Dentro de 15 dias, os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Danos Ambientais vão inspecionar um terreno de 59 mil metros quadrados na esquina das Avenidas Miguel Yunes e Interlagos, na zona sul, que pertence à INB (Indústrias Nucleares do Brasil, empresa ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia). No local, está armazenada quase uma tonelada de material radioativo produzidos pela Usina Santo Amaro (USAN), da extinta Nuclemon, desativada na década de 90. Próximo a esse terreno está sendo construído o novo santuário Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi e um estacionamento. “Para nos acompanhar nessa visita vamos convidar representantes dos ministérios públicos Federal e Estadual, da Polícia e da imprensa, pois essa área já deveria estar descontaminada há 13 anos, mas tório, bário, urânio e outros materiais radiativos continuam armazenados em bombonas plásticas em um galpão com 2 mil m² ", em uma região que já tem um dos maiores níveis de contaminação da cidade, informou o vereador Paulo Frange (PTB), vice-presidente da CPI.
O parlamentar destacou ainda que : “Vamos ter de envolver a imprensa para nos ajudar, pois se não envolvermos os meios de comunicação no sentido de criarmos um movimento com clamor por uma cidade limpa em termos de meio ambiente nós não vamos evoluir”.
A decisão foi tomada após a leitura de um ofício enviado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), afirmando que está monitorando a área. A informação irritou os vereadores, pois, o acordo firmado entre a Nuclemon e o Ministério Público, previa que a área fosse descontaminada até 1994. Passados os 12 meses de prazo, a Nuclemon informou que não tinha condições de remover o material contaminante. Assim, o Ministério Público concedeu mais 24 meses para a remoção dos materiais radiativos.
“A resposta que vem de um órgão federal chega quase que jocosa, para não dizer desrespeitosa. O prazo para a retirada do material passou de 1994 para 1996. Estamos em 2009 e os produtos estão lá. E o que chama a atenção é que invés de retirar o material contaminado, o assunto está sendo tratado como monitoramento”, desabafou o Frange.
E mais: “É um monitoramento feito por órgão federal, onde a cidade de São Paulo desconhece o que está acontecendo. Não podemos permitir que uma área contaminada seja tratada por um órgão (CNEN) que a gente tem de conversar com alguém no Rio de Janeiro . Agora, com que periodicidade está sendo feito esse monitoramento? Onde estão os laudos? Porque não nos entregam os laudos?”
Forças ocultas
Após lembrar o presidente Jânio Quadros, Frange denunciou: “Existe uma força oculta crescente no sentido de nos impedir de investigar. A cada vez que nós chamamos alguém aqui para prestar esclarecimentos não vem ninguém.Hoje a Anac deixou de comparecer. Nós estamos reiterando o convite. Mas alguém diz, “a Anac é órgão federal”. Não importa. Nós estamos tratando do município de São Paulo. O Estatuto das Cidades nos deu direitos absolutos desde 2003 sobre tudo: solo, subsolo e espaço aéreo. Nós somos responsáveis e queremos ser colaboradores, mas queremos que colaborem conosco. Não estamos perseguindo ninguém, estamos perseguindo o meio ambiente melhor. Elegemos o meio ambiente como prioridade”.
Já o vereador Juscelino Gadelha (PSDB), relator da CPI, ameaçou deixar a Comissão por causa da burocracia na contratação de análises das fontes de água mineral existentes na cidade.
Participam da CPI os vereadores Paulo Frange (PTB), Juscelino Gadelha (PSDB), Ítalo Cardoso (PT), Penna (PV), Alfredinho (PT), Aurélio Miguel (PR), Antonio Goulart (PMDB), Marco Aurélio Cunha (DEM) e Milton Ferreira (PPS).
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Vereadores vão inspecionar área na zona sul que deveria ter sido descontaminada há 13 anos
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