Moradores da Mooca discutem implantação de ZEIS na região

 

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Vinte e três demandas foram protocoladas pelos moradores durante a audiência pública
Fotos: André Bueno / CMSP


JELDEAN SILVEIRA
DA REDAÇÃO

Durante Audiência Pública regional para discutir a revisão da lei de Uso e Ocupação do Solo prevista no Projeto de Lei (PL) 272/2015 – Lei de Zoneamento – realizada nesta quinta-feira (13/8) na Associação Comercial de São Paulo – Distrital Mooca, o assunto predominante foi à implantação das ZEIS (Zona de Interesse Social) na região.

Muitos moradores se manifestaram contra a classificação da área que permite a construção de moradias populares no bairro do Tatuapé. A subprefeitura da Mooca composta por seis distritos Água Rasa, Belém, Brás, Pari, Mooca e Tatuapé tem o IDH (Índices de Desenvolvimento Humano) 0,909, considerado muito elevado, e abriga 13 mil habitantes.

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Vereador Paulo Frange (PTB) é o relator do Projeto de revisão da Lei de Zoneamento

“É uma das áreas mais complexas para se discutir no zoneamento, cada um desses seis distritos tem uma característica diferente, como se fossem pequenas cidades dentro da região. É uma área de grande visibilidade no município e de altíssimo interesse do poder público, com projeto de quatro operações urbanas, Arco Tiete, Arco Leste, Operação Urbana Centro e Mooca Carioca, por isso, a compreensão nesse território é muito difícil”, destacou o relator do projeto, vereador Paulo Frange (PTB).

A nova proposta do Zoneamento classifica boa parte do território como ZM (Zona Mista), ZEU (Zona Eixo de Estruturação) e ZCOR (Zona Corredores), e pretende implantar ZEIS3 na região do Tatuapé, o que esta deixando grande parte dos moradores insatisfeitos.

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Arquiteto Vagner Landi, morador do Tatuapé

“Hoje temos aqui famílias italianas, japonesas, espanholas e portuguesas que têm a sua casa e seu comercio nessas regiões compradas pelo seu trabalho. Agora, a prefeitura quer tirar dessas famílias tradicionais para colocar famílias de outras classes sociais. Todos tem o direito, mas como vai tirar uma classe social já consolidada para colocar outras famílias? Isso não tem coerência. Os vereadores tem que se conscientizar que tem que retirar as ZEIS dessa região”, defendeu o arquiteto Vagner Landi, morador do Tatuapé.

Já a integrante do Movimento Sem Terra – Leste 1, Claudia Regina, acredita que o projeto traz uma nova oportunidade para as 3.500 famílias que fazem parte do movimento na zona leste. “A necessidade de moradia é muito grande. Nós precisamos de terrenos em todos os bairros e justamente esses bairros mais desenvolvidos, que tem mais oportunidades, não querem receber ZEIS. Precisamos, além de moradia, comercio e emprego, que também são nossos diretos”, defendeu.

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Vereadora Juliana Cardoso (PT)

Para a vereadora Juliana Cardoso (PT), há um mal entendido na relação dos moradores com a implantação das ZEIS “Mesmo que parece que não tem espaço, existem no projeto operações que podem estruturar a região para isso. Tem que ficar claro que ninguém será retirado da sua propriedade. Temos que trabalhar com a ideia de que existe esse direito à moradia e deixar visões preconceituosas que dizem que pessoas com baixa renda não tem o direito de morar no Tatuapé. Se o projeto apresenta essa proposta, podemos trabalhar para que isso seja estruturado e garantido o interesse social”, afirmou.

A audiência reuniu cerca de 150 pessoas teve 18 inscritos para uso da tribuna e 23 demandas protocoladas pela Comissão de Política Urbana e Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara.

Presidida pelos vereador Gilson Barreto (PSDB), participaram ainda da audiência pública os vereadores Toninho Paiva (PR), Edir Sales (PSD) e Souza Santos (PSD)e o subprefeito Evando Reis.

 

3 Contribuições

ERNESTO DE SOUZA BORGES

CONCORDO COM O ARQUITETO WAGNER LANDI, PORQUE OS GOVERNANTES NÃO FAZEM UMA LEI PARA URBANIZAR AS FAVELAS E TERRENOS PÚBLICO, IMOVEIS DE INDUSTRIAS ABANDONADO. ENFIM TEM MUITAS OPÇÕES EM VEZ DE TIRAR FAMILIAS QUE COM MUITA DIFICULDADE COMPRARAM SUAS CASAS SEM AJUDA DO PODER PUBLICO. AGORA VEM ESSES CARAS DO MOVIMENTO SEM TETO FAZER PRESSÃO , A MAIORIA NUNCA CONTRIBUIU UM CENTAVO SE QUER. E QUEREM MORAR EM LOCAIS VALORIZADOS E O NOSSO DIREITO A PROPRIEDADE COMO FICA.

Edison Oscar de Godoy

É necessário verificar as ZEIS no bairro do Brás. A vila onde moro é residência de pessoas idosas, com idade acima de 80 anos, moradores no local a mais de 60 anos.
Minha esposa mudou-se em 1949 para o local e eu em 1960, com o casamento.

Contribuições encerradas.

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