Acompanhar a abertura dos arquivos da ditadura militar em busca da verdade histórica. Esta vai ser a missão da Subcomissão da Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo, instalada nesta segunda-feira (27/04).
A reunião de instalação dos trabalhos contou com a participação de familiares de mortos e desaparecidos políticos e de ex-presos políticos, como Maria Amélia Teles, Ivan Seixas, Criméia Alice Schmidt de Almeida e Suzana Lisboa, que foram convidadas a compor a mesa da reunião.
Criméia, membro da Comissão de Familiares de Presos Políticos, saudou a iniciativa do Legislativo municipal. “Voltamos agora à essa Subcomissão com grandes esperanças de ver abertos esses arquivos. Dos136 desaparecidos reconhecidos pela lei nesses anos todos nós conseguimos identificar apenas três. Mas nós não desanimamos”, disse.
Criméia acrescenta que, embora tenham sido disponibilizados dados do antigo arquivo do DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social), que a Polícia Federal devolveu ao Estado de São Paulo, o material liberado foi “selecionado”. “Fizeram uma limpeza”, contou.
A sessão de instalação da Subcomissão, presidida pelo vereador Ítalo Cardoso (PT), lembrou também da contribuição da CPI das Ossadas de Perus que funcionou na Câmara em 1990. Os oradores também saudaram a determinação da abertura da vala clandestina do Cemitério de Perus (Cemitério Municipal Dom Bosco, construído na primeira gestão do prefeito Paulo Salim Maluf) pela prefeita Luiza Erundina em 4 de setembro de 1990. Na vala estavam ossadas de vítimas da repressão militar e do Esquadrão da Morte. Foram desenterrados 1.049 restos mortais de desaparecidos políticos, como Frederico Eduardo Meyer.
Ouvido pela nossa reportagem, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, vereador Gabriel Chalita (PSDB) fez um balanço da luta pela revelação dos arquivos. “Essa é uma grande luta do vereador Ítalo Cardoso. O grande conceito desse trabalho é ajudar o Brasil a recuperar a sua memória. Acompanhar a abertura desses arquivos significa resgatar uma parte da nossa história e, acima de tudo, mostrar para a juventude que a ditadura nunca compensa, não vale a pena, é não permitir que isso volte a acontecer no Brasil. Muitos dos desaparecidos foram torturados e morreram em São Paulo.”
“Eu tenho dito que se [a reabertura da vala] fosse a única coisa que eu tivesse feito no governo teria valido pelo governo todo. Então, é uma alegria perceber que a luta continua e que os compromissos das pessoas que abraçaram essa causa estão firmes”, acrescenta a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSB).
“As tarefas colocadas são grandes. A CPI de 1990 tirou vários encaminhamentos. Depois disso, houve toda uma movimentação na América Latina, tanto que o Chile, a Argentina e vários países já abriram seus arquivos. O maior exemplo é o Peru: Fujimori [ex-presidente do Peru] não foi condenado porque roubou, porque praticou estelionato e sim com base na acusação do tratamento desumano ao pessoal do Sendero Luminoso, que sabidamente era um grupo armado”, ressalta o presidente da Subcomissão, vereador Ítalo Cardoso, à nossa reportagem.
“Dos vereadores que, em 1990, acompanhou aquela Comissão, eu sou o único remanescente. Lembramos aqui da vereadora Tereza Lajolo, dos vereadores Vital Nolasco, Julio César Caligiuri e Aldo Rebelo. Nós vamos acompanhar cada passo da abertura desses arquivos. Temos muito trabalho, muita pesquisa a fazer”, finaliza.
A mesa da reunião foi constituída por Ítalo, Chalita; os vereadores Jamil Murad (PCdoB) e João Antônio (PT); pela deputada federal Luiza Erundina; pelo deputado estadual Rui Falcão (PT); pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, José Renato Nalini; por Claudio de Lima, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo; Eugênia Augusta Fávero, procuradora do Ministério Público Federal; a ex-vereadora Tereza Lajolo; Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE) e ex-preso político; Maria Amélia Teles, ex-presa política; Suzana Lisboa; e Criméia Alice Schimidt de Oliveira.
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Subcomissão dos Arquivos da Ditadura é instalada na Câmara Municipal
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