Nesta terça-feira (24/2), os integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Metanol – que tem como objetivo investigar a procedência de bebidas alcoólicas comercializadas em estabelecimentos da capital paulista – receberam Fagne Santos, um dos proprietários do Ministrão Bar. Localizado no bairro dos Jardins, o bar chegou a ser interditado em setembro de 2025 após uma mulher relatar ter perdido a visão depois de consumir três caipirinhas no local. A vítima, Radharani Dasi, prestou depoimento à CPI ainda no ano passado.
Também foi ouvido Gabriel Marques Pinheiro, diretor-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
Depoimentos
O primeiro a falar foi Gabriel Marques Pinheiro, na condição de convidado. Ele relatou que o setor de bares e restaurantes foi fortemente impactado durante a crise do metanol e que o consumo ainda não retornou aos patamares anteriores.
Questionado sobre medidas para a resolução da crise, o diretor apontou medidas de transparência para o setor de serviços. “O que podemos fazer no futuro para evitar mais casos como esses é trazer luz, conhecimento e transparência na questão de fornecedores. Um dono de bar ou restaurante tem, em média, de 200 a 400 itens no estoque, provenientes de diferentes locais, então ele precisa ter confiança de onde está comprando. Temos uma lista dentro do site bebidalegal.com.br, onde qualquer empresário pode consultar os distribuidores homologados pela indústria. Essa é a nossa maior medida de transparência”, afirmou Gabriel.
Em seguida, Fagne Santos, do Ministrão Bar, iniciou seu depoimento afirmando que possui todas as notas fiscais das bebidas interditadas pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e que irá repassá-las à Comissão. Segundo o empresário, ele próprio confere lacres, lotes e caixas recebidos pelo estabelecimento.
Questionado sobre eventuais mudanças nos procedimentos do bar após a suposta ingestão de metanol no local, o comerciante afirmou que o funcionamento segue como antes, destacando que confia no fornecedor de bebidas, que, segundo ele, possui credibilidade e experiência no mercado.
“O nosso laudo saiu negativo para contaminação por metanol. São fornecedores que têm credibilidade, nunca tivemos problemas com isso. Só adquirimos produtos com notas fiscais. Sempre tivemos atenção e cuidado, trabalhamos com o público e dependemos dele”, declarou.
O depoente também respondeu a questionamentos sobre a existência de seguro de responsabilidade civil para danos a terceiros decorrentes de contaminação alimentar química e sobre a possibilidade de reparação às vítimas que sofreram danos permanentes, caso seja comprovado que a intoxicação por metanol ocorreu no estabelecimento.
Segundo Fagne Santos, o Ministrão Bar não possui este tipo de seguro, mas considera necessário discutir o tema com os demais sócios para avaliar a adoção da medida futuramente.
Vereadores
Os vereadores que integram a CPI do Metanol se manifestaram após as oitivas. A presidente do colegiado, vereadora Zoe Martínez (PL), destacou que o depoimento de Fagner Santos acrescentou novos elementos à investigação.
“O depoimento do proprietário do bar Ministrão foi de suma importância, porque ele vai nos passar as notas fiscais e os nomes dos fornecedores. A partir disso, temos mais uma pista. Com certeza, muito mais coisas vão aparecer, e só vamos parar quando chegarmos a um responsável pelo crime”, afirmou a parlamentar.
Já a relatora, vereadora Sandra Santana (MDB), agradeceu a presença dos depoentes e reiterou o principal propósito da Comissão: “O objetivo da CPI não é fechar bares ou restaurantes, é assegurar que todos possam permanecer abertos dentro da legalidade, cumprindo toda a legislação e garantindo segurança para aqueles que frequentam esses estabelecimentos. Os depoentes trouxeram grandes contribuições que, com certeza, vão colaborar para o relatório final.”
A vereadora Ely Teruel (MDB) reforçou que, apesar da redução no número de casos, a investigação segue necessária: “Independentemente de os casos serem menores, eles ainda existem e os dados estão aí. A retomada da CPI ocorre em um momento pós-Carnaval, aparentemente sem registros de novos problemas relacionados a isso, mas ainda precisamos ouvir muitas pessoas e dar continuidade ao trabalho. As vítimas ainda estão sem respostas, e eu me coloco no lugar dessas famílias.”
Requerimentos
Durante a reunião, os parlamentares aprovaram dois requerimentos: um que solicita a condução coercitiva de José Rodrigues, proprietário do Torres Bar, localizado na zona leste da capital paulista, que era esperado para a reunião desta terça; e outro que prorroga os trabalhos da Comissão por mais 120 dias.
A reunião, que pode ser conferida aqui, foi conduzida pela presidente da CPI, vereadora Zoe Martínez (PL). Também estiveram presentes Ely Teruel (MDB), Sandra Santana (MDB), Adrilles Jorge (UNIÃO), Celso Giannazi (PSOL) e Sargento Nantes (PP).
