SOBRE

A Galeria Lilás

Um espaço permanente de memória, representatividade e democracia da Câmara Municipal de São Paulo, dedicado a valorizar a participação feminina na política e a história das vereadoras que transformaram a cidade.

Origem

A Galeria Lilás foi criada por meio da Resolução nº 17, de 25 de junho de 2025, destinada à exposição permanente de fotografias das mulheres que exerceram ou exercem mandato como vereadoras no município, com o objetivo de preservar e valorizar a memória das parlamentares, reconhecendo sua trajetória e contribuição para o Legislativo Municipal.

Autoria e inauguração

O projeto de resolução que criou a Galeria foi assinado por Pastora Sandra Alves (UNIÃO), Amanda Paschoal (PSOL), Amanda Vettorazzo (UNIÃO), Ana Carolina Oliveira (PODEMOS), Dra. Sandra Tadeu (PL), Edir Sales (PSD), Ely Teruel (MDB), Janaina Paschoal (PP), Keit Lima (PSOL), Luana Alves (PSOL), Luna Zarattini (PT), Marina Bragante (REDE), Renata Falzoni (PSB), Rute Costa (PL), Sandra Santana (MDB), Silvia da Bancada Feminista (PSOL), Simone Ganem (PODEMOS) e Zoe Martínez (PL).

A Galeria Lilás foi inaugurada em 26 de agosto no hall principal do térreo do Palácio Anchieta. Além das fotografias das vereadoras, incluiu dois bustos, em homenagem à primeira vereadora da cidade de São Paulo, Elisa Kauffmann Abramovich, e à primeira mulher negra da CMSP, Theodosina Ribeiro.

Mulheres no poder

A entrada das mulheres na política formal no Brasil só ocorreu após séculos de luta. Em São Paulo, a Câmara Municipal foi criada em 1560, mas levou quase 400 anos para receber as primeiras vereadoras.

Políticos argumentavam que mulheres não poderiam votar por ter “cérebros infantis” e sofrerem de “inferioridade mental” e “retardo evolutivo” em relação aos homens, ou que elas deveriam se limitar ao papel de “rainha do lar” e evitar a política.

As primeiras Constituições do Brasil, de 1824 e 1891, nem ao menos se davam ao trabalho de proibir o voto feminino, já que apenas os homens eram considerados cidadãos plenos. Algumas militantes tentaram usar essa brecha para obter o direito ao voto na Justiça ou pressionar pela criação de novas leis, mas a resistência dos homens que dominavam a política era feroz.

A primeira vitória ocorreu em 1928, quando o governo do Rio Grande do Norte aprovou o direito ao voto feminino, abrindo passagem para a eleição da primeira prefeita, Luiza Alzira Teixeira Soriano, em Lajes, e da primeira vereadora, Júlia Alves Barbosa, em Natal.

Para a maioria das mulheres do País, a conquista só chegou em 1932, com a promulgação do Código Eleitoral, que pela primeira vez estendeu o direito de votar e ser votada a todas as brasileiras.

Pioneiras

A primeira eleição de uma mulher na cidade de São Paulo ocorreu somente em 1947, com Elisa Kauffmann Abramovich. Ela acabou cassada, um dia antes de tomar posse, por suspeita de ser comunista. Por isso, a primeira mulher a atuar como vereadora no plenário da Casa foi Anna Lamberga Zeglio, em 1952. Em 1961, Ruth Guimarães tornou-se a primeira mulher a ocupar cargo na Mesa Diretora, como 3ª secretária.

Outro marco foi a eleição da primeira vereadora negra, Theodosina Rosário Ribeiro, em 1968. Ela ainda seria eleita a primeira deputada estadual negra por São Paulo, em 1970. Já a eleição da primeira mulher trans vereadora ocorreu em 2020, com Erika Hilton.

Linha do tempo: pioneiras no Brasil e em São Paulo

  1. 1928 Luiza Alzira Teixeira Soriano: primeira prefeita na América Latina, em Lajes (RN).
  2. 1928 Júlia Alves Barbosa: primeira vereadora, em Natal (RN).
  3. 1933 Carlota Pereira de Queirós: primeira deputada federal, eleita por São Paulo.
  4. 1934 Maria Thereza Nogueira de Azevedo e Maria Thereza Silveira de Barros Camargo: primeiras deputadas estaduais de São Paulo.
  5. 1935 Antonieta de Barros: primeira deputada negra, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina; eleita suplente, assume o cargo e chega a presidir o Parlamento.
  6. 1947 Elisa Kauffmann Abramovich: primeira vereadora da CMSP.
  7. 1968 Theodosina Rosário Ribeiro: primeira vereadora negra da CMSP. Dois anos depois, tornaria-se a primeira mulher negra na Assembleia Legislativa de São Paulo.
  8. 1979 Eunice Michiles: primeira senadora; suplente, assumiu após a morte do titular.
  9. 1982 Esther de Figueiredo Ferraz: primeira ministra de Estado, na Educação e Cultura.
  10. 1985 Maria Gardenia Santos Ribeiro Gonçalves, em São Luís, e Maria Luiza Fontenele, em Fortaleza: primeiras prefeitas de capitais.
  11. 1986 Benedita da Silva: primeira mulher negra eleita deputada federal. Em 1994, torna-se a primeira mulher negra eleita para o Senado Federal.
  12. 1986 Iolanda Fleming: primeira governadora, no Acre; assumiu após a ida do titular para o Senado.
  13. 1988 Luiza Erundina: primeira prefeita de São Paulo.
  14. 1990 Júnia Marise e Marluce Pinto: primeiras senadoras eleitas.
  15. 1994 Roseana Sarney: primeira governadora eleita, no Maranhão.
  16. 2010 Dilma Rousseff: primeira presidenta da República.
  17. 2018 Erica Malunguinho: primeira mulher trans eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
  18. 2018 Joênia Wapichana: primeira mulher indígena eleita deputada federal, por Roraima.
  19. 2020 Erika Hilton: primeira mulher trans eleita vereadora na CMSP.
  20. 2022 Duda Salabert: ao lado de Erika Hilton, tornam-se as primeiras mulheres trans eleitas deputadas federais.