Em reunião realizada nesta terça-feira (3/3), a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) HIS ouviu representantes da Cyrela Brazil Realty S.A e da CashMe Soluções Financeiras S.A. O objetivo do colegiado é investigar sobre supostas irregularidades na produção e comercialização de moradias populares desenvolvidas por entidades e empresas na cidade de São Paulo.
Logo no início do encontro, o presidente da CPI, vereador Rubinho Nunes (UNIÃO), cobrou a presença da M8 Partners Gestora de Recursos Ltda., ressaltando que seus representantes não compareceram na reunião de hoje sob a alegação de que “não têm nada a ver com a Comissão”.
“Já temos informações que a M8 Partners tem gestão sobre o fundo da empresa CashMe e já temos informações da M8 com esse fundo, inclusive utilizando imóveis adquiridos como garantia de empréstimos de dinheiro, através de um processo de financiamento, precisamos entender isso. Peço para que seja feita a intimação por comparecimento da M8 Partners na próxima sessão e em caso de ausência, que adotem a conduções coercitivas dos responsáveis. Quem determina se há ou há ligação com a CPI é a Comissão, esse tipo de conduta chama atenção e é inaceitável, é uma piada”, ressaltou o vereador.
Depoimentos
Juliano Bello, CEO e fundador da CashMe Soluções Financeiras S.A, foi o primeiro convidado a prestar esclarecimentos. Ele iniciou sua oitiva informando qual é o foco da empresa e respondeu aos questionamentos dos parlamentares sobre não realizar empréstimos aos proprietários de habitações de interesse social.
“A Cyrela é acionista da CashMe, é uma fintech, e nós fazemos empréstimos com garantia de imóveis. Não temos como foco fazer a aquisição de imóveis, tão menos com imóveis de clientes da Cyrela, não fazemos operações com a Cyrela. Fazemos o empréstimo pegando o imóvel dele como colateral para ele usar o recurso para qualquer fim, Nosso foco principal são empresários e não temos esse público HIS em nossa carteira, não fazemos empréstimo com quem tem habitação HIS e HMP (Habitação de Mercado Popular)”, disse Bello. O representante ainda se comprometeu a encaminhar à CPI, no prazo de até dez dias, todos os dados e carteiras de empréstimos.
Respondendo aos questionamentos do vereador Rubinho Nunes, Juliano Bello falou sobre a relação entre a CashMe e a M8 Partners. “A M8 é um dos nossos cotistas, investidores, mas 100% dos imóveis desse fundo não são HIS e nem HMP (Habitação de Mercado Popular). A M8 é um cotista assim como os bancos Itaú, Safra e BTG.”
Logo após, foi a vez dos dirigentes da Cyrela se pronunciarem. A empresa veio representada por Efraim Schmuel Horn e Raphael Abba Horn, ambos co-CEOs, e outros integrantes da diretoria. Os depoentes responderam a questionamentos dos vereadores, de como é feita a garantia de que todas as habitações produzidas são destinadas ao público-alvo de baixa renda.
“Todo modelo de aprovação é nosso, se o cliente tem a renda adequada para estar no HIS, nós passamos na nossa análise, caso contrário a venda não é realizada. A Cyrela se responsabiliza por todas as documentações e não terceiriza o serviço”, afirmou Efraim.
Os sócios também ressaltaram que não acompanham o processo de destinação das habitações após a venda. “Nossa obrigação é vender para pessoas de renda enquadrada e podemos pela lei vender para usuários locatários. Eu entendo que não é de responsabilidade da Cyrela doze meses após a entrega de um prédio, investigar que tipo de usuário está usando. Sempre tentamos seguir de acordo com a lei. Acompanhamos até o processo de venda, a Cyrela não investiga após esse processo. Não é nossa obrigação”, afirmou Raphael Horn.
Os parlamentares afirmaram que pretendem realizar ainda outro encontro com os sócios da empresa.
Vereadores
O relator da Comissão, vereador Dr. Murillo Lima (PP), fez um balanço e apontou expectativas sobre as próximas reuniões: “Eu no caráter de relator me sinto na obrigação de prestar esclarecimentos sobre esta CPI. Até agora, realizamos 26 oitivas, estamos na pendência de realizar mais 136. No andar da carruagem, quando o dia está abençoado e temos a presença dos intimados e convidados, tendo duas pessoas em cada sessão, teríamos ainda mais 8 meses de CPI. E se for um convidado por reunião, vai passar por mais de um ano e teríamos que prorrogar a Comissão novamente.”
O vereador Gabriel Abreu (PODE) concordou com a colocação e destacou que o colegiado necessita de mais objetividade: “Não podemos ignorar que este ano temos Copa do Mundo e eleição. Sabemos que isso acaba conturbando os ambientes, e não só da política, precisamos ter mais objetividade. Além das oitivas, ainda temos que apurar, isso me preocupa, gerando um risco de cair num cansaço e não conseguir trazer a verdadeira finalidade desta CPI.”
Por fim, o vice-presidente da Comissão, vereador Nabil Bonduki (PT), propôs uma reunião entre os membros do colegiado para alinhar as possibilidades de atender melhor as questões da CPI nas próximas semanas: “Precisamos fazer uma reunião de trabalho mais extensa, verificar os convidados e intimados, e se tem algum problema específico.”
Requerimentos
Os vereadores também aprovaram novos requerimentos, solicitando as oitivas de representantes das empresas BCR Administração de Imóveis e Rickmar Incorporadora, além da intimação de Ralph Horn, representante da Lavvi Empreendimentos Imobiliários S/A., que era esperado na reunião de hoje, mas não compareceu por motivos pessoais.
A reunião, que pode ser conferida aqui, foi presidida pelo presidente da CPI, vereador Rubinho Nunes (UNIÃO). Também estiveram presentes Nabil Bonduki (PT), Dr. Murillo Lima (PP), Gabriel Abreu (PODE), Isac Félix (PL) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL).
