CPI do Metanol: reunião de trabalho recebe contribuições de representantes do setor de bebidas e de médico

Devido à falta de quórum, as oitivas desta tarde não serão incluídas no relatório final

Por: FELIPE PALMA
DA REDAÇÃO

11 de agosto de 2026 - 18:10
Richard Lourenço / REDE CÂMARA SP

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Metanol realizou uma reunião de trabalho nesta terça-feira (11/08) para dar continuidade às investigações sobre a venda e a distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo. A expectativa é de que o relatório final seja analisado e votado pelo colegiado no início de setembro.

Criada para fiscalizar a procedência e a qualidade das bebidas comercializadas em bares, restaurantes e estabelecimentos da capital, a CPI tem focado na identificação da cadeia de suprimentos e na cobrança de providências junto aos órgãos de fiscalização e segurança pública.

Oitivas 

Os depoimentos colhidos nesta tarde não serão incluídos no documento final, já que não houve quórum para a abertura oficial da CPI. No entanto, os vereadores que registraram presença decidiram manter as atividades como reunião de trabalho. Parlamentares da comissão aproveitaram a participação de convidados para ouvi-los.  Contribuíram com o colegiado representantes de setores ligados à cadeia de distribuição de bebidas, além de um médico oftalmologista.

Diretor-presidente da Coopercaps (Confederação Nacional de Cooperativas de Trabalho e Produção de Recicláveis), Telines Basílio falou sobre a maneira correta de descartar as garrafas de vidro para impedir que elas sejam falsificadas. A entidade é responsável pela reciclagem de 40% dos materiais coletados de forma seletiva.

“As cooperativas de São Paulo participam de um programa socioambiental, onde todo o resíduo reciclável é recolhido por uma concessionária contratada pela Prefeitura da cidade. A orientação passada é para que o resíduo seja triturado. Entendemos que garrafaria é crime e esse resíduo deve ser descaracterizado e é isso que nós fazemos”, disse Telines. 

O médico Felipe Casseb também depôs na reunião. De acordo com o oftalmologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o metanol apresenta risco de óbito. “O metanol em si traz um dano diferente na comparação com outras substâncias tóxicas, porque tem uma afinidade muito grande com as células do olho, da retina, responsável por captar a visão e enviar para o cérebro”. 

“Essa perda visual associada ao critério epidemiológico de vários pacientes terem esse diagnóstico por conta das bebidas adulteradas se tornou um forte indicativo. A partir dos exames confirmarem metanol no organismo, passamos a instituir a terapêutica programada”, completou Casseb. 

Gerente jurídica e de governança da ANR (Associação Nacional de Restaurantes), Iasmin Cristim Freitas disse que “o trabalho da CPI – ao seguir acompanhando os casos e buscando respostas – é primordial nessa cadeia que envolve a venda de bebidas alcoólicas”. 

Ela ainda contou como é o trabalho da associação para adequar os estabelecimentos à compra de bebidas alcóolicas. “Aproximamos nossos associados para trabalhar com a conscientização e fazemos treinamentos. Não é novidade para o segmento a preocupação quanto à adequação na compra de bebidas. Para nossos restaurantes é um conto caro, pois a maioria das pessoas intoxicadas por bebidas se recorda do estabelecimento”.

Vereadores

A presidente do colegiado, vereadora Zoe Martínez (PL), reforçou a gravidade do tema e a responsabilidade da Câmara Municipal em proteger a população paulistana contra os riscos do consumo de metanol e álcool etílico.

“O nosso compromisso central com esta CPI é defender a vida e a saúde dos cidadãos de São Paulo. A comercialização de bebidas adulteradas não é apenas uma infração administrativa ou tributária. Trata-se de um crime gravíssimo que deixa sequelas irreversíveis e tira vidas. Não mediremos esforços para punir os responsáveis e fechar as brechas que permitem essa prática em nossa cidade”, afirmou Zoe. 

Já a relatora da CPI, a vereadora Sandra Santana (MDB), destacou o avanço na coleta de dados e no mapeamento das denúncias recebidas pelo colegiado ao longo dos últimos meses de atuação. “Estamos consolidando relatórios detalhados a partir dos depoimentos prestados por vítimas, familiares, peritos e empresários do setor. O trabalho técnico que estamos realizando busca fornecer elementos concretos ao Ministério Público e às autoridades policiais para que as operações de fiscalização sejam permanentes e eficazes”.

A reunião de trabalho pode ser vista na íntegra aqui. Participaram os parlamentares: Zoe Martínez (PL), Ely Teruel (MDB) e Sandra Santana (MDB).

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