CPI debate atendimento no Hospital Pérola Byington durante quarentena 

MARIANE MANSUIDO
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Em reunião virtual, realizada nesta terça-feira (09/6), a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Violência Contra a Mulher discutiu a prestação dos serviços oferecidos pelo Hospital Pérola Byington, do governo estadual, que é um centro de referência da saúde da mulher e um dos principais no atendimento a vítimas de violência sexual e do serviço de aborto legal na cidade de São Paulo.

Presente à reunião, Daniela Pedroso, psicóloga e representante do Hospital Pérola Byington, apresentou um panorama das atividades prestadas. Segundo ela, o hospital atende mulheres e crianças vítimas de violência sexual desde 1994. São realizados, em média, 350 abortos legais – aqueles previstos em lei – por ano. “É baixo se considerarmos que há mais de um milhão de abortos clandestinos por ano no Brasil”, avaliou Pedroso.

A psicóloga reforçou que, para buscar o atendimento no hospital, não é necessário apresentar um boletim de ocorrência previamente. Com as mudanças em muitos serviços de saúde em função da quarentena, o Hospital Pérola Byington suspendeu, temporariamente, o atendimento ambulatorial para mulheres que não estão grávidas. Serviços como apoio psicológico ou testagens sorológicas devem ser procurados em outras unidades da rede de saúde. De acordo com Daniela, a suspensão ocorreu por falta de espaço físico.

Na avaliação da psicóloga, o hospital deverá receber, nos próximos meses, muitas mulheres grávidas – vítimas de violência doméstica – como um dos resultados da quarentena, e que a baixa procura pelo serviço no atual momento não significa que a violência diminuiu. “O estupro na rua não deixou de acontecer na quarentena e o estupro dentro de casa continua acontecendo”, declarou. Para a psicóloga, é necessário que o Poder Público divulgue ainda mais conteúdo sobre os serviços de proteção e denúncia.

É pensando nisso que a CPI da Violência Contra a Mulher está montando uma força-tarefa para elaborar um e-book que sirva como um guia para as mulheres e centros de referência da mulher, com informações sobre os direitos assegurados por lei e como buscar ajuda dos órgãos de proteção.

As vereadoras também aprovaram requerimento que prorroga os trabalhos da comissão por mais 120 dias. Estiveram presentes na reunião a presidente da CPI, vereadora Sandra Tadeu (DEM)Juliana Cardoso (PT), Patricia Bezerra (PSDB) e Soninha Francine (CIDADANIA).

Confira abaixo a íntegra da reunião.

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