Campanha Setembro Amarelo busca conscientizar para prevenir o suicídio

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DANIEL MONTEIRO
DA REDAÇÃO

No mundo, o suicídio provoca uma morte a cada 40 segundos, mais de 800 mil por ano, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, o Ministério da Saúde informa que, de 2000 a 2016, houve um crescimento de 73% no número de mortes – saltaram de 6.780 para 11.736 óbitos por ano no período.

Idosos com mais de 70 anos lideram as taxas de suicídio, com 8,9 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é 5,5 por 100 mil. Os jovens de 15 a 29 anos são o outro grupo mais afetado no planeta: o suicídio é a segunda causa de mortes nessa faixa etária – a primeira é a violência.

Por conta disso, o suicídio é tratado pela OMS como epidemia e cada vez mais visto como um problema de saúde pública. Minimizar essa realidade é o foco do Setembro Amarelo, campanha que visa desmistificar e conscientizar sobre o tema e, dessa forma, auxiliar na prevenção ao suicídio. O movimento é um desdobramento do Dia de Prevenção do Suicídio, celebrado mundialmente em 10 de setembro, cujo tema, em 2018, foi #vamosfalar.

Em sintonia com data, a temática desse ano do Setembro Amarelo é “Falar é a melhor solução”. Antônio Batista, voluntário e porta-voz do CVV (Centro de Valorização da Vida), entidade sem fins lucrativos que atua na prevenção do suicídio e uma das organizadoras da campanha, explica a importância das ações de prevenção.

“Nós do CVV enxergamos que, quando uma pessoa fala, ela está dando uma oportunidade para ser acolhida, ouvida e compreendida. Falar do que está acontecendo internamente permite trazer à consciência pensamentos e sentimentos que, ás vezes, estão guardados e a pessoa não tem percepção. Quando ela traz esses temas à consciência, de repente, a pessoa começa a se olhar sob um outro ponto de vista e tentar se modificar. Quando as pessoas se modificam, elas passam a ter condição de tocar suas vidas. Esse é nosso objetivo”, afirma Batista.

Nesse contexto, a importância do trabalho do CVV aumentou. Desde julho o serviço de atendimento telefônico da entidade passou a ser gratuito para todo o território nacional, podendo ser acessado pelo número 188. Atualmente são 95 centrais de suporte e a previsão é de que, nos próximos meses, esse número suba para 105.

“Mais de 90% dos suicídios podem ser evitados, caso a ajuda chegue a tempo. Hoje, em todo o Brasil, são 2500 voluntários capacitados para o acolhimento, que se oferecem para conversar de uma forma compreensiva, sem julgamentos, sem críticas e sem a obrigatoriedade de se identificar. Tudo isso para escutar e ajudar aqueles que nos procuram”, ressalta Batista.

Mais informações sobre a campanha Setembro Amarelo  –  “Falar é a melhor solução” –  estão disponíveis no site do CVV, em www.cvv.org.br, ou pelo telefone 188. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone.

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