Comissões marcam nova Audiência Pública para debater velocidade nas Marginais

Luiz França/CMSP

Audiência Pública conjunta das Comissões de Trânsito e Política Urbana

 DA REDAÇÃO

As Comissões de Trânsito e Política Urbana vão realizar no dia 16/5, às 9h, uma nova Audiência Pública para tratar do aumento da velocidade das Marginais Tietê e Pinheiros. Isso porque na Audiência Pública desta quarta-feira (3/5), o Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda, e o presidente da CET, João Octaviano Machado Neto, não puderam comparecer.

Mesmo com as ausências, as Comissões realizaram a Audiência e ouviram representantes da USP (Universidade de São Paulo), do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), representantes dos Arquitetos e de ONGs.

O Programa Marginal Segura, criado na gestão do prefeito João Doria, aumentou a velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê, de 50 km/h para 60 km/h, na via local, à exceção das faixas da direita, ao lado das calçadas e nos corredores de ônibus: mantidas em 50 km/h; de 60 km/h para 70 km/h, na via central, e de 70 km/h para 90 km/h, na via expressa.

A Polícia Militar apresentou, no último dia 27/4, um balanço de acidentes nas Marginais no 1º trimestre deste ano comparado com o mesmo período de 2016, com as velocidades reduzidas, e constatou que houve um aumento de 67% no total de ocorrências: 367 acidentes com vítimas este ano, contra 220 casos em 2016. De acordo com a CET, houve oito mortes nas Marginais este ano, sendo sete motociclistas que se envolveram em acidentes com outros veículos e um homem que foi atropelado ao tentar atravessar as pistas.

O pesquisador em Mobilidade Urbana do IDEC, Rafael Calabria, explicou que as pessoas precisam entender que houve uma mudança de paradigma na segurança de trânsito e a redução da velocidade é primordial.

“Essa nova tendência, que começou na Europa e tem se espalhado pelo mundo, é de eliminar fatores de risco no seu princípio: com geometria viária, com regulamentações mais delimitadas, para forçar um comportamento mais seguro do motorista, em detrimento da velocidade plena”, disse.

A representante da Associação Cidadeapé – pela Mobilidade a Pé em São Paulo, Ana Carolina Nunes, entende que as Marginais devem contemplar tanto carros e caminhões, como também os motociclistas e pedestres. Ela destacou que em janeiro, quando a Prefeitura apresentou o Programa, falou em eliminar fatores de risco, se referindo a pedestres e motociclistas.

“Isso é muito problemático porque você não pode simplesmente tolher as pessoas de estarem nesse espaço. A maneira como as Marginais se desenvolveram fizeram com que as pessoas tivessem que estar ali. Os motociclistas por uma opção de trânsito rápido e os pedestres porque há muitos polos de atração, como pontos de ônibus, estações de trem, conjuntos residenciais, comerciais, entre outros”, disse.

O integrante da Comissão de Política Urbana, vereador José Police Neto (PSD), discorda do aumento da velocidade nas Marginais, justamente pelo aumento do número de acidentes com vítimas.

“Se o Programa se chama Marginal Segura, porque a âncora desse programa é o aumento da velocidade? Eu lembro da minha mãe que sempre me recomendou ir mais devagar. Portanto, para me afastar das leituras técnicas, vou usar a recomendação da minha mãe. Não sei o quanto nós precisamos impor velocidade para ter vida na cidade”, disse o vereador.

O vereador João Jorge (PSDB), integrante da Comissão de Trânsito, entende diferente e acha que é muito cedo para fazer qualquer tipo de avaliação. Ele pede pelo menos um ano para que haja uma análise mais completa do Programa Marginal Segura.

“Os índices de acidentes nos últimos 20 anos vêm sendo reduzidos, mas é claro que em um ou outro ano há um pico para cima ou para baixo. O que houve no ano passado foi atípico. A redução maior dos acidentes ocorreu, inclusive, por causa da queda abrupta da atividade econômica. Muitos deixaram de sair com seus carros nas ruas”, disse.

O presidente da Comissão de Trânsito, vereador Senival Moura (PT), acredita que, no dia 16/5, com a presença do Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes e o presidente da CET, será possível ouvir o outro lado e chegar a uma boa conclusão para a cidade de São Paulo. O parlamentar espera que o prefeito João Doria  repense sua decisão e reduza a velocidade nas Marginais.

“O que nos interessa aqui é discutir políticas públicas e políticas de preservação de vidas e não de tirar vidas”, finalizou o vereador.

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