Câmara discute situação de idosos que vivem sozinhos

JOTA ABREU
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A Câmara Municipal mediou nesta segunda-feira (19/4) mais uma edição do projeto Envelhecimento em Pauta, com o tema “Viver sozinho: problema ou solução?”. O encontro foi realizado de forma virtual e por solicitação e iniciativa da vereadora Cris Monteiro (NOVO)

A parlamentar abriu a mesa de discussões dizendo que tem muita honra de ter a pauta do envelhecimento em seu mandato, e ressaltando que completa 60 anos no mês de junho. A vereadora revelou que 57 mil pessoas que tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19 não retornaram pra tomar a segunda; e que destes, 26 mil estão na faixa de idade entre 80 e 90 anos. Cris disse que o secretário da Saúde, Edson Aparecido, acredita na possibilidade de que uma parte dessas pessoas pode ser de idosos que residem sozinhos e não terem orientação ou apoio para a segunda parte da imunização. 

A discussão foi coordenada pela Dra. Marília Berzins, assistente social e doutora em Saúde Pública, e presidente do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento). Ela abriu as exposições adiantando que o tema proposto teria variedade de interpretações. “É entre o sim e o não que a conversa se desenvolve e que se encontra resposta para a reflexão sugerida”, disse. 

A primeira fala foi do Dr. Sergio Paschoal, geriatra, associado do OLHE e membro do canal “O que rola na Geronto”. Ele citou o Estatuto do Idoso para falar sobre o direito à moradia digna e também de morar desacompanhado em caso de desejo. Explicou que isso pode ser positivo para conferir autonomia, desde que haja vínculos, companhias, rede de apoio. Mas que também pode ser uma imposição, e que não se pode viver sozinho, porque isso significa solidão. Também tratou das diferenças entre os conceitos de morar sozinho em uma residência e viver sozinho sem ter apoio ou círculo de relações. 

No caso do idoso que mora sozinho, ele falou da necessidade de sete condições a serem verificadas: higiene; comportamentos desajustados; surgimento e evolução de doenças; independência financeira; saúde mental e estado emocional; independência e mobilidade; e alimentação. 

Paschoal citou levantamento realizado em 2015, apontando que havia pouco mais de 290 mil idosos morando sozinhos na capital paulista, totalizando 15,7% da população idosa da cidade. Ele também apresentou dados preocupantes sobre as características dos idosos que residem sozinhos, inclusive sobre as atividades básicas de autocuidado. Quase 37% deles, por exemplo, têm dificuldade de acesso a serviços variados, inclusive os serviços públicos. 

Na sequência, a exposição foi feita por Braz Aranha, supervisor do Programa Acompanhantes de Idosos (PAI) da UBS Jardim Campinas em Parelheiros, na Zona Sul. Segundo ele, o programa se dedica a capacitar indivíduos e organizar atividades comunitárias de cuidado e acompanhamento de pessoas idosas frágeis. Começou na região do bairro Santa Cecília. 

O PAI faz parte da rede de proteção de saúde e ajuda a identificar os idosos em situação de fragilidade clínica e atuar na prevenção dos agravos. Segundo Aranha, o programa tem atualmente 49 equipes distribuídas pela cidade e atende uma população de mais de 5 mil idosos. As equipes são compostas por um coordenador, assistente social, supervisor, enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, um auxiliar administrativo, 10 acompanhantes e um motorista terceirizado. 

Por fim, houve a participação de Marie Claire Esckenazy, ativista de 82 anos, que há 10 anos mora sozinha, e que além de pertencer a esse grupo, também trabalha em em prol da qualidade na vida idosa. De forma lúdica e poética, ela descreveu duas formas de morar e viver sozinha, contando primeiro a história de uma idosa que mora sozinha, e não tem apoio dos filhos, distantes geográfica e emocionalmente. E, em seguida, uma outra mulher, que não tem familiares para apoiar-se, mas que tem autonomia para sair e fazer parte das atividades básicas. 

Marie Claire também falou sobre si, e sua situação. Ressaltando seu prazer em aprender, declarou que que morar sozinha para ela é liberdade. “É solução e oportunidade para viver melhor”, comemorou.

2 Contribuições

Tomiko Born

Parabéns para as pessoas que participaram desse evento. O tema é muito atual e é importante nas cidades menores também.

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Rosana Diaz

Temática fundamental, pois com a atual crise sanitária e com envelhecimento populacional é preciso políticas públicas pra atender esta população.

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