40 novos leitos de UTI para pacientes com Covid-19 são entregues no Hospital Vila Santa Catarina 

DANIEL MONTEIRO
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Na última segunda-feira (3/5), a área de gestão hospitalar da Secretaria Municipal da Saúde entregou 40 novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao atendimento de pacientes com Covid-19 no Hospital Municipal Vila Santa Catarina – Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho, na Zona Sul da capital. A implementação dos 40 leitos de UTI teve início em março deste ano e foi concluída em 37 dias.

A ação contou com um investimento de R$ 22,5 milhões, numa parceria entre o município e a iniciativa privada – contribuíram as empresas Gerdau, BTG Pactual, Suzano, Península Participações, Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (que administra o equipamento exclusivamente em sistema SUS, desde 2015) e a Prefeitura de São Paulo. No local, o público é atendido exclusivamente pelo SUS, sob gestão e operação do Einstein.

Cerca de 240 profissionais, entre médicos e equipe multidisciplinar, irão trabalhar nos 40 novos leitos de UTI, que estão instalados no bloco F da unidade hospitalar, com área total de 1.064 metros quadrados, que também oferece tratamento a pacientes oncológicos diagnosticados com Covid-19.

Após a pandemia, os novos leitos de UTI ficarão como legado para a população e serão destinados aos pacientes oncológicos e transplantados atendidos diariamente no hospital, aumentando a capacidade operacional para pacientes críticos e permitindo o aumento do escopo da unidade hospitalar.

O Hospital Municipal Vila Santa Catarina trata pacientes encaminhados pela regulação do município e é referência para a rede SUS na capital, realizando cirurgias bariátricas, urológicas e vasculares, além de oferecer atendimento especializado em oncologia, maternidade de alto risco e pediatria, incluindo uma UTI pediátrica, referência em hemodiálise.

Mais sobre o novo coronavírus

Segundo dados mais recentes sobre a pandemia do novo coronavírus publicados pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, nesta terça-feira (4/5) a capital paulista contabilizava 27.701 vítimas da Covid-19.

Havia, ainda, 1.059.312 casos confirmados de infecções pelo novo coronavírus. Desde o início da pandemia, 1.234.418 pessoas haviam recebido alta após passar pelos hospitais de campanha, da rede municipal, contratualizados e pela atenção básica do município.

Abaixo, gráfico detalhado sobre os índices da Covid-19 na cidade de São Paulo.

Prefeitura de SP

Em relação ao sistema público de saúde da região metropolitana de São Paulo, a atualização mais recente destaca que, nesta terça (4/5), a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados a pacientes com Covid-19 é de 76,4%.

Considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades sanitárias a principal forma de contenção da pandemia do novo coronavírus, o isolamento social na cidade de São Paulo, na última segunda-feira (3/5), foi de 39%.

Os dados são do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, que utiliza dados fornecidos por empresas de telefonia para medir o deslocamento da população e a adesão às medidas estabelecidas pela quarentena no Estado.

Atuação do município

Em uma das fiscalizações do Comitê de Blitze do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo realizada no último final de semana, houve a interrupção de uma festa clandestina na noite de domingo (2/5), em um estabelecimento em São Miguel Paulista, zona leste da capital. No local, 120 pessoas estavam aglomeradas e, em sua maioria, não utilizavam máscaras de proteção facial.

Para garantir o cumprimento das determinações do Plano São Paulo, as ações de fiscalização foram intensificadas na capital, interior e litoral, inclusive com o reforço de policiais civis e militares no apoio às ações da vigilância sanitária, Procon e demais órgãos de fiscalização.

Também no final de semana, na capital, a Vigilância Estadual efetuou 82 inspeções e autuou 15 estabelecimentos. Os bairros inspecionados foram Lapa, Vila Leopoldina, Itaim Bibi, Jardins, Consolação, Bela Vista, Casa Verde, Barra Funda, Liberdade, Aclimação, Jardim Aricanduva, Brooklin, Tatuapé e Alphaville, em Barueri. Já o Procon realizou 29 atos fiscalizatórios e cinco autuações na cidade.

A Polícia Militar atuou de forma preventiva na capital em 20 ações de apoio à Vigilância Sanitária, flagrando 344 pontos de aglomerações. Mais de 33,5 mil veículos foram vistoriados e 48 pessoas foram presas, sendo 39 procurados pela Justiça.

Criado no dia 12 de março, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Comitê de Blitze tem como objetivo reforçar as fiscalizações e o cumprimento das medidas restritivas do Plano São Paulo e evitar a propagação do novo coronavírus.

Pela Prefeitura, integram o Comitê agentes da Guarda Civil Metropolitana e da Covisa (Coordenadoria da Vigilância Sanitária). Já pelo Governo do Estado, atuam profissionais da Vigilância Sanitária, Procon e das polícias Civil e Militar.

Qualquer pessoa pode denunciar festas clandestinas e funcionamento irregular de serviços não essenciais pelo telefone 0800-771-3541 e também no site do Procon ou pelo e-mail secretarias@cvs.saude.sp.gov.br, do Centro de Vigilância Sanitária.

Ações e Atitudes

Além de sintomas comuns, como febre, tosse e desconforto respiratório, algumas crianças têm apresentado uma forma atípica de Covid-19, chamada SIM-P (Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica). Caracterizada por febre persistente e inflamação em diversos órgãos, como o coração, o intestino e, em menor grau, os pulmões, a SIM-P começou a ser relatada e relacionada a casos graves e óbitos de crianças pela doença em vários países, incluindo o Brasil, desde o início da pandemia.

Ao realizar a maior série de autópsias feita até o momento em crianças e adolescentes que morreram em decorrência da Covid-19, pesquisadores da FM-USP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e do Instituto Adolfo Lutz constataram que a alta capacidade do novo coronavírus de invadir e causar lesões nos tecidos de vários órgãos é um dos fatores que induzem a SIM-P, desencadeando uma diversidade de manifestações clínicas que incluem, além de febre persistente, dores abdominais, insuficiência cardíaca e convulsões.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foram publicados em artigo na revista EClinicalMedicine, do grupo Lancet. Segundo os autores da pesquisa, a ação direta do vírus nos tecidos de diversos órgãos é um dos motivos pelos quais as crianças com essa síndrome apresentam uma resposta inflamatória exagerada e alterada à infecção.

Os pesquisadores realizaram a autópsia de cinco crianças que faleceram em decorrência da Covid-19 em São Paulo, sendo um menino e quatro meninas, com idade entre 7 meses e 15 anos. Duas crianças tinham doenças graves antes da infecção pelo novo coronavírus – uma tinha câncer e outra uma síndrome genética congênita – e as outras três eram previamente saudáveis e desenvolveram a SIM-P com manifestações clínicas distintas. Uma delas apresentou inflamação cardíaca (miocardite), outra inflamação intestinal (colite) e a terceira encefalopatia aguda, que desencadeou convulsões.

As autópsias foram feitas por meio de um método minimamente invasivo, em que amostras de tecidos de todos os órgãos são coletadas por punção, guiadas por imagens geradas por um aparelho de ultrassom portátil. A presença do novo coronavírus nos tecidos foi determinada por meio do teste RT-PCR, o mesmo usado no diagnóstico da Covid-19 e por imuno-histoquímica, método em que são usados anticorpos capazes de detectar duas proteínas do vírus.

A análise histopatológica revelou que as duas crianças com doença grave preexistente apresentaram um quadro de Covid-19 grave “clássica”, caracterizada por uma doença respiratória aguda em função de lesões extensas e severas causadas pelo novo coronavírus nos alvéolos pulmonares. O vírus também foi identificado em outros órgãos.

Já nas três crianças previamente saudáveis predominaram lesões inflamatórias extrapulmonares, como miocardite no coração e colite – uma extensão inflamação intestinal.

O novo coronavírus foi detectado em células endoteliais e musculares do coração no paciente com miocardite, no tecido intestinal da criança com colite aguda e no tecido cerebral da que desenvolveu encefalopatia aguda. Os pesquisadores observaram que o vírus se disseminou pelos vasos sanguíneos, infectando vários tipos de células e tecidos dessas crianças. E as manifestações clínicas variaram de acordo com o órgão-alvo.

Os autores do estudo destacam a importância de que os pediatras atentem para essas possíveis manifestações clínicas diferentes de Covid-19 em crianças e adolescentes para que a infecção seja diagnosticada e a SIM-P tratada mais rapidamente. A síndrome pode ocorrer alguns dias ou semanas após a infecção pelo novo coronavírus e, até então, se pensava que essa reação inflamatória exagerada acontecia independentemente de o vírus ainda estar presente no organismo, como resultado de uma reação imune.

As constatações feitas por meio do estudo, contudo, trazem evidências de que as manifestações da SIM-P são desencadeadas também pela ação direta do novo coronavírus nas células dos órgãos infectados. Os pesquisadores ressaltam que não estão afirmando que o que está descrito até agora sobre a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica está errado, mas estão acrescentando a constatação de que a própria lesão causada nos tecidos pelo vírus está relacionada e, muito provavelmente, é um componente importante para a indução dessa resposta inflamatória exagerada em crianças.

Ainda não se sabe por que algumas crianças apresentam uma resposta inflamatória exacerbada à infecção pelo novo coronavírus que caracteriza a SIM-P. Uma das hipóteses é que pode haver um componente genético ainda não elucidado.

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