Combate ao Aedes aegypti volta à pauta da Comissão do Meio Ambiente

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Reunião da Comissão Extraordinária do Meio Ambiente
Foto: Luiz França / CMSP

 

DA REDAÇÃO

A Comissão Extraordinária Permanente de Meio Ambiente abordou nesta terça-feira (1/11) as formas de proliferação e combate do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão do vírus da dengue. Presidida pelo vereador Gilberto Natalini (PV), a reunião contou com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e membros da sociedade civil.

Maria Anice Sallum, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, apresentou um panorama histórico sobre a disseminação da doença e os fatores envolvidos no cotidiano que propiciam a criação de um ambiente favorável para o desenvolvimento do mosquito. “O Aedes aegypti evoluiu junto com o homem e é difícil combater um mosquito que se adaptou tão bem ao corpo humano. O crescimento populacional, a globalização e a urbanização intensificadas pelas mudanças do meio ambiente promovem uma queda de equilíbrio entre ecossistemas e as comunidades que neles vivem”.

Ela salientou que o processo de urbanização é um dos principais responsáveis pela alteração do meio ambiente e propagação de uma doença que é propriamente das cidades. “A urbanização destrói a cobertura vegetal ocasionando uma perda da biodiversidade. O sistema ecológico, que é complexo, passa a ser simplificado na medida em que espécies exóticas como o Aedes aegypti não têm competidores e passa a dominar no ambiente”.

O também pesquisador da Faculdade de Saúde Pública, Paulo Urbinatti pontuou que reconhecer as características biológicas do inseto propicia uma erradicação de criadouros mais eficaz, já que além da dengue, o Aedes contaminado também pode propagar a febre amarela e os vírus da zika e da chikungunya. “Somente as fêmeas do mosquito têm hábito diurno e picam porque precisam do sangue para que ocorra o amadurecimento dos ovos no seu interior. Elas colocam os ovos na parede de recipientes, próximos à superfície da água, e têm preferência por sangue humano”.

Ele também enfatizou que é preciso ser “vigilante não somente nas épocas de chuvas e verão”, períodos em que há maior possibilidade de ocorrências das doenças. A água parada em calhas, pratos utilizados em vasos e materiais descartados de forma irresponsável, além de mal planejamento em construções civis, são exemplos de focos que podem se formar tanto dentro quanto fora das residências.

Por isso, Margareth Guimarães, pesquisadora do Instituto de Ciências Biométricas da USP, reiterou a importância da educação no combate à proliferação dos vírus como uma responsabilidade integrada entre poder público e sociedade civil. “O agente de saúde, na verdade, é um orientador, porque a responsabilidade também é das  pessoas. Assim a população começa a se sentir mais segura de eliminar os focos, matar as larvas e fazer o trabalho que é extremamente importante para controlar o mosquito”.

A pesquisadora levou ao debate as possibilidades de eliminação do vírus estudadas em laboratório e que estão em fase experimental. Uma delas é por meio de tecnologia que envolve o desenvolvimento de espécies transgênicas que “são introduzidas para modificar a população de mosquitos a partir de um gene que é ativado pelo vírus do inseto contaminado”.

No entanto, Guimarães salientou que a medida isolada, se implementada, não substitui a responsabilidade da sociedade civil. “Não adianta combater a caixa d’água sem combater o lixão ou um descarte de pneu. Se a gente soma as diferentes técnicas, é possível combater todos os criadouros ao mesmo tempo”.

O vereador Natalini reiterou a importância de disseminar informações sobre os métodos diários de precaução. “A Comissão cumpre seu papel. Nós temos o comitê civil contra a dengue. Hoje trouxemos o combate ao mosquito das suas formas mais variadas com alta tecnologia e pesquisa científica. Foi muito produtivo”.

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