Para Comissão da Verdade, depoimento de Delfim Netto foi morno

Por: MARGARETE RAPUSSI
DA WEB RÁDIO CÂMARA SÃO PAULO

25 de junho de 2013 - 17:38
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O economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto depôs nesta terça-feira (25/6) à Comissão da Verdade da Câmara Municipal onde negou e disse desconhecer praticamente todos os questionamentos feitos pelos parlamentares. Delfim Netto foi ministro durante o regime militar, nos governos de Costa e Silva e Garrastazu Médici (Fazenda) e de João Baptista Figueiredo (Agricultura).

Foi um depoimento morno. Eu disse a ele que fui preso e um ministro da Fazenda do governo  Médici desconhece que havia repressão no Brasil, não acredito, enfatiza o vereador Natalini (PV), presidente da Comissão. O parlamentar disse ainda que não entende a omissão do ex-ministro, já que ele era um nome de confiança total do regime militar. Ele não foi verdadeiro, perdeu a chance de contar a verdade, avaliou.

As várias perguntas feitas ao ex-ministro ganharam como resposta uma negativa ou desconhecimento do fato. Entre elas, Natalini questionou Delfim Netto a respeito do que ele sabia sobre o depoimento prestado pelo ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra, que apontou o delegado Sérgio Paranhos Fleury como liderança da repressão política em São Paulo, torturador, assassino,  eliminado por agentes da repressão após tornar-se um policial sem controle e um corrupto que não respondia a mais ninguém.

Na época o senhor teve notícia sobre este fato ou alguma informação a acrescentar, questionou Natalini.  Nenhuma, nenhuma. Nem conheci o Fleury. Soube do Fleury porque você me contou agora, respondeu Delfim.

Não conhecia nada

Para o relator da Comissão, o vereador Mário Covas Neto (PSDB), o objetivo da presença de Delfim Neto foi jogar fumaça nas investigações. Apesar de ser um homem forte, na época, na esfera civil, Delfim afirmou não conhecer nada do que acontecia criticou Covas Neto. Na visão do parlamentar, o depoimento acrescentou pouca coisa e deixou claro que o trabalho da Comissão é de apuração e as pessoas não tem a obrigação de dizer a verdade.

O relator explica que o próximo passo será buscar novos depoimentos que possam confrontar com o que foi dito e assim encontrar a verdade. O próximo a depor será o delegado Cláudio Guerra, em data ainda a ser confirmada.

A comissão municipal não tem poder de convocação. Já a Comissão Nacional da Verdade tem poderes para convocar testemunhas e obrigá-las a depor, mas adotou a prática de convidar as pessoas e só transformar convites em convocações nos casos em que houver recusa.

O economista Delfim Netto também foi um dos signatários do Ato Institucional nº 5, conhecido como AI-5, que endureceu o regime e instituiu a censura prévia a partir de 1969.

Ouça neste link a matéria da Rádio Web Câmara São Paulo.

(25/6/2013 – 14h10)

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