Comissão de Meio Ambiente encerra o ano com alerta para combater a dengue

 DA REDAÇÃO

Durante o segundo semestre de 2016, a Comissão Extraordinária Permanente de Meio Ambiente se reuniu cinco vezes para discutir temas de interesse social ligados à temática com a população.

Dentre os assuntos, destaca-se o combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Os palestrantes enfatizaram a necessidade de disseminar mais informações sobre os métodos de precaução para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, possa reduzir os focos de contaminação.

O pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP, Paulo Urbinatti, pontuou que reconhecer as características biológicas do inseto propicia uma erradicação de criadouros mais eficaz, já que “somente as fêmeas do mosquito têm hábito diurno e picam porque precisam do sangue para que ocorra o amadurecimento dos ovos no seu interior. Elas colocam os ovos na parede de recipientes, próximos à superfície da água, e têm preferência por sangue humano”.

Ele também enfatizou que é preciso ser “vigilante não somente nas épocas de chuvas e verão”, períodos em que há maior possibilidade de ocorrências das doenças. A água parada em calhas, pratos utilizados em vasos e materiais descartados de forma irresponsável, além de mal planejamento em construções civis, são exemplos de focos que podem se formar tanto dentro quanto fora das residências.

A Comissão também pautou os efeitos provocados pelo uso de Bisfenol A (BPA), uma substância química utilizada principalmente na fabricação de determinados tipos de plásticos e no revestimento de latas com resina epóxi. Esse composto costuma estar presente em CDs e até notas fiscais e recibos, que são feitos com papel térmico.

Os profissionais que estudam a atuação do BPA na área da saúde e da química esclareceram que, apesar dos riscos da exposição, as pesquisas são apontadas por associação de efeitos, não podendo determinar que as causas de doenças ligadas às disfunções hormonais estejam diretamente relacionadas ao contato com a substância. Além disso, eles frisaram que o composto atua em tipos específicos de plásticos de alta resistência como o policarbonato, utilizados em instrumentos de construção civil e bebedouros com galões.

A médica e presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Tânia Bachega, destacou que é preciso “minimizar a exposição principalmente das grávidas e de crianças até dois anos de idade, que são as populações com maior suscetibilidade aos efeitos do Bisfenol A”. Para isso, ela recomendou a compra de plásticos de alta qualidade que possam ser levados ao micro-ondas e de latas que não estejam amassadas para que o verniz não contamine os alimentos.

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