Comissão da Verdade: Policial Militar foi preso e torturado no regime

O Coronel Vicente Sylvestre, policial militar e ex-comandante da Guarda Civil Metropolitana, foi o segundo convidado da Comissão da Verdade nesta terça-feira (24/9). Enquanto esteve na polícia, ele atuou em episódios como a Guerra da Maria Antônia — conflito entre alunos da USP e do Mackenzie, onde atuava o Comando de Caça aos Comunistas, em 1968.

Nossa posição era preservar a Maria Antônia (sede da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) e coibir abusos, lembrou. Segundo ele, era claro que os alunos da instituição pública estavam sendo vítimas, pois há tempos se sabia que alunos do Mackenzie armazenavam gasolina e outros materiais para fazer coquetéis Molotov. Falei com o reitor, ele não fez nada, recordou. Entretanto, quando Sylvestre discordou das ordens de invadir o prédio ocupado da faculdade de Filosofia, foi substituído. Entrou a cavalaria da força pública, aí não teve conversa. Invadiram e dominaram a situação, contou.

Segundo Sylvestre, o episódio não teria sido relevante porém, em julho de 1975, ele e outros policiais foram presos. Até outubro daquele ano, o policial foi torturado no DOI-Codi. Me falaram da Maria Antônia quando estava no pau de arara, afirmou.

Em seguida, o policial foi exonerado, em um processo que durou quatro dias. Sua mulher receberia pensão, como viúva de marido vivo. Depois, Vicente conseguiu sua reintegração à corporação na Justiça, após concluírem que era inconcebível um processo que leva pelo menos 30 dias ter uma tramitação tão rápida. Mas eu me recusei a usar novamente o uniforme e passei imediatamente para inatividade, disse. Sylvestre viria a ser Comandante da GCM no governo de Luiza Erundina. (Thaís Lancman)

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(24/9/2013 – 14h07)


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