Nesta quinta-feira (2/4), vereadores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Pantanal, que investiga e busca soluções para as enchentes no Jardim Pantanal, localizado no extremo leste da capital, ouviram a arquiteta e urbanista da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Alexandra Aguiar Pedro. Durante a oitiva, ela apresentou um catálogo de soluções baseadas na natureza, com propostas para recuperar a biodiversidade e reduzir os impactos das cheias na região.
Apresentação técnica
A arquiteta e urbanista trouxe uma apresentação para contextualizar o catálogo. “Há uma perda da biodiversidade, mas, se olharmos em volta, iremos perceber que já não vemos tantos passarinhos e borboletas. É importante destacar que a solução também está na natureza. Por isso, a Secretaria do Verde apresenta um catálogo de soluções baseadas na natureza, com estratégias para fortalecer a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos”, iniciou a urbanista.
Contexto e estrutura do catálogo
Segundo a representante da SVMA, as soluções expostas no catálogo estão organizadas em cerca de 100 fichas avulsas. Algumas delas possuem versos com informações complementares.
“Há dois lembretes [catálogo], o da fauna e o da flora, que são os dois principais elementos da biodiversidade. A ideia, por meio deste catálogo, é trazer soluções para o território. Por isso, dentro desse documento há diversas propostas. Entendemos que este é o primeiro passo para avançarmos”, pontuou a representante.
Ela aproveitou para ressaltar que as SbN (Soluções Baseadas na Natureza) estão distribuídas em 11 grupos, sendo oito grupos de estratégias “mestras”.
Diretrizes ambientais
A importância de compreender as características naturais do território foi um dos pontos centrais destacados durante a reunião. De acordo com a especialista, analisar como a biodiversidade se manifesta no município e quais caminhos podem ser adotados para sua recuperação são pontos importantes.
“A principal pergunta que nós fizemos foi: como é a nossa natureza? Chamamos outros colegas, incluindo agrônomos e biólogos. O que predomina no município é a Mata Atlântica, e a pergunta que fizemos foi se ela é igual em todos os lugares. E não é. Há diferentes formas. Então, se quisermos trazer essa natureza de volta, precisamos também trazer de volta a fauna que um dia existiu na cidade de São Paulo”, disse Alexandra.
Ela ainda disse que além da flora, a preservação da fauna também é essencial para o equilíbrio ambiental. A criação e manutenção de ambientes adequados também são medidas fundamentais para garantir a sobrevivência das espécies nativas no território.
“No caso da fauna silvestre, é necessário constituir ou manter ambientes que forneçam as condições necessárias para a sobrevivência dos animais. Essas condições estão listadas a seguir e aparecem no lembrete encontrado em algumas fichas do catálogo”, pontuou a arquiteta.
Quadra reservatória
Na apresentação, Alexandra Pedro mostrou que uma quadra reservatória – trata-se de uma obra multifuncional onde uma quadra esportiva (poliesportiva, bocha, malha) é construída sobre ou ao lado de um reservatório subterrâneo de águas pluviais, seria uma solução.
Essa estrutura tem o objetivo de armazenar água da chuva para prevenir enchentes e, ao mesmo tempo, oferecer um espaço de lazer para a comunidade. É uma solução de detenção de água para a região. No entanto, a especialista explicou que é necessário prever a limpeza das quadras após chuvas intensas e articular com a comunidade para que esses espaços só sejam utilizados quando estiverem limpos.
Canteiro amigo da árvore
A gestão da arborização urbana também entrou em pauta, com destaque para a necessidade de ir além da percepção dos problemas e avançar na forma como o Poder Público e a sociedade lidam com o cuidado das áreas verdes. O debate trouxe reflexões sobre manutenção, planejamento e responsabilidade compartilhada na preservação do patrimônio ambiental da cidade.
“A gente fala muito que as árvores estão caindo na cidade, mas um ponto importante é entender como estamos cuidando das nossas árvores”, destacou.
Questionamentos dos vereadores
Após a apresentação, a vice-presidente da Comissão, vereadora Marina Bragante (REDE), questionou Alexandra sobre o melhor caminho para que as soluções sejam encontradas e para que as famílias deixem de ser prejudicadas pelas fortes chuvas, além de serem devidamente amparadas pelo Poder Público.
Em resposta, a arquiteta afirmou que a proposta do catálogo é exatamente resgatar o equilíbrio ambiental no território. “Estamos dialogando com demais autoridades para apresentar o catálogo e, assim, implementar soluções conjuntas”, afirmou a representante.
Ela ainda destacou a importância de compreender que a região foi ocupada pela comunidade e que houve alterações na infraestrutura do território, o que ocasionou a perda da biodiversidade existente em vários pontos da área.
“Eu acho que a gente invadiu um espaço que não era nosso. Precisamos considerar que temos um rio muito poluído, o que traz diversas implicações. A proposta do nosso catálogo é tentar devolver um pouco da natureza para essa região da cidade. Precisamos olhar o que havia ali antes, quais vegetações existiam, e trabalhar a partir disso”, pontuou a urbanista.
Em seguida, o integrante da CPI, vereador Major Palumbo (PP), perguntou se, com a implantação correta do sistema de drenagem na região, haveria de fato uma retenção expressiva de água.
“Para isso, seria necessário realizar uma modelagem. Creio que é possível simular, mas é preciso um estudo técnico”, explicou Alexandra.
O presidente da CPI, vereador Alessandro Guedes (PT), falou sobre algumas possíveis soluções que vêm sendo discutidas pela Comissão após oitivas com outros órgãos do Poder Público. Ele também questionou a arquiteta sobre a possibilidade de convidar outras autoridades da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, para que, além das propostas do catálogo, novas ações fossem implementadas para solucionar os problemas da região.
“Posso verificar com outras autoridades e com demais setores da secretaria para que venham até aqui e deem continuidade aos trabalhos, para que juntos consigamos uma solução. Não é apenas responsabilidade da Secretaria do Verde. Todas as demais secretarias do município precisam se sentar à mesa e buscar uma solução conjunta. Todos precisam estar envolvidos”, concluiu Alexandra.
Encaminhamentos
Após a oitiva, o vereador Alessandro Guedes destacou sobre a necessidade de avançar em discussões com demais autoridades do município para a construção de soluções mais eficazes ao território.
“A vinda dela foi muito importante, ela nos apresentou propostas que até podem servir para o Pantanal, mas teremos que realizar outra oitiva com outros representantes da Secretaria do Verde para dar continuidade à conversa sobre a problemática localizada, para falar sobre o Jardim Pantanal e não sobre toda a cidade”, comentou.
Por fim, o presidente do colegiado também mencionou a criação de um requerimento, que será apreciado na próxima reunião, para convidar representantes do departamento de planejamento e desenvolvimento da Secretaria do Verde e Meio Ambiente para falar sobre projetos que foram desenvolvidos para a região.
A reunião, que pode ser conferida na íntegra neste link, também contou com a participação do vereador Dr. Milton Ferreira (PODE).
