Neste sábado (29/11), foi realizada a 8ª e última edição de 2025 do Câmara na Rua. Desta vez, o projeto da Câmara Municipal de São Paulo retornou à zona norte e a população se reuniu no CEU (Centro de Educação Unificado) Freguesia, na Freguesia do Ó. Os trabalhos foram presididos pela vereadora Sandra Santana (MDB).
A parlamentar afirmou que é da região norte e disse ser um privilégio finalizar o projeto em 2025 na Freguesia do Ó. “O presidente, vereador Ricardo Teixeira, deu início e toda a Câmara Municipal, cada um dos setores se deslocou para cá como uma forma de se colocar à disposição e apresentar à população quais são os serviços e os aparatos que nós temos lá no Palácio Anchieta e que existe com um único objetivo: servir à população de São Paulo”, pontuou.
A vereadora Sandra Santana (MDB) ainda ressaltou que há muito trabalho a ser desenvolvido na zona norte, com muitos problemas que precisam de solução, apesar de todo avanço já alcançado. “A gente tem trabalho para desenvolver por muitos anos. É como a nossa casa, se não tiver manutenção, ela vai sempre vai ter problemas. Então, em uma cidade com 12 milhões de habitantes é a mesma coisa. O principal é a gente, enquanto representante do povo, enquanto vereador, ter o discernimento, ter a sabedoria, ter amor e ter o tempo de escuta. Só assim que a gente vai identificar quais são os problemas e dar os devidos encaminhamentos. Alguns, a gente consegue resolver por meio do mandato. Outros, de grande porte, são as secretarias que resolvem. E, nós, somos a ponte entre a população e as secretarias”, destacou.
O vereador João Ananias (PT) falou que os parlamentares não são diferentes da população. Por isso, ouvir as demandas locais é essencial para melhorar as políticas públicas. “A importância da Câmara estar na rua é ouvir o que a população fala, as verdades de cada local. Eu, particularmente, venho nos espaços para ouvir as pessoas e saber qual é a demanda. As pessoas não podem vir aqui só para elogiar os parlamentares. Nós estamos aqui para ouvir as cobranças. Nenhum bairro é perfeito e vai melhorando a cada dia. Por isso, nós precisamos ouvir os problemas. Para, a partir disso, levar esses problemas para serem discutidos no parlamento”, enfatizou.
A vereadora Ely Teruel (MDB) salientou que é importante estar perto da população por meio do projeto Câmara na Rua. “O projeto atinge as regiões norte, sul, leste e oeste da nossa cidade. Temos tido um olhar mais humano dentro da Câmara Municipal e dentro da Prefeitura. Eu estive muito presente aqui na região no meu primeiro mandato, quando tivemos muitas demandas. É importante também fazer a fiscalização das ações. Vou aproveitar e entregar à subprefeitura algumas demandas que a gente ainda não conseguiu efetivar aqui na região”, disse.
A subprefeita da Freguesia Brasilândia, Ana Paula Calvo Faria, afirmou que é essencial poder ter momentos como este de escuta da comunidade. “Estar nas ruas para acompanhar de perto as demandas e trazer melhores soluções, mais rápidas e eficazes para todo mundo, pensando no progresso da região e ouvindo a população. A gente tem feito um trabalho incansável de aproximar a população dos gestores públicos. A gente tem certeza que, assim, a gente consegue entregar o melhor, transformando vidas e territórios”, relatou.
Assim como nas demais edições, houve a feira interativa com estandes da Procuradoria da Mulher, da Escola do Parlamento, da Ouvidoria, do Plenário, das Comissões, do Parlamento Jovem, da Biblioteca e do Centro de Memória, além do espaço reservado para a comunidade.
Tribuna Popular
Ao todo, 60 pessoas fizeram a inscrição para se manifestar. O primeiro a falar foi Moacir Baraldi. Inicialmente, ele citou vários pontos que tiveram melhorias no bairro. Em seguida, listou ruas que têm problemas. “Rua Doutor Aguiar Whitaker e Rua Goulart de Oliveira, na Vila Yara, são as duas ruas com maior fluxo de trânsito. Em virtude disso, existe a danificação do asfalto em grande parte delas, sendo que as vans 1034 e 1026 fazem 144 viagens por dia passando nestas duas ruas que já fizemos abaixo assinado e existem até documentos pedindo que estas ruas sejam recapeadas”, disse.
Moradora do bairro, Simone de Almeida Barreto falou que reside no território há 53 anos e também apontou alguns problemas. “O Centro Esportivo Cefó tem os elevadores sem funcionamento há anos. Eu já coloquei uma reclamação na ouvidoria e fui informada de que a obra no CEU tem alguma coisa que foi mal feita e impede que o elevador funcione. Fora a ouvidoria, entrei também com reclamação na Secretaria Municipal de Esportes, que disse que não tem dinheiro para arrumar o elevador. Então, eu peço ajuda e a força de vocês para consertar porque a população perde com isso. Munícipes com pouca mobilidade não podem usar o Cefó”, lamentou.
Morador da zona norte há 32 anos, Jonatan de Moraes abordou a iluminação pública. “Vim pedir iluminação em duas vielas. Na viela Ouro Velha e na viela Flor de Lis. Os moradores dessas vielas precisam de iluminação e também precisam de um corrimão na entrada para ajudar os idosos”, disse.
Membro do grupo IDM (Identidade em Movimento), Carlos Eduardo de Oliveira, pediu por um cuidado a mais com a cultura. “Para que os artistas periféricos possam fazer parte dos grandes palcos como a Virada Cultural que esse ano não teve artistas periféricos. Eu, como artista periférico, gostaria de estar num palco da Virada Cultural e com ação cultural contínua. Porque a cultura não é só o palco, não é só o show, ela tem várias ações que devem ser feitas com a juventude. A juventude precisa ter acesso às políticas públicas de cultura”, comentou.
A gestora da Casa de Cultura Brasilândia, Kátia Bernardes, comentou que existe um espaço atrás do local, onde são feitos os eventos abertos, e que precisa de melhoria. “A gente depende muito do clima. Se está chovendo ou se está muito sol, não conseguimos fazer nada. Por isso, eu faço uma reivindicação especial para que tenha um auditório, para que a gente possa receber os artistas com mais qualidade”, frisou.
Já a gestora do CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social) Freguesia do Ó, Raquel Silveira, agradeceu o apoio que tem recebido para desenvolver o trabalho no bairro e pediu um olhar cuidadoso do poder público para o seu pedido. “Pedimos a implantação de um centro de acolhida para pessoas em situação de rua. Penso ser uma das demandas mais urgentes enquanto serviços da assistência social hoje”, destacou.
A moradora do Jardim Paraná, Odara Procópio, pediu a retirada dos carros abandonados das ruas. “Peço para olharem para os carros que estão nas ruas. Tem muitos carros abandonados e fica difícil a locomoção de vans, coletivos e a coleta de lixo. Esses veículos abandonados estão atrapalhando a mobilidade no Jardim Paraná”, falou.
O jovem aprendiz Gustavo Araújo Costa comentou sobre a empregabilidade dos jovens nas periferias “Eu tenho propriedade para falar. Moro na zona norte e estou tendo que trabalhar na zona oeste, fazendo capacitação na zona leste. Quero mais empregos para as pessoas da zona norte, precisamos de empresas na zona norte para que os jovens aprendizes tenham mais facilidade de acesso a essas vagas”, salientou.
O projeto
O Câmara na Rua foi criado pelo Ato nº 1.657/2025 e surgiu para aproximar os cidadãos do Legislativo paulistano. O projeto teve início em março deste ano e percorreu por duas vezes as quatro áreas da cidade nos CEUs (Centros Educacionais Unificados).
Na primeira parte do evento, o público pôde conferir a feira interativa, que mostrou um pouco de alguns setores da Câmara Municipal, como o plenário, as comissões, a biblioteca, entre outros. Depois, na Tribuna Popular, os inscritos puderam levar suas reclamações, sugestões e demandas locais.
Veja a íntegra da 8ª edição do Câmara na Rua no vídeo abaixo:

