A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club realizou durante a reunião desta terça-feira (16/06) oitivas de dois convidados e de um intimado. Participaram e depuseram representantes de empresas que possuem vínculo com o Jockey por meio de contrato de restauro, como a Construtora Biapó, Elysium Sociedade Cultural e Partifib Projetos Imobiliários.
Oitivas
O primeiro a depor foi Manoel Garcia Filho, sócio e fundador da Construtora Biapó Ltda.. A empresa atua no mercado especializado voltado ao restauro artístico e de edificações históricas há 35 anos. Ele afirmou durante o encontro não possuir qualquer relação com o Jockey Club e que conhece representantes da Elysium Sociedade Cultural, empresa investigada por emitir nota duplicada em contratos com o clube da cidade.
“Eles não me indicaram, me contrataram para realizar trabalhos no Jockey. Os serviços foram executados ao longo de dois anos e por meio de três contratos: março a abril de 2020 – valor de R$ 1,2 milhão para o restauro da tribuna dos sócios; R$ 681 mil entre fevereiro de 2021 a setembro 2022; e o contrato para os salões sociais no valor de R$ 3,4 milhões em 2022. A empresa executou integralmente o projeto, temos os atestados técnicos, sem qualquer apontamento da falta de serviços.”
O representante da Biapó Ltda. foi questionado ao longo do depoimento sobre como comprovar os serviços realizados no Jockey Club. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de uma inspeção ao local para comprovar as obras, se predispôs a fazer uma diligência com os integrantes da CPI na próxima semana. Os vereadores ainda intimaram Wolney Unes, diretor-técnico da Elysium Sociedade Cultural, a participar virtualmente da visita técnica.
Na sequência, participou na condição de intimado Fernando José Moniz de Câmara, representante da Partifib Projetos Imobiliários Consolação Ltda., empresa da família Steinbruch. Diretor de Projetos e Construção, ele deixou claro não poder responder a alguns questionamentos por ser de uma área técnica da empresa e não estar à frente das negociações com o Jockey Club. A representante legal e atual da empresa também foi intimada pelo colegiado.
“Eu participava dos comitês de aquisição, compra de terreno, e dentro de uma viabilidade do negócio era mais um detalhe, não era relevante se se pagaria outorga ou se compraria TDC. Minha preocupação eram os dados técnicos, além da rentabilidade e custos envolvidos. Pagamos cerca de R$ 17 milhões por TDCs.”
Segundo Fernando, em dezembro de 2019, o Jockey recebeu R$ 9 milhões da Partifib Projetos Imobiliários e quem presidia o Jockey Club de São Paulo era Benjamin Steinbruch. O diretor entendeu não haver conflito de interesses e acredita que o Jockey, como entidade, deveria se explicar.
Por fim, foi ouvida Giulyane Nogueira Gomes, representante legal da Elysium Sociedade Cultural e responsável pelos contratos com o Jockey Club. Ela participou de forma remota. Ao iniciar a fala, Giulyane explicou que trabalhou por 12 anos na empresa, mas deixou o cargo de diretora-executiva no começo do ano por motivos pessoais.
“O Wolney [proprietário da Elysium] não tinha nenhuma ligação com o pessoal do Jockey, mas como eu não participava de reuniões, prefiro que ele responda aos questionamentos. A empresa era patrocinada pela CSN [Companhia Siderúrgica Nacional] – cujo presidente é Benjamin Steinbruch. A gente tinha uma planilha orçamentária dentro do Ministério da Cultura e cada rubrica precisava ser gasta como estava descrita. Não tenho conhecimento de verba relacionada ao TDC. Nossa responsabilidade era administrar os recursos aprovados via Lei Federal.”
Vereadores
Relator dos trabalhos, o vereador Carlos Bezerra Jr. (PSD), entende que as participações foram confusas e cheias de perguntas sem respostas. “A gente trouxe a empresa responsável pelo restauro do Jockey e outra pela execução do TDC. O que a gente percebeu é que são as mesmas pessoas que são sócias das empresas, as mesmas famílias. De repente a gente, também, descobre que o Jockey prestou contas à Prefeitura do restauro e, com recursos da Lei Rouanet, com a justificativa da utilização de recursos do TDC. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.”
O presidente da CPI do Jockey Club, vereador Gilberto Nascimento (PL), comentou à Rede Câmara SP que os depoimentos mostram uma ligação entre várias partes envolvidas na investigação. “O representante da Biapó percebeu através da imprensa, mas também da atuação da CPI, que está em um grande problema. Ele vai ter que comprovar o serviço na diligência. Sobre a Partifib, nos encaminharam um representante técnico e que desconhece as operações. E quanto à Elysium seguimos investigando para identificar o principal problema neste caso de interesse do município.”
A reunião da CPI do Jockey Club pode ser assistida aqui. O encontro contou com a participação dos parlamentares: Gilberto Nascimento (PL) – presidente, Sansão Pereira (REPUBLICANOS) – vice-presidente, Carlos Bezerra Jr. (PSD) – relator e Roberto Tripoli (PV).
