Moradores de Pinheiros reivindicam centros de especialidades médicas

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Audiência Pública para discutir a implantação de centro de especialidades em Pinheiros 
Luiz França / CMSP


JENIFFER MENDONÇA

DA REDAÇÃO

A Comissão de Finanças e Orçamento realizou nesta quinta-feira (1/9) audiência pública para discutir a implantação de um centro de especialidades médicas em Pinheiros, zona oeste da cidade.

Em 2007, a Defensoria Pública e a Associação de Moradores da região entraram com uma ação civil pública que determinava a construção de unidades habitacionais juntamente com equipamentos públicos de saúde na área onde se localizava a favela Jardim Edith. A decisão definiu a construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS), centro de especialidades médicas — conhecidas como Assistência Médica Ambulatorial (AMA) de Especialidades, creche e o restaurante-escola.

No entanto, desde 2008 apenas as unidades habitacionais e o restaurante-escola que formam o condomínio vêm sendo implantados. No dia 5 de agosto, a obra foi embargada por decisão do Tribunal de Justiça pela ausência de um projeto que abarcasse os equipamentos de saúde na composição do edifício.

Flavia Costa Trigo Loureiro, do Conselho Gestor de Saúde da UBS Integral Jardim Edith Meninópolis e moradora da região, enfatiza que o atendimento básico oferecido pelas UBS não supre as demandas da população local. “O hospital da UBS Integral tem os atendimentos, foi muito melhorado, mas os outros atendimentos de especialidades não têm. Temos, por exemplo, o serviço básico odontológico, mas o de especialidade como canal, próteses e pequenas cirurgias não tem. Falta também cardiologia, oftalmologia…”

Ela também destaca a dificuldade de locomoção e a restrição da assistência especializada, já que os serviços de saúde são vinculados e submetidos às respectivas subprefeituras. “Temos uma questão de área de abrangência: nós, que estamos em Pinheiros, não podemos ser atendidos em Santo Amaro, que é o local mais próximo. E temos a distância, porque seis quilômetros não é uma distância fácil de percorrer. Na região tem muitas pessoas idosas que não podem se locomover sozinhas, além do tempo e dinheiro que se gasta”, explicou.

Representando a Secretaria Municipal de Saúde, o coordenador regional de Saúde da zona oeste Alexandre Nemes Filho sinalizou que houve uma ampliação do atendimento com a fusão dos serviços oferecidos pelas UBSs e AMAs não especializadas com a criação da UBS Integral. “Nós temos equipamentos para atender demanda espontânea, saúde mental, saúde bucal, atendimento domiciliar e ambulância para atender as necessidades da comunidade. O que a população está reivindicando agora é uma unidade médica complexa de nível secundário de especialidade, que não chamamos mais de AMA, mas de Rede Hora Certa.”

Ele também declarou que está sendo feito “um estudo para contemplar uma unidade desse tipo dentro de um segundo condomínio, sem que haja prejuízo pra quem vai morar lá.”

A defensora pública Marina Costa Craveiro Peixoto reiterou a importância da integração da infraestrutura na região. “Acredito que o embargo da obra abra uma nova chance de negociar para que eles cumpram a ação judicial que já foi dada.”

O vereador Jonas Camisa Nova, que presidiu a audiência, reforçou a necessidade de a população pressionar o poder público para garantir mais direitos. “Esperamos que com essa audiência pública essa ação venha a se concretizar. É uma reivindicação antiga e um direito deles.”

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