou a incidência da variante P.1 do novo coronavírus como a principal em circulação no município. Do total de casos confirmados, 56,1% são assintomáticos e a maior prevalência é observada na população de jovens adultos, de 18 a 34 anos.

Durante a apresentação dos dados, o prefeito em exercício Ricardo Nunes (MDB) agradeceu o apoio da Câmara Municipal de São Paulo no enfrentamento à pandemia. “Importantíssimos todos os trabalhos contra a Covid-19 que estão sendo apoiados pela Câmara Municipal. Então, um agradecimento à Câmara e também à Comissão de Saúde e estendo os nossos agradecimentos a todos os vereadores”, disse Nunes.

Representando a Câmara na coletiva, participaram o vereador Atílio Francisco (REPUBLICANOS) e o vereador Felipe Becari (PSD), presidente da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher.

“Eu acho que esse caminhar ao lado da Comissão de Saúde e da Câmara de São Paulo é muito importante e ele está acontecendo. O nosso contato com a Secretaria da Saúde é diário, com a Prefeitura é diário para que nós possamos atender a demanda, de toda a forma e da melhor forma possível. E garantir à população que nós da Câmara de São Paulo estamos trabalhando lado a lado, não só para fiscalizar, mas para auxiliar a Prefeitura e a Secretaria da Saúde no combate ao coronavírus”, destacou Becari.

“A Câmara Municipal, na figura do presidente, vereador Milton Leite (DEM), e de todos os vereadores também, tem acompanhado ativamente todo esse trabalho que a Prefeitura tem feito com relação à defesa da população contra Covid-19. Foram várias menções, várias determinações que foram aprovadas na Câmara para favorecer o trabalho da Prefeitura. Então, com tudo, eu quero dizer para o povo paulistano que, apesar das lutas, apesar das dificuldades que temos enfrentado, das perdas que tivemos, São Paulo está em boas mãos e nós vamos vencer a Covid-19 e a cidade vai voltar melhor do que era”, afirmou Francisco.

Também participaram da coletiva o secretário municipal da Casa Civil, Ricardo Tripoli, o secretário municipal de Educação, Fernando Padula, e o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

Inquérito Sorológico

O aumento da prevalência, que saltou de 25% na quarta fase do inquérito para 33,5% na atual amostragem, foi justificada pela mudança de metodologia implementada no município, com o uso de novos testes para detecção do vírus.

Em linhas gerais, os dados mais recentes mostram haver aproximação dos valores de prevalência entre as regiões da capital em relação ao levantamento anterior, com destaque para a região Sul, que lidera a porcentagem de casos. A prevalência na quinta fase do inquérito sorológico foi de 29,6% na região Sudeste, 27,2% na Centro-Oeste, 33,3% na Leste, 34,4% na Norte e 39,1% na Sul.

A pesquisa também mostra a aproximação da prevalência nas regiões de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) médio e baixo e aumento em todas as faixas de IDH. Além disso, a prevalência se manteve menor na faixa de IDH alto (29,9%), em relação às faixas intermediária (33,7%) e baixa (36,2%).

Os dados divulgados nesta quinta-feira mantiveram a tendência de mudança na prevalência do vírus em relação à faixa etária das pessoas, com mais casos na população mais jovem. Em pessoas de 18 a 34 anos, a prevalência é de 35,1%; de 35 a 49 anos, a prevalência é de 28,7%; e de 50 a 64 anos, a prevalência é de 28%. Devido à baixa proporção de indivíduos de 65 anos e mais, não foi calculada a estimativa de prevalência nessa faixa etária.

Além disso, o levantamento mostra que hoje a maior prevalência é de assintomáticos, que são 56,1% dos casos positivos (contra 43,9% de sintomáticos). A estimativa de prevalência de infecção pelo novo coronavírus nos indivíduos da raça/cor preta/parda foi maior (37,6%) em relação às outras categorias.

Outro dado importante mostra que a prevalência de infecção nos indivíduos que disseram não restringir contatos (43,3%) foi maior em relação à prevalência dos indivíduos que afirmaram ter contato com grupos restritos (33,2%) ou que não têm contato com outras pessoas fora do ambiente doméstico (31,6%).

Por fim, a estimativa de prevalência continua menor nos indivíduos em teletrabalho e maior nos que trabalham fora, desempregados e que não trabalham, bem como a faixa de escolaridade superior apresenta menor estimativa de prevalência, enquanto a de escolaridade fundamental tem a maior prevalência.

Os resultados da quinta fase do inquérito sorológico reforçam a necessidade da manutenção das medidas de distanciamento social em todas as regiões do município e classes sociais, bem como o uso de máscaras e restrição de contato social.

Profissionais da educação

Na coletiva, também foi apresentado o censo sorológico em profissionais da educação rede municipal de ensino. Os dados mostram que houve 27% de prevalência de infecção pelo novo coronavírus em um total de 56.890 profissionais da educação cujos resultados dos testes foram liberados.

Vacinação

A Prefeitura anunciou que, a partir da próxima segunda-feira (17/5), terá início na capital a vacinação de gestantes e puérperas acima de 18 anos e com comorbidades. A imunização será feita nas 468 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município com a vacina da Pfizer.

Também foi realizada a regulamentação da xepa (sobra de vacinas que abertas que, ao final do dia, seriam descartadas). Agora, as doses restantes serão destinadas a profissionais de saúde e pessoas com comorbidades com 18 anos ou mais. A xepa também é aplicada nas UBSs.

Infraestrutura de saúde

Na coletiva, também foi apresentado um resumo das melhorias promovidas pela Prefeitura na área da saúde da capital para conseguir atender a demanda provocada pelo novo coronavírus. Ao todo, o município inaugurou desde o início da pandemia 10 novos hospitais, abriu 1.357 novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 1.344 novos leitos de enfermaria, além de ter contratado 11,5 mil profissionais de saúde.

Mais sobre o novo coronavírus

Segundo dados mais recentes sobre a pandemia do novo coronavírus publicados pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, nesta quinta-feira (13/5) a capital paulista contabilizava 28.812 vítimas da Covid-19.

Havia, ainda, 1.092.780 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus. Desde o início da pandemia, 1.339.700 pessoas haviam recebido alta após passar pelos hospitais de campanha, da rede municipal, contratualizados e pela atenção básica do município.

Abaixo, gráfico detalhado sobre os índices da Covid-19 na cidade de São Paulo.

Prefeitura de SP

Em relação ao sistema público de saúde da região metropolitana de São Paulo, a atualização mais recente destaca que, nesta quinta (13/5), a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados a pacientes com Covid-19 é de 76,5%.

Considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades sanitárias a principal forma de contenção da pandemia do novo coronavírus, o isolamento social na cidade de São Paulo, na última quarta-feira (12/5), foi de 39%.

Os dados são do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, que utiliza dados fornecidos por empresas de telefonia para medir o deslocamento da população e a adesão às medidas estabelecidas pela quarentena no Estado.

Ações e Atitudes

Divulgado na última quinta-feira (6/5) na revista Clinical Infectious Diseases, um estudo sugere que as pessoas que já tiveram dengue no passado são duas vezes mais propensas a desenvolver sintomas da Covid-19 caso sejam infectadas pelo novo coronavírus.

As conclusões descritas no artigo se baseiam na análise de amostras sanguíneas de 1.285 moradores da cidade de Mâncio Lima, no Acre. O trabalho foi coordenado pelo professor da USP (Universidade de São Paulo) Marcelo Urbano Ferreira e contou com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

De acordo com Ferreira, os resultados evidenciam que as populações mais expostas à dengue, talvez por fatores sociodemográficos, são justamente as que correm mais risco de adoecer caso sejam infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo o coordenador do estudo, este é um exemplo do que tem sido chamado de sindemia (interação sinérgica entre duas doenças de modo que uma agrava os efeitos da outra): por um lado, a Covid-19 tem atrapalhado os esforços de controle da dengue, por outro, esta arbovirose parece aumentar o risco para quem contrai o novo coronavírus.

Para a realização do estudo, foram incluídas nas análises amostras de sangue coletadas em dois momentos: novembro de 2019 e novembro de 2020. O material foi submetido a testes capazes de detectar anticorpos contra os quatro sorotipos da dengue e também contra o novo coronavírus.

Os resultados mostraram que 37% da população avaliada já havia contraído dengue até novembro de 2019 e 35% haviam sido infectados pelo novo coronavírus até novembro de 2020. Também foram analisadas as informações clínicas (sintomas e desfecho) dos voluntários diagnosticados com a Covid-19.

Por meio de análises estatísticas, foi concluído que a infecção prévia pelo vírus da dengue não altera o risco de um indivíduo ser contaminado pelo novo coronavírus. Por outro lado, ficou claro que quem teve dengue no passado apresentou mais chance de ter sintomas da Covid-19.

Os pesquisadores não sabem precisar as causas do fenômeno descrito no artigo. É possível que exista uma base biológica – os anticorpos contra o vírus da dengue estariam favorecendo de algum modo o agravamento da Covid-19 – ou seja simplesmente uma questão sociodemográfica, relacionada com a existência de populações mais vulneráveis às duas doenças por características diversas.

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