Entrega feita por drones é destaque da Comissão de Inovação e Tecnologia

Por: FELIPE PALMA
DA REDAÇÃO

31 de agosto de 2026 - 17:01

A Comissão Extraordinária de Inovação, Tecnologia e Cidade Inteligente colocou em pauta na reunião desta segunda-feira (31/08) uma nova experiência implementada por empresas de entrega: pedidos encaminhados por drones. O colegiado debateu as perspectivas da utilização da tecnologia na logística urbana em São Paulo. Representantes do IFood e da Speedbird Aero – responsável por projetar, certificar e operar sistemas aéreos autônomos habilitados – trouxeram um panorama do serviço realizado pela plataforma em outras cidades.

Luiz Guilherme Mendes de Paiva, diretor de Políticas Públicas do IFood, mostrou um pouco da rotina destas entregas em Barueri – Região Metropolitana de São Paulo. A cidade tem autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para a operação em determinados pontos. Para o representante da empresa, o serviço não substitui o entregador, já que o pedido não chega à casa do cliente. Paiva explicou que a mercadoria vai de drone até um local específico, onde o profissional da entrega retira o item e encaminha ao destino final.

“Estamos operando em um condomínio à beira de uma rodovia. O trecho é complicado, pois o entregador precisa dar uma longa volta e existe um alto índice de cancelamento. Nosso plano é consolidar o projeto em Barueri para entender todos os problemas e dificuldades a fim de propormos um projeto para a cidade de São Paulo. As rotas aqui são muito congestionadas, então a operação é complicada.” 

De acordo ainda com Luiz Guilherme, a operação com os equipamentos aéreos reduz os custos da empresa e traz benefícios. “Os impactos são grandes. É uma economia de combustível e emissão de poluentes, além da questão da segurança e diminuição do trânsito, pois a rota é mais curta. Você aumenta o número de pedidos, mas ainda estamos longe de entregar na porta do cliente”.

Durante a reunião da Comissão de Inovação e Tecnologia, Diego Aguilar, gerente de Produção e Operações da Speedbird Aero, ressaltou que os drones são da própria empresa – também responsável pela homologação junto às autoridades competentes. “A cada contrato negociado com os parceiros, cedemos uma quantidade fixa de aeronaves sendo que qualquer erro ou problema a gente substituiu. Somos operador logístico, para ter a rota otimizada e facilitar a entrega fazemos um estudo e desenvolvemos um trajeto para cada operação”.

CEO e fundador da Speedbird Aero, Manoel Coelho, participou de forma remota. Ele contou as experiências da empresa com outros serviços de entrega mundo afora – como as parcerias com os Correios, hospitais e departamentos de segurança. Coelho afirmou que atualmente, por conta da legislação, as máquinas precisam de um operador. No entanto, segundo o empresário, os drones são considerados autônomos.

“Temos um impacto com o Ifood, pois conseguimos transportar de três a cinco pedidos ao mesmo tempo. Isso significa uma redução de motocicletas, sendo ao mesmo tempo um fator multiplicador da utilização de veículos nas vias. A solução envolvendo os drones é criar hubs centros de conexão – estratégicos em shoppings para que os entregadores possam fazer o percurso final da entrega.”

Para o presidente do colegiado, vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS), o assunto deve ser tratado pela Casa e com responsabilidade. O parlamentar entende que é necessário debater a criação de uma legislação. “Já funciona em alguns países, então é preciso ouvir as experiências, como é que está o funcionamento, até mesmo porque São Paulo é uma cidade diferenciada: 12 milhões de habitantes, maior frota de helicópteros do país. Temos que avaliar com prudência por causa das consequências”.

Totem de acessibilidade

A Comissão de Inovação e Tecnologia também discutiu um projeto piloto sobre um totem de acessibilidade que será implantado na sede do Legislativo paulistano. Jonas Gomes, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Acessibilidade e Inclusão da Câmara Municipal de São Paulo, explicou aos parlamentares o modelo que está sendo desenvolvido.

“É um totem de atendimento para dar autonomia às pessoas com deficiência que vêm até a Casa conseguir encontrar as informações que ela busca sem depender de perguntar para um funcionário. Como que elas chegam em um espaço, como que elas podem acessar uma sala, qual é o gabinete de um determinado vereador. Hoje a Câmara já conta com uma equipe treinada para receber este público, mas uma das exigências da nossa Lei Brasileira de Inclusão é que a pessoa possa encontrar as informações e se deslocar no espaço público com autonomia.”

O encontro conduzido pelo vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS) contou com a presença online dos parlamentares:  Edir Sales (PSD) – vice-presidente, Dr. Milton Ferreira (PODE)George Hato (MDB) e João Ananias (PT). A reunião está disponível aqui.

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