Isolamento social na capital durante feriado prolongado chegou a 81%

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Vereadora Rute Costa (PSDB) em coletiva on-line da Prefeitura desta quinta-feira (8/4)

DANIEL MONTEIRO
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Em coletiva no início da tarde desta quinta-feira (8/4) com participação da vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereadora Rute Costa (PSDB), a Prefeitura apresentou os resultados do índice de isolamento social na capital durante o feriado municipal prolongado que se encerrou no último domingo (4/4). Segundo os dados oficiais do município, no período o isolamento chegou a 81%.

O índice apresentado pela Prefeitura leva em consideração quatro indicadores. O primeiro deles é o número de catracadas de ônibus, ou seja, pessoas dentro do ônibus que giram a catraca ao passar o bilhete único e pagar as passagens. Esse indicador é considerado preciso, pois é possível saber exatamente quantos passageiros entraram dia por dia nos ônibus da cidade e no conjunto de veículos que operam o transporte urbano no município.

O segundo indicador é a quantidade de carros na rua. O número também é considerado objetivo e preciso porque, além dos contadores de veículos e de frequência de carros utilizados para controle de trânsito pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), os radares da cidade marcam a passagem dos veículos, possibilitando a análise do comportamento e da quantidade de carros circulando.

No mesmo sentido, a estimativa de lentidão do trânsito é utilizada como terceiro indicador. Essa medição, que em 2016 foi sofisticada através de uma parceria entre a CET e o aplicativo Waze, é feita há muito tempo e agrega mais dados à análise geral do trânsito.

Por fim, o quarto indicador utilizado pelo município para avaliar o isolamento social é a quantidade de notas fiscais emitidas por determinados serviços que, para serem prestados, exigem alguma mobilidade, movimentação e presença pessoal. Neste pacote, estão incluídas notas fiscais de estacionamentos, de oficinas mecânicas, cartórios, entre outros. Somando e analisando esses quatro indicadores, a Prefeitura chegou a um índice próprio, que vem sendo utilizado desde o início da pandemia.

Baseado, portanto, nesse índice, foi possível observar que o isolamento social na capital, antes do enrijecimento do Plano SP, era de 40%. Após o endurecimento das medidas, o índice subiu para 60% e, com a antecipação dos feriados na última semana, atingiu 81%, referendando a efetividade das medidas complementares adotadas pela Prefeitura.

Índices do município

Na coletiva, também foi apresentada a situação dos indicadores de saúde da cidade de São Paulo em relação à pandemia do novo coronavírus. Em linhas gerais, desde o dia 3 de abril, foi observada uma estabilidade na ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), de enfermaria e também na ocupação dos pronto-socorros, mas num patamar considerado elevado pelo município.

Na última quarta (7/4), a ocupação de leitos no município era de 89% nas UTis, 84% de enfermaria e 81% nos pronto-socorros. Além disso, a distribuição de casos de síndrome gripal confirmados para Covid-19 continuam crescendo no município. Também por causa do cenário atual da pandemia, há a tendência de que, nos próximos 15 dias de abril, por conta do número de casos de internações em UTI e de casos graves, haja uma média acentuada de óbitos por Covid-19 na cidade.

Vacinação contra o Influenza

Ainda na coletiva, a Prefeitura divulgou o calendário de vacinação contra o Influenza na cidade. A campanha nacional, com participação do município, visa reduzir as complicações e a mortalidade decorrentes das infecções pelo vírus influenza na população alvo; facilitar o diagnóstico diferencial entre Covid-19 e demais doenças respiratórias causadas pelos vírus influenza; e evitar internações e sobrecarga do sistema de saúde.

A vacinação começará no dia 12 de abril e será dividida em etapas. Na primeira fase, de 12/4 a 10/5, serão vacinadas crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde. A segunda fase, que ocorre de 11/05 a 08/06, deverão ser imunizados idosos com 60 anos e mais e profissionais das escolas públicas e privadas. No caso do último grupo, o objetivo é evitar que haja a aplicação paralela da vacina contra o Influenza e contra a Covid-19.

Por fim, na terceira fase, de 9/6 a 9/7, serão vacinados os outros grupos: pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; pessoas com deficiência permanente; forças de segurança e salvamento; forças armadas; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso; trabalhadores portuários; funcionários do sistema prisional; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas; e população privada de liberdade.

O município destaca que devem adiar o recebimento da vacina contra influenza pessoas que estão com Covid-19 ou que tiveram a doença há menos de 28 dias. Além disso, é essencial dar um intervalo de 14 dias entre a vacina contra a Covid-19 (1ª ou 2ª dose) e a vacina contra o Influenza.

De forma a evitar aglomerações e priorizar a imunização contra a Covid-19, mas ao mesmo tempo ampliar o acesso à vacinação, a vacina contra o Influenza no município de São Paulo será aplicada exclusivamente em escolas e estabelecimentos da educação, como EMEIs, escolas estaduais, CEIs e estabelecimentos de ensino. Serão, no mínimo, 468 locais de vacinação em unidades da educação no território das unidades básicas de saúde. Também haverá faixas exclusivas para sinalização destes locais, fornecidas pelo município.

Paralelamente, a Prefeitura também informou que promoverá a atualização da caderneta de vacinação com a oferta das demais vacinas do calendário nacional de imunização para estes grupos. Serão fornecidos imunizantes para poliomielite, sarampo, pentavalente (tétano, difteria, hepatite b, coqueluche e meningite), febre amarela e rotavírus. Essa ação visa atender principalmente as crianças que, por conta da pandemia, não puderam ser normalmente vacinadas.

Também participaram da coletiva o prefeito Bruno Covas (PSDB); o vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB); o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido; e o secretário municipal de Governo, Rubens Rizek.

Mais sobre o novo coronavírus

Segundo dados mais recentes sobre a pandemia do novo coronavírus publicados pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, nesta quinta-feira (8/4) a capital paulista contabilizava 23.689 vítimas da Covid-19. Havia, ainda, 766.230 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus.

Abaixo, gráfico detalhado sobre os índices da Covid-19 na cidade de São Paulo.

Prefeitura de SP

Em relação ao sistema público de saúde da região metropolitana de São Paulo, a atualização mais recente destaca que, nesta quinta (8/4), a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados a pacientes com Covid-19 é de 87,2%.

Considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades sanitárias a principal forma de contenção da pandemia do novo coronavírus, o isolamento social na cidade de São Paulo, na última quarta (7/4), foi de 42%.

Os dados são do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, que utiliza dados fornecidos por empresas de telefonia para medir o deslocamento da população e a adesão às medidas estabelecidas pela quarentena no Estado.

Ações e Atitudes

Uma primeira exposição à Covid-19 em casos brandos ou assintomáticos pode não produzir resposta imunológica e a pessoa pode se reinfectar, inclusive, com a mesma variante. Além disso, a segunda infecção pode provocar sintomas mais fortes do que a primeira, indica um estudo coordenado por pesquisadores do CDTS/Fiocruz (Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz), com participação de cientistas UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa e da empresa chinesa MGI Tech Co.

O artigo “Evidência genética e resposta imunológica do hospedeiro em pessoas reinfectadas com Sars-CoV-2”, que trata da questão, será publicado em maio na revista Emerging Infectious Desease, do CDC/EUA (sigla em inglês para Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos).

Conforme mostram os dados, para a parcela da população que desenvolveu a doença na forma branda (em que não é necessária a hospitalização), isso não significa que a pessoa fique imune ou que uma reinfecção venha a evoluir de forma benigna. O estudo indica ainda que a reinfecção pode ser mais frequente do que se supõe.

De acordo com a pesquisa, o caso de ser infectado pela mesma variante acontece porque o paciente não teria criado uma memória imunológica para o vírus. No caso de uma outra cepa, ela “escaparia” da vigilância e não seria reconhecida pela memória gerada anteriormente por ser um pouco diferente.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores acompanharam semanalmente um grupo de 30 pessoas de março de 2020, no início da pandemia, até o fim do ano. Destas, quatro contraíram o novo coronavírus, sendo que algumas foram infectadas pela mesma variante. Os pesquisadores, então, sequenciaram o genoma do vírus no caso da primeira infecção e depois na segunda para poder compará-los.

Nos quatro casos, a primeira infecção se deu com sintomas brandos. Na segunda, os sintomas foram mais frequentes e mais fortes, mas não necessitaram de hospitalização. O estudo aponta que essas pessoas só tiveram de fato a imunidade detectável depois da segunda infecção. Isso leva a crer que, para uma parte da população que teve a doença de forma branda, não basta uma exposição ao vírus, e sim mais de uma, para ter um grau de imunidade, o que permite que uma parcela da população que já foi exposta sustente uma nova epidemia.

Sobre a possibilidade de uma terceira infecção, os autores do estudo não acham possível. Apesar disso, argumenta, que ainda não é sabido quanto tempo dura a imunidade pós-Covid. Assim, uma pessoa poderia ficar vulnerável a uma nova reinfecção ou mesmo a contrair uma variante diferente. O novo estudo ainda pode dar margem a mais pesquisas, como por exemplo, investigar se uma pessoa pode ter uma predisposição a contrair o novo coronavírus.

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