Câmara de SP celebra a música raiz com o Prêmio Inezita Barroso

Esta foi a 2ª edição da premiação

Por: KAMILA MARINHO
DA REDAÇÃO

2 de março de 2026 - 22:16
Foto de sete pessoas posando lado a lado; ao centro, um homem segura diploma enquadrado. Três usam chapéus. Ambiente interno de plenário, paredes de madeira e pintura ao fundo; iluminação clara e uniforme.Ton Rodrigues | REDE CÂMARA SP

A Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta segunda-feira (2/3) a 2ª edição do Prêmio Inezita Barroso. O prêmio leva o nome de um dos maiores ícones da música popular brasileira. Criada por meio da Resolução 17/2023 e do Ato 1647/2024, a honraria é destinada a artistas e instituições que se destacam na difusão da música raiz.

O estilo musical surgiu no início do século XX em cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais. As letras retratam a vida simples do campo, cantadas ao som da viola caipira. A Sessão Solene foi presidida pela vereadora Sonaira Fernandes (PL). Ela destacou a importância de preservar as tradições e valorizar a memória, a cultura e a arte brasileira. 

“Manter viva a valorização da cultura e da história da música raiz é muito importante para nossa sociedade. Parabéns a todos vocês que fazem parte deste Prêmio Inezita Barroso”, disse Sonaira Fernandes. 

O vereador Celso Giannazi (PSOL) acompanhou a premiação. O parlamentar falou sobre os artistas que receberam a honraria e difundem a música popular brasileira. “É uma noite muito feliz para todos nós. É um dia de homenagem às pessoas que cuidam da música popular brasileira, da cultura caipira. Muitos artistas aqui contribuíram, contribuem e vão inspirar artistas para a permanência da música de viola e de raiz em nossa sociedade”.

Quem também participou da cerimônia foi o vereador Paulo Frange (MDB).  Ele destacou as contribuições de Inezita Barroso à música brasileira. “É uma homenagem mais que justa de uma história centenária de Inezita Barroso. Ela é tão importante que continua atual. Inezita deixou um legado, pulverizou e contaminou todo o país em torno de uma música, de uma forma de ser sertanejo e da beleza que encantou a todos nós”. 

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e Anselmo Giroto (PL), prefeito de Oscar Bressane, município do interior de São Paulo, marcaram presenças na cerimônia. 

Conheça os vencedores:

A seleção dos dez homenageados seguiu um rigoroso processo da Comissão Permanente de Educação, Cultura e Esportes. O colegiado analisou indicações da sociedade civil, de vereadoras e vereadores do Legislativo paulistano e de núcleos culturais. Confira aqui a relação dos indicados deste ano.

Conheça os vencedores de 2026:

  • Indicada pela sociedade civil, pela Feira Literária de Escritores Independentes e Fórum São Paulo Paulistana do Ipiranga.

Adriana Farias soma mais de 35 anos dedicados à música caipira. Cantora, compositora e violeira, lançou o primeiro álbum aos 11 anos, apresentou o programa Viola, Minha Viola entre 2017 e 2019 e é jurada do reality show Canta Comigo.

  • Indicado pela sociedade civil, pelas instituições culturais Associação Renascer e Núcleo Sócio Cultural União dos Povos, e pelo vereador Jair Tatto (PT).

Cláudio Lacerda – Cantor e compositor com mais de 20 anos de carreira. É um dos mais respeitados intérpretes da música caipira, unindo tradição e contemporaneidade em sua obra.

Eliezer Teixeira – Cantador, tocador de viola cabocla e pesquisador da cultura popular espontânea brasileira. Dividiu com Inezita quase 200 recitais durante 25 anos em rádios, televisão, teatro e praças públicas. Gravou cinco discos, um DVD e escreveu dois livros. 

  • Indicada pela sociedade civil 

Dupla Leyde e Laura 

Laura Rocha é cantora, compositora, comunicadora e produtora musical e cultural. Destaca-se também como diretora, curadora e produtora de projetos culturais, programas de TV e produções fonográficas. 

Leyde Rocha nasceu em Guiratinga (MT) e traz na essência as raízes da cultura sertaneja. Transita entre o sertanejo tradicional e o universitário, participando ativamente das decisões artísticas, repertório e direção musical. Há mais de 25 anos ambas integram a consagrada dupla Leyde & Laura, com 17 trabalhos lançados, DVD, parcerias com ícones da música sertaneja e importantes premiações.

  • Indicada pela sociedade civil e pela instituição cultural Associação Nossa Senhora do Carmo, da cidade de Oscar Bressane – SP 

Leila Moreira – Cantora, professora de Literatura e apresentadora do programa Brasil da Viola da FMTV. De origem circense e vivência no campo, tem forte ligação com a cultura caipira. 

  • Indicada pela sociedade civil Mococa 

A dupla Mococa e Paraíso 

Mococa é referência da música sertaneja raiz. Iniciou no rádio e, em 1961, formou dupla com Mouraí, gravando dois compactos de destaque. Em 1968 consolidou sucesso ao lado de Moraci, com quem gravou 33 LPs em 17 anos. Participou de programas consagrados da Rádio Nacional e Rádio Record.  

Paraíso, nascido em 1947 em Elias Fausto (SP), é cantor, compositor e produtor musical de destaque na música sertaneja raiz. Ganhou projeção ao formar dupla com Tião Carreiro, gravando quatro LPs. Como compositor e produtor, revelou talentos como João Paulo & Daniel e produziu Cezar & Paulinho.  Desde 1986 ambos integram a dupla Mococa & Paraíso, mantendo intensa atuação em shows por todo o Brasil. 

Nil Bernardes é cantor, compositor e produtor musical paulistano, com mais de 800 músicas gravadas por artistas como Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano. Vencedor do Grammy Latino, integrou a Banda Domingão do Faustão, compôs a abertura de “O Rei do Gado”, é autor do romance “Sonho de um Caminhoneiro” e apresenta “No Camarim com Nil Bernardes”.

  • Indicado pela Sociedade Civil 

O Grupo Som das Dez – O Som da Viola, formado em 2015, inspirado nas 10 cordas da viola caipira. Reúne músicos dedicados à valorização da música raiz, com repertório que mistura tradição, MPB e composições autorais.

Sobre Inezita Barroso

Inezita Barroso marcou o cenário caipira como cantora, atriz, instrumentista, folclorista e compositora. Ela nasceu em São Paulo, em 1925. Inezita foi considerada a “Rainha do Sertanejo”. Entre 1980 e 2014, apresentou o “Viola, Minha Viola” – programa da TV Cultura. A artista também foi professora de folclore brasileiro e até hoje é considerada um dos maiores ícones da música caipira. Inezita Barroso morreu em 2015 aos 90 anos.

Clique aqui e confira à íntegra da 2ª edição do Prêmio Inezita Barroso. Confira, abaixo, o álbum de fotos da premiação no Flickr da Câmara Municipal de São Paulo. Crédito: Ton Rodrigues / REDE CÂMARA SP

Sessão Solene para Entrega do Prêmio Inezita Barroso - Câmara Municipal de São Paulo - Foto: Ton Rodrigues

 

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