{"id":96734,"date":"2021-12-13T14:30:43","date_gmt":"2021-12-13T17:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/?p=96734"},"modified":"2023-09-13T17:21:28","modified_gmt":"2023-09-13T20:21:28","slug":"um-problema-monumental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/","title":{"rendered":"Um problema monumental"},"content":{"rendered":"<span class=\"span-reading-time rt-reading-time\" style=\"display: block;\"><span class=\"rt-label rt-prefix\">Tempo estimado de leitura: <\/span> <span class=\"rt-time\"> 21<\/span> <span class=\"rt-label rt-postfix\">minutos<\/span><\/span><p>Texto: Fausto Salvadori | <a href=\"mailto:fausto@saopaulo.sp.leg.br\">fausto@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/p>\n<p>Eles chegavam ateando fogo a povoa\u00e7\u00f5es inteiras, transformando fam\u00edlias em carne chamuscada, apenas para espalhar o terror entre os vizinhos e minar a vontade de resistir. N\u00e3o que sobreviver fosse melhor. Quem n\u00e3o era morto acabava transformado em escravo e se via obrigado a acompanhar seus sequestradores por jornadas de centenas de quil\u00f4metros, a p\u00e9. Crian\u00e7as que atrasavam a caminhada eram arrancadas de seus pais e assassinadas diante deles. O mesmo acontecia com os velhos, doentes e pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\">\n<div id=\"attachment_96796\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-96796\" class=\"wp-image-96796\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-178x300.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"588\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-178x300.jpg 178w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-609x1024.jpg 609w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-768x1291.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-914x1536.jpg 914w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon-400x672.jpg 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-96796\" class=\"wp-caption-text\">Est\u00e1tua de Anhanguera: bandeirantes representavam ideia de paulistas como \u201cra\u00e7a superior\u201d | Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento_ao_Anhanguera-trianon.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Est\u00e1tua de Anhanguera: bandeirantes representavam ideia de paulistas como \u201cra\u00e7a superior\u201d | Wikimedia Commons&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m de espalhar cad\u00e1veres por onde passavam, os assassinos ainda cortavam os bra\u00e7os de suas v\u00edtimas e os usavam para a\u00e7oitar os sobreviventes. Na defini\u00e7\u00e3o de uma testemunha, os matadores se comportavam &#8220;com tanta crueldade que n\u00e3o me parecem ser crist\u00e3os, matando as crian\u00e7as e os velhos que n\u00e3o conseguem caminhar, dando-os de comer a seus cachorros&#8221;.<\/p>\n\n<p>Essas matan\u00e7as n\u00e3o ocorreram nos territ\u00f3rios da Alemanha nazista dos anos 1940 e seus autores n\u00e3o usavam su\u00e1sticas, nem foram enforcados no Tribunal de Nuremberg. Foram narradas nas cartas de dois padres jesu\u00edtas, mencionadas no livro <em>Negros da Terra: \u00edndios e bandeirantes nas origens de S\u00e3o Paulo<\/em>, do historiador John Manuel Monteiro, e descrevem uma expedi\u00e7\u00e3o de bandeirantes sa\u00eddos de S\u00e3o Paulo para sequestrar e escravizar ind\u00edgenas guaranis, entre 1628 e 1632, na regi\u00e3o do atual estado do Paran\u00e1. No comando da expedi\u00e7\u00e3o e das chacinas, estava o bandeirante Ant\u00f4nio Raposo Tavares. Quando n\u00e3o estava desbravando as matas em busca de escravos e chicoteando pessoas com os membros arrancados de seus amigos e parentes, <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/bandeirantes-eles-desbravavam-o-sertao-e-faziam-leis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">atuava como vereador<\/a> da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP).<\/p>\n<p>Anos depois, Raposo Tavares voltaria a levar morte e destrui\u00e7\u00e3o para muito mais gente, ao comandar uma expedi\u00e7\u00e3o que percorreu mais de 10 mil quil\u00f4metros ao longo de tr\u00eas anos, entre 1648 e 1651, saindo da cidade de S\u00e3o Paulo, chegando ao Peru e descendo o Rio Amazonas. Foi uma jornada t\u00e3o impressionante que outro padre jesu\u00edta, Ant\u00f4nio Vieira, chamou-a de uma das viagens \u201cmais not\u00e1veis que at\u00e9 hoje se tem feito no mundo\u201d, ao mesmo tempo em que n\u00e3o deixava de denunciar os \u201chomic\u00eddios e latroc\u00ednios\u201d cometidos por aqueles homens, que narravam os massacres que cometiam \u201ccomo se contara uma a\u00e7\u00e3o muito louv\u00e1vel\u201d e falavam das pessoas que matavam \u201ccomo se referisse \u00e0s festas duma montaria, e n\u00e3o importavam mais as vidas dos \u00edndios que as dos javalis ou gamos\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, os bandeirantes s\u00e3o mais lembrados pelo car\u00e1ter desbravador de suas expedi\u00e7\u00f5es pelo interior do Brasil, como a \u201cbandeira dos limites\u201d de Raposo Tavares, do que pelo papel que tiveram na linha de frente do exterm\u00ednio ind\u00edgena. Esse processo <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\/atuacao\/povos-indigenas\/quem-sao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eliminou<\/a>, em quatro s\u00e9culos, 98% dos 3 milh\u00f5es de pessoas que viviam no Brasil antes da chegada dos europeus, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai). Nomes de bandeirantes batizaram as principais avenidas e rodovias que atravessam S\u00e3o Paulo e suas figuras inspiraram os maiores monumentos da cidade: das 12 mil toneladas do Monumento \u00e0s Bandeiras, erguido por Victor Brecheret no Parque Ibirapuera em 1953, at\u00e9 os 13 metros de argamassa, pedras, massa e trilho de bonde fundido com que J\u00falio Guerra construiu a est\u00e1tua de Borba Gato, em 1963, no bairro de Santo Amaro.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\">\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">LINHA DO TEMPO<\/span><\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n<h4 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">LINHA DO TEMPO<\/span><\/strong><\/h4>\n\n<\/div>\n<div class=\"infografico-desktop\" style=\"text-align: center\" align=\"center\">\n\n<!-- iframe plugin v.6.0 wordpress.org\/plugins\/iframe\/ -->\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1yZsFTf3KGoD1KJTavDrfwfBTogt8B6dr6t1sTDLDLAQ&#038;font=Default&#038;lang=pt-br&#038;initial_zoom=2&#038;height=750\" width=\"100%\" height=\"750\" 0=\"webkitallowfullscreen\" 1=\"mozallowfullscreen\" 2=\"allowfullscreen\" frameborder=\"0\" scrolling=\"yes\" class=\"iframe-class\"><\/iframe>\n\n<\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\" style=\"text-align: center\">\n\n<!-- iframe plugin v.6.0 wordpress.org\/plugins\/iframe\/ -->\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1yZsFTf3KGoD1KJTavDrfwfBTogt8B6dr6t1sTDLDLAQ&#038;font=Default&#038;lang=pt-br&#038;is_embed=true&#038;height=800&#038;initial_zoom=8&#038;timenav_mobile_height_percentage=10\" width=\"100%\" height=\"800\" 0=\"webkitallowfullscreen\" 1=\"mozallowfullscreen\" 2=\"allowfullscreen\" frameborder=\"0\" scrolling=\"yes\" class=\"iframe-class\"><\/iframe>\n\n<\/div>\n<p>As est\u00e1tuas ficaram imperturb\u00e1veis sobre seus pedestais por d\u00e9cadas, at\u00e9 que o hero\u00edsmo veio a ser contestado pelas vozes de negros e ind\u00edgenas, que se fizeram ouvir pela primeira vez em muitos anos. Em 2013, protestos dos povos guaranis fecharam a Rodovia dos Bandeirantes e pintaram o Monumento \u00e0s Bandeiras de vermelho, com picha\u00e7\u00f5es que diziam \u201cbandeirantes assassinos\u201d.<\/p>\n\n<p>O movimento que perturba o sono de m\u00e1rmore tornou-se uma revolta global ap\u00f3s uma cena ocorrida em 25 de maio de 2020, que durou 9 minutos e 29 segundos. Foi o tempo em que o joelho do policial branco Derek Chauvin permaneceu sobre o pesco\u00e7o do seguran\u00e7a negro George Floyd, que reclamou de n\u00e3o poder respirar e chamou pela m\u00e3e enquanto agonizava no meio-fio de uma rua em Minneapolis, nos EUA.<\/p>\n<p>Filmado pelo celular de uma adolescente de 16 anos que viveu ali o pior momento de sua vida, o v\u00eddeo serviu de estopim para uma onda de protestos antirracistas que, em v\u00e1rias partes do mundo, elegeu como um de seus alvos os monumentos que celebravam figuras ligadas \u00e0 escravid\u00e3o, ao colonialismo e ao imperialismo. Manifestantes ingleses atiraram num rio a est\u00e1tua do comerciante de escravos Edward Colston, belgas picharam um monumento ao rei colonialista Leopoldo II, colombianos derrubaram uma homenagem ao navegante Crist\u00f3v\u00e3o Colombo. No Brasil, o alvo foi um bandeirante: Borba Gato, incendiado numa a\u00e7\u00e3o do coletivo Revolu\u00e7\u00e3o Perif\u00e9rica, em 24 de julho deste ano.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel por gerir os monumentos paulistanos, a arquiteta Alice Am\u00e9rico, coordenadora do N\u00facleo de Monumentos e Obras Art\u00edsticas do Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico (DPH), da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de S\u00e3o Paulo, v\u00ea com bons olhos o debate levantado pelos grupos que questionam essas homenagens em pedra e m\u00e1rmore. Ela afirma que o papel do poder p\u00fablico \u00e9 ouvi-los: \u201cNum regime democr\u00e1tico, a popula\u00e7\u00e3o tem o direito a ser ouvida em todas as esferas\u201d.<\/p>\n\n<p>A arquiteta reconhece que falta representatividade nas escolhas das pessoas homenageadas. Segundo dados do DPH, mulheres, negros e ind\u00edgenas s\u00e3o retratados em apenas 5% dos monumentos nos espa\u00e7os p\u00fablicos da cidade. De 380 obras, apenas dez trazem mulheres, cinco homenageiam negros e outras cinco, ind\u00edgenas. Com uma curiosidade: tr\u00eas das est\u00e1tuas femininas retratam a mesma mulher (branca), a campe\u00e3 de t\u00eanis Maria Esther Bueno. \u201cA falta de diversidade \u00e9 um reflexo da sociedade da \u00e9poca em que se ergueram esses monumentos. As pessoas que estavam no poder eram os homens brancos e outros grupos n\u00e3o tinham o mesmo espa\u00e7o\u201d, afirma.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-monumentos-etnias-final-700px.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;700px&#8221; credit=&#8221;Arte: Leonardo Pedrazzoli\/CMSP&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Muitas das escolhas a respeito das personalidades que viraram nome de rua ou foram colocadas em pedestais passaram pela CMSP, e nisso refletiam a cara dos legisladores do seu tempo. Criada em 1560, a C\u00e2mara <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-6-marco-abril2014\/lugar-de-mulher-e-no-plenario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">levou quase 400 anos para ter uma mulher<\/a> na tribuna: Anna Lamberga Zeglio, que se tornou vereadora em 1952, quatro anos ap\u00f3s a Justi\u00e7a eleitoral ter impedido a posse da primeira vereadora eleita, Elisa Kauffmann Abramovich<a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/ela-nao-teve-medo-da-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">, por ser comunista<\/a>. A primeira mulher negra, <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/voz-negra-e-pioneira-nas-tribunas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Theodosina Ribeiro<\/a>, chegou \u00e0 Casa somente em 1968 e as primeiras pessoas trans, <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/blog\/erika-hilton-e-a-primeira-mulher-trans-eleita-como-vereadora-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Erika Hilton<\/a> (Psol) e Thammy Miranda (PL), apenas neste ano.<\/p>\n<p>Assim, ao debater sobre o legado das homenagens feitas nos nomes das ruas e nos monumentos das pra\u00e7as, a Casa encara um ajuste de contas com a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">O PESO DOS MONUMENTOS<\/span><\/strong><\/h3>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cA falta de diversidade \u00e9 um reflexo da sociedade da \u00e9poca que ergueu esses monumentos. As pessoas que estavam no poder eram os homens brancos e outros grupos n\u00e3o tinham o mesmo espa\u00e7o.\u201d&#8221; cite=&#8221;Alice Am\u00e9rico, coordenadora no DPH&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Mulheres, negros e ind\u00edgenas est\u00e3o certos ao reclamar por n\u00e3o se verem representados nos monumentos dos espa\u00e7os p\u00fablicos da cidade. Desde que surgiram, e isso em qualquer parte do mundo ocidental, essas obras foram pensadas de maneira autorit\u00e1ria e excludente, visando impor a vis\u00e3o de mundo de determinados grupos privilegiados. \u201cOs monumentos s\u00e3o um ato impositivo do Estado e de grupos muito pr\u00f3ximos dos n\u00facleos de poder do Estado\u201d, explica o historiador Paulo C\u00e9sar Garcez Marins, doutor em Hist\u00f3ria Social e chefe do Departamento de Acervo e Curadoria e presidente da Comiss\u00e3o de Pesquisa do Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cEles surgem em grande medida para apagar as diferen\u00e7as, para criar s\u00edmbolos que se tornem coletivos, nos espa\u00e7os p\u00fablicos, a partir dessas figura\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Os monumentos, como entendemos hoje, surgiram na Europa ocidental durante o s\u00e9culo 19, quando os Estados buscavam fortalecer a ideia de nacionalidade. Se antes nos espa\u00e7os p\u00fablicos predominavam as est\u00e1tuas dos reis das monarquias absolutas, quase sempre em cima de um cavalo e segurando uma espada, naquele momento as est\u00e1tuas passam a homenagear outras figuras heroicas, que buscavam representar a identidade de toda uma comunidade.<\/p>\n<p>Mascarar as diferen\u00e7as e fortalecer o conceito de \u201cum povo\u201d e de \u201cuma na\u00e7\u00e3o\u201d se tornava muito importante para as elites no momento em que explodia a dist\u00e2ncia entre ricos e pobres. \u201cO discurso nacional emerge no momento em que as economias e as sociedades est\u00e3o sendo brutalmente divididas, como nunca antes estiveram, pelo capitalismo\u201d, afirma Marins.<\/p>\n<p>O historiador analisa que \u201c\u00e9 \u00f3bvio que numa sociedade desigual, cheia de diferen\u00e7as e de diversidade, imaginar \u00edcones coletivos \u00e9 muito complicado\u201d. E conclui: \u201cPortanto, isso j\u00e1 tem no seu ber\u00e7o um problema. O que est\u00e1 acontecendo hoje no mundo \u00e9 que esse ato autorit\u00e1rio, de grupos que se imp\u00f5em a outros no mundo, n\u00e3o est\u00e1 sendo aceito de uma maneira passiva\u201d.<\/p>\n\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cNuma sociedade desigual, cheia de diferen\u00e7as e de diversidade, imaginar \u00edcones coletivos \u00e9 muito complicado.\u201d&#8221; cite=&#8221;Paulo C\u00e9sar Marins, historiador &#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Em S\u00e3o Paulo, as primeiras est\u00e1tuas em espa\u00e7os p\u00fablicos constru\u00eddas para homenagear pessoas, e n\u00e3o apenas para embelezar pra\u00e7as e parques, surgiram a partir dos anos 1910, segundo Alice Am\u00e9rico, do DPH. Instaladas sobre pedestais, eram figuras para serem vistas e admiradas por quem as olhava de baixo para cima. V\u00e1rias foram instaladas a partir de leis aprovadas na CMSP, como a que homenageia o pol\u00edtico e jurista <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L1572.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Mendes<\/a>, colocada na pra\u00e7a que tamb\u00e9m leva o seu nome, em 1913, ou a do pol\u00edtico e executivo de empresas ferrovi\u00e1rias <a href=\"http:\/\/saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L2484.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alfredo Maia<\/a>, em 1922, hoje na Pra\u00e7a J\u00falio Prestes. Em 1914, os vereadores aprovaram a lei <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L1801.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1.801<\/a>, que proibia \u201ca coloca\u00e7\u00e3o de hermas, est\u00e1tuas e quaisquer outros monumentos em logradouros p\u00fablicos, sem autoriza\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara\u201d.<\/p>\n<p>Na escolha dos homenageados, o prefeito e os vereadores buscavam atender aos desejos de determinados grupos influentes, como a Igreja Cat\u00f3lica, que em 1913 conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o da lei <a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L1725.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1.725<\/a>, que autorizou a Arquidiocese de S\u00e3o Paulo a construir um busto do bispo Jos\u00e9 de Camargo, morto tragicamente num naufr\u00e1gio. Outro grupo forte, a comunidade italiana, ergueu um conjunto de monumentos <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L2516.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em homenagem a Carlos Gomes<\/a>, compositor brasileiro que fez carreira na It\u00e1lia, na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo, em 1922, em meio \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es pelo centen\u00e1rio da independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Carlos_Gomes_statue_in_Fonte_dos_Desejos_Sao_Paulo.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Monumento a Carlos Gomes, erguido pela comunidade italiana | Foto: Wilfredor \/ Wikimedia Commons&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">IND\u00cdGENA DE MENTIRA E M\u00c3E PRETA<\/span><\/strong><\/h3>\n\n<p>Os vereadores tamb\u00e9m tiveram seu papel na instala\u00e7\u00e3o de monumentos pioneiros que retratavam negros e ind\u00edgenas. Em 1925, autorizado pela <a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L2882.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei 2.882<\/a>, o prefeito Firmiano de Morais Pinto comprou um grupo de est\u00e1tuas de bronze e granito, do escultor Francisco Leopoldo e Silva, que retrata uma cena do romance <em>Ubirajara<\/em>, de Jos\u00e9 de Alencar, em que o protagonista derrota um advers\u00e1rio, Pojuc\u00e3 \u2014 \u00e9 significativo pensar que uma das poucas a\u00e7\u00f5es violentas a aparecer num monumento paulistano ocorra entre dois ind\u00edgenas.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\">\n<div id=\"attachment_96794\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-96794\" class=\"wp-image-96794\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo-400x711.jpg 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-96794\" class=\"wp-caption-text\">Ubirajara: ind\u00edgena fict\u00edcio, criado e esculpido por brancos | Foto: Rodrigo C. Dangelo \/ Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/estatua-Ubirajara-Rodrigo-C-Dangelo.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Ubirajara: ind\u00edgena fict\u00edcio, criado e esculpido por brancos | Foto: Rodrigo C. Dangelo \/ Wikimedia Commons&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<\/div>\n<p>Instalado no ano seguinte na Avenida Paulista (e mais tarde levado para o Largo Ubirajara, na Quarta Parada), tornou-se o primeiro monumento da cidade para um ind\u00edgena. Ainda que fosse um personagem de fic\u00e7\u00e3o, imaginado por um autor branco e esculpido por um artista branco. Mais uma evid\u00eancia de como os povos ind\u00edgenas n\u00e3o tinham vez nas representa\u00e7\u00f5es da cidade nem quando o assunto eram eles pr\u00f3prios.<\/p>\n\n<p>Os negros, por sua vez, conseguiram cavar seu espa\u00e7o entre a branquitude dos monumentos, mas s\u00f3 depois de muita luta. No caso, com um papel ativo da C\u00e2mara Municipal. A proposta de uma escultura para homenagear as m\u00e3es negras foi feita inicialmente pelos movimentos negros ainda nos anos 20, mas acabou esquecida, por falta de apoio, e foi retomada tr\u00eas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Em 1953, logo ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do Monumento \u00e0s Bandeiras, o coletivo negro Clube 220 enviou \u00e0 CMSP um abaixo-assinado com 500 nomes que pediam a constru\u00e7\u00e3o de um monumento \u00e0 M\u00e3e Preta no Largo do Pai\u00e7andu, pr\u00f3ximo \u00e0 Igreja Nossa Senhora dos Ros\u00e1rios dos Homens Pretos. Os vereadores aprovaram a ideia e, por meio da <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/leis\/L4414.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei 4.414<\/a>, autorizaram a constru\u00e7\u00e3o, solicitando \u00e0 Prefeitura a abertura de uma concorr\u00eancia p\u00fablica para escolher o escultor.<\/p>\n<p>O concurso de maquetes acabou vencido por um artista branco, J\u00falio Guerra, o mesmo que, mais tarde, faria a est\u00e1tua do Borba Gato. Inaugurada em 1955, a M\u00e3e Preta se tornou uma refer\u00eancia da comunidade negra de S\u00e3o Paulo, que frequentemente lhe entrega velas e flores.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Julio_Guerra_-_Mae_Preta_Paicandu.jpeg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;700px&#8221; credit=&#8221;Monumento \u00e0 M\u00e3e Preta no Largo do Pai\u00e7andu | Foto: Dornicke \/ Wikimedia Commons&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">MONUMENTOS AO RACISMO<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>A M\u00e3e Preta foi uma exce\u00e7\u00e3o. De modo geral, os monumentos continuavam sendo impostos de cima para baixo, com o objetivo de criar um imagin\u00e1rio capaz de fortalecer as elites locais. Tanto o centen\u00e1rio do Brasil independente, em 1922, como os 400 anos da cidade de S\u00e3o Paulo, em 1954, inspiraram a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de est\u00e1tuas destinadas a celebrar a tradi\u00e7\u00e3o da elite paulistana e, com base nela, a sua capacidade para conduzir os rumos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com esse esp\u00edrito, fazia todo sentido trazer para os pedestais os bandeirantes, figuras que os estudiosos paulistas vinham se esfor\u00e7ando, desde o s\u00e9culo anterior, para transformar em her\u00f3is. Um dos primeiros monumentos foi a est\u00e1tua de Anhanguera, constru\u00edda em 1924 a pedido do historiador Affonso Taunay, diretor do Museu Paulista e um dos respons\u00e1veis por espalhar a imagem dos bandeirantes como intr\u00e9pidos desbravadores, que haviam alargado as fronteiras do Brasil.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-96840\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-119x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"931\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-119x300.png 119w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-407x1024.png 407w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-768x1932.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-611x1536.png 611w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-814x2048.png 814w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas-400x1006.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas.png 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-indigenas.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<\/div>\n<p>\u201cA saga bandeirante foi retomada em todos os momentos em que houve necessidade de ampliar\/defender a quest\u00e3o da identidade paulista\u201d, afirma Raquel Glezer, professora em\u00e9rita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FFLCH\/USP) e docente titular de metodologia da hist\u00f3ria e teoria da hist\u00f3ria. \u201cSe formos retirar todos os monumentos e logradouros com o nome \u2018bandeirante\u2019, especialmente no estado de S\u00e3o Paulo, estaremos destruindo um interessante processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade\u201d que, segundo ela, remete aos primeiros livros sobre a hist\u00f3ria paulista, escritos no s\u00e9culo 18. Tais publica\u00e7\u00f5es j\u00e1 exaltavam os bandeirantes como \u201cseres heroicos, antepassados, que criaram a \u2018nobreza da terra\u2019, que expandiram o dom\u00ednio portugu\u00eas pelo territ\u00f3rio americano e defenderam-no contra os inimigos\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, essa vis\u00e3o dos bandeirantes como uma esp\u00e9cie de her\u00f3is da Marvel do Brasil colonial \u00e9 contestada por diversos autores. Em um livro j\u00e1 mencionado aqui, <em>Negros da Terra: \u00edndios e bandeirantes nas origens de S\u00e3o Paulo<\/em>, publicado em 1994, John Manuel Monteiro, doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade de Chicago, afirma que, \u201cao inv\u00e9s de contribu\u00edrem diretamente para a ocupa\u00e7\u00e3o do interior pelos colonizadores\u201d, as incurs\u00f5es dos bandeirantes \u201cconcorreram antes para a devasta\u00e7\u00e3o de in\u00fameros povos nativos\u201d e significaram uma a\u00e7\u00e3o \u201ctragicamente despovoadora\u201d. No tempo em que os monumentos aos bandeirantes foram erguidos, era diferente: a elite paulistana ignorava os crimes cometidos e buscava fazer daquelas figuras a encarna\u00e7\u00e3o do que significava ser paulista.<\/p>\n<p>Se em boa parte do s\u00e9culo 19 o bandeirante havia sido visto pela intelectualidade da Corte, no Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Brasil, como \u201cum famigerado ca\u00e7ador de \u00edndios, s\u00edntese dos piores v\u00edcios do colonizador\u201d, os paulistas reunidos no Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de S\u00e3o Paulo procuravam fazer um <em>rebranding<\/em> identit\u00e1rio dos seus antepassados, at\u00e9 conseguir \u201ctransformar o que era contra-hist\u00f3ria em hist\u00f3ria oficial\u201d, explica o historiador Danilo J. Zioni Ferretti no artigo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/eh\/a\/TKWCC34VqQCDDJsXQVS4XTg\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O uso pol\u00edtico do passado bandeirante<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Se formos retirar todos os monumentos e logradouros com o nome \u2018bandeirante\u2019 estaremos destruindo um interessante processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade.\u201d&#8221; cite=&#8221;Raquel Glezer, historiadora&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Animada pela riqueza rec\u00e9m-adquirida com o plantio do caf\u00e9, a elite local buscava usar o mito do bandeirantismo desbravador para provar que os paulistas eram \u201cantes de tudo, uma avis rara, uma \u2018exce\u00e7\u00e3o de progresso\u2019 em meio aos demais brasileiros (com destaque para os \u2018nortistas\u2019), vistos como ap\u00e1ticos e dependentes do governo\u201d. Assim, seriam os mais aptos a impor ao Brasil seu projeto de pa\u00eds, uma vers\u00e3o de democracia sem participa\u00e7\u00e3o das massas, \u201camericanista, liberal, excludente e autorit\u00e1ria\u201d. Nos anos 20 do s\u00e9culo passado, historiadores paulistas defendiam com todas as letras que os descendentes dos bandeirantes faziam parte de uma ra\u00e7a superior. Enquanto Oliveira Vianna descrevia o bandeirante como racialmente superior, por supostamente ser um branco de origem europeia, \u201co mais fiel representante do tipo ariano germ\u00e2nico do Brasil\u201d, Alfredo Ellis J\u00fanior reconhecia que os bandeirantes eram mesti\u00e7os, mas afirmava que \u201ca mesti\u00e7agem paulista havia sido a \u00fanica a dar certo\u201d, por ter dado origem uma \u201csub-ra\u00e7a\u201d nova e aprimorada.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o racista presente em v\u00e1rios dos monumentos relativos ao tema, inclusive no mais famoso deles. \u201cO Monumento \u00e0s Bandeiras \u00e9 um documento sobre o racismo\u201d, afirma Paulo Garcez Marins. E n\u00e3o apenas por representar bandeirantes, mas pela forma como escolheu faz\u00ea-lo. \u201cAli, claramente est\u00e1 representada uma desigualdade racial. Os brancos est\u00e3o na frente, os \u00edndios e mamelucos no meio e os negros atr\u00e1s, empurrando a canoa\u201d, aponta. A desigualdade de g\u00eanero tamb\u00e9m est\u00e1 bem marcada na pedra, com a \u00fanica crian\u00e7a sendo levada pela m\u00e3e e a presen\u00e7a s\u00f3 de mulheres ind\u00edgenas, refletindo a natureza desigual e violenta da mesti\u00e7agem brasileira.<\/p>\n<p>\u201cOs monumentos serviram para criar uma lembran\u00e7a totalmente constru\u00edda sobre os bandeirantes\u201d, explica o muse\u00f3logo Thomas Nizio. \u201cEssa ideia de que eram desbravadores e buscavam abrir fronteiras \u00e9 totalmente anacr\u00f4nica, criada no s\u00e9culo 20. N\u00e3o eram desbravadores, eram escravistas. Os bandeirantes estavam l\u00e1 para produzir m\u00e3o de obra para a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da col\u00f4nia\u201d, define o historiador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) e membro do coletivo Hist\u00f3ria a Contrapelo, que busca \u201cdesinterditar o debate sobre hist\u00f3ria e mem\u00f3ria no Brasil\u201d. O nome do coletivo se inspira na obra do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Walter Benjamin, para quem \u201cnunca houve um monumento da cultura que n\u00e3o fosse tamb\u00e9m um monumento da barb\u00e1rie\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">HERAN\u00c7A INC\u00d4MODA<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Se durante d\u00e9cadas o car\u00e1ter racista e excludente de tantos monumentos foi encarado com naturalidade, isso come\u00e7ou a mudar quando negros, mulheres, ind\u00edgenas, trabalhadores e representantes de movimentos sociais chegaram aos espa\u00e7os de poder. \u00c9 o caso da vereadora Luana Alves (Psol), eleita no ano passado.<\/p>\n<p>Negra, Alves \u00e9 um rosto diferente daqueles que costumam ocupar as tribunas da C\u00e2mara paulistana. At\u00e9 o ano passado, a CMSP havia <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-6-marco-abril2014\/lugar-de-mulher-e-no-plenario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eleito apenas duas mulheres negras<\/a> em toda a sua hist\u00f3ria: Theodosina Ribeiro, em 1968, e Claudete Alves, em 2002. A elei\u00e7\u00e3o de 2020 marcou um ponto de virada, ao receber quatro: al\u00e9m de Luana Alves, Erika Hilton (Psol), Elaine Mineiro (Psol) e Sonaira Fernandes (Republicanos). Ao entrar num espa\u00e7o que at\u00e9 ent\u00e3o havia sido quase que s\u00f3 branco e masculino, Luana Alves se chocou com as homenagens aos bandeirantes presentes no seu novo local de trabalho.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-96842\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-97x300.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"1140\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-97x300.png 97w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-332x1024.png 332w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-768x2366.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-499x1536.png 499w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-665x2048.png 665w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras-400x1232.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras.png 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-estatuas-negras.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<\/div>\n<p>Ela conta que achou \u201cbastante bizarro\u201d ver as paredes do Sal\u00e3o Nobre da C\u00e2mara ocupadas pelos quadros <em>Colonizadores da Cidade de S\u00e3o Paulo<\/em> e <em>Partida dos Bandeirantes<\/em>, pintados por Cl\u00f3vis Graciano em 1969. \u201cMostra apenas os brancos em posi\u00e7\u00e3o de destaque, todos com nome, e os \u00edndios e negros em segundo plano\u201d, descreve. Nas telas, de dez figuras nomeadas em primeiro plano, tr\u00eas s\u00e3o de ind\u00edgenas, todos aliados da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa (Tibiri\u00e7\u00e1, sua filha Bartira e seu irm\u00e3o Caiubi). Os negros est\u00e3o todos em segundo plano, sem nome, levando cargas pesadas. \u201cIsso n\u00e3o cabe numa casa do povo\u201d, lamenta.<\/p>\n\n<p>N\u00e3o foi a primeira vez que algu\u00e9m na C\u00e2mara questionou a heran\u00e7a colonialista da Casa. \u00c9 uma heran\u00e7a forte, presente no pr\u00f3prio nome da atual sede da CMSP, o Pal\u00e1cio Anchieta, inaugurada em 1969. A exemplo de outros jesu\u00edtas, embora se opusesse \u00e0 brutalidade dos bandeirantes, Anchieta n\u00e3o deixava de apoiar a escraviza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em determinadas circunst\u00e2ncias, como uma forma de acolh\u00ea-los \u201cna bandeira de Cristo\u201d.<\/p>\n<p>Outra dessas heran\u00e7as faz uma celebra\u00e7\u00e3o dos bandeirantes e da escraviza\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. Trata-se de uma inscri\u00e7\u00e3o, presente desde a inaugura\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio Anchieta, no m\u00e1rmore da parede do Audit\u00f3rio Externo Freitas Nobre, que menciona o crescimento de S\u00e3o Paulo gra\u00e7as aos esfor\u00e7os dos \u201caventurosos bandeirantes \u00e0 busca de ouro, \u00edndios e diamantes\u201d. Em 2002, o ent\u00e3o vereador Nabil Bonduki apresentou o <a href=\"http:\/\/documentacao.\/iah\/fulltext\/projeto\/PR0012-2002.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto de resolu\u00e7\u00e3o 12<\/a>, que determinava a retirada do texto. \u201c\u00c9 inaceit\u00e1vel que uma institui\u00e7\u00e3o que acolhe e representa o povo mantenha uma inscri\u00e7\u00e3o que perpetua uma vis\u00e3o preconceituosa contra os povos oprimidos\u201d, escreveu na <a href=\"http:\/\/documentacao.\/iah\/fulltext\/justificativa\/JPR0012-2002.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">justificativa<\/a>. O projeto n\u00e3o chegou a ser votado.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cMostra apenas os brancos em posi\u00e7\u00e3o de destaque, todos com nome, e os \u00edndios e negros em segundo plano. Isso n\u00e3o cabe numa casa do povo.\u201d&#8221; cite=&#8221;LUANA ALVES, VEREADORA, SOBRE PAIN\u00c9IS NO SAL\u00c3O NOBRE DO PAL\u00c1CIO ANCHIETA&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>O car\u00e1ter colonialista presente em parte do acervo art\u00edstico da Casa \u00e9 reconhecido no pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/memoria\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2017\/03\/livro_acervo_artistico_cmsp.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cat\u00e1logo das obras<\/a>, publicado em 2016. Sobre o quadro <em>Institui\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo<\/em>, pintado em 1915 por Ant\u00f4nio Parreiras, o texto da pesquisadora L\u00facia Kl\u00fcck Stumpf chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de o artista ter retratado crian\u00e7as ind\u00edgenas como brancas, um recurso \u201cutilizado pelo pintor para ressaltar sua condi\u00e7\u00e3o de subjuga\u00e7\u00e3o\u201d e que \u201cn\u00e3o guardaria um vi\u00e9s positivo de aproxima\u00e7\u00e3o com a ra\u00e7a dominante\u201d, mas seria um \u201csigno de acultura\u00e7\u00e3o e perda de caracter\u00edsticas de identidade\u201d das nativas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nelas qualquer gesto de resist\u00eancia ou altivez nesses pequenos nativos, s\u00f3 passividade e submiss\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Luana Alves defende que \u00e9 necess\u00e1rio repensar os mitos deixados pelo passado para poder lutar contra a desigualdade social e racial do presente. Por isso, apresentou neste ano o <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/projeto\/PL0047-2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto de lei 47<\/a>, apelidado \u201cSP \u00e9 Solo Preto e Ind\u00edgena\u201d, juntamente com Erika Hilton (Psol), Silvia da Bancada Feminista (Psol), Professor Toninho Vespoli (Psol), Carlos Bezerra Jr. (PSDB), Juliana Cardoso (PT) e Eduardo Suplicy (PT), que estimula a participa\u00e7\u00e3o de negros e ind\u00edgenas na gest\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural do munic\u00edpio e determina a retirada de nomes de vias e de monumentos com homenagens a \u201cescravocratas, nazistas e eugenistas\u201d.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da vereadora, uma est\u00e1tua como a de Borba Gato \u201cviolenta a popula\u00e7\u00e3o da cidade inteira\u201d, em especial as popula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas. \u201cImaginem se coloc\u00e1ssemos, na entrada de Higien\u00f3polis, uma est\u00e1tua do Hitler. Isso faria sentido? N\u00e3o seria um desrespeito com a popula\u00e7\u00e3o judaica? Ent\u00e3o, por que h\u00e1 est\u00e1tuas de colonizadores, de escravizadores e de violentadores em bairros na cidade de S\u00e3o Paulo onde mora a popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena?\u201d, perguntou na tribuna.<\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;96904&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>\u00c9 um debate que pega em v\u00e1rias feridas, segundo ela, porque significa questionar privil\u00e9gios. \u201cPara muitos na C\u00e2mara Municipal, questionar figuras que s\u00e3o expoentes de processos de coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 questionar suas pr\u00f3prias fam\u00edlias, seus pr\u00f3prios grupos sociais, ou questionar sua pr\u00f3pria pertin\u00eancia num espa\u00e7o de poder.\u201d<\/p>\n<p>Para elaborar o projeto, a vereadora afirma ter se inspirado em legisla\u00e7\u00f5es semelhantes de outros pa\u00edses, que tamb\u00e9m buscaram rever o pior do seu passado. \u201cA \u00c1frica do Sul, em diversas cidades, tem leis para n\u00e3o fazer homenagem ao apartheid. Berlim tem uma lei muito sofisticada sobre homenagem a nazista. Na Am\u00e9rica Latina tem muito pouco, porque sempre se naturalizaram os processos de viol\u00eancia colonizadora.\u201d<\/p>\n<p>De um projeto curto que previa apenas a retirada dos monumentos, o PL incorporou sugest\u00f5es de especialistas e movimentos sociais e ganhou uma nova vers\u00e3o, em <a href=\"https:\/\/splegisconsulta.\/Home\/AbrirDocumento?pID=304317\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">substitutivo<\/a>, que busca estimular a participa\u00e7\u00e3o popular na gest\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Tamb\u00e9m prev\u00ea a produ\u00e7\u00e3o de materiais did\u00e1ticos e paradid\u00e1ticos sobre a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena e a promo\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de monumentos e nomes de ruas ligados a \u201cescravocratas, nazistas e eugenistas\u201d, a partir da an\u00e1lise de um conselho formado por representantes do Estado e da sociedade civil.<\/p>\n\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">O QUE FAZER?<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Os bandeirantes estiveram na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed em 2019, no desfile vencedor. Como parte do enredo Hist\u00f3ria para ninar gente grande, da Mangueira, o carro aleg\u00f3rico favorito do carnavalesco Leandro Vieira, chamado O sangue retinto por tr\u00e1s do her\u00f3i emoldurado, trazia uma representa\u00e7\u00e3o do Monumento \u00e0s Bandeiras que ecoava o protesto realizado pelos guaranis em 2013, com as imagens cobertas de vermelho e acompanhadas de faixas com os dizeres \u201cassassinos\u201d e \u201cladr\u00f5es\u201d. Aos p\u00e9s do monumento, caveiras e l\u00e1pides cenogr\u00e1ficas relembravam as v\u00edtimas dos her\u00f3is paulistas.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-96838\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-342x1024.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"1107\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-342x1024.png 342w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-100x300.png 100w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-768x2298.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-513x1536.png 513w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-684x2048.png 684w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno-400x1197.png 400w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno.png 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/info-maria-esther-bueno.png&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<\/div>\n<p>\u201cDesde 1500 tem mais invas\u00e3o do que descobrimento \/ Tem sangue retinto pisado \/ Atr\u00e1s do her\u00f3i emoldurado \/ Mulheres, tamoios, mulatos \/ Eu quero um pa\u00eds que n\u00e3o est\u00e1 no retrato\u201d, dizia o samba-enredo. A vit\u00f3ria alcan\u00e7ada pela Mangueira mostrou a for\u00e7a de uma proposta que buscou denunciar a viol\u00eancia e o racismo dos her\u00f3is celebrados pela hist\u00f3ria oficial e resgatar o legado de outros personagens negros, ind\u00edgenas e pobres, para sonhar um Brasil mais justo e menos desigual, \u201cum pa\u00eds que n\u00e3o est\u00e1 no retrato\u201d.<\/p>\n<p>O ato de destruir as imagens de velhos her\u00f3is como um rito de passagem em busca de algo novo \u00e9 t\u00e3o antigo quanto as pr\u00f3prias est\u00e1tuas. \u201cAs quest\u00f5es de remo\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas e monumentos, ao contr\u00e1rio do que geralmente se pensa, s\u00e3o antigas, milenares\u201d, conta a historiadora Raquel Glezer.<\/p>\n<p>Ainda no antigo Egito, governantes costumavam se apropriar de imagens feitas para seus antecessores, apagando nomes ou mesmo trocando as cabe\u00e7as das est\u00e1tuas, isso quando n\u00e3o derrubavam tudo e mandavam reconstruir do zero algo que tivesse sua cara. Na Idade M\u00e9dia, o cristianismo n\u00e3o fez por menos e destruiu est\u00e1tuas de antigos imperadores e de deuses considerados pag\u00e3os, \u00e0s vezes reaproveitando locais ou materiais para construir as suas pr\u00f3prias est\u00e1tuas. Durante o Imp\u00e9rio Bizantino, um grupo de crist\u00e3os passou a destruir est\u00e1tuas, quadros e igrejas de outros crist\u00e3os: era o movimento iconoclasta, que considerava o uso de imagens religiosas como pecado de idolatria.<\/p>\n<p>\u201cTais atos destrutivos sempre foram considerados pelos estudiosos, mais especialmente arque\u00f3logos e historiadores, como um ritual de passagem: a destrui\u00e7\u00e3o do velho para a chegada de algo novo: novos governantes, novas tecnologias, novo grupo social emergente e\/ou dominante, novos interesses na sociedade\u201d, define Glezer.Quando negros e povos origin\u00e1rios destroem os s\u00edmbolos do racismo como um ritual de passagem para um mundo mais justo e menos desigual, a remo\u00e7\u00e3o de monumentos dos espa\u00e7os p\u00fablicos surge como uma solu\u00e7\u00e3o, adotada em v\u00e1rios pa\u00edses. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Outras possibilidades incluem a constru\u00e7\u00e3o de mais monumentos, representando comunidades e grupos que estiveram historicamente ausentes desses espa\u00e7os, ou a mudan\u00e7a na forma como os j\u00e1 existentes s\u00e3o apresentados ao p\u00fablico, por meio de cartazes e totens, de debates p\u00fablicos e de interven\u00e7\u00f5es que busquem discutir seu significado hist\u00f3rico.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/bandeirantes.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Cena do quadrinho Xondaro, de Vitor Flynn Paciornik, mostra protesto ind\u00edgena no Monumento \u00e0s Bandeiras, em 2013 \/ Cr\u00e9dito: Victor Flynn Paciornik&#8221; alt=&#8221;Cena do quadrinho Xondaro, de Victor Flynn Paciornik, mostra protesto ind\u00edgena no Monumento \u00e0s Bandeiras, em 2013 &#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Alice Am\u00e9rico afirma que, nos \u00faltimos anos, o Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico adotou muitas dessas solu\u00e7\u00f5es para abrir debate com o p\u00fablico sobre o legado do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. No ano passado, a mostra <em>Vozes contra o racismo<\/em> promoveu proje\u00e7\u00f5es de artistas e coletivos sobre determinados monumentos para questionar o seu legado racista: o Monumento \u00e0s Bandeiras, por exemplo, recebeu uma proje\u00e7\u00e3o que dizia \u201cBrasil Terra Ind\u00edgena\u201d, criada pelo artista Denilson Beniwa.<\/p>\n<p>Neste ano, a Secretaria Municipal de Cultura contratou cinco escultores negros \u2014 Newton Santana, N\u00e9ia Ferreira, Alex Hornet, L\u00eddia Lisboa e Leandro J\u00fanior \u2014 para construir monumentos de cinco personalidades negras: o m\u00fasico Geraldo Filme, que receber\u00e1 uma est\u00e1tua na Barra Funda; a escritora Carolina Maria de Jesus, no Parque Linear Parelheiros; o bicampe\u00e3o ol\u00edmpico Adhemar Ferreira da Silva, em Santana; a ativista e sambista Deolinda Madre, a Madrinha Eunice, na Liberdade; e o m\u00fasico Itamar Assump\u00e7\u00e3o, na Penha. A aprova\u00e7\u00e3o dessas constru\u00e7\u00f5es \u00e9 feita pela Comiss\u00e3o de Gest\u00e3o de Obras e Monumentos Art\u00edsticos em Espa\u00e7os P\u00fablicos, que, desde 2002, tem a fun\u00e7\u00e3o de aprovar, em di\u00e1logo com a comunidade, a instala\u00e7\u00e3o ou remo\u00e7\u00e3o de obras. Segundo Alice Am\u00e9rico, a comiss\u00e3o ainda n\u00e3o analisou um pedido de retirada de monumento.<\/p>\n<p>A releitura sobre o papel dos monumentos feita pelo poder p\u00fablico, por historiadores e por movimentos sociais \u00e9 considerada \u201ccompletamente lastim\u00e1vel\u201d pelo vereador Rubinho Nunes (PSL), para quem \u201cpessoas do per\u00edodo de 1600, de 1700, tiveram um papel hist\u00f3rico important\u00edssimo n\u00e3o apenas para a hist\u00f3ria da cidade de S\u00e3o Paulo, mas para o Estado, o Brasil e o mundo\u201d. Para ele, n\u00e3o se pode questionar a mem\u00f3ria dessas pessoas e p\u00f4r em xeque o trabalho que teriam feito por S\u00e3o Paulo. \u201cToda a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, o papel hist\u00f3rico, o trabalho que essas pessoas tiveram para que pud\u00e9ssemos colher tudo que colhemos e o que somos hoje por conta delas vai para a lata do lixo\u201d, afirmou, em discurso no plen\u00e1rio.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cToda a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, o papel hist\u00f3rico, o trabalho que essas pessoas tiveram para que pud\u00e9ssemos colher tudo que colhemos e o que somos hoje por conta delas vai para a lata do lixo.\u201d&#8221; cite=&#8221;Rubinho Nunes, vereador&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Mesmo reconhecendo que a remo\u00e7\u00e3o de monumentos possa ser vista como um ritual de passagem, Raquel Glezer n\u00e3o aprova a ideia. \u201cN\u00e3o sei se a destrui\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas de bandeirantes soluciona as quest\u00f5es mais prementes da sociedade brasileira\u201d, reflete. Ela acha melhor \u201cconstruir um processo hist\u00f3rico explicativo do que eram os seres humanos que exploraram o territ\u00f3rio americano\u201d, compreendendo os condicionamentos e limites com que viviam.<\/p>\n<p>Para Glezer, o manto da culpa pela coloniza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o \u00e9 grande demais: envolve as monarquias europeias, a Igreja Cat\u00f3lica, exploradores, cientistas, enfim, \u201ctodos os seres humanos que viveram entre os s\u00e9culos 17 e nossos dias\u201d. Na sua vis\u00e3o, \u201catos indefens\u00e1veis diante da Humanidade devem ser estudados e conhecidos, para evitar sua repeti\u00e7\u00e3o como parte do processo educacional humano\u201d.<\/p>\n<p>Outros historiadores pensam de maneira diferente. Para Thomas Nizio, quem se apega a figuras como as dos bandeirantes celebra um passado heroico imagin\u00e1rio, agindo como o personagem Dom Quixote, do escritor espanhol Miguel de Cervantes, que admirava her\u00f3is dos romances de cavalaria como se fossem reais. \u201cOs conservadores s\u00e3o v\u00e1rios Dom Quixotes unidos por uma loucura coletiva sobre um passado que nunca existiu\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Nizio explica que, bem antes de a est\u00e1tua de Borba Gato ser incendiada, os museus de todo o mundo j\u00e1 vinham discutindo o car\u00e1ter colonizador desses espa\u00e7os, dando origem, a partir dos anos 70, \u00e0 chamada \u201cnova museologia\u201d, tema do seu mestrado na Universidade de Bras\u00edlia. \u00c9 um movimento que busca criar museus pensados n\u00e3o pelas elites, mas integrados \u00e0s comunidades onde est\u00e3o inseridos, como o Museu da Favela e o Museu da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro. \u00a0Tamb\u00e9m busca repensar a forma como os museus tradicionais apresentam e debatem seu acervo, para estimular o debate com diferentes popula\u00e7\u00f5es sobre seu significado. \u201cOs museus est\u00e3o abertos a esse debate h\u00e1 bastante tempo, mas com as est\u00e1tuas das pra\u00e7as p\u00fablicas demora mais para as mudan\u00e7as acontecerem\u201d, diz.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cOs conservadores s\u00e3o v\u00e1rios Dom Quixotes unidos por uma loucura coletiva sobre um passado que nunca existiu.\u201d&#8221; cite=&#8221;Thomas Nizio, historiador&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>A remo\u00e7\u00e3o de monumentos que perderam o sentido n\u00e3o tem nada a ver com apagar a hist\u00f3ria, afirma Nizio, mas sim uma a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cO Muro de Berlim era um patrim\u00f4nio e ningu\u00e9m disse que derrub\u00e1-lo era apagamento da hist\u00f3ria. A queda do muro estar\u00e1 registrada at\u00e9 onde a nossa sociedade caminhar. O inc\u00eandio do Borba Gato tamb\u00e9m far\u00e1 parte dos livros\u201d, compara. Ele v\u00ea na educa\u00e7\u00e3o um papel fundamental para obter mudan\u00e7as, citando o exemplo belga. \u201cQuando a est\u00e1tua de Leopoldo II foi atacada na B\u00e9lgica, a maioria da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava consciente dos crimes que ele havia cometido no Congo e n\u00e3o viu mais sentido em manter a est\u00e1tua.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo denunciando o racismo presente em v\u00e1rias das representa\u00e7\u00f5es heroicas colocadas em pedestais nas pra\u00e7as de S\u00e3o Paulo, o historiador Paulo C\u00e9sar Garcez Marins n\u00e3o gosta da ideia de retir\u00e1-las dos espa\u00e7os p\u00fablicos, porque prefere que os monumentos sejam usados para a sociedade pensar sobre eles. \u201cAposto na tomada de consci\u00eancia, n\u00e3o no esquecimento\u201d, define.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo uma homenagem ao racismo poderia, na vis\u00e3o de Garcez, ser preservada como uma forma de den\u00fancia do racismo. \u201cPassei a minha vida inteira escutando que Brasil n\u00e3o era uma democracia racial e que Brasil camuflava o racismo de todas as maneiras poss\u00edveis. Pois o racismo no Monumento \u00e0s Bandeiras est\u00e1 expl\u00edcito. \u00c9 maravilhoso, para uma sociedade que esconde o racismo o tempo todo, passar a perceber aquilo como um lugar para refletir sobre o tema\u201d, aponta.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/maris-esther-bueno.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;700px&#8221; credit=&#8221;Maria Esther Bueno instalada no Pacaembu | Foto: Beatriz Baldan\/ Creative Commons&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>A mesma discuss\u00e3o, segundo o historiador, poderia ser feita no Pal\u00e1cio Anchieta. \u201cO que fazer com os dois pain\u00e9is da C\u00e2mara Municipal sobre os fundadores de S\u00e3o Paulo, que representam desigualmente \u00edndios e portugueses? Esconder? N\u00e3o, vamos tratar como uma representa\u00e7\u00e3o desigual. Discutir esses pain\u00e9is, contratar outros. A gente precisa revestir o monumento dessa a\u00e7\u00e3o de discuss\u00e3o em torno dele.\u201d<\/p>\n<p>Garcez lembra, por fim, que mudar a cara das est\u00e1tuas, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve os problemas reais de um pa\u00eds e cita como exemplo a R\u00fassia, que realizou uma verdadeira dan\u00e7a de est\u00e1tuas ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo. Come\u00e7ou com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, de 1917, que derrubou os czares, implantou o comunismo e retirou das pra\u00e7as as est\u00e1tuas que tinham rela\u00e7\u00e3o com os monarcas. Ap\u00f3s o fim do regime comunista, em 1991, os russos passaram a retirar monumentos a L\u00eanin, St\u00e1lin e outros l\u00edderes daquele per\u00edodo. E, nos \u00faltimos anos, sob o governo de Vladimir Putin, o pa\u00eds agora deu para erguer novas est\u00e1tuas aos czares, inclusive alguns dos mais controversos, como Iv\u00e3, o Terr\u00edvel. \u201cN\u00e3o \u00e9 tirando est\u00e1tuas de l\u00edderes autorit\u00e1rios das pra\u00e7as e das ruas que a R\u00fassia vai deixar de ter l\u00edderes autorit\u00e1rios. O autoritarismo continua sendo um tra\u00e7o da sociedade russa\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Mas o historiador ressalta que a senten\u00e7a sobre o destino dos monumentos n\u00e3o pode caber a ele, nem a seus pares: \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o que cabe \u00e0 sociedade, com base em crit\u00e9rios para uma gest\u00e3o democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: S\u00e2ndor Vasconcelos | <a href=\"mailto:sandor@saopaulo.sp.leg.br\">sandor@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ed7636\">SAIBA MAIS<\/span><\/strong><\/h3>\n<h5 style=\"background-color: #ed7636;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Site<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><a href=\"http:\/\/demonumenta.fau.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Demonumenta<\/a>. FAU\/USP.<\/p>\n<h5 style=\"background-color: #ed7636;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Livros<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><a href=\"https:\/\/www.prefeitura.sp.gov.br\/cidade\/upload\/Inventario_de_Esculturas_1261586685.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Invent\u00e1rio de Obras de Arte em Logradouros P\u00fablicos da Cidade de S\u00e3o Paulo<\/a>. Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><em>MOLINO, Denis Donizeti Bruza (org.)<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/memoria\/especial\/acervo-artistico-da-camara-municipal-de-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acervo art\u00edstico da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo<\/a>. Centro de Mem\u00f3ria da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo e Escola do Parlamento da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 2016.<\/p>\n<p><em>MONTEIRO, John Manuel<\/em>. Negros da terra: \u00edndios e bandeirantes nas origens de S\u00e3o Paulo. Companhia das Letras, 1994.<\/p>\n<p><em>PACIORNIK, Vitor Flynn<\/em>. Xondaro. Elefante, 2016.<\/p>\n\n<div style=\"width: 100%;background-color: #ededed;padding: 10px 0 20px 0\">\n<h4 style=\"text-align: center\">Receba a newsletter da Apartes em seu e-mail<\/h4>\n<div class=\"tnp tnp-subscription \">\n<form method=\"post\" action=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-admin\/admin-ajax.php?action=tnp&amp;na=s\">\n<input type=\"hidden\" name=\"nlang\" value=\"\">\n<div class=\"tnp-field tnp-field-firstname\"><label for=\"tnp-1\">Nome<\/label>\n<input class=\"tnp-name\" type=\"text\" name=\"nn\" id=\"tnp-1\" value=\"\" placeholder=\"\" required><\/div>\n<div class=\"tnp-field tnp-field-email\"><label for=\"tnp-2\">E-mail<\/label>\n<input class=\"tnp-email\" type=\"email\" name=\"ne\" id=\"tnp-2\" value=\"\" placeholder=\"\" required><\/div>\n<div class=\"tnp-field tnp-field-button\" style=\"text-align: left\"><input class=\"tnp-submit\" type=\"submit\" value=\"Fazer cadastro\" style=\"\">\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Fausto Salvadori | fausto@saopaulo.sp.leg.br Eles chegavam ateando fogo a povoa\u00e7\u00f5es inteiras, transformando fam\u00edlias em carne chamuscada, apenas para espalhar o terror entre os vizinhos e minar a vontade de resistir. N\u00e3o que sobreviver fosse melhor. Quem n\u00e3o era morto acabava transformado em escravo e se via obrigado a acompanhar seus sequestradores por jornadas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":96750,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[123],"tags":[1645,1618,1641,1622,1609,1600,1592,675,1590,1594,146,1599,68,1634,1611,832,145,1620,1629,1649,1621,1653,1654,1646,382,1108,1627,674,1605,1636,1638,1612,1613,1596,1595,1644,1591,1648,1608,1589,1615,1610,1635,1598,1643,1642,1630,1647,1617,1603,1597,1651,1652,171,1637,173,1588,1640,1639,1601,1623,1593,1607,1616,1633,1619,1602,1632,1628,1631,1606,1604,1624,1614,1650,1626,760,1656,1625],"coauthors":[1213],"class_list":["post-96734","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-adhemar-ferreira-da-silva","tag-affonso-taunay","tag-alex-hornet","tag-alfredo-ellis-junior","tag-alfredo-maia","tag-alice-americo","tag-anhanguera","tag-anna-lamberga-zeglio","tag-antonio-raposo-tavares","tag-antonio-vieira","tag-bandeirantes","tag-borba-gato","tag-camara-municipal-de-sao-paulo","tag-carlos-bezerra-jr","tag-carlos-gomes","tag-carolina-maria-de-jesus","tag-clovis-graciano","tag-colonizadores","tag-colonizadores-da-cidade-de-sao-paulo-e-partida-dos-bandeirantes","tag-comissao-de-gestao-de-obras-e-monumentos-artisticos-em-espacos-publicos","tag-danilo-j-zioni-ferretti","tag-demonumenta","tag-denis-donizeti-bruza-molino","tag-deolinda-madre","tag-dph","tag-eduardo-suplicy","tag-elaine-mineiro","tag-elisa-kauffmann-abramovich","tag-erika-hilton","tag-escravocratas","tag-eugenistas","tag-firmiano-de-morais-pinto","tag-francisco-leopoldo-e-silva","tag-funai","tag-fundacao-nacional-do-indio","tag-geraldo-filme","tag-indigenas-guaranis","tag-itamar-assumpcao","tag-joao-mendes","tag-john-manuel-monteiro","tag-jose-de-alencar","tag-jose-de-camargo","tag-juliana-cardoso","tag-julio-guerra","tag-leandro-junior","tag-lidia-lisboa","tag-lucia-kluck-stumpf","tag-madrinha-eunice","tag-mae-preta","tag-maria-esther-bueno","tag-monumento-as-bandeiras","tag-museu-da-favela","tag-museu-da-mare","tag-nabil-bonduki","tag-nazistas","tag-negros","tag-negros-da-terra-indios-e-bandeirantes-nas-origens-de-sao-paulo","tag-neia-ferreira","tag-newton-santana","tag-nucleo-de-monumentos-e-obras-artisticas-do-departamento-do-patrimonio-historico","tag-oliveira-vianna","tag-padre-jesuita","tag-paulo-cesar-garcez-marins","tag-pojuca","tag-professor-toninho-vespoli","tag-raquel-glezer","tag-secretaria-municipal-de-cultura-da-cidade-de-sao-paulo","tag-silvia-da-bancada-feminista","tag-sonaira-fernandes","tag-sp-e-solo-preto-e-indigena","tag-thammy-miranda","tag-theodosina-ribeiro","tag-thomas-nizio","tag-ubirajara","tag-vereador-rubinho-nunes","tag-vereadora-luana-alves","tag-victor-brecheret","tag-vitor-flynn-parcionik","tag-walter-benjamin"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Um problema monumental - Apartes Digital<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um problema monumental - Apartes Digital\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Apartes Digital\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaApartes\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-12-13T17:30:43+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-09-13T20:21:28+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2400\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1467\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Revista Apartes\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Revista Apartes\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"34 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Revista Apartes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Revista Apartes\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/f9d5848c5822a8c45fefbcbc3851aaa3\"},\"headline\":\"Um problema monumental\",\"datePublished\":\"2021-12-13T17:30:43+00:00\",\"dateModified\":\"2023-09-13T20:21:28+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/\"},\"wordCount\":6877,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2021\\\/12\\\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg\",\"keywords\":[\"Adhemar Ferreira da Silva\",\"Affonso Taunay\",\"Alex Hornet\",\"Alfredo Ellis J\u00fanior\",\"Alfredo Maia\",\"Alice Am\u00e9rico\",\"Anhanguera\",\"Anna Lamberga Z\u00e9glio\",\"Ant\u00f4nio Raposo Tavares\",\"Ant\u00f4nio Vieira\",\"Bandeirantes\",\"Borba Gato\",\"C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo\",\"Carlos Bezerra Jr.\",\"Carlos Gomes\",\"Carolina Maria de Jesus\",\"Cl\u00f3vis Graciano\",\"colonizadores\",\"Colonizadores da Cidade de S\u00e3o Paulo e Partida dos Bandeirantes\",\"Comiss\u00e3o de Gest\u00e3o de Obras e Monumentos Art\u00edsticos em Espa\u00e7os P\u00fablicos\",\"Danilo J. Zioni Ferretti\",\"Demonumenta\",\"Denis Donizeti Bruza Molino\",\"Deolinda Madre\",\"dph\",\"Eduardo Suplicy\",\"Elaine Mineiro\",\"Elisa Kauffmann Abramovich\",\"Erika Hilton\",\"escravocratas\",\"eugenistas\",\"Firmiano de Morais Pinto\",\"Francisco Leopoldo e Silva\",\"Funai\",\"Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio\",\"Geraldo Filme\",\"ind\u00edgenas guaranis\",\"Itamar Assump\u00e7\u00e3o\",\"Jo\u00e3o Mendes\",\"John Manuel Monteiro\",\"Jos\u00e9 de Alencar\",\"Jos\u00e9 de Camargo\",\"Juliana Cardoso\",\"J\u00falio Guerra\",\"Leandro J\u00fanior\",\"L\u00eddia Lisboa\",\"L\u00facia Kl\u00fcck Stumpf\",\"Madrinha Eunice\",\"M\u00e3e Preta\",\"Maria Esther Bueno\",\"Monumento \u00e0s Bandeiras\",\"Museu da Favela\",\"Museu da Mar\u00e9\",\"Nabil Bonduki\",\"nazistas\",\"Negros\",\"Negros da Terra: \u00edndios e bandeirantes nas origens de S\u00e3o Paulo\",\"N\u00e9ia Ferreira\",\"Newton Santana\",\"N\u00facleo de Monumentos e Obras Art\u00edsticas do Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico\",\"Oliveira Vianna\",\"padre jesu\u00edta\",\"Paulo C\u00e9sar Garcez Marins\",\"Pojuc\u00e3\",\"Professor Toninho Vespoli\",\"Raquel Glezer\",\"Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de S\u00e3o Paulo\",\"Silvia da Bancada Feminista\",\"Sonaira Fernandes\",\"SP \u00e9 Solo Preto e Ind\u00edgena\",\"Thammy Miranda\",\"Theodosina Ribeiro\",\"Thomas Nizio\",\"Ubirajara\",\"vereador Rubinho Nunes\",\"vereadora Luana Alves\",\"Victor Brecheret\",\"Vitor Flynn Parcionik\",\"Walter Benjamin\"],\"articleSection\":[\"Hist\u00f3ria\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/\",\"name\":\"Um problema monumental - Apartes Digital\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2021\\\/12\\\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg\",\"datePublished\":\"2021-12-13T17:30:43+00:00\",\"dateModified\":\"2023-09-13T20:21:28+00:00\",\"description\":\"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2021\\\/12\\\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2021\\\/12\\\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg\",\"width\":2400,\"height\":1467,\"caption\":\"Monumento \u00e0s Bandeiras | Foto : Danilo Alvesd \\\/ Unsplash\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/um-problema-monumental\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Um problema monumental\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/\",\"name\":\"Apartes Digital\",\"description\":\"Vers\u00e3o digital da revista Apartes, publica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#organization\",\"name\":\"Revista Apartes - C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2018\\\/03\\\/apartes_LOGOTIPO_VETOR_SEM_linha_explicativa_40px.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/wp-content\\\/uploads\\\/sites\\\/26\\\/2018\\\/03\\\/apartes_LOGOTIPO_VETOR_SEM_linha_explicativa_40px.png\",\"width\":149,\"height\":40,\"caption\":\"Revista Apartes - C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/RevistaApartes\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCmyR103Wq_zss-097SvtC2g\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/f9d5848c5822a8c45fefbcbc3851aaa3\",\"name\":\"Revista Apartes\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g9dde150e47cb96b8c41dbc06f1e2b9a7\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Revista Apartes\"},\"description\":\"Revista Digital da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/www.saopaulo.sp.leg.br\\\/apartes\\\/author\\\/apartes\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Um problema monumental - Apartes Digital","description":"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Um problema monumental - Apartes Digital","og_description":"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres","og_url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/","og_site_name":"Apartes Digital","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaApartes\/","article_published_time":"2021-12-13T17:30:43+00:00","article_modified_time":"2023-09-13T20:21:28+00:00","og_image":[{"width":2400,"height":1467,"url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Revista Apartes","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Revista Apartes","Est. tempo de leitura":"34 minutos","Written by":"Revista Apartes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/"},"author":{"name":"Revista Apartes","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#\/schema\/person\/f9d5848c5822a8c45fefbcbc3851aaa3"},"headline":"Um problema monumental","datePublished":"2021-12-13T17:30:43+00:00","dateModified":"2023-09-13T20:21:28+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/"},"wordCount":6877,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg","keywords":["Adhemar Ferreira da Silva","Affonso Taunay","Alex Hornet","Alfredo Ellis J\u00fanior","Alfredo Maia","Alice Am\u00e9rico","Anhanguera","Anna Lamberga Z\u00e9glio","Ant\u00f4nio Raposo Tavares","Ant\u00f4nio Vieira","Bandeirantes","Borba Gato","C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo","Carlos Bezerra Jr.","Carlos Gomes","Carolina Maria de Jesus","Cl\u00f3vis Graciano","colonizadores","Colonizadores da Cidade de S\u00e3o Paulo e Partida dos Bandeirantes","Comiss\u00e3o de Gest\u00e3o de Obras e Monumentos Art\u00edsticos em Espa\u00e7os P\u00fablicos","Danilo J. Zioni Ferretti","Demonumenta","Denis Donizeti Bruza Molino","Deolinda Madre","dph","Eduardo Suplicy","Elaine Mineiro","Elisa Kauffmann Abramovich","Erika Hilton","escravocratas","eugenistas","Firmiano de Morais Pinto","Francisco Leopoldo e Silva","Funai","Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio","Geraldo Filme","ind\u00edgenas guaranis","Itamar Assump\u00e7\u00e3o","Jo\u00e3o Mendes","John Manuel Monteiro","Jos\u00e9 de Alencar","Jos\u00e9 de Camargo","Juliana Cardoso","J\u00falio Guerra","Leandro J\u00fanior","L\u00eddia Lisboa","L\u00facia Kl\u00fcck Stumpf","Madrinha Eunice","M\u00e3e Preta","Maria Esther Bueno","Monumento \u00e0s Bandeiras","Museu da Favela","Museu da Mar\u00e9","Nabil Bonduki","nazistas","Negros","Negros da Terra: \u00edndios e bandeirantes nas origens de S\u00e3o Paulo","N\u00e9ia Ferreira","Newton Santana","N\u00facleo de Monumentos e Obras Art\u00edsticas do Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico","Oliveira Vianna","padre jesu\u00edta","Paulo C\u00e9sar Garcez Marins","Pojuc\u00e3","Professor Toninho Vespoli","Raquel Glezer","Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de S\u00e3o Paulo","Silvia da Bancada Feminista","Sonaira Fernandes","SP \u00e9 Solo Preto e Ind\u00edgena","Thammy Miranda","Theodosina Ribeiro","Thomas Nizio","Ubirajara","vereador Rubinho Nunes","vereadora Luana Alves","Victor Brecheret","Vitor Flynn Parcionik","Walter Benjamin"],"articleSection":["Hist\u00f3ria"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/","url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/","name":"Um problema monumental - Apartes Digital","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg","datePublished":"2021-12-13T17:30:43+00:00","dateModified":"2023-09-13T20:21:28+00:00","description":"Heran\u00e7a de exclus\u00e3o em S\u00e3o Paulo faz com que apenas 5% dos monumentos homenageiem negros, ind\u00edgenas e mulheres","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2021\/12\/Monumento-as-bandeiras-danilo-alvesd-unsplash.jpg","width":2400,"height":1467,"caption":"Monumento \u00e0s Bandeiras | Foto : Danilo Alvesd \/ Unsplash"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Um problema monumental"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#website","url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/","name":"Apartes Digital","description":"Vers\u00e3o digital da revista Apartes, publica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo","publisher":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#organization","name":"Revista Apartes - C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo","url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2018\/03\/apartes_LOGOTIPO_VETOR_SEM_linha_explicativa_40px.png","contentUrl":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2018\/03\/apartes_LOGOTIPO_VETOR_SEM_linha_explicativa_40px.png","width":149,"height":40,"caption":"Revista Apartes - C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo"},"image":{"@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/RevistaApartes\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCmyR103Wq_zss-097SvtC2g"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/#\/schema\/person\/f9d5848c5822a8c45fefbcbc3851aaa3","name":"Revista Apartes","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g9dde150e47cb96b8c41dbc06f1e2b9a7","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4ed0ba676ccd34a16ff34c248d01f6941b6e00d983144039e9718c8319ed958f?s=96&d=mm&r=g","caption":"Revista Apartes"},"description":"Revista Digital da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo","sameAs":["http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes"],"url":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/author\/apartes\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96734\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96734"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=96734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}