Richard Lourenço / Rede Câmara A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo realizou, neste sábado (11/4), uma audiência pública na escola Luiz Tenório de Brito para discutir o estágio atual das obras de implantação do piscinão do Capão Redondo, na zona sul da capital. O debate atendeu a um requerimento do vereador Alessandro Guedes (PT), que questiona o cronograma do empreendimento.
No documento que motivou o encontro, o parlamentar destacou que “o contrato para a construção do piscinão foi assinado em 23 de dezembro de 2015, com investimentos iniciais de R$179 milhões”. Embora a previsão inicial de entrega fosse de 36 meses, as intervenções seguem inacabadas.
A discussão contou com a presença de representantes da Subprefeitura do Campo Limpo, munícipes, lideranças comunitárias e entidades sindicais.
Participação popular
A audiência abriu espaço para manifestação popular. Moradores inscritos para falar expressaram preocupação com os transtornos causados pelo adiamento da obra. A advogada Poliana Borges dos Santos, residente no Jardim Comercial, relatou que a estrutura, da forma como se encontra, tem agravado os problemas locais.
“A nossa percepção é que as obras não são pensadas para mitigar os danos da região, pelo menos nas proximidades. O que ocorre é que antes havia, sim, alagamentos, mas não na proporção que começou a ter após o piscinão. Para as pessoas do entorno, na visão popular, esse piscinão é mais um problema do que uma solução”, argumentou a moradora.
Adélio Villalba, presidente da Pastoral da Moradia e Favela da Diocese de Campo Limpo, enfatizou que o problema envolve um conjunto de intervenções necessárias.
“Estamos vendo que a problemática não é só o atraso do piscinão, é algo bem maior. Não dá, por exemplo, para falar da problemática desta obra sem falar da canalização dos córregos da região. Isso traz outros problemas para a questão da moradia; gente que mora debaixo do córrego e, a cada enchente, a cada chuva, fica enfrentando uma situação muito complicada, perdendo chuva e bens, perdemos até vidas”, pontuou Villalba.
Em janeiro deste ano, um casal de idosos faleceu após o carro em que estavam ser levado por uma enxurrada.
Representantes da Prefeitura
Representando a Prefeitura, o coordenador de obras da Subprefeitura do Campo Limpo, Marcos Ribeiro Spinola, compareceu em substituição ao secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Marcos Monteiro. Segundo Spinola, a previsão atual é que a operação seja finalizada em dezembro de 2026.
“O próprio secretário de Infraestrutura e Obras comentou que o contrato tem três etapas: a canalização do córrego dos Brancos, que já está praticamente concluída; o piscinão; e a ampliação da Avenida Carlos Correia Filho. Tudo isso faz parte do mesmo contrato, gerido pela Secretaria de Obras. De acordo com o secretário, a entrega do piscinão deve ocorrer até o fim deste ano de 2026”, informou o coordenador.
Spinola ressaltou ainda que, embora a fiscalização direta da obra caiba à Secretaria de Infraestrutura e Obras (SIURB), a subprefeitura atua na interlocução com a comunidade e no suporte à gestão dos bairros.
Vereadores
O presidente da Comissão de Finanças, vereador João Ananias (PT), classificou o atraso como uma omissão do Poder Público, destacando que o projeto já possuía recursos previstos em gestões anteriores.
“Essa obra era para ter sido implantada em 2015, e tinha que ter diminuído os problemas que a população tem por aqui, inclusive mortes. Então, era importante que essa obra fosse feita lá em 2015, já tinha sido aprovada pelo então prefeito Fernando Haddad, tinha todo um dinheiro para o ano de 2016, mas, infelizmente, houve uma omissão do município da cidade de São Paulo”, declarou o parlamentar.
O parlamentar também explicou os próximos passos que serão tomados após a realização da audiência.
“Após realmente ouvir a população, vimos que tem um conselho que atua bastante nessa região aqui, e a partir de agora, vamos montar um relatório, cobrar a Prefeitura da Cidade de São Paulo, para concluir essa obra que é tão importante para a população aqui do Capão Redondo”, disse o parlamentar.
O vereador Hélio Rodrigues (PT), que também participou da audiência, reforçou que a situação não deve ser politizada.
“Esses acontecimentos não podem ser palco político para ninguém. Essa obra teve um período para ser projetada e não foi executada. Essa audiência pública exige que a prefeitura conclua a obra, porque ela afeta diretamente uma região muito importante aqui da nossa cidade”.
Já o vereador Dheison Silva (PT) sugeriu a convocação formal dos responsáveis pela pasta de obras para prestar esclarecimentos detalhados a Comissão.
“Quem tinha que estar aqui era a secretaria responsável, ela que toca essa obra, e não a subprefeitura. Gostaria de sugerir que pudéssemos convocar a Secretaria de Obras para vir dar explicações. Os vereadores estão fazendo o papel de cobrar e fiscalizar. Quando que a prefeitura vai fazer o trabalho dela, que é executar?”, questionou.
A audiência foi conduzida pelo vereador João Ananias (PT), presidente da Comissão. Também participaram do debate os parlamentares, Dheison Silva (PT) e Hélio Rodrigues (PT).
Clique no vídeo abaixo para conferir a Audiência Pública na íntegra.