Renovação e Esperança. É sobre esses temas que falam os quadros inéditos da exposição “No Tempo das Águas”, da artista plástica Ediria Carneiro, inaugurada nesta quinta-feira (04/03), no hall da Câmara Municipal de São Paulo. A mostra fica aberta ao público até o dia 11 deste mês. A inauguração contou com a presença dos vereadores Jamil Murad (PCdoB), Netinho de Paula (PCdoB), Francisco Chagas (PT), Alfredinho (PT), Edir Sales (DEM) e Sandra Tadeu (DEM), além do deputado federal Aldo Rebelo, da ex-vereadora Anna Martins, da ex-secretária municipal dos Esportes, Nádia Campeão, além dos filhos da artista plástica. "O povo pobre é o que sofre mais. E a minha história é sempre em defesa dos necessitados", enfatiza Ediria, viúva do líder revolucionário brasileiro João Amazonas (1912-2002). "Ao receber as obras da Ediria, a Câmara se abre para um tema da maior relevância para a gente melhorar a sociedade brasileira. Muitas vezes, a mulher não aparece, mas ela é o sustentáculo da sociedade. O Amazonas viveu momentos de clandestinidade, no anonimato, e ela criou os três filhos. A filha mais nova, a Helena, cresceu sem conhecer o pai", conta Jamil Murad. "Essa homenagem é um reconhecimento não só do PCdoB, é de todos os partidos por tudo que ela sofreu", afirma Netinho de Paula. "Ela trabalha desde a juventude com grandes artistas contemporâneos. É não apenas uma homenagem que a Câmara presta a uma artista plástica, mas também uma homenagem que presta à mulher", ressalta Aldo Rebelo. A vida e a obra de Ediria sempre foram entrelaçadas com a luta do povo brasileiro. A artista baiana atuou desde a juventude no movimento social. Em 1945, radicou-se no Rio de Janeiro após participar como delegada no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).
João Amazonas
Nesse período, Ediria conheceu João Amazonas, presidente nacional do PCdoB. Vítima de feroz perseguição política em razão de sua luta por liberdade e igualdade social, Amazonas viveu por muitos anos na clandestinidade. Ediria, sua companheira, sofreu todas as consequências brutais de tal realidade também vivendo por diversos anos na clandestinidade. Durante os obscuros anos de ditadura militar, fixou residência em São Paulo e, mantendo-se na legalidade, sob riscos de ser descoberta, enfrentou toda a sorte de dificuldades para criar e educar os três filhos do casal.
Em 1976, exilou-se na França, em companhia de seu marido João Amazonas. Passou a freqüentar o “Atelier 17 de D.M. Hayter, fazendo ainda estágios nos ateliers de Henri Goetz e Joelle Serve.
Estudou com renomados artistas, destacando-se Iberê Camargo, Santa Rosa, Axl Leskoschek, Carlos Oswald e Hayter. Integrou o Núcleo dos Gravadores de São Paulo e foi membro societére do Salon d’Autonme na França. Participou de importantes exposições, tais como Bienal Internacional de São Paulo, Bienal de Gravura de Taiwan, Muestra Internacional de Minigrabados (Madrid), Salon dês Artistes Français (Paris/França) e Salon Internacional Del Grabado (Madrid/Espanha). Possui obras nos acervos do MAM de São Paulo e em museus na Argentina e antiga Yugoslávia.
Sua arte retrata a realidade do povo brasileiro, suas mazelas e alegrias. No seu traço podemos sentir a delicadeza que emana do amor por seu povo, a angústia pelo sofrimento dos excluídos, a força que emerge dos explorados, a renovação e a esperança que brota das crianças e mulheres retratadas.
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Câmara expõe quadros da artista plástica Ediria Carneiro
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