Comissão de Segurança discute ações para combater suicídio de policiais

André Moura / CMSP

Comissão de Segurança Pública (24/10)

LETÍCIA GOMES
DA REDAÇÃO

A  Comissão Extraordinária de Segurança Pública recebeu, nesta quinta-feira (24/10), representantes da GCM (Guarda Civil Militar) e das polícias Civil e Militar. O objetivo da reunião foi debater iniciativas para reduzir as altas taxas de suicídio dos agentes policias e incrementar o cuidado da saúde mental.

Secretário-geral da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Fernando David de Melo apresentou relatório, preparado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados sobre os suicídios de policiais no município, entre 2017 e 2018. O órgão chama atenção para a taxa de suicídio entre os policiais, de 24%, enquanto no total da população o número é de 5,8% por 100 mil habitantes.

Segundo Melo, esse índice chega a 22%, no caso da Polícia Militar, e a 30,3%, na Polícia Civil. Melo atribui esses índices ao estresse inerente às carreiras, decorrente da estrutura salarial e das condições de trabalho. “Hoje, na estrutura da Polícia Civil, temos 1/3 de cargos faltantes, ou seja, quase 14 mil vagas criadas por lei em aberto”, afirmou o secretário-geral da ADPESP. “Estamos trabalhando com 2/3 da nossa capacidade, isso impacta no estresse do policial civil, que precisa trabalhar por dois, três ou mais. Hoje o policial civil de São Paulo ganha o pior salário da Federação”, afirmou Melo. Tendo como referência os critérios da Organização Mundial da Saúde, ele considera os índices de suicídio nas polícias como equivalentes a uma “epidemia”, que precisa ser combatida com o enfrentamento das causas.

Apoio psicológico

Entre as iniciativas apresentadas pelas corporações, está o CAPS (Centro de Atenção Psicológica e Social), da Polícia Militar. Atualmente o programa conta com um efetivo de psicólogos e assistentes sociais, responsáveis por realizar testes psicológicos, análise de perfil, de acordo com o cargo, atendimento de apoio devido às ocorrências traumáticas, além de palestras motivacionais. Subchefe do CAPs, Mario Kitsuwa informou que há outras ações previstas a serem implantadas, entre elas a criação de um hospital-dia.

Para o delegado da Polícia Civil paulista, Waldir Antonio Covino Jr., apesar de a taxa de suicídio ser elevada, a estrutura de programas voltados aos policiais civis, para enfrentar o problema, ainda é pequena.

Segundo o delegado, com o apoio da Academia de Polícia, será desenvolvido um programa de capacitação. “Esse programa irá capacitar as chefias para que sejam capazes de identificar sintomas que podem indicar o risco do policial cometer suicídio. E ao mesmo tempo para que ele saiba lidar com a situação”, afirmou.

A rede de apoio da Polícia Civil já está em fase de instalação, o próximo passo é firmar parcerias com entidades privadas, governos municipais e estaduais, para a criação de uma rede de tratamento adequado.

O vereador Reis (PT) avaliou positivamente as ações apresentadas. E destacou a importância do Estado na valorização dos agentes policias. “O Estado não pode ser omisso, ele tem que fazer o seu papel de identificar a causa do problema e corrigi-lo. Tem que haver a valorização do policial, pois ele tem que se dedicar exclusivamente à atividade”, disse Reis. “Para isso, ele precisa ganhar bem, para não fazer bicos e não correr risco de morrer fora do seu horário de serviço”, afirmou o vereador.

Requerimentos

Durante a reunião, a comissão também aprovou cinco requerimentos, entre eles a convocação do secretário da Segurança Urbana. Outro requerimento propôs reunião conjunta entre a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de São Paulo, junto a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa. O objetivo é discutir ações para solucionar os problemas já apresentados, e identificar as ações que o Estado está realizando em prol da segurança pública.

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