Da tribuna do Plenário, vereadores discursam sobre proteção aos parlamentares, combate ao feminicídio e terceirização da gestão escolar

O trabalho desta quinta foi presidido pela vereadora Amanda Paschoal, primeira travesti a conduzir uma Sessão Plenária da Câmara de SP

Por: HELOISE HAMADA
DA REDAÇÃO

26 de fevereiro de 2026 - 18:22
Sessão plenária na Câmara Municipal de São Paulo, com vereadores sentados e conversando na mesa central. Ambiente interno de plenário amplo, iluminação branca e homogênea, fundo de mármore claro.Richard Lourenço / REDE CÂMARA SP

A importância da proteção aos parlamentares, o combate ao feminicídio e a terceirização da gestão escolar foram alguns temas em destaque na Sessão Plenária desta quinta-feira (26/2). A última reunião do mês de fevereiro no Plenário 1º de Maio foi conduzida pela vereadora Amanda Paschoal (PSOL).

Desde o ano passado, às quintas-feiras, uma mulher é escolhida para presidir a os trabalhos do Plenário. A vereadora afirmou ter ficado feliz e honrada com a oportunidade. A parlamentar destacou que ela foi a primeira travesti a presidir uma Sessão Plenária.

“Eu acho que a Câmara precisa dar mais voz e mais lugar justamente para tirar todo estigma de que mulheres trans e travestis como eu carregam na nossa sociedade. Também é uma forma de combater o afastamento e a violência política que acomete tantas mulheres que estão fazendo a diferença – seja dentro das Casas Legislativas ou fora delas”, frisou a presidente da sessão desta quinta.

Amanda Paschoal foi indicada pelo presidente em exercício do Legislativo paulistano, o vereador João Jorge (MDB). O parlamentar disse que a escolha aconteceu porque por ela ser do mesmo partido que a parlamentar do Rio de Janeiro, Marielle Franco – assassinada em 2018 junto com o motorista Anderson Gomes. João Jorge lembrou que na quarta-feira (25/2), os mandantes do crime foram condenados pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Os executores já tinham sido condenados e, agora, os mandantes. É gente grande, conselheiro do Tribunal de Contas, deputado federal. É um absurdo, isso é inadmissível. Lamentavelmente e com muita tristeza que eu digo isso, que a morte da Marielle acabou protegendo a nós, parlamentares, quando os assassinos foram achados, presos e condenados. Isso mostra que não se pode matar um agente público só porque ele pensa diferente”, disse o presidente em exercício da Casa.

João Jorge também enfatizou que os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo também são ameaçados. “Isso por pensarem diferente, por estarem em partidos diferentes. Nós protegemos os nossos vereadores. Precisamos dar essa garantia de segurança a eles e a toda sociedade. O vereador precisa ter tranquilidade e segurança para exercer seu mandato bem, falar o que quiser na tribuna sem que haja risco a sua própria vida”.

O vereador Silvão Leite (UNIÃO) também falou sobre violência, mas com foco nos últimos casos de feminicídio. Na Região Metropolitana de São Paulo foram três casos somente nesta semana. “Estamos presenciando quase todos os dias esse crime. Precisamos de um trabalho muito forte para mudar essa cultura que deixa os homens à vontade para matar as mulheres. Uma negativa em um pedido de namoro pode virar um feminicídio. Eu acredito que esse movimento de combate está acontecendo, precisa ser reforçado e fortalecido em todas as instâncias do país”.

A terceirização da educação feita pelos governos estadual e municipal foi tema do discurso do vereador Senival Moura (PT). Ele afirmou que esse modelo de gestão está mais evidente com a implantação das escolas cívico-militares. “Isso enfraquece a gestão pública e fragiliza a democracia escolar. Além disso, a Prefeitura de São Paulo iniciou no mês passado um processo de terceirização da gestão das escolas municipais, avançando, inclusive, no ensino fundamental, com um discurso sedutor e falacioso de eficiência e modernização. O que se apresenta na prática é a transferência de responsabilidades do poder público para entidades privadas”.

Próxima sessão

A próxima Sessão Plenária está convocada para terça-feira (3/3), às 15h. A Câmara Municipal de São Paulo transmite a sessão, ao vivo, por meio do Portal da Câmara no link Plenário 1º de Maio, do canal Câmara São Paulo no YouTube e do canal 8.3 da TV aberta digital (TV Câmara São Paulo).

A íntegra da Sessão Plenária desta quinta-feira está disponível aqui.

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