Comissão da Verdade discute abertura de livros do DOPS

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A partir da esquerda: historiadora Joana Monteleone, advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado estadual Adriano Diogo e a advogada Maria Carolina Bissoto
Foto: Luiz França / CMSP

 

DA REDAÇÃO

A digitação dos livros de registro de entrada e saída dos visitantes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), uma das principais centrais da repressão militar, em planilhas foi discutida nesta segunda-feira (22/8) pela Comissão Municipal da Verdade na Câmara Municipal de São Paulo. De acordo com os participantes, o trabalho ajudará a desvendar mais detalhes sobre o período da ditadura.

Os seis livros com os nomes das pessoas que frequentavam o DOPS do período de 1971 a 1979 têm cerca de 10 mil páginas. Responsável por fazer a digitação, a advogada Maria Carolina Bissoto sinalizou que esse trabalho será fundamental para descobrir o que aconteceu no período. “A lista era feita manualmente pelos guardas que ficavam na recepção. Esse trabalho é importante porque ajudará a relacionar alguém que vai ao DOPS para ter alguma reunião com alguém, mas não assinava a lista”, argumentou.

O que mais chamou a atenção da advogada nessa digitação é a identificação de uma pessoa como representante da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “Geraldo Rezende de Mattos entra 196 vezes no DOPS, é um número exorbitante. Ele costumava ir à noite e não tinha horário de saída”, disse.

A coordenadora do projeto, a historiadora Joana Monteleone, contou que a partir da padronização dessas listas é possível saber quem financiava a ditadura. “Vamos conseguir cruzar as informações, saber quem estava no DOPS de fato e dizer quem financiava esse regime”, argumentou.

O integrante da Comissão da Verdade da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) Luiz Eduardo Greenhalgh explicou a importância do trabalho. “É fundamental a digitação dos livros para que nunca mais períodos como os que ocorreram, de regime militar, voltem a acontecer. A Comissão da Verdade ao realizar esse debate ajuda na reconstrução dessa história”, explicou.

O integrante da Comissão Municipal da Verdade Adriano Diogo, ex-deputado estadual, espera que esse material revele mais dados sobre a ditadura. “A abertura desses livros permitirá cruzar informações, por exemplo, para saber quem estava no DOPS quando estavam ocorrendo torturas, os nomes dos funcionários, representantes de outros países, como agentes da CIA e os que financiavam a ditadura”, disse.

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