{"id":99339,"date":"2023-12-07T10:48:58","date_gmt":"2023-12-07T13:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/?p=99339"},"modified":"2025-07-31T17:46:42","modified_gmt":"2025-07-31T20:46:42","slug":"um-fascista-na-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-fascista-na-camara\/","title":{"rendered":"Um fascista na C\u00e2mara"},"content":{"rendered":"<span class=\"span-reading-time rt-reading-time\" style=\"display: block;\"><span class=\"rt-label rt-prefix\">Tempo estimado de leitura: <\/span> <span class=\"rt-time\"> 39<\/span> <span class=\"rt-label rt-postfix\">minutos<\/span><\/span><p><span style=\"font-weight: 400\">Texto: Fausto Salvadori | <\/span><a href=\"mailto:fausto@saopaulo.sp.leg.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">fausto@saopaulo.sp.leg.br<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tudo seguia dentro dos conformes na cerim\u00f4nia de posse dos vereadores da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP) ao longo daquela manh\u00e3 de s\u00e1bado, em 9 de julho de 1936. At\u00e9 que um dos eleitos resolveu fazer algo diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A C\u00e2mara havia voltado a funcionar ap\u00f3s passar seis anos desativada por causa da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, que fechou todos os Legislativos do Pa\u00eds. Como sua <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/antes-do-anchieta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">antiga sede<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o Palacete Prates, na Rua L\u00edbero Badar\u00f3, estava totalmente ocupada pelas depend\u00eancias da Prefeitura, o Legislativo municipal teve de se mudar para um im\u00f3vel alugado, o Pal\u00e1cio do Trocadero, na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo. Apesar da mudan\u00e7a de local, a sess\u00e3o inaugural come\u00e7ou seguindo os ritos de sempre.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99367\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99367\" class=\"wp-image-99367 size-full\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/jose-cyrillo_ajustado.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/jose-cyrillo_ajustado.png 370w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/jose-cyrillo_ajustado-222x300.png 222w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99367\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Ferreira Alves Cyrillo, vereador integralista | Cr\u00e9dito: Acervo CMSP<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por ser o mais votado dos vereadores, o veterano <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/o-primeiro-presidente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Marrey Junior<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> foi escolhido para ler o texto do compromisso legal dos eleitos. Tinha 50 anos e estava em seu terceiro mandato, sempre pelo Partido Republicano Paulista, o mais tradicional da pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo, criado mais de 60 anos antes. Diante dos colegas, fez a leitura do juramento, em que prometia \u201cdesempenhar, com pr\u00e9stimo e lealdade\u201d, as fun\u00e7\u00f5es de vereador, respeitando as leis e tudo o mais. Em seguida, cada um dos demais eleitos se levantava e, na sua vez, dizia apenas \u201cassim o prometo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAssim o prometo\u201d, \u201cassim o prometo\u201d, \u201cassim o prometo\u201d&#8230; Cada vereador seguiu fazendo o combinado. Mas n\u00e3o todos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Foi quando se levantou o estreante <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/o-voo-do-joao-de-barros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Jo\u00e3o Ribeiro de Barros<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Um dos pioneiros da avia\u00e7\u00e3o no Brasil, conhecido por ter comandado a primeira travessia a\u00e9rea do Oceano Atl\u00e2ntico sem apoio mar\u00edtimo, Barros tinha 36 anos e estava em seu primeiro mandato. Havia sido eleito pela A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira, uma for\u00e7a pol\u00edtica jovem no cen\u00e1rio brasileiro, formalizada como partido apenas um ano antes. Na sua vez, Barros resolveu fazer o seu pr\u00f3prio juramento: \u201cEm nome de Deus, anau\u00ea!\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99370\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99370\" class=\"wp-image-99370\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SEDES1936-255x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"435\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SEDES1936-255x300.png 255w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SEDES1936-400x470.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SEDES1936.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99370\" class=\"wp-caption-text\">Pal\u00e1cio do Trocadero, sede da C\u00e2mara Municipal entre 1936 e 1937 | Cr\u00e9dito: Acervo CMSP<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como os <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/transparencia\/auditorios-online\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Audit\u00f3rios Online<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> ainda n\u00e3o haviam sido inventados e os registros que restam da sess\u00e3o s\u00e3o notas taquigr\u00e1ficas, que s\u00f3 transcrevem o que \u00e9 falado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter certeza sobre os gestos que acompanharam a declara\u00e7\u00e3o de Ribeiro de Barros. Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que o novato tenha proferido sua frase destoante com o bra\u00e7o direito erguido para o alto, como determinavam as normas do seu partido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se para voc\u00ea um gesto como esse lembra uma sauda\u00e7\u00e3o nazista, saiba que n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia. \u00c9 que aquele vereador pertencia ao integralismo, um movimento pol\u00edtico inspirado nos movimentos autorit\u00e1rios que tomavam conta da Europa naquele tempo, como o fascismo italiano e o nazismo alem\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99372\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99372\" class=\"wp-image-99372\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/joao-ribeiro-de-barros-213x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/joao-ribeiro-de-barros-213x300.png 213w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/joao-ribeiro-de-barros-400x563.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/joao-ribeiro-de-barros.png 462w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99372\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Ribeiro na d\u00e9cada de 30, \u00e9poca em que foi vereador Cr\u00e9dito: Acervo Museu de Ja\u00fa<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O gesto rebelde de Barros n\u00e3o passou batido. Depois que o novato soltou seu \u201canau\u00ea!\u201d \u2014 sauda\u00e7\u00e3o em tupi que significa \u201cvoc\u00ea \u00e9 meu parente\u201d e servia para marcar a identidade dos integralistas, mais ou menos como o <\/span><a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/mundo\/o-que-acontece-se-alguem-faz-a-saudacao-nazista-na-alemanha,f8f14184fa83c0f2d2823f9bd36e22c97yd5klru.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">sieg heil<\/span><\/i><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">dos nazistas \u2014, o presidente da sess\u00e3o, o juiz eleitoral Oswaldo Pinto do Amaral, repreendeu Barros e ordenou que fizesse seu juramento igual a todo mundo. Sem querer causar ainda mais confus\u00e3o em seu primeiro dia na firma, Barros obedeceu: \u201cAssim o prometo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Duas semanas depois, Barros renunciou \u2014 a hist\u00f3ria n\u00e3o registrou os seus motivos \u2014 e foi substitu\u00eddo pelo primeiro suplente, Jos\u00e9 Ferreira Alves Cyrillo. Assim como seu antecessor, Cyrillo haveria de destoar dos colegas e causar ao longo da legislatura. \u00c9 que os integralistas se diferenciavam dos demais pol\u00edticos n\u00e3o apenas por causa dos gestos estranhos e das sauda\u00e7\u00f5es curiosas, mas por rejeitar o pr\u00f3prio regime democr\u00e1tico que os havia eleito. Da tribuna do Pal\u00e1cio do Trocadero, Cyrillo atacava a democracia sempre que podia. Uma vez, declarou: \u201cA minha elei\u00e7\u00e3o \u00e9 o suic\u00eddio do regime liberal democrata por interm\u00e9dio do voto universal\u201d.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>De um povo heroico, um brado fascista<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para entender o que levou um vereador com esse perfil \u00e0 C\u00e2mara Municipal, vamos dar uma olhada no que estava acontecendo no Brasil e na Europa daqueles tempos, antes de continuar a contar o que ele aprontou como pol\u00edtico eleito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Surgido em 1932, o integralismo foi um movimento diferente de tudo o que o Brasil havia conhecido. Numa \u00e9poca em que os principais partidos pol\u00edticos eram representantes de elites estaduais, sem respaldo popular e nem alcance geogr\u00e1fico (S\u00e3o Paulo tinha o Partido Republicano Paulista e o Rio Grande do Sul, o Partido Republicano Rio-Grandense, por exemplo), o movimento teve alcance nacional e se tornou o primeiro movimento de massas brasileiro, capaz de arregimentar milhares de pessoas em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds, al\u00e9m de possuir n\u00facleos organizados em Montevid\u00e9u, Buenos Aires, Filad\u00e9lfia, Genebra, Zurique, Porto, Berlim, Vars\u00f3via e Roma.<\/span><\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;99347&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O integralismo atraiu personalidades como o jurista Miguel Reale e o escritor Gustavo Barroso, presidente por quatro vezes da Academia Brasileira de Letras, os quais, ao lado de Pl\u00ednio Salgado, tornaram-se os principais ide\u00f3logos do movimento. Tamb\u00e9m passaram pelo integralismo nomes como os do poeta Vin\u00edcius de Moraes, o folclorista C\u00e2mara Cascudo, o cineasta Glauber Rocha, o lutador H\u00e9lio Gracie e o bispo dom H\u00e9lder C\u00e2mara \u2014 que depois mudaria de lado e se tornaria uma das figuras centrais da esquerda cat\u00f3lica e da luta pelos direitos humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com apenas cinco anos de exist\u00eancia, o movimento se gabava de reunir 1 milh\u00e3o de filiados, embora os historiadores considerem esse n\u00famero exagerado e estimem a quantidade real de integralistas entre 200 mil e 500 mil. Mesmo assim, era muita gente para um pa\u00eds com cerca de 40 milh\u00f5es de habitantes. Estamos falando de centenas de milhares de brasileiros que sa\u00edam \u00e0s ruas marchando em camisas verdes e falando \u201canau\u00ea\u201d uns para os outros, que cultivavam o lema \u201cDeus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u201d, que morriam de medo de uma amea\u00e7a comunista que s\u00f3 existia em suas cabe\u00e7as e que brigavam at\u00e9 a morte nas ruas com seus inimigos. Brasileiros que chegaram a encurralar o presidente da Rep\u00fablica dentro da resid\u00eancia oficial em uma tentativa de golpe de Estado e que sonhavam em substituir a democracia por um regime forte, liderado por um chefe nacional, o escritor e jornalista Pl\u00ednio Salgado, por quem prometiam sacrificar a pr\u00f3pria vida.<\/span><\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;99353&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO integralismo foi o maior movimento fascista fora da Europa, em termos de influ\u00eancia e n\u00famero de adeptos\u201d, atesta o historiador Renato Alencar Dotta, mestre e doutor em hist\u00f3ria social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e autor do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Elementos verdes: os integralistas na mira do DOPS (1938-1981)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, baseado em sua tese de doutorado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como assim, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascista<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">? Bom, essa \u00e9 uma palavra que costuma assumir mais de um significado, de xingamentos nas redes sociais a defini\u00e7\u00f5es em dicion\u00e1rios de ci\u00eancia pol\u00edtica. Sua origem, contudo, \u00e9 precisa. A palavra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascista<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi pronunciada pela primeira vez em mar\u00e7o de 1919, na It\u00e1lia.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>O ovo da serpente<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O termo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, originalmente, designava o movimento pol\u00edtico criado a partir dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fasci di combattimento, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">grupos paramilitares, idealizados por Benito Mussolini, que reuniam ativistas nacionalistas e anticomunistas, muitos dos quais haviam lutado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Os fascistas pensavam com frequ\u00eancia no Imp\u00e9rio Romano, como um passado idealizado de esplendor que sonhavam em retomar para fazer a It\u00e1lia grande de novo, e por isso adotaram como s\u00edmbolo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascio, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">um feixe usado pelos antigos magistrados romanos, associado \u00e0 ideia de coes\u00e3o social: assim como uma vareta pode ser facilmente quebrada, mas muitas varetas unidas em um feixe formam um conjunto indestrut\u00edvel, uma sociedade forte seria aquela em que todos estivessem unidos, sem espa\u00e7o para diverg\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma coes\u00e3o social que os fascistas faziam quest\u00e3o de garantir na base da porrada. Vestindo camisas pretas e reunidos em grupos conhecidos como esquadr\u00f5es, come\u00e7aram a enfrentar sindicatos de trabalhadores, no campo e na cidade, por meio da expuls\u00e3o e do assassinato de militantes socialistas e comunistas. Com isso, apesar de propagarem um discurso antissistema, os fascistas acabaram caindo na gra\u00e7a dos latifundi\u00e1rios e da burguesia, que enxergaram na viol\u00eancia dos camisas-pretas o melhor rem\u00e9dio para enfrentar o avan\u00e7o dos partidos de esquerda e dos sindicatos que falavam em fazer uma revolu\u00e7\u00e3o como a que havia levado os trabalhadores ao poder na R\u00fassia, em 1917.<\/span><\/p>\n[aesop_video  src=&#8221;youtube&#8221; id=&#8221;dJTpR_Qnrlc&#8221; width=&#8221;1000px&#8221; align=&#8221;center&#8221; caption=&#8221;Video: Eduardo Vaz\/CCI3-CMSP&#8221; disable_for_mobile=&#8221;on&#8221; loop=&#8221;on&#8221; controls=&#8221;on&#8221; mute=&#8221;off&#8221; autoplay=&#8221;off&#8221; viewstart=&#8221;off&#8221; viewend=&#8221;off&#8221; show_subtitles=&#8221;on&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A mobiliza\u00e7\u00e3o cresceu tanto que, em outubro de 1922, os esquadr\u00f5es fascistas resolveram marchar sobre Roma, vindos de v\u00e1rias partes do pa\u00eds, ocupando edif\u00edcios p\u00fablicos e esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias. Foi como um 8 de janeiro que tivesse funcionado. O rei V\u00edtor Emanuel III poderia ter resistido, mas preferiu entregar a Mussolini o cargo de primeiro-ministro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muitos imaginavam que, uma vez no poder, os fascistas iriam moderar seu comportamento violento e aderir \u00e0 velha pol\u00edtica. Em vez disso, Mussolini investiu na amplia\u00e7\u00e3o do seu poder e na destrui\u00e7\u00e3o da democracia italiana. Fez do seu ex\u00e9rcito de milicianos uma for\u00e7a de Estado, acabou com a liberdade de imprensa, cassou todos os partidos, com exce\u00e7\u00e3o do Partido Nacional Fascista, e instalou uma pol\u00edcia pol\u00edtica e um tribunal especial para vigiar, prender e matar seus opositores. Quem n\u00e3o gostou n\u00e3o poderia nem reclamar com o papa, porque Pio XI havia aben\u00e7oado Mussolini como um homem \u201cque a Provid\u00eancia nos fez encontrar\u201d, ap\u00f3s a Igreja ter recebido uma s\u00e9rie de agrados do governo fascista: o reconhecimento da soberania da Igreja Cat\u00f3lica sobre o territ\u00f3rio do Estado do Vaticano, que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje, a institui\u00e7\u00e3o do catolicismo como religi\u00e3o oficial da It\u00e1lia, o ensino religioso obrigat\u00f3rio nas escolas e a aboli\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio, entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1930, Mussolini j\u00e1 governava como chefe supremo da It\u00e1lia. Seu retrato estava por toda parte, nas ruas, nos escrit\u00f3rios, dentro das casas, nas escolas. Adorado pelos empres\u00e1rios e pela classe m\u00e9dia, e com algum apoio tamb\u00e9m das classes populares, reunia periodicamente multid\u00f5es para ouvir seus discursos na sacada do Palazzo Venezia, sede do governo italiano \u2014 onde a luz do seu escrit\u00f3rio passava toda a noite acesa, para passar ao povo a impress\u00e3o de que Mussolini nunca dormia.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99376\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99376\" class=\"wp-image-99376\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme-221x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme-221x300.png 221w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme-756x1024.png 756w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme-768x1040.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme-400x542.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_uniforme.png 1018w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99376\" class=\"wp-caption-text\">Pl\u00ednio Salgado, chefe nacional da A\u00e7\u00e3o Brasileira Integralista, em 1935 | Cr\u00e9dito: Revista Anau\u00ea<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na tarde de 14 de junho daquele ano, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">il Duce<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (o Chefe) abriu espa\u00e7o na agenda para receber a visita de um admirador do Brasil. Era Pl\u00ednio Salgado, um homem de 35 anos, t\u00edmido, de bigodinho, magro e franzino, que dizia querer implantar em seu pa\u00eds algo parecido com o que o fascismo estava fazendo na It\u00e1lia.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>O in\u00edcio de um sonho\u2026<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por essa \u00e9poca, o veneno de movimentos semelhantes ao criado por Mussolini come\u00e7ava a se espalhar por outras partes do mundo. Na Alemanha, o partido nazista, tamb\u00e9m criado em 1919, quebrou a cara com uma tentativa fracassada de golpe de Estado em Munique, no ano de 1923, e agora vinha tentando (e conseguindo) chegar ao poder pela via eleitoral. Outros grupos parecidos, grandes e pequenos, surgiram em outros pa\u00edses pelo mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPode-se dizer que o fascismo italiano foi a primeira ditadura de direita que dominou um pa\u00eds europeu e que, em seguida, todos os movimentos an\u00e1logos encontraram uma esp\u00e9cie de arqu\u00e9tipo comum no regime de Mussolini\u201d, afirma o escritor italiano Umberto Eco, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O fascismo eterno. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, muitos historiadores e soci\u00f3logos ampliaram o sentido original da palavra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para falar n\u00e3o apenas do caso italiano, mas para abranger outros movimentos pol\u00edticos, de diferentes pa\u00edses, que adotaram ideias e modos de agir semelhantes aos do criado por Benito Mussolini.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fosse na It\u00e1lia, na Alemanha, na Rom\u00eania ou no Brasil, esses movimentos tinham algumas ideias e comportamentos em comum. Para come\u00e7ar, possu\u00edam os mesmos inimigos: os comunistas, em primeiro lugar, e tamb\u00e9m a democracia liberal, vista como um regime ineficiente, a ser substitu\u00eddo por um governo autorit\u00e1rio, com um partido \u00fanico de massas e um l\u00edder supremo a ser cultuado e temido. Eram nacionalistas e acreditavam na viol\u00eancia como ferramenta leg\u00edtima de luta pol\u00edtica. Tinham como principal base de apoio as classes m\u00e9dias, mas conseguiam seduzir tamb\u00e9m as elites econ\u00f4micas por se mostrarem uma alternativa eficiente para combater a esquerda.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Dom_Helder_Integralismo.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;600px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Dom H\u00e9lder C\u00e2mara nos tempos de militante integralista, em Bel\u00e9m (PA), em 1934 | Cr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico do Estado do RJ&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Havia at\u00e9 mesmo nas classes trabalhadoras quem abra\u00e7asse o fascismo, por causa do discurso feito para seduzi-las, combinando cr\u00edticas superficiais ao capitalismo com promessas de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para os mais pobres. \u201cO discurso fascista em ascens\u00e3o busca falar com os trabalhadores, porque o movimento quer galvanizar toda a sociedade e tem um discurso para cada segmento. Quando os fascistas chegam ao poder, normalmente h\u00e1 um acordo com os grandes capitalistas e a pr\u00e1tica do governo se torna cada vez mais voltada para o grande capital\u201d, aponta Renato Alencar Dotta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">T\u00e3o ou mais importante do que as ideias era a est\u00e9tica. \u201cO fascismo italiano foi o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e at\u00e9 mesmo um modo de vestir-se \u2014 conseguindo mais sucesso no exterior que Armani, Benetton ou Versace\u201d, nota Umberto Eco. Os fascismos criaram uniformes e institu\u00edram s\u00edmbolos, rituais, cumprimentos e eventos, com o objetivo de gerar uma sensa\u00e7\u00e3o de unidade no grupo e, uma vez no poder, entre toda a na\u00e7\u00e3o. Uma organiza\u00e7\u00e3o fascista passa boa parte do tempo movimentando as massas para afirmar sua identidade e for\u00e7a, reunindo multid\u00f5es em marchas, celebra\u00e7\u00f5es, motociatas. Os livros, os filmes, a escola, tudo deve estar a servi\u00e7o do projeto. Eco conta que, aos dez anos de idade, em pleno governo fascista, venceu um concurso de reda\u00e7\u00e3o com o tema: \u201cDevemos morrer pela gl\u00f3ria de Mussolini e pelo destino imortal da It\u00e1lia?\u201d. Ele respondeu afirmativamente \u00e0 pergunta, pois \u201cera um garoto esperto\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No ambiente carregado de \u00f3dio e medo da \u00e9poca, que enfrentava os preju\u00edzos sociais e econ\u00f4micos deixados pela Primeira Guerra e pelo crash da Bolsa de 1929, e quando a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o comunista tirava o sono de muita gente, os fascismos come\u00e7aram a se espalhar como pandemia. Diversos pa\u00edses tiveram movimentos para chamarem de seu, embora fora do continente europeu a maioria tenha se mostrado min\u00fascula e pouco influente. A exce\u00e7\u00e3o foi o Brasil.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cO integralismo foi o maior movimento fascista fora da Europa, em termos de influ\u00eancia e n\u00famero de adeptos\u201d&#8221; cite=&#8221;historiador Renato Alencar Dotta&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos primeiros cap\u00edtulos da hist\u00f3ria do pujante movimento do fascismo \u00e0 brasileira foi escrito naquela tarde de 14 de junho de 1930, quando Pl\u00ednio Salgado se encontrou com Benito Mussolini no Palazzo Venezia. Passeando pela Europa, Pl\u00ednio p\u00f4de conhecer de perto a primavera fascista no Velho Mundo e estava gostando do que via. \u201cEstou convencido de que o Brasil n\u00e3o pode continuar a viver na com\u00e9dia democr\u00e1tica\u201d, escreveu a um amigo no Brasil. Agora, diante do homem que dera in\u00edcio a tudo, falou de seus planos para mudar o ambiente pol\u00edtico no Brasil. O ditador italiano deve ter guardado uma boa impress\u00e3o daquele aspirante a Mussolini brasileiro, j\u00e1 que, anos depois, o governo da It\u00e1lia passaria a financiar regularmente o movimento fundado por Pl\u00ednio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 Pl\u00ednio gostou especialmente de um conselho dado por Mussolini: antes de montar um partido, deveria criar \u201cum movimento de ideias\u201d. At\u00e9 ent\u00e3o, o brasileiro havia se dado melhor justamente como homem de ideias do que como pol\u00edtico. Nascido em 1895 na cidade de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo, elegeu-se deputado estadual em 1928, pelo velho Partido Republicano Paulista, mas se decepcionou com o ambiente pol\u00edtico estagnado da Primeira Rep\u00fablica, tanto que largou o mandato para passear pela Europa \u2014 bancado por um amigo e admirador, o banqueiro Alfredo Eg\u00eddio de Sousa Aranha, fundador do Banco Central de Cr\u00e9dito, antecessor do atual Ita\u00fa.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Desfile-Integralistas-Rio-de-Janeiro.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;700px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Marcha integralista no Rio de Janeiro, em 1937 | Cr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como intelectual, Salgado foi al\u00e9m do baixo clero. Havia participado da Semana de Arte Moderna de 1922 e da cria\u00e7\u00e3o de duas vanguardas est\u00e9ticas, das muitas que surgiram naqueles anos iniciais do modernismo: o grupo Verde-Amarelo e depois o Anta, que pregavam a cria\u00e7\u00e3o de uma arte autenticamente brasileira. Em 1927, publicou seu primeiro romance, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O estrangeiro, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">sucesso de cr\u00edtica e p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O modernismo teve um forte impacto na sua vis\u00e3o pol\u00edtica. Assim como os modernistas combinavam o fasc\u00ednio pelas vanguardas europeias com a busca por uma arte genuinamente brasileira, Pl\u00ednio resolveu criar um movimento pol\u00edtico inspirado nos fascismos europeus, mas adaptado \u00e0 realidade brasileira. Um fascismo com o nosso jeitinho de ser.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Buuu: \u00e9 o fantasma do comunismo<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De volta ao Brasil, Pl\u00ednio Salgado encontrou um pa\u00eds em mudan\u00e7a. Um desentendimento entre as oligarquias rurais dos Estados havia posto fim \u00e0 \u201cpol\u00edtica do caf\u00e9 com leite\u201d, arranjo pol\u00edtico que dominou a Rep\u00fablica ao longo de quatro d\u00e9cadas, pelo qual os estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais se alternavam na escolha do presidente da Rep\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 1930, os partidos de oposi\u00e7\u00e3o, a classe m\u00e9dia e os trabalhadores n\u00e3o tinham qualquer espa\u00e7o nessa democracia de fachada, em que os \u201ccoron\u00e9is\u201d da pol\u00edtica local, mancomunados com os governadores dos estados, aproveitavam-se de um sistema eleitoral fajuto, com voto aberto e sem fiscaliza\u00e7\u00e3o, para botar no poder quem bem entendessem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse sistema pol\u00edtico, que mantivera em p\u00e9 a Primeira Rep\u00fablica, ruiu quando a<\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/90-anos-de-30\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\"> Revolu\u00e7\u00e3o de 30<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> dep\u00f4s o presidente <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/rei-da-fuzarca-e-dos-votos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Washington Lu\u00eds<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, impediu a posse do seu sucessor, J\u00falio Prestes (ambos indicados pela oligarquia paulista), e colocou no lugar Get\u00falio Vargas, em 24 de outubro de 1930. Feita a revolu\u00e7\u00e3o, os vitoriosos passaram a debater qual era o Brasil que eles queriam e que rumo o novo governo deveria seguir: aprimorar os fundamentos democr\u00e1ticos liberais, em dire\u00e7\u00e3o a um regime republicano digno do nome, ou abandonar de vez essas frescuras de democracia e abra\u00e7ar o autoritarismo, como alguns pa\u00edses na Europa vinham fazendo com aparente sucesso.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99405\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99405\" class=\"wp-image-99405\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SaudacaoIntegralista1935-256x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SaudacaoIntegralista1935-256x300.png 256w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/SaudacaoIntegralista1935.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99405\" class=\"wp-caption-text\">Integralistas fazem a sauda\u00e7\u00e3o \u201canau\u00ea\u201d | Cr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico do Estado do RJ<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os que defendiam um Brasil autorit\u00e1rio, boa parte come\u00e7ou a se reunir em torno da Sociedade de Estudos Pol\u00edticos (SEP), o \u201cmovimento de ideias\u201d criado por Pl\u00ednio Salgado que acabou agregando em si diversos pequenos grupos simpatizantes do nazismo e do fascismo que haviam surgido no Pa\u00eds a partir de 1923, muitos entre imigrantes alem\u00e3es e italianos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A SEP deu origem \u00e0 A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB), oficialmente apresentada ao p\u00fablico em 7 de outubro de 1932, com um manifesto lido por Pl\u00ednio Salgado no <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/o-grande-palco-da-capital-theatro-municipal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O novo movimento pol\u00edtico adotava o lema \u201cDeus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u201d, deixando claro n\u00e3o s\u00f3 o nacionalismo e o conservadorismo, como tamb\u00e9m o car\u00e1ter crist\u00e3o do movimento \u2014 uma caracter\u00edstica marcante do fascismo \u00e0 brasileira. A religiosidade acrescentava um ar de batalha espiritual \u00e0 luta contra o comunismo. Para Pl\u00ednio Salgado, o grande inimigo era o materialismo, presente tanto no comunismo como no capitalismo internacional, que deveriam ser superados para darem lugar a um Estado integral, que faria a media\u00e7\u00e3o da luta de classes e garantiria o bem-estar para todos. Nesse embate sagrado contra o materialismo, por\u00e9m, \u00e9 importante notar que os integralistas se mostravam muito mais anticomunistas do que propriamente antiliberais \u2014 e muito menos anticapitalistas, pois defendiam a propriedade privada e contavam com o apoio de empres\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O anticomunismo se mostrou a maior for\u00e7a impulsionadora do integralismo, indicado como motivo de ades\u00e3o ao movimento por dois ter\u00e7os dos militantes, segundo uma pesquisa feita pelo cientista pol\u00edtico H\u00e9lgio Trindade no final dos anos 60 e apresentada no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O integralismo: o fascismo brasileiro na d\u00e9cada de 30<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de gerar tanto medo, o comunismo era pouco mais do que um fantasma para a realidade brasileira. Ao contr\u00e1rio do que ocorria na Europa, as for\u00e7as de esquerda estavam praticamente ausentes dos Parlamentos e enfrentavam muita dificuldade para ganhar espa\u00e7o nas ruas, por causa da intensa repress\u00e3o policial, tanto na forma da persegui\u00e7\u00e3o pelos agentes de pol\u00edcia pol\u00edtica do Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social de S\u00e3o Paulo (Deops), como pelas patas da cavalaria da For\u00e7a P\u00fablica (antecessora da atual Pol\u00edcia Militar), usada para reprimir greves e protestos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criado em mar\u00e7o de 1922, o Partido Comunista do Brasil foi proibido apenas tr\u00eas meses depois pelo governo federal e, com exce\u00e7\u00e3o de um breve per\u00edodo de legalidade entre 1945 e 1947, permaneceria clandestino at\u00e9 os anos 80. Num dos rar\u00edssimos casos em que os comunistas conseguiram um pequeno sucesso eleitoral, com a elei\u00e7\u00e3o, em 1927, de dois vereadores no Rio de Janeiro pelo Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC), ligado ao PCB, a rea\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o negativa que o Di\u00e1rio Oficial foi proibido de registrar as falas da dupla durante as sess\u00f5es, inclusive os apartes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para tornar o fantasma do comunismo mais convincente e assustador, os integralistas recorriam a arma\u00e7\u00f5es dignas dos vil\u00f5es do Scooby-Doo. \u201cSegundo o testemunho de um dirigente integralista de S\u00e3o Paulo, para estimular os homens de neg\u00f3cios hesitantes em darem dinheiro para a AIB, os milicianos, durante a noite, escreviam slogans ou desenhavam s\u00edmbolos comunistas sobre os muros de suas casas\u201d, narra H\u00e9lgio Trindade em seu livro.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Estado_Maior_da_milicia_do_Parana.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;800px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;L\u00edderes da Mil\u00edcia Integralista do Paran\u00e1, em 1935 | Cr\u00e9dito: Desconhecido\/Wikimedia Commons&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Parece que o Deus de quem os integralistas tanto falavam n\u00e3o se importava com mentiras: t\u00e1ticas de desinforma\u00e7\u00e3o e o que hoje se chamaria de fake news tamb\u00e9m foram usados pelo vereador integralista Jos\u00e9 Cyrillo na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 22 de agosto de 1936, Cyrillo solicitou \u00e0 Mesa Diretora a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de vereadores para participar das homenagens ao bispo de Campinas, <\/span><a href=\"https:\/\/puccampblog.files.wordpress.com\/2018\/06\/tesina.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Francisco de Campos Barreto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Seis anos antes, em 24 de outubro, data em que o presidente Washington Lu\u00eds fora deposto, o bispo tivera que deixar \u00e0s pressas o pal\u00e1cio onde morava para n\u00e3o virar alvo de um grupo de apoiadores da Revolu\u00e7\u00e3o de 30, que invadiu e depredou o lugar, em protesto contra as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do religioso, tido como pr\u00f3ximo do presidente deposto. Embora os comunistas n\u00e3o tivessem participado da Revolu\u00e7\u00e3o de 30 \u2014 por entenderem que n\u00e3o passava de uma treta entre setores das oligarquias rurais que n\u00e3o iria ajudar em nada a melhorar a vida do povo \u2014, o vereador integralista declarou na tribuna, seis anos depois, que o bispo havia sido \u201cuma das primeiras v\u00edtimas do comunismo no Brasil\u201d e que a figura de Barreto \u201cergue a barreira intranspon\u00edvel de protesto contra os atos de crueldade dos crentes no credo horripilante de Lenine [L\u00eanin]\u201d.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>A chegada dos \u201cgalinhas verdes\u201d<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como todo fascista que se preze adora brincar de fantasia, o integralismo oferecia um pacote completo de uniformes, simbologias e rituais inspirados diretamente na \u00faltima moda europeia. Enquanto os fascistas italianos tinham o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fascio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e os nazistas, a su\u00e1stica, os integralistas adotaram a letra grega sigma, numas de passar uma ideia de somat\u00f3rio. Se as camisas dos fascistas eram pretas e as dos nazistas marrons, o integralismo n\u00e3o fez por menos e adotou como uniforme oficial as camisas verdes, acompanhadas de um sigma no bra\u00e7o direito, gravata preta e cal\u00e7a preta ou branca. A bandeira deles jamais seria vermelha, por isso desfilavam com um estandarte azul juntamente com a boa e velha verde-e-amarela. Tinham seus pr\u00f3prios hinos e cumprimentavam entre si com a sauda\u00e7\u00e3o tupi \u201canau\u00ea\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As constantes refer\u00eancias aos povos ind\u00edgenas feitas pelo integralismo, contudo, diziam respeito a um ind\u00edgena imagin\u00e1rio, que cumpria no integralismo o mesmo papel que o Imp\u00e9rio Romano no fascismo e as tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s no nazismo: os ind\u00edgenas eram ancestrais gloriosos, que haviam cumprido seu papel ao participarem da miscigena\u00e7\u00e3o que formou a grande ra\u00e7a brasileira, mas pertenciam ao passado, n\u00e3o ao presente do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O integralismo desenvolveu rituais e institui\u00e7\u00f5es para acompanhar o militante em cada passo da sua vida. Um beb\u00ea integralista teria direito a um batizado integralista, encerrado com as palavras &#8220;Ao futuro pliniano, o seu primeiro anau\u00ea!&#8221; e, anos depois, poderia entrar para os Plinianos, grupo de jovens e crian\u00e7as integralistas, num misto de escoteiros com Juventude Hitlerista \u2014 crian\u00e7as de 6 anos j\u00e1 faziam juramentos de fidelidade ao chefe nacional, prometendo ser \u201csoldadinho de Deus, da P\u00e1tria e da Fam\u00edlia\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99400\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99400\" class=\"wp-image-99400\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinianos_de_uma_familia_integralista-300x234.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinianos_de_uma_familia_integralista-300x234.png 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinianos_de_uma_familia_integralista-400x312.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinianos_de_uma_familia_integralista.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99400\" class=\"wp-caption-text\">Plinianos em Po\u00e7os de Caldas (MG) fazem a sauda\u00e7\u00e3o integralista | Cr\u00e9dito: Livro dos pap\u00e9is de Pl\u00ednio Salgado\/Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Havia os casamentos integralistas, em que o noivo deveria obrigatoriamente usar a onipresente camisa verde, assim como a noiva (nesse caso, apenas na cerim\u00f4nia civil). Sim, as mulheres tamb\u00e9m tinham o seu espa\u00e7o: chamadas de blusas-verdes, de saias pretas ou brancas, correspondiam a aproximadamente um quinto da milit\u00e2ncia e eram ensinadas a se comportar como esposas e m\u00e3es recatadas e do lar, para n\u00e3o deixarem a amea\u00e7a comunista se infiltrar em suas fam\u00edlias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Integralistas se informavam por jornais, revistas e programas de r\u00e1dio integralistas, festejavam datas comemorativas integralistas e consumiam produtos que buscavam associar suas marcas ao integralismo para conseguir mais consumidores, da pomada Minancora \u00e0s massas Aymor\u00e9. No Natal, quem entrava pelas chamin\u00e9s integralistas n\u00e3o era o Papai Noel, essa cria\u00e7\u00e3o ianque do capitalismo internacional materialista, mas um brasileir\u00edssimo Vov\u00f4 \u00cdndio. O integralismo acompanhava seu militante at\u00e9 a morte e al\u00e9m: os militantes eram enterrados em caix\u00f5es cobertos com uma bandeira do sigma e, nos sepultamentos, os camisas-verdes e as blusas-verdes saudavam o companheiro que acabava de ser \u201ctransferido para a mil\u00edcia do al\u00e9m\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99407\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99407\" class=\"wp-image-99407\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio-205x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio-205x300.png 205w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio-698x1024.png 698w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio-768x1126.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio-400x587.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/vovo-indio.png 1023w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99407\" class=\"wp-caption-text\">Vov\u00f4 \u00cdndio, adotado como Papai Noel dos integralistas<br \/>Cr\u00e9dito: Euclydes Fonseca<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em todos os rituais integralistas, do nascimento \u00e0 morte, o nome e a figura do chefe nacional, Pl\u00ednio Salgado, eram lembrados e reverenciados, como o l\u00edder supremo de quem todo poder emana e em seu nome deve ser exercido. Pl\u00ednio era o \u00fanico a quem os integralistas deveriam dirigir n\u00e3o um, mas tr\u00eas anau\u00eas, enquanto Deus era saudado com quatro, e apenas pelo pr\u00f3prio chefe nacional. Na pr\u00e1tica, Salgado dividia o comando e a constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da AIB com Miguel Reale e Gustavo Barroso. Cada um dos tr\u00eas representava uma ala do integralismo. Pl\u00ednio cuidava do lado mais carola, focada no conservadorismo cat\u00f3lico, Reale pensava a organiza\u00e7\u00e3o do futuro Estado integralista e Barroso disseminava o antissemitismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nem todos os integralistas concordavam com o \u00f3dio aos judeus, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de que algu\u00e9m tenha deixado o movimento por causa disso. Barroso, uma figura importante da cena cultural brasileira, foi o principal nome do antissemitismo no Brasil, tendo traduzido <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Os protocolos dos s\u00e1bios de Si\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, provavelmente a fake news mais duradoura da hist\u00f3ria, sobre um acordo secreto entre ma\u00e7ons e judeus pelo controle do planeta, e que, publicado no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, forneceu o template de todas as teorias da conspira\u00e7\u00e3o criadas nos anos seguintes, dos <\/span><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Reptilian_conspiracy_theory\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">reptilianos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> ao <\/span><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-01-12\/teorias-conspiratorias-do-qanon-varrem-o-mundo-e-sao-mais-perigosa-do-que-parecem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Q-Anon<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. O pr\u00f3prio Barroso se valeu dessas ideias para escrever uma s\u00e9rie de livros contando como os judeus secretamente comandavam a hist\u00f3ria do mundo e eram respons\u00e1veis por tudo de ruim que existia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os estudiosos costumam dizer que o antissemitismo de Barroso seria diferente daquele dos nazistas, j\u00e1 que o brasileiro nunca defendeu uma \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d para os judeus, mas, como os pr\u00f3prios seguidores de Hitler tamb\u00e9m n\u00e3o costumavam falar publicamente sobre exterminar os judeus em campos de concentra\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil saber o que poderia de fato ter acontecido com a comunidade judaica brasileira em um universo alternativo no qual os integralistas tivessem conseguido tomar o poder. Seja como for, \u00e9 certo que ideias como as defendidas por Barroso ajudaram a criar o ambiente de \u00f3dio que acabaria desembocando no Holocausto.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/nome-da-foto.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;800px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Mulheres e crian\u00e7as, dos Departamentos Feminino e Plinianos, dos integralistas de Mat\u00e3o (SP) |<br \/>\nCr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico do Estado do RJ&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do antissemitismo, nenhum dos ide\u00f3logos integralistas se mostrava explicitamente racista, j\u00e1 que no Brasil n\u00e3o seria poss\u00edvel criar um movimento de massas restrito aos brancos, como na Alemanha. Em vez disso, defendiam a miscigena\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cra\u00e7a brasileira\u201d e aceitavam militantes negros, \u201cuma posi\u00e7\u00e3o excepcional que separa a ideologia integralista da maioria dos fascismos europeus\u201d, escreve Jo\u00e3o F\u00e1bio Bertonha em<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Integralismo: problemas, perspectivas e quest\u00f5es historiogr\u00e1ficas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Entre os negros que fizeram parte ou manifestaram simpatia pelo integralismo, est\u00e3o o marinheiro Jo\u00e3o C\u00e2ndido, l\u00edder da Revolta da Chibata, e o artista Abdias do Nascimento, que ap\u00f3s abandonar a camisa verde se tornaria uma importante voz da milit\u00e2ncia antirracista de esquerda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNos anos 20 e 30 j\u00e1 estava espalhada pelo Pa\u00eds a ideia de que a identidade brasileira era uma mistura das tr\u00eas ra\u00e7as e o integralismo incorporou isso. Tem uma incorpora\u00e7\u00e3o das pessoas dos negros, mas n\u00e3o da cultura afro. Vi jornais integralistas que atacavam as religi\u00f5es africanas\u201d, aponta Renato Alencar Dotta. Mais uma vez, era o nosso jeitinho brasileiro de ser fascista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na AIB, Gustavo Barroso comandava a Mil\u00edcia Integralista, bra\u00e7o paramilitar do integralismo, que buscava usar a viol\u00eancia como arma de luta pol\u00edtica, na linha dos esquadr\u00f5es fascistas e das SA e SS nazistas, que, segundo documentos do pr\u00f3prio movimento, tinha \u201cestrutura militarizada e muito bem organizada, com tropas de choque, um servi\u00e7o de intelig\u00eancia e treinamento paramilitar, incluindo uso de explosivos e luta corpo a corpo\u201d, escreve Bertonha.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99389\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99389\" class=\"wp-image-99389\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia-198x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia-198x300.png 198w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia-675x1024.png 675w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia-768x1165.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia-400x607.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Barroso_com_seu_uniforme_de_secretario_da_milicia.png 998w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99389\" class=\"wp-caption-text\">Barroso com seu uniforme de secret\u00e1rio da mil\u00edcia | Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Grupos anarquistas e comunistas combatiam nas ruas a viol\u00eancia dos integralistas, a quem chamavam de \u201cgalinhas verdes\u201d, em grupos como a Frente \u00danica Antifascista e a Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL). V\u00e1rios desses embates resultaram em mortes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O mais violento desses confrontos ocorreu em 7 de outubro de 1934, na Pra\u00e7a da S\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, quando um desfile de integralistas se deparou com um grupo de antifascistas, que avan\u00e7aram gritando \u201cAnau\u00ea! Anau\u00ea! Prepare as pernas pra correr!\u201d. Ap\u00f3s quatro horas de confrontos e tiroteios, o embate terminou com seis mortos e mais de 50 feridos. Os antifascistas chamaram o acontecimento de \u201crevoada dos galinhas verdes\u201d e o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Jornal do Povo, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">editado pelo jornalista e humorista Apar\u00edcio Torelly, o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, estampou na manchete do dia seguinte: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Um integralista n\u00e3o corre: voa\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para deixar o clima mais tenso, em novembro de 1935 os comunistas da ANL fizeram levantes em Natal, Recife e Rio de Janeiro para tentar tomar o poder. O epis\u00f3dio ficou conhecido como \u201cintentona\u201d, por s\u00f3 ter ficado na inten\u00e7\u00e3o. A Intentona Comunista nunca chegou perto de amea\u00e7ar o governo Get\u00falio, mas ajudou a alimentar a paranoia anticomunista e deu ao governo federal o pretexto para aprovar um estado de guerra, em abril de 1936, que deu mais poder ao presidente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os integralistas resolveram fazer diferente, aproveitando a brecha aberta pelo governo com a promessa de fazer elei\u00e7\u00f5es limpas, nas quais for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o finalmente teriam chance de vencer. Isso fazia parte dos caminhos contradit\u00f3rios que o Pa\u00eds vinha adotando ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, numa salada de medidas liberalizantes e autorit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por um lado, o governo instituiu em 1932 um C\u00f3digo Eleitoral que previa o voto secreto, o direito de voto \u00e0s mulheres e uma Justi\u00e7a Eleitoral independente. Uma Assembleia Constituinte aprovou a nova Constitui\u00e7\u00e3o Federal, de car\u00e1ter liberal, em 1934, e confirmou Get\u00falio na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, limitando seu mandato at\u00e9 1938, quando ocorreriam elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente. Por outro lado, o povo mal teve tempo de exercer os direitos e as garantias individuais previstos na nova Constitui\u00e7\u00e3o, porque em 1935 o governo aprovou a <\/span><a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/lei\/1930-1939\/lei-38-4-abril-1935-397878-republicacao-77367-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Lei de Seguran\u00e7a Nacional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, que n\u00e3o ficou conhecida como <\/span><a href=\"http:\/\/memorialdademocracia.com.br\/card\/congresso-aprova-lei-de-seguranca-nacional\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Lei Monstro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e0 toa: a norma criou a censura a r\u00e1dios, jornais e todo tipo de publica\u00e7\u00f5es e implantou v\u00e1rias restri\u00e7\u00f5es ao direito de associa\u00e7\u00e3o, entre outras regras autorit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seja como for, a promessa de elei\u00e7\u00f5es era uma oportunidade que os integralistas n\u00e3o pretendiam deixar passar. Seguindo os exemplos dos seus par\u00e7as de fascismo da Europa, que haviam chegado ao poder por meio do voto, os integralistas foram pelo mesmo caminho, tentando se aproveitar dos m\u00e9todos democr\u00e1ticos para acabar com a pr\u00f3pria democracia. Foi assim que, em 1935, a AIB se tornou um partido pol\u00edtico e fez um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">rebranding<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> da sua marca para tentar demonstrar que atuaria dentro das quatro linhas da Constitui\u00e7\u00e3o. Entre outras medidas cosm\u00e9ticas, transformou a Mil\u00edcia Integralista em Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, mas sem mexer na natureza paramilitar do grupo.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/plinio-e-integralistas.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;1000px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Pl\u00ednio Salgado com seus liderados integralistas | Cr\u00e9dito: Arquivo Nacional<br \/>\n&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fosse pela revolu\u00e7\u00e3o ou pelo voto, por\u00e9m, os integralistas s\u00f3 pensavam em uma coisa. \u201cHavia no integralismo correntes revolucion\u00e1rias que defendiam o uso da for\u00e7a e outras que defendiam a via democr\u00e1tica, mas, uma vez no poder, a ideia era subverter e extinguir a democracia liberal\u201d, explica Alexandre de Almeida, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e pesquisador associado do Observat\u00f3rio da Extrema Direita e do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria Pol\u00edtica e Social da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A estrat\u00e9gia eleitoral deu t\u00e3o certo que 1936 ficou conhecido como \u201cAno Verde\u201d, escreve Marilena Chau\u00ed em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Apontamentos para uma cr\u00edtica da A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: \u201cNas elei\u00e7\u00f5es municipais, os integralistas conseguiram 250 mil votos, elegendo 500 vereadores e 24 prefeitos\u201d. Um desses vereadores era Jos\u00e9 Ferreira Alves Cyrillo, que, com apenas 470 votos, assumiu uma cadeira na C\u00e2mara paulistana, ap\u00f3s a ren\u00fancia de Jo\u00e3o Ribeiro de Barros. Ele bem que haveria de ironizar, numa sess\u00e3o em 3 de abril de 1937, o fato de algu\u00e9m com uma proposta autorit\u00e1ria como ele ter chegado ao poder pelas vias democr\u00e1ticas: \u201cVossas Excel\u00eancias s\u00e3o t\u00e3o in\u00e1beis que fazem uma elei\u00e7\u00e3o dessas e eu me elejo\u201d.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Um \u201cgalinha verde\u201d na tribuna<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jos\u00e9 Cyrillo assumiu seu lugar na CMSP em 8 de agosto de 1936. Advogado de 24 anos, era o mais jovem dos vereadores. Como mandava o regimento da \u00e9poca, o novato teve de entrar no plen\u00e1rio acompanhado de uma comiss\u00e3o formada por outros dois parlamentares. Cyrillo tomou posse fazendo o juramento de praxe, sem fascistices. Assim que tomou assento, por\u00e9m, fez quest\u00e3o de proclamar sua fidelidade ao integralismo e a Pl\u00ednio Salgado:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAo Chefe Nacional, diante da vida e diante da morte, tr\u00eas anau\u00eas!\u201d, saudou. As galerias do Pal\u00e1cio Trocadero, repletas de camisas-verdes, batucaram tambores e gritaram: \u201cAnau\u00ea!\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A cena irritou o presidente da Mesa Diretora, Machado de Campos, que reagiu: \u201cAten\u00e7\u00e3o! As galerias n\u00e3o podem se manifestar!\u201d. N\u00e3o seria a primeira vez que uma atitude de Cyrillo irritaria os colegas.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cAo Chefe Nacional, diante da vida e diante da morte, tr\u00eas anau\u00eas!\u201d&#8221; cite=&#8221;Jos\u00e9 Cyrillo&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00danico representante da AIB na C\u00e2mara, Cyrillo destoava dos demais vereadores por ser o \u00fanico n\u00e3o filiado a um dos dois partidos que dominavam o cen\u00e1rio pol\u00edtico local naqueles tempos: o Partido Republicano Paulista, que lutava para recuperar a hegemonia perdida ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, e o Partido Constitucionalista, que inclu\u00eda entre seus membros dissidentes do PRP e ao qual pertencia o governador Armando de Salles Oliveira, que pretendia disputar as elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 1938.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A disputa entre PRP e PC era apenas pelo poder, sem grandes diverg\u00eancias program\u00e1ticas, j\u00e1 que ambos eram liberais, conservadores e anticomunistas. No plen\u00e1rio do Trocadero, a disputa ideol\u00f3gica se dava apenas entre todos os outros e Cyrillo, por ser o \u00fanico que questionava o regime democr\u00e1tico liberal. Nessa guerra cultural, n\u00e3o seriam poucas as vezes em que os vereadores liberais se mostrariam pelo menos t\u00e3o autorit\u00e1rios e preconceituosos (ou at\u00e9 mais) do que seu colega assumidamente fascista.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99396\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99396\" class=\"wp-image-99396\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/marcha-integralista-265x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/marcha-integralista-265x300.png 265w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/marcha-integralista-400x452.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/marcha-integralista.png 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99396\" class=\"wp-caption-text\">Integralistas desfilam no Rio de Janeiro em 1\u00ba de novembro de 1937, pouco antes de serem proibidos | Cr\u00e9dito: Revista Anau\u00ea<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cJos\u00e9 Cyrillo n\u00e3o media esfor\u00e7os para apresentar a vis\u00e3o do seu partido, nos mais variados temas em discuss\u00e3o\u201d, observa o historiador Ubirajara de Farias Prestes Filho, doutor em Hist\u00f3ria pela USP e secret\u00e1rio de Documenta\u00e7\u00e3o da CMSP. Na maioria das vezes em que Cyrillo abria a boca no Pal\u00e1cio do Trocadero, era para fazer apartes atacando a democracia liberal, culpada de todos os males poss\u00edveis. Diante de uma discord\u00e2ncia entre os vereadores de uma comiss\u00e3o, declarava: \u201cEsse entrechoque \u00e9 comum na liberal democracia\u201d. Sobre uma den\u00fancia de persegui\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria contra servidores, soltou que \u201cO mal da liberal-democracia \u00e9 justamente esse: a exist\u00eancia de v\u00e1rios partidos. \u00c9 por isso que pugnamos por um partido integral\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando seus colegas debatiam o aumento dos pre\u00e7os dos g\u00eaneros de primeira necessidade, fez quest\u00e3o de dizer: \u201cNem \u00e9 poss\u00edvel resolver essa situa\u00e7\u00e3o com o regime liberal-democr\u00e1tico\u201d. O assunto podia at\u00e9 ser o plantio de cana-de-a\u00e7\u00facar no munic\u00edpio, que l\u00e1 vinha Cyrillo argumentar: \u201cO \u00fanico meio \u00e9 mudar de regime\u201d. Ap\u00f3s uma dessas falas, o vereador Chagas da Costa reagiu: \u201c\u00c9 o estribilho de Vossa Excel\u00eancia\u201d \u2014 o jeito de indicar, na edulcorada linguagem parlamentar, o quanto a repeti\u00e7\u00e3o dessas falas estava enchendo o saco dos colegas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outros apelavam para a ironia. Em 19 de setembro de 1936, Abrah\u00e3o Ribeiro saiu-se com um trocadilho sobre o integralista: \u201cO colega, jovem como \u00e9, est\u00e1 ainda, para atacar a liberal-democracia, um tanto verde\u201d. Antes disso, na primeira vez em que Cyrillo pediu espa\u00e7o para falar na tribuna, em 22 de agosto, o vereador Ten\u00f3rio de Brito, que havia se inscrito antes, n\u00e3o perdeu a chance de alfinetar: \u201cDesejando o nobre vereador Sr. Jos\u00e9 Cyrillo usar da palavra, gostosamente cederei o meu lugar, como demonstra\u00e7\u00e3o das vantagens do regime liberal\u201d.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;&#034;O mal da liberal-democracia \u00e9 justamente esse: a exist\u00eancia de v\u00e1rios partidos. \u00c9 por isso que pugnamos por um partido integral&#034;&#8221; cite=&#8221;JOS\u00c9 CYRILLO&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a gentileza, o camisa-verde se dirigiu \u00e0 tribuna e fez um longo discurso, interrompido a todo momento por outros parlamentares, que concluiu com \u201cum vibrante anau\u00ea \u00e0 Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo\u201d. Nessa fala, Cyrillo explicou como pretendia usar seu mandato para defender a superioridade do integralismo, \u201ccombatendo, com o vigor da minha mocidade, a liberal democracia e o comunismo\u201d. Os dois sistemas se alimentavam um do outro, segundo Cyrillo, j\u00e1 que, ao ignorar as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e privilegiar apenas uma pequena minoria de burgueses, a democracia abria espa\u00e7o para a revolta dos anarquistas e comunistas: \u201cA liberal democracia transformou o nosso pa\u00eds em uma col\u00f4nia de banqueiros, esquecendo, muitas vezes, os interesses do povo, e s\u00f3 percebendo agora, com esse movimento comunista, que o Brasil est\u00e1 na agonia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assumindo o papel de chato do rol\u00ea parlamentar, Cyrillo conseguia enunciar verdades inc\u00f4modas sobre as falhas do regime pol\u00edtico que seus colegas ignoravam e fazer den\u00fancias mais precisas, sobre os problemas sociais, do que qualquer um deles. Afinal, o camisa-verde n\u00e3o estava mentindo quando se referiu \u00e0s agruras enfrentadas pela classe trabalhadora e emendou com uma den\u00fancia sobre o car\u00e1ter autorit\u00e1rio da Lei Monstro: \u201cAs classes oper\u00e1rias t\u00eam sido esquecidas pelo Estado liberal democr\u00e1tico, se \u00e9 que esse Estado existe, porque n\u00e3o compreendo o Estado liberal democr\u00e1tico com uma Lei de Seguran\u00e7a e com uma lei de estado de guerra\u201d.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/lideres-integralistas-em-1935.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;1000px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Integralistas reunidos no Rio de Janeiro em 1935; ao centro, Barroso (de chap\u00e9u) com Salgado e Reale \u00e0 direita | Cr\u00e9dito:  Getty Images\/Wikimedia Commons&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os vereadores liberais tentavam contestar como podiam as afirma\u00e7\u00f5es incontest\u00e1veis do colega. Marrey Junior se viu na curiosa posi\u00e7\u00e3o de defender para um fascista a legitimidade de medidas autorit\u00e1rias: \u201cPorque, dentro da liberal democracia, h\u00e1 tamb\u00e9m disciplina. Vossa Excel\u00eancia est\u00e1 confundindo liberal democracia com anarquia\u201d. E Thomaz Lessa saiu-se com uma afirma\u00e7\u00e3o surpreendentemente otimista sobre a realidade de ent\u00e3o: \u201cVossa Excel\u00eancia esquece-se de que o Brasil tem uma das legisla\u00e7\u00f5es sociais mais adiantadas do mundo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m da vontade de expor a hipocrisia de um regime alegadamente democr\u00e1tico que usava e abusava de leis de exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que Cyrillo tivesse outro motivo para atacar a Lei Monstro: o receio de que esse pau legislativo, que agora estava dando nos Chicos comunistas, bem poderia vir a dar em Franciscos integralistas \u2014 como de fato veio a acontecer. Esse temor ficou claro em 28 de novembro, quando, ap\u00f3s Chagas da Costa declarar que \u201co estado de guerra \u00e9 hoje contra os comunistas\u201d, Cyrillo o corrigiu: \u201cContra os inimigos e muitas vezes contra os inimigos dos comunistas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Numa \u00e9poca em que as classes populares ainda tinham muito pouco espa\u00e7o na pol\u00edtica, apenas um parlamentar isolado como Cyrillo teria a manha de admitir que \u201co povo n\u00e3o tem voz ativa junto ao governo\u201d e indagar se existiam \u201crepresentantes dos oper\u00e1rios dentro desta C\u00e2mara\u201d. Diante da pergunta, Chagas da Costa ainda tentou uma sa\u00edda: \u201cEu fui votado por oper\u00e1rios\u201d. Cyrillo n\u00e3o perdoou: \u201cOnde est\u00e1 o oper\u00e1rio, o representante profissional? Vossa Excel\u00eancia esteve em f\u00e1bricas, sabe as mis\u00e9rias dos oper\u00e1rios nessas f\u00e1bricas?\u201d. E concluiu: \u201cVossa Excel\u00eancia n\u00e3o pode saber quais as necessidades dos oper\u00e1rios\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o havia outro vereador al\u00e9m de Cyrillo que descrevesse de um modo t\u00e3o direto o sofrimento das classes populares, que parecia ignorado por outros parlamentares. \u201cQuando as classes oper\u00e1rias gritam, no Estado liberal democr\u00e1tico, de desespero, de mis\u00e9ria, de dor e de fome\u2026\u201d, disse, para ser interrompido por inacredit\u00e1veis apartes de Chagas da Costa, que perguntou \u201cOnde est\u00e1 a grita?\u201d e acrescentou: \u201cN\u00e3o t\u00eam gritado\u201d. Sem se incomodar, Cyrillo continuou: \u201cSenhor presidente, n\u00e3o se vai procurar o mal para cur\u00e1-lo. N\u00e3o! D\u00e3o, como rem\u00e9dio, como preventivo, ou como cura completa, as patas dos cavalos e abrem-se as portas dos xadrezes\u201d. O que era bem a descri\u00e7\u00e3o do que acontecia com os movimentos de reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, presos pelos bra\u00e7os do Deops ou esmagados pela cavalaria da For\u00e7a P\u00fablica.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99393\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99393\" class=\"wp-image-99393\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista-300x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista-300x300.png 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista-150x150.png 150w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista-400x400.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista-200x200.png 200w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Insignia_da_milicia_integralista.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99393\" class=\"wp-caption-text\">Ins\u00edgnia da Mil\u00edcia Integralista | Cr\u00e9dito: Acervo pessoal do pesquisador Guilherme Jorge<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao ouvir as refer\u00eancias a patas de cavalos e portas de xadrez contra os trabalhadores, Nacl\u00e9rio Homem e Pereira de Queiroz responderam, dando risada, que esse tratamento era como \u201c\u00f3leo de r\u00edcino\u201d, comparando a viol\u00eancia policial com um rem\u00e9dio purgante de gosto amargo. Era mais um momento em que os liberais soavam mais fascistas do que o fascista-raiz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cCertas cr\u00edticas que Cyrillo dirigia \u00e0 democracia daqueles tempos faziam sentido, como quando fala sobre o alcance da participa\u00e7\u00e3o popular. Por\u00e9m, ao inv\u00e9s de reivindicar mais abertura para as pessoas participarem das atividades pol\u00edticas, a proposta integralista seguia a dire\u00e7\u00e3o de maior fechamento e restri\u00e7\u00e3o ao processo democr\u00e1tico\u201d, aponta o historiador Ubirajara.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Mais fascistas que o fascista<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cyrillo parecia se divertir ao explorar as contradi\u00e7\u00f5es do liberalismo de seus colegas. \u201cMesmo entre os vereadores ditos liberais, havia aqueles que defendiam certas concess\u00f5es a medidas de exce\u00e7\u00e3o mantidas pelo governo Vargas, sobretudo as que tinham como alvo grupos comunistas\u201d, afirma Ubirajara.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim, quando Pereira de Queiroz e Chagas da Costa atacaram o integralismo, em 5 de setembro de 1936, por \u201cescravizar a vontade de cada um \u00e0 vontade do chefe \u00fanico\u201d, o seguidor de Pl\u00ednio Salgado contra-argumentou que os liberais \u201ct\u00eam a necessidade de estrangular as ideias que pregam\u201d e \u201cpreferem governar antidemocraticamente sob a prote\u00e7\u00e3o da democracia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E foi al\u00e9m. Mesmo sendo visceralmente anticomunista, Cyrillo, em 10 de outubro, apontou a hipocrisia dos liberais que apoiavam a proibi\u00e7\u00e3o do Partido Comunista do Brasil:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPor que Vossas Excel\u00eancias combatem a liberdade do comunismo?\u201d.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Propaganda_anticomunista_na_revista_Anaue.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;600px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Charge da revista Anau\u00ea mostra a Rep\u00fablica brasileira numa encruzilhada entre o caos comunista de Moscou e a ordem fascista de Roma | Cr\u00e9dito: Revista Anau\u00ea&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As respostas revelaram como o liberalismo dos seus pares era restrito. \u201cA liberdade do comunismo est\u00e1 fora da lei. Queremos a liberdade dentro da lei\u201d, proclamou Abrah\u00e3o Ribeiro. \u201cA liberdade comunista \u00e9 a liberdade das feras\u201d, completou Nacl\u00e9rio Homem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cyrillo tamb\u00e9m vivia sua pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o, a de ser um vereador eleito dentro do sistema pol\u00edtico que ele combatia, algo que outros parlamentares volta e meia lembravam. Como quando Chagas da Costa lhe disse: \u201cTanto somos liberais, que Vossa Excel\u00eancia ocupa uma cadeira nesta C\u00e2mara, por elei\u00e7\u00e3o do povo\u201d. Ou da vez que Thomas Lessa apontou: \u201cVossa Excel\u00eancia \u00e9 um ilustre representante popular aqui na C\u00e2mara\u201d. Diante dessas observa\u00e7\u00f5es, o camisa-verde assumia a pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o saindo-se com uma profecia sombria: \u201cA minha elei\u00e7\u00e3o \u00e9 o suic\u00eddio do regime liberal democr\u00e1tico por meio do voto universal.\u201d<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;&#034;A minha elei\u00e7\u00e3o \u00e9 o suic\u00eddio do regime liberal democr\u00e1tico por meio do voto universal&#034;&#8221; cite=&#8221;Jos\u00e9 Cyrillo&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se bem que, quando se tratava do desprezo pelas esquerdas, todos os vereadores podiam se abra\u00e7ar e cantar juntos. Uma das poucas propostas de Cyrillo aprovadas com unanimidade foi um requerimento de \u201cvoto de pesar e saudade\u201d, em 28 de novembro, pelos militares mortos durante os levantes da ANL em 1935, \u201cv\u00edtimas do massacre comunista\u201d, \u201cpertencentes hoje \u00e0 mil\u00edcia do al\u00e9m\u201d. Apesar do 7 a 1 sofrido pelos comunistas na Intentona, o vereador fez quest\u00e3o de afirmar que o inimigo ainda estava \u00e0 espreita, j\u00e1 que o integralismo precisava dele para justificar sua exist\u00eancia. Num trecho muito representativo da ret\u00f3rica integralista, sentenciou: \u201cO comunismo n\u00e3o morreu; est\u00e1 vivo, e n\u00e3o recuar\u00e1; tentar\u00e1 passar sobre os cad\u00e1veres dos pr\u00f3prios companheiros para vencer a ideologia odienta de Lenine [L\u00eanin]. Em nome desses que ca\u00edram empo\u00e7ados em sangue, para salvar a honra e a dignidade da P\u00e1tria, n\u00f3s, integralistas, juramos, auxiliados pela eterna luz do Senhor, comandante das Estrelas no Infinito, do Tempo e dos Espa\u00e7os, dar a \u00faltima gota de nosso sangue para salvar o triunfo espl\u00eandido da grande na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As v\u00edtimas da Intentona Comunista s\u00e3o <\/span><a href=\"https:\/\/www.eb.mil.br\/web\/noticias\/noticiario-do-exercito?p_p_id=101&amp;p_p_lifecycle=0&amp;p_p_state=maximized&amp;p_p_mode=view&amp;_101_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&amp;_101_assetEntryId=9410266&amp;_101_type=content&amp;_101_groupId=8357041&amp;_101_urlTitle=cml-rememora-intentona-comunista&amp;_101_redirect=http%3A%2F%2Fwww.eb.mil.br%2Fweb%2Fnoticias%2Fnoticiario-do-exercito%3Fp_p_id%3D3%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dmaximized%26p_p_mode%3Dview%26_3_cur%3D28%26_3_keywords%3Dcorrida%2Bda%2Bpaz%26_3_advancedSearch%3Dfalse%26_3_groupId%3D0%26_3_delta%3D20%26_3_assetTagNames%3Dintentona%2Bcomunista%26_3_resetCur%3Dfalse%26_3_andOperator%3Dtrue%26_3_struts_action%3D%252Fsearch%252Fsearch&amp;inheritRedirect=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">at\u00e9 hoje relembradas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> em cerim\u00f4nias das For\u00e7as Armadas brasileiras, que, curiosamente, n\u00e3o costumam fazer a mesma celebra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos mortos na revolta dos integralistas \u2014 vamos falar disso daqui a pouco, sem spoilers.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_em_Rio_do_Sul_SC_-_1935.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;800px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Multid\u00e3o assiste a discurso de Pl\u00ednio Salgado em Rio do Sul (SC), em 1935 | Cr\u00e9dito: Arquivo P\u00fablico Hist\u00f3rico de Rio do Sul&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Rinha de antissemitas<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro momento marcante do integralismo na C\u00e2mara Municipal se deu quando o vereador Vicente de Azevedo, em 7 de agosto de 1937, fez um longo discurso contra Gustavo Barroso, repudiando o \u201cmonturo de ignom\u00ednias\u201d e \u201ccal\u00fanias contra S\u00e3o Paulo e contra os paulistas\u201d que o ide\u00f3logo integralista vinha \u201cassacando sobre a nossa terra e a nossa gente\u201d. O que Barroso havia feito de t\u00e3o terr\u00edvel? Dito que <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/o-barbaro-que-salvou-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Jo\u00e3o Ramalho<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, considerado um dos fundadores da cidade de S\u00e3o Paulo, era judeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seu discurso, Azevedo indicou que via a atribui\u00e7\u00e3o como uma ofensa, e das piores. \u201cA mentira hist\u00f3rica de Barroso em rela\u00e7\u00e3o a Jo\u00e3o Ramalho \u00e9 o exemplo da sua maneira de agir em rela\u00e7\u00e3o a personalidades do mais alto vulto no cen\u00e1rio paulista e nacional. Caracteres ilibados, cat\u00f3licos praticantes, talentos espl\u00eandidos s\u00e3o por esse escritor atirados ao p\u00e2ntano esverdeado do inferno integralista\u201d, disse.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criticando as fontes e a metodologia usada por Barroso para chegar a essa afirma\u00e7\u00e3o sobre Jo\u00e3o Ramalho, presente no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria secreta do Brasil, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Azevedo deixou claro que Barroso n\u00e3o tinha o mesmo rigor cient\u00edfico de pesquisadores mais s\u00e9rios, como\u2026 os nazistas. \u201cO movimento racista alem\u00e3o n\u00e3o \u00e9 levado a esmo, sem bases etnol\u00f3gicas\u201d, elogiou.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/O_Que_O_Integralista_Deve_Saber.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;500px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Capa do livro O que o integralista deve saber, do intelectual antissemita Gustavo Barroso | Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais adiante, o vereador explicou por que a \u201cacusa\u00e7\u00e3o\u201d de ascend\u00eancia judia sobre Jo\u00e3o Ramalho era t\u00e3o ofensiva. \u00c9 que \u201cquase todas as fam\u00edlias paulistas\u201d se orgulhavam de serem descendentes de Ramalho, esse her\u00f3i de \u201cexcepcionais qualidades\u201d, que havia legado \u201cseu sangue generoso para a forma\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a dos bandeirantes\u201d. Portanto, se o sangue de Ramalho fosse judeu, isso contaminaria a \u00e1rvore geneal\u00f3gica de praticamente todas as fam\u00edlias quatrocentonas de S\u00e3o Paulo. Azevedo terminou sua explica\u00e7\u00e3o pessoal comparando os m\u00e9todos de Barroso aos dos comunistas e insinuando que o escritor antissemita \u00e9 quem devia ter sangue judeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A resposta veio um m\u00eas depois, em 18 de setembro de 1937, quando Jos\u00e9 Cyrillo leu da tribuna uma carta enviada pelo pr\u00f3prio Barroso, em que o escritor, ap\u00f3s dizer que o discurso de Azevedo havia sido \u201cum mero ataque pessoal, que n\u00e3o merece resposta\u201d, fez uma longa resposta reafirmando a qualidade de sua pesquisa hist\u00f3rica, chamando Vicente de \u201cdefensor de judeus\u201d e questionando, com toda a civilidade esperada de um chefe de mil\u00edcia fascista, se o vereador seria homem de falar tudo o que falou na cara dele: &#8220;[Azevedo] fez isso de longe, dentro do Conselho Municipal. Talvez, de perto, homem para homem, olhos nos olhos, titubeasse e n\u00e3o repetisse a inj\u00faria. Talvez que um dia nos encontremos&#8221;.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;O antissemitismo era um tema de debate, considerado quest\u00e3o de opini\u00e3o, o que hoje seria impens\u00e1vel. S\u00f3 se torna algo considerado repulsivo ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial&#8221; cite=&#8221;Renato Dotta&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nenhum dos demais vereadores demonstrou qualquer inc\u00f4modo pelo espet\u00e1culo no plen\u00e1rio em que cada um dos parlamentares estava, na pr\u00e1tica, disputando para ver qual era mais antissemita. \u201cNa discuss\u00e3o que envolveu os vereadores em torno da figura de Jo\u00e3o Ramalho, fiquei impressionado como o debate priorizava a \u2018honra\u2019 dos paulistas e refor\u00e7ava os estere\u00f3tipos contra os judeus\u201d, relata Ubirajara Prestes Filho, que recuperou o epis\u00f3dio num artigo escrito com Mar\u00edlia Gabriela Buonavita. \u201cO alcance do antissemitismo era grande entre muitos formadores de opini\u00e3o do per\u00edodo, o que mostra a circula\u00e7\u00e3o dessas ideias. Fica bem claro que o antissemitismo n\u00e3o era uma exclusividade do regime nazista, mas estava presente em muitos outros contextos\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 que na \u00e9poca, explica Renato Dotta, o \u00f3dio aos judeus n\u00e3o era considerado preconceito, mas um assunto para discuss\u00e3o, com gente contra e a favor. \u201cO antissemitismo era um tema de debate, considerado quest\u00e3o de opini\u00e3o, o que hoje seria impens\u00e1vel. S\u00f3 se torna algo considerado repulsivo ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial\u201d, esclarece.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>O golpe t\u00e1 a\u00ed<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Debates como esses e outros, pelas tribunas afora de todas as casas legislativas do Pa\u00eds, estavam prestes a serem silenciados \u2014 e com a colabora\u00e7\u00e3o decisiva dos integralistas e seu dom para invocar o onipresente fantasma do comunismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Depois que o Congresso Nacional se recusou a renovar o estado de guerra que dava poderes extraordin\u00e1rios a Get\u00falio Vargas, o governo anunciou na R\u00e1dio Nacional, em 30 de setembro de 1937, uma descoberta que justificaria a volta urgente da lei de exce\u00e7\u00e3o: um ambicioso projeto de revolu\u00e7\u00e3o comunista, chamado Plano Cohen, que previa inc\u00eandios em pr\u00e9dios p\u00fablicos, saques, depreda\u00e7\u00f5es e assassinatos de autoridades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Terr\u00edvel? Seria se fosse. O \u201cplano\u201d n\u00e3o passava de um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o criado pelo capit\u00e3o <\/span><a href=\"https:\/\/atlas.fgv.br\/verbete\/3707\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, do servi\u00e7o secreto do Ex\u00e9rcito, que nas horas vagas atuava como \u201cChefe do Estado-Maior\u201d da Mil\u00edcia Integralista \u2014 muitos camisas-verdes eram militares, especialmente da Marinha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acontece que Pl\u00ednio Salgado, em campanha para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, marcadas para janeiro de 1938, havia pedido a Mour\u00e3o um texto sobre as terr\u00edveis t\u00e1ticas usadas pelos comunistas, para insuflar seus apoiadores com um pouco mais da boa e velha paranoia.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Integralistas-curitiba.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;750px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Reuni\u00e3o de integralistas em Curitiba (PR) | Cr\u00e9dito: Wikimedia Commons&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mour\u00e3o obedeceu \u00e0s ordens, mas entregou um texto t\u00e3o exagerado, at\u00e9 para os padr\u00f5es integralistas, que Pl\u00ednio o mandou jogar fora, pensando que ningu\u00e9m levaria uma bobagem daquelas a s\u00e9rio. Orgulhoso do que tinha escrito, por\u00e9m, Mour\u00e3o mostrou o texto para um colega militar, que o mostrou a outro, e a outro, at\u00e9 que foi parar nas m\u00e3os do Ministro da Guerra, o general G\u00f3es Monteiro, que encontrou naquele amontoado de del\u00edrios o pretexto ideal que o governo vinha buscando para desferir um golpe de Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando o \u201cplano Cohen\u201d foi trazido a p\u00fablico pelo governo, a c\u00fapula integralista sabia que se tratava de uma farsa, mas ficou quietinha. Mais uma vez, a s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de Pl\u00ednio Salgado n\u00e3o impediu o chefe nacional do integralismo de ser c\u00famplice de uma farsa. Numa entrevista concedida em 1969 para H\u00e9lgio Trindade, Pl\u00ednio declarou que ficou em sil\u00eancio porque n\u00e3o queria expor a imagem das For\u00e7as Armadas como mentirosas. \u201cEu n\u00e3o podia desmoralizar a \u00fanica for\u00e7a organizada que n\u00f3s ainda possu\u00edamos para combater o comunismo\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O fato \u00e9 que o golpe de Get\u00falio Vargas estava a\u00ed e os integralistas ca\u00edram porque quiseram fazer parte dele, iludidos pela promessa do presidente de que, em troca do apoio para sua aventura autorit\u00e1ria, os camisas-verdes iriam fazer parte do novo governo, com o pr\u00f3prio Salgado chefiando o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;&#034;Eu n\u00e3o podia desmoralizar a \u00fanica for\u00e7a organizada que n\u00f3s ainda possu\u00edamos para combater o comunismo&#034;&#8221; cite=&#8221;Pl\u00ednio Salgado&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sinais do acordo de Vargas com os integralistas chegaram ao plen\u00e1rio do Pal\u00e1cio do Trocadero, onde Jos\u00e9 Cyrillo mudou totalmente de atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cr\u00edticas que fizera anteriormente sobre o uso de leis de exce\u00e7\u00e3o pelo governo. Dessa vez, o camisa-verde foi s\u00f3 elogios \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do novo estado de guerra na esteira da farsa do plano Cohen, em um requerimento no qual congratulou Get\u00falio pelo \u201cgesto heroico e patri\u00f3tico, pedindo a decreta\u00e7\u00e3o do estado de guerra, em defesa do Brasil, contra os vermelhos comunistas que procuravam dissolver os nossos lares e as nossas institui\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Temerosos diante do que as a\u00e7\u00f5es do governo federal indicavam, os demais vereadores substitu\u00edram o requerimento de Cyrillo por uma mo\u00e7\u00e3o bem menos entusiasmada, em que basicamente a CMSP pedia \u00e0s For\u00e7as Armadas para, por favor, n\u00e3o participarem de um golpe de Estado. No texto, a C\u00e2mara \u201cafirma, neste momento delicado da vida brasileira, sua f\u00e9 na democracia, sua confian\u00e7a nas for\u00e7as armadas \u2013 guarda da institui\u00e7\u00e3o \u2013 e a sua disposi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a de todos os brasileiros amantes de sua p\u00e1tria de colaborar com patriotismo e desinteresse na defesa das institui\u00e7\u00f5es e do Brasil\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O apelo n\u00e3o foi ouvido. Em 9 de novembro de 1937, ocorreu a \u00faltima sess\u00e3o do Pal\u00e1cio do Trocadero. No dia seguinte, Get\u00falio Vargas determinou o fechamento de todas as casas legislativas e imp\u00f4s uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, \u201catendendo ao estado de apreens\u00e3o criado no Pa\u00eds pela infiltra\u00e7\u00e3o comunista, que se torna dia a dia mais extensa e mais profunda, exigindo rem\u00e9dios, de car\u00e1ter radical e permanente\u201d (sim, esse era o texto constitucional). A CMSP n\u00e3o voltaria a abrir as portas pelos pr\u00f3ximos 11 anos. Come\u00e7ava a ditadura do Estado Novo.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>\u2026deu tudo errado<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quem poderia imaginar que, uma vez estabelecido na presid\u00eancia da Rep\u00fablica com poder absoluto, Get\u00falio Vargas chegaria \u00e0 conclus\u00e3o de que um bando armado de fascistas que obedeciam cegamente a um l\u00edder supremo n\u00e3o seria um aliado confi\u00e1vel? Bom, Pl\u00ednio Salgado n\u00e3o imaginou e parece ter ficado genuinamente surpreso quando recebeu um ghosting do presidente, que, al\u00e9m de n\u00e3o lhe dar qualquer minist\u00e9rio, ainda determinou o fechamento da AIB.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os integralistas ficaram verdes de raiva. Na noite de 10 de maio de 1938, articularam uma tentativa de golpe de Estado que chegou perigosamente perto de dar certo \u2014 ou, pelo menos, muito mais perto do que os comunistas de 1935 jamais haviam chegado. Gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de militares integralistas, os camisas-verdes tomaram o Pal\u00e1cio Guanabara, resid\u00eancia do presidente da Rep\u00fablica, e encurralaram Get\u00falio Vargas. O presidente, por\u00e9m, manteve acesso a uma linha telef\u00f4nica, que usou para coordenar a resist\u00eancia. Em poucas horas, o golpe foi debelado e os revoltosos que n\u00e3o fugiram acabaram fuzilados ali mesmo, nos jardins do Pal\u00e1cio. Logo depois, cerca de 1.500 integralistas foram presos, inclusive Pl\u00ednio Salgado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O integralismo nunca mais voltaria a ter a mesma for\u00e7a pol\u00edtica. Gustavo Barroso e Miguel Reale aceitaram cargos no governo e deixaram o movimento. Ao sair da pris\u00e3o, agora transformado em l\u00edder solit\u00e1rio do movimento, Pl\u00ednio Salgado partiu para Portugal. L\u00e1, o nacionalista que vivia agarrado a uma bandeira brasileira e falando o tempo todo em \u201cDeus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u201d tentou se aliar ao governo nazista da Alemanha, inimiga declarada do Brasil naquela altura da Segunda Guerra Mundial. Em encontros secretos com representantes do governo alem\u00e3o, Pl\u00ednio ofereceu se tornar um representante dos nazistas no Brasil caso os pa\u00edses do Eixo (Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o) vencessem a guerra.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_99397\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-99397\" class=\"wp-image-99397\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Miguel_Reale-230x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Miguel_Reale-230x300.png 230w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Miguel_Reale-400x523.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Miguel_Reale.png 658w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><p id=\"caption-attachment-99397\" class=\"wp-caption-text\">Miguel Reale, um dos tr\u00eas ide\u00f3logos do integralismo, com uniforme do movimento | Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A conspira\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio com os nazistas acabou exposta pelo governo portugu\u00eas e o integralista achou melhor abandonar temporariamente a atividade pol\u00edtica, dedicando-se a fazer palestras sobre Jesus Cristo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1945, o Eixo foi derrotado e Benito Mussolini, o homem que tanto havia inspirado Pl\u00ednio ao receb\u00ea-lo para um encontro no Palazzo Venezia, terminou morto pela resist\u00eancia antifascista italiana e pendurado de cabe\u00e7a para baixo na Piazza Loreto, em Mil\u00e3o. Ap\u00f3s arrastar o mundo para a Segunda Guerra Mundial e provocar toda sorte de horrores, os fascismos sa\u00edram de moda por todo o mundo, que passou a considerar que a boa e velha democracia liberal talvez n\u00e3o fosse t\u00e3o ruim assim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa onda liberalizante chegou ao Brasil, onde a ditadura do Estado Novo acabou ainda em 1945. De olho nos novos tempos, Pl\u00ednio voltou ao Pa\u00eds e criou outro partido. Nessa refunda\u00e7\u00e3o do integralismo, deu \u00e0 nova legenda um nome gen\u00e9rico, Partido da Representa\u00e7\u00e3o Popular (PRP), e buscou evitar tudo o que pudesse lembrar suas origens fascistas: sigma, uniformes, anau\u00eas, antissemitismo, mil\u00edcias armadas e multid\u00f5es em marcha foram deixados de lado. O PRP buscou se estabelecer como antiliberal e anticomunista, mas democr\u00e1tico, ainda que Pl\u00ednio continuasse a acreditar nas mesmas ideias de antes \u2014 tanto que os estudiosos do movimento entendem que essa fase merece ser chamada de \u201cintegralista\u201d tanto quanto o per\u00edodo mais colorido e violento dos anos 30.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua nova fase, o integralismo continuou a se apoiar no anticomunismo, agora revitalizado com a guerra fria entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O PRP se orgulhava de ser o \u00fanico partido em que n\u00e3o entrava comunista \u2014 \u00e9 que, como o PCB continuava na ilegalidade, era comum que comunistas se infiltrassem em outros partidos, inclusive de direita, como na Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O anticomunismo, contudo, n\u00e3o impediu que o integralismo do p\u00f3s-Guerra se mostrasse mais pragm\u00e1tico e conciliador do que no tempo em que vestia camisas verdes. As alian\u00e7as do PRP inclu\u00edam pol\u00edticos do centro e at\u00e9 um nome da esquerda: Leonel Brizola. Dizendo que era \u201cchefe de uma doutrina\u201d e n\u00e3o de um partido pol\u00edtico espec\u00edfico, Pl\u00ednio Salgado chegou at\u00e9 a aceitar que pol\u00edticos integralistas eventualmente se candidatassem por outras legendas que n\u00e3o o PRP, rompendo com a estrat\u00e9gia tipicamente fascista de partido \u00fanico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O PRP nunca deixou de ser um partido nanico<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, mas pelo menos em um momento teve um papel relevante na hist\u00f3ria nacional: em 1955, quando a pequena candidatura presidencial de Pl\u00ednio Salgado acabou roubando alguns votos de outro candidato conservador, Juarez T\u00e1vora, da UDN, que acabaram sendo o suficiente para garantir a elei\u00e7\u00e3o de Juscelino Kubitschek.<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/Plinio_Salgado_1959.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; offset=&#8221;600px&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Pl\u00ednio Salgado em 1959, quando comandava o PRP, vers\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d do integralismo | Cr\u00e9dito: Arquivo Nacional&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O partido do integralismo se portou, na maior parte do tempo, como respeitador da ordem democr\u00e1tica. Menos em 1964, quando apoiou o golpe que deu origem a 21 anos de ditadura militar \u2014 mas, at\u00e9 a\u00ed, os partidos liberais tamb\u00e9m fizeram o mesmo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por sinal, um nome ligado ao integralismo teve papel central nos dois momentos do s\u00e9culo 20 em que a democracia brasileira foi suprimida. O general Olympio Mour\u00e3o Filho, que nos tempos de capit\u00e3o havia bolado o Plano Cohen, voltou \u00e0 cena golpista na madrugada de 31 de mar\u00e7o de 1964, quando, de pijama e roup\u00e3o, deu in\u00edcio \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es de seis mil militares rebelados sob seu comando, o que precipitou a derrubada do presidente Jo\u00e3o Goulart, tamb\u00e9m falsamente acusado de planejar um golpe comunista (sempre isso).<\/span><\/p>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Que fim levaram<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pl\u00ednio Salgado morreu em 1975, e com ele o integralismo. Na aus\u00eancia do l\u00edder que havia conduzido o movimento por tanto tempo, surgiu uma s\u00e9rie de grupos pequenos e descoordenados, disputando entre si o legado integralista. Essa fase ficou conhecida como neointegralismo, \u201cum espa\u00e7o conflituoso e repleto de disputas por poderes e representatividade\u201d, na defini\u00e7\u00e3o de Leandro Pereira Gon\u00e7alves e Odilon Caldeira Neto em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Fascismo em Camisas Verdes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pequenos e divididos, os grupos neointegralistas se limitaram, na maior parte do tempo, a fazer muita discuss\u00e3o pela internet e a se aproximar de alguns partidos, como o Prona e o PRTB. Em 2022, um simpatizante do sigma, Padre Kelmon, chegou a se lan\u00e7ar candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mas sem fazer refer\u00eancia ao integralismo. O \u00fanico momento recente em que os camisas-verdes\u00a0 chamaram aten\u00e7\u00e3o do grande p\u00fablico foi quando um grupo de integralistas jogou dois coquet\u00e9is molotov contra a sede da produtora do grupo de humor Porta dos Fundos, na noite de Natal de 2019, por causa de um v\u00eddeo considerado desrespeitoso \u00e0 figura de Cristo \u2014 e isso diz tudo sobre o alcance do neointegralismo neste s\u00e9culo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas das atuais fac\u00e7\u00f5es neointegralistas procuram reescrever a hist\u00f3ria e negar as liga\u00e7\u00f5es dos camisas-verdes com o fascismo, por causa da fama ruim que a ideologia adquiriu ap\u00f3s a Segunda Guerra. T\u00e3o ruim, por sinal, que hoje \u00e9 repudiada publicamente pela C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, que em 6 de novembro deste ano aprovou a lei 18.020\/2023, que criou o <\/span><a href=\"https:\/\/saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L18020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Dia do Combate ao Antissemitismo e Fascismo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, a partir de projeto dos vereadores Fabio Riva (PSDB), Cris Monteiro (Novo), Milton Leite (Uni\u00e3o), Fernando Holiday (PL), Rute Costa (PSDB), At\u00edlio Francisco (Republicanos), Adriano Santos (PSB) e Gilson Barreto (PSDB). A data \u00e9 celebrada em 9 de novembro, em refer\u00eancia \u00e0 Noite dos Cristais, em 1938, quando os nazistas promoveram uma s\u00e9rie de ataques contra a comunidade judaica na Alemanha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais de 90 anos ap\u00f3s a leitura do Manifesto de Outubro no Theatro Municipal, o que resta hoje do integralismo? Fizemos essa pergunta para os dois especialistas no tema ouvidos pela reportagem e as respostas foram divergentes. Para Renato Alencar Dotta, \u201co integralismo \u00e9 uma corrente que acaba em si mesma\u201d e que n\u00e3o deixou influ\u00eancia marcante, tornando-se apenas \u201cum pequeno afluente\u201d entre as tend\u00eancias que desembocaram no ambiente pol\u00edtico de hoje: \u201cA extrema-direita atual dialoga muito mais com outras fontes, como a ditadura militar, do que com o integralismo\u201d.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;&#034;A extrema-direita atual dialoga muito mais com outras fontes, como a ditadura militar, do que com o integralismo&#034;&#8221; cite=&#8221;Renato Alencar Dotta&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 Alexandre de Almeida indica uma importante heran\u00e7a no plano simb\u00f3lico: \u201cO integralismo n\u00e3o tem um legado material, mas \u00e9 relevante at\u00e9 hoje por ter feito um trabalho metapol\u00edtico muito eficiente e ajudado a manter vivas algumas express\u00f5es do conservadorismo brasileiro, como o bord\u00e3o \u2018Deus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u2019, muito sedutor e claro, que est\u00e1 na boca da direita hoje, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o do anticomunismo, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das express\u00f5es do conservadorismo brasileiro do tempo presente\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quanto a Jos\u00e9 Cyrillo, o combativo camisa-verde da CMSP em 1936 e 1937<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, continuou a militar no integralismo, como membro do Diret\u00f3rio Regional do PRP em S\u00e3o Paulo, que chegou a presidir. Quando a C\u00e2mara reabriu as portas, em 1948, no Palacete Prates, Cyrillo estava de volta, como vereador eleito pelo centrista PSD, com 1.619 votos. Nesse mandato, teve a companhia de outro integralista, Jo\u00e3o Carlos Fairbanks, pelo mesmo partido. Mais articulado do que antes, Cyrillo chegou a ser vice-presidente da Casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que n\u00e3o quer dizer que os demais pol\u00edticos tivessem se esquecido do que os integralistas haviam feito nos ver\u00f5es passados. <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2017\/10\/sao-paulo-na-tribuna.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Durante um debate acalorado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> na sess\u00e3o plen\u00e1ria de 3 de outubro de 1949, o vereador e futuro presidente da Rep\u00fablica J\u00e2nio Quadros n\u00e3o perdeu a chance de lacrar sobre seu colega Fairbanks, dizendo:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cVossa Excel\u00eancia \u00e9 fascista. Vossa Excel\u00eancia est\u00e1 proibido de falar em Constitui\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cMas n\u00e3o sou imbecil\u201d, reagiu Fairbanks, curiosamente sem negar a ofensa lan\u00e7ada por J\u00e2nio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cyrillo n\u00e3o voltou a ocupar outros cargos eletivos. Morreu em 1989, aos 77 anos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2013, os mandatos de Cyrillo e outros 19 vereadores cassados em 1937 foram <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-3-novembro2013\/no03-uma-correcao-na-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">simbolicamente restitu\u00eddos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, junto com os de outros vereadores vitimados por a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias ao longo do s\u00e9culo 20. Proposta e aprovada pela CMSP, a restitui\u00e7\u00e3o devolveu tamb\u00e9m os mandatos de 19 impedidos pela Justi\u00e7a Eleitoral de tomarem posse, em 1947, pela acusa\u00e7\u00e3o de serem comunistas (sempre isso), e de outros tr\u00eas cassados pela ditadura militar iniciada em 1964.\u00a0<\/span><\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/11\/placa-metalica-homenagem.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Placa em homenagem a vereadores cassados por a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias &#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, quem entra no Pal\u00e1cio Anchieta, atual sede da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, encontra o nome de Jos\u00e9 Cyrillo, ao lado de outros 41 vereadores, em uma placa de metal instalada no andar t\u00e9rreo. Resgatado, reparado e preservado pela mesma democracia que ele, um dia, sonhou destruir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Edi\u00e7\u00e3o: S\u00e2ndor Vasconcelos | <\/span><a href=\"mailto:sandor@saopaulo.sp.leg.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">sandor@saopaulo.sp.leg.br<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<pre style=\"margin-bottom: 40px\"><b>Texto atualizado em 30\/7\/25 - <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Diferente do que havia sido informado originalmente na reportagem, o fato de Jos\u00e9 Cyrillo ter sido eleito em 1948 pelo PSD, e n\u00e3o pelo PRP de Pl\u00ednio Salgado, n\u00e3o significa que tenha abandonado o integralismo. Na verdade, Cyrillo foi membro do diret\u00f3rio regional do PRP em S\u00e3o Paulo, que chegou a presidir. As informa\u00e7\u00f5es foram corrigidas. Agrade\u00e7o ao leitor Matheus Batista, que chamou a aten\u00e7\u00e3o para o erro.<\/span><\/pre>\n<h3 style=\"color: #045625;text-align: center\"><b>Saiba mais<\/b><\/h3>\n<h5 style=\"background-color: #045625;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong><b>Anais da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo<\/b><\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ANNAES DA CAMARA MUNICIPAL DE S\u00c3O PAULO, 1936. S\u00e3o Paulo: [s.n.], 1936. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/static\/atas_anais_cmsp\/anadig\/Volumes\/an1936.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/static\/atas_anais_cmsp\/anadig\/Volumes\/an1936.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ANNAES DA CAMARA MUNICIPAL DE S\u00c3O PAULO, 1937. S\u00e3o Paulo: [s.n.], v. 2, 1937. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/static\/atas_anais_cmsp\/anadig\/Volumes\/an1937.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/static\/atas_anais_cmsp\/anadig\/Volumes\/an1937.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"background-color: #045625;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Livros<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BERTONHA, Jo\u00e3o F\u00e1bio.<\/span><b> Fascismo, nazismo, integralismo.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BERTONHA, Jo\u00e3o F\u00e1bio. <\/span><b>Integralismo: problemas, perspectivas e quest\u00f5es historiogr\u00e1ficas.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Maring\u00e1: Eduem, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CALIL, Gilberto Grassi. <\/span><strong><a href=\"https:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/G-Calil-tese-doutorado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O integralismo no processo pol\u00edtico brasileiro<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400\"><strong> &#8211; o PRP entre 1945 e 1965: C\u00e3es de Guarda da Ordem Burguesa<\/strong>. Tese de doutorado. UFF \/ UNIOESTE, 2005.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CARNEIRO Maria Luiza Tucci; CROCI, Federico (org.). <\/span><b>Tempos de Fascismos: Ideologia, Intoler\u00e2ncia, Imagin\u00e1rio<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Edusp, 2010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CHAU\u00cd, Marilena. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Apontamentos para uma cr\u00edtica da A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, In: CHAU\u00cd, M &amp; FRANCO, M. S. C.<\/span><b> Ideologia e mobiliza\u00e7\u00e3o popular<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: CEDEC\/Paz e Terra, 1978.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DOTTA, Renato Alencar. <\/span><b>Elementos Verdes: Os Integralistas na Mira do DOPS (1938-1981).<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> S\u00e3o Paulo: Editora Todas as Musas, 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ECO, Umberto. <\/span><b>O Fascismo Eterno<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Editora Record, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GON\u00c7ALVES, Leandro Pereira; CALDEIRA NETO, Odilon. <\/span><b>O Fascismo em Camisas Verdes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MANECHINI, Luiz Casadei (org.). <\/span><b>S\u00e3o Paulo na Tribuna: primeira legislatura (1948-1951). <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Escola do Parlamento da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo, 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PRESTES, Ubirajara de Farias; BUONAVITA, Mar\u00edlia Gabriela. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Debate Pol\u00edtico na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo em 1936 e 1937: o integralismo e a liberal-democracia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. In: <\/span><b>Paulist\u00e2nia Eleitoral: Ensaios, Mem\u00f3rias, Imagens. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo, 2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">TRINDADE, H\u00e9lgio.<\/span><b> Integralismo: o fascismo brasileiro na d\u00e9cada de 30. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o Paulo: Difel, 1979.<\/span><\/p>\n<h5 style=\"background-color: #045625;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong><b>Podcasts<\/b><\/strong><\/span><\/h5>\n<p><a href=\"https:\/\/anchor.fm\/historia-fm\/episodes\/019-Integralismo-das-origens-ao-neofascismo-do-sculo-XXI-ea4a2t\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">HIST\u00d3RIA FM 019: Integralismo: das origens ao neofascismo do s\u00e9culo XXI<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Entrevistador: Icles Rodrigues. Entrevistado: Odilon Caldeira Neto. Leitura ObrigaHIST\u00d3RIA, 13 jan. 2020.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/lermot\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">LeRMOT &#8211; Laborat\u00f3rio de Estudos em Religi\u00e3o, Modernidade e Tradi\u00e7\u00e3o: Integralismo e neointegralismo. Uma conversa com Leandro Gon\u00e7alves Pereira e Odilon Caldeira Neto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Entrevistador: Rodrigo Coppe. Entrevistados: Leandro Gon\u00e7alves Pereira e Odilon Caldeira Neto. LeRMOT, ago. 2020.<\/span><\/p>\n<h5 style=\"background-color: #045625;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Site<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><a href=\"https:\/\/atlas.fgv.br\/capitulos\/periodo-vargas-1930-1945\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Atlas Hist\u00f3rico do Brasil &#8211; Per\u00edodo Vargas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas.<\/span><\/p>\n<div class=\"accordion\"><div id=\"accordions-99504\" class=\"accordions-99504 accordions\" data-accordions={&quot;lazyLoad&quot;:true,&quot;id&quot;:&quot;99504&quot;,&quot;event&quot;:&quot;click&quot;,&quot;collapsible&quot;:&quot;true&quot;,&quot;heightStyle&quot;:&quot;content&quot;,&quot;animateStyle&quot;:&quot;swing&quot;,&quot;animateDelay&quot;:1000,&quot;navigation&quot;:true,&quot;active&quot;:999,&quot;expandedOther&quot;:&quot;no&quot;}>\r\n                <div id=\"accordions-lazy-99504\" class=\"accordions-lazy\" accordionsId=\"99504\">\r\n                    <\/div>\r\n\r\n    <div class=\"items\"  style=\"display:none\" >\r\n    <p>Content missing<\/p>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n            <\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Fausto Salvadori | fausto@saopaulo.sp.leg.br Tudo seguia dentro dos conformes na cerim\u00f4nia de posse dos vereadores da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP) ao longo daquela manh\u00e3 de s\u00e1bado, em 9 de julho de 1936. 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