Capital amplia oferta de atendimento à Covid-19 com mais 100 leitos de UTI e 24 de enfermaria

DANIEL MONTEIRO
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Começaram a ser implantados na capital paulista, na última segunda-feira (1/3), mais 124 leitos exclusivos ao acolhimento e tratamento de pacientes diagnosticados com a Covid-19 em hospitais municipais, sendo 100 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 24 de enfermaria.

A ampliação da rede se deve ao aumento significativo do número de casos da Covid-19 na cidade de São Paulo. Os leitos de UTI e de enfermaria serão instalados nos hospitais Moyses Deutsch (M’Boi Mirim), Carmino Caricchio, Gilson de Cassia Marques de Carvalho e Tide Setubal.

A prefeitura da capital destaca que, caso seja necessário, outros leitos de enfermaria existentes na cidade poderão ser adaptados para leitos de terapia intensiva Covid-19, bem como novos leitos poderão ser implantados de acordo com a demanda.

Mais sobre o novo coronavírus

De acordo com o boletim diário mais recente publicado pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo sobre a pandemia do novo coronavírus, na última segunda-feira (1/3) a capital paulista totalizava 18.632 vítimas da Covid-19.

Havia, ainda, 633.395 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus. Até segunda, 892.260 pessoas haviam recebido alta após passar pelos hospitais de campanha, da rede municipal, contratualizados e pela atenção básica do município.

Abaixo, gráfico detalhado sobre os índices da Covid-19 na cidade de São Paulo.

Prefeitura de SP

Em relação ao sistema público de saúde, nesta terça-feira (2/3) a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao atendimento de pacientes com Covid-19 na Grande São Paulo é de 75,5%.

Já na última segunda (1/3), o índice de isolamento social na cidade de São Paulo foi de 38%. A medida é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades sanitárias a principal forma de contenção da pandemia do novo coronavírus.

A aferição do isolamento é feita pelo Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, que utiliza dados fornecidos por empresas de telefonia para medir o deslocamento da população e a adesão às medidas estabelecidas pela quarentena no Estado.

Atuação do município

Segundo dados oficiais da Prefeitura de São Paulo, até as 19h da última segunda-feira (1/3), 56.082 idosos de 80 a 84 anos receberam a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus.

Somente nos seis drive-thrus instalados em pontos estratégicos da cidade, 40.727 idosos de todas as faixas etárias elegíveis (acima de 90, 85 e 80 anos) foram vacinados desde o início do funcionamento dos postos.

Até a noite da última segunda, no Pacaembu foram atendidos 17.184 idosos; no Anhembi 6.899; na Igreja Boas Novas, 5.281; no Autódromo de Interlagos, 5.453; na Arena Corinthians, 4.180 e no Clube Hebraica, 1.730 idosos.

Somando idosos e os demais públicos-alvos prioritários da vacinação contra o novo coronavírus, o município de São Paulo já havia aplicado, até segunda, 730.789 doses do imunizante, sendo 560.538 pessoas com a primeira dose e 170.251 pessoas com a segunda dose.

Os seis drive-thrus seguem funcionando das 8h às 17h. Idosos acima de 80 anos também podem procurar uma das 468 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) mais próxima de suas residências, ou ainda, um dos três centros-escolas para a imunização. E, a partir desta terça-feira (2/3), das 8h às 17h, dois novos drive-thrus entram em funcionamento: no Estádio do Morumbi e no Memorial da América Latina.

Ações e Atitudes

Conhecida como P.1. ou variante de Manaus, a variante brasileira do novo coronavírus provavelmente emergiu na capital amazonense em meados de novembro de 2020, cerca de um mês antes do número de internações por síndrome respiratória aguda grave na cidade dar um salto.

E, em apenas sete semanas, a P.1. tornou-se a linhagem do novo coronavírus mais prevalente na região, relatam pesquisadores do CADDE (Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus) em artigo divulgado em seu site na sexta-feira (27/2).

As conclusões do grupo, que conta com pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e Oxford University (Reino Unido), se baseiam na análise genômica de 184 amostras de secreção nasofaríngea de pacientes diagnosticados com Covid-19 em um laboratório de Manaus entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.

Cruzando dados genômicos e de mortalidade por meio de modelagem matemática, a equipe do CADDE calcula que a P.1. seja entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível que as linhagens que a precederam. Os cientistas estimam ainda que em parte dos indivíduos já infectados pelo novo coronavírus – algo entre 25% e 61% – a nova variante seja capaz de driblar o sistema imune e causar uma nova infecção. O trabalho de modelagem foi feito em colaboração com pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido).

Os autores do estudo destacam que esses números são uma aproximação, pois se trata de um modelo. Porém, a mensagem que os dados passam é: mesmo quem já teve Covid-19 precisa continuar se precavendo, uma vez que a nova cepa é mais transmissível e pode infectar até mesmo quem já tem anticorpos contra o novo coronavírus. Inclusive, apontam, foi o que aconteceu em Manaus: a maior parte da população já tinha imunidade e mesmo assim houve uma grande epidemia.

A pesquisa teve apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e está em processo de revisão por pares.

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