Câmara instala Frente Parlamentar em Defesa da Educação para Jovens e Adultos

Por: BEATRIZ HADLER*
DA REDAÇÃO

16 de junho de 2026 - 21:30
Imagem de plenário com seis pessoas sentadas em mesa ampla e público assistindo; faixa com texto “Frente Parlamentar em Defesa ETECs”. Ambiente interno iluminado, painel colorido ao fundo com formas geométricas e paisagem urbana; projeção na parede lateral.Guilherme Oliveira / REDE CÂMARA SP

A Câmara Municipal de São Paulo instalou a Frente Parlamentar em Defesa da EJA (Educação para Jovens e Adultos) na noite desta terça-feira (16/06). A iniciativa, prevista na Resolução 81/2025, foi proposta pela vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL). O objetivo é integrar estudiosos, estudantes, profissionais da educação e parlamentares em prol do aprimoramento da modalidade de ensino na capital paulista. 

“Nos últimos anos, tivemos quedas de matrículas e fechamento de escolas que oferecem a EJA na cidade de São Paulo”, afirmou Silvia da Bancada Feminista. 

Para a parlamentar  é fundamental “defender, abraçar e acolher” a modalidade de ensino. De acordo com o decreto de resolução, a Frente Parlamentar é responsável por conectar a comunidade escolar com o Poder Legislativo, valorizar os educadores, propor melhorias na implementação e analisar o orçamento destinado à EJA. 

Laura Cymbalista, diretora do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação e Ensino Municipal) e palestrante no evento, demonstrou preocupação com a evasão escolar na capital paulista. “Infelizmente, vemos um processo de desmonte da EJA. Com isso, um público diverso – que inclui adolescentes, jovens, adultos, idosos, imigrantes, pessoas com deficiência e pessoas trans – fica sem garantia de direito à educação”.

Segundo a pedagoga, que atuou na EJA durante 12 anos, a modalidade de ensino serve como “porta de acesso a outros direitos” para essa parcela da população. Dados de uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Educação, em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), apontam que os que concluem os estudos com o EJA passam a ter um incremento entre 4,6% e 6% na renda média. 

“É a reparação de uma dívida histórica que afeta a população marginalizada no país”, explicou o diretor da EMEF Espaço Bitita, Cláudio Marques Neto. Para ele, o ensino para jovens e adultos atua diretamente no combate à desigualdade social. A unidade atende esse grupo desde 2019 e conta com seis turmas em funcionamento. 

Cláudio afirmou que atrair a demanda é uma das dificuldades no processo de implementação da EJA. Para driblar isso, a coordenação realiza visitas de divulgação em abrigos de pessoas em situação de rua e em casas de acolhimento de pessoas trans. 

“Eu não sabia que existia o Cieja (Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos)”, falou Ivani Rosa dos Santos Silva. Além do acesso à educação, a estudante da unidade em Perus, na zona noroeste de São Paulo, ressaltou o papel da EJA também no acolhimento da população idosa. “Hoje tenho mais motivação para levantar de manhã e encontrar os professores e diretores e conversar com meus colegas”.

Diante da precariedade e do fechamento das escolas, Ivani quer contribuir com a cobrança do Poder Executivo em defesa da modalidade de ensino. “Quero pedir para as autoridades não fecharem os Ciejas. Lá há muitos idosos e, se fechar, eles vão ficar acamados em casa. Também tenho levado cada vez mais alunos. Onde vou, visto a camisa da EJA”. 

Confira neste link a instalação da Frente Parlamentar na íntegra:

*Com supervisão de Marco Calejo

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