Vacina em desenvolvimento no Butantan tem resultados positivos em testes de segurança

DANIEL MONTEIRO
HOME OFFICE

Nesta segunda-feira (19/10), o Governo do Estado anunciou que a vacina contra o novo coronavírus em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, na capital paulista, é a mais segura em fase final de testes no Brasil.

Estudos clínicos com 9 mil voluntários com idade entre 18 e 59 anos no país mostram que apenas 35% tiveram reações adversas leves após a aplicação, como dor no local da aplicação ou dor de cabeça. Não houve qualquer registro de efeito colateral grave durante a testagem.

Uma parceria entre a biofarmacêutica Sinovac Life Science, com sede em Pequim, e o Instituto Butantan, na cidade de São Paulo, permitiu que o desenvolvimento da vacina no Brasil fosse iniciado em julho. A Coronavac é considerada um dos imunizantes mais promissores em fase final de estudo em todo o mundo e produzida com base em tecnologia similar à de outras vacinas produzidas com sucesso pelo Butantan.

As reações mais comuns entre os participantes do estudo após a primeira dose foram dor no local da aplicação (19%) e dor de cabeça (15%). Na segunda dose, as reações adversas mais comuns foram dor no local da aplicação (19%), dor de cabeça (10%) e fadiga (4%). Febre baixa foi registrada em apenas 0,1% dos participantes e não há nenhum relato de reação adversa grave à vacina até o momento.

Os estudos clínicos no Brasil foram iniciados em 21 de julho e preveem a participação total de 13 mil voluntários, todos profissionais da saúde que atuam no atendimento a pacientes com Covid-19. Eles estão sendo acompanhados por 16 centros de pesquisa distribuídos por sete Estados e o Distrito Federal. A partir deste mês, a testagem do potencial imunizante contra o novo coronavírus está sendo ampliada para voluntários idosos, portadores de comorbidades e gestantes.

Caso todos os estudos atestem a segurança da vacina, até dezembro o Butantan receberá 46 milhões de doses da Coronavac, sendo 6 milhões de doses do imunizante já prontas para aplicação. Outras 15 milhões de doses devem chegar até fevereiro de 2021.

Mais sobre o coronavírus

Segundo dados do boletim diário sobre a pandemia do novo coronavírus (causador da Covid-19) publicado pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, nesta segunda-feira (19/10) a capital paulista contabiliza 13.286 vítimas da Covid-19.

Há, ainda, 350.711 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus e 453.512 casos suspeitos sob monitoramento. Até o momento, 487.637 pessoas receberam alta após passar pelos hospitais de campanha, da rede municipal, contratualizados e pela atenção básica do município.

Abaixo, gráfico detalhado sobre os índices da Covid-19 na cidade de São Paulo nesta segunda-feira.

Prefeitura de SP

Em relação ao sistema público de saúde na Grande São Paulo, nesta segunda-feira a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao atendimento de pacientes com Covid-19 é de 49%.

Considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades sanitárias a principal forma de contenção da pandemia do novo coronavírus, o isolamento social na cidade de São Paulo foi de 40,5% no último domingo (18/10).

Os dados são do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, que utiliza dados fornecidos por empresas de telefonia para medir o deslocamento da população e a adesão às medidas estabelecidas pela quarentena no Estado.

Ações e Atitudes

Divulgado na semana passada em uma plataforma de artigos científicos, um estudo brasileiro comprova que o novo coronavírus é capaz de infectar células do tecido cerebral, tendo como principal alvo os astrócitos.

Mesmo os indivíduos que tiveram a forma leve da Covid-19, revelam os resultados, podem apresentar alterações significativas na estrutura do córtex – região do cérebro mais rica em neurônios e responsável por funções complexas como memória, atenção, consciência e linguagem.

Financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a investigação foi conduzida por diversos grupos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da USP (Universidade de São Paulo). Também colaboraram pesquisadores do LNBio (Laboratório Nacional de Biociências), do IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Segundo os autores do estudo, dois trabalhos anteriores haviam detectado a presença do novo coronavírus no cérebro, mas não se sabia ao certo se ele estava no sangue, nas células que recobrem os vasos sanguíneos ou dentro das células nervosas. A pesquisa brasileira mostra pela primeira vez que o novo coronavírus de fato infecta e se replica nos astrócitos e que isso pode diminuir a viabilidade dos neurônios.

Os astrócitos são as células mais abundantes do sistema nervoso central e desempenham funções variadas: oferecem sustentação e nutrientes para os neurônios; regulam a concentração de neurotransmissores e de outras substâncias com potencial de interferir no funcionamento neuronal, como o potássio; integram a barreira hematoencefálica, ajudando a proteger o cérebro contra patógenos e toxinas; e ajudam a manter a homeostase cerebral. A infecção desse tipo celular foi confirmada por meio de experimentos feitos com tecido cerebral de 26 pacientes que morreram de Covid-19.

*Este conteúdo e outros conteúdos especiais podem ser conferidos no hotsite Coronavírus

Deixe a sua contribuição:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também