{"id":40170,"date":"2017-06-28T16:29:53","date_gmt":"2017-06-28T19:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/?page_id=40170"},"modified":"2017-07-12T17:49:09","modified_gmt":"2017-07-12T20:49:09","slug":"no24-direitos-humanos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-24-mar-jun2017\/no24-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"N\u00ba24 &#8211; Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"<h1><strong><span style=\"color: #800000\">F\u00e1bricas de suor e sofrimento<\/span><\/strong><\/h1>\n<h2>Novas a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico endurecem o combate ao trabalho escravo contempor\u00e2neo, uma realidade abafada na metr\u00f3pole<\/h2>\n<p><strong>Gisele Machado<\/strong> | gisele@saopaulo.sp.leg.br<\/p>\n<figure id=\"attachment_40104\" aria-describedby=\"caption-attachment-40104\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40104 size-large\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08-1024x962.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08-1024x962.jpg 1024w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08-300x282.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08-768x722.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_08.jpg 1295w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40104\" class=\"wp-caption-text\">MODA &#8211; Trabalhadores em oficina de costura paulistana durante fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico | Foto: MPT-SP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2008, com uma filha de tr\u00eas anos e uma faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social trancada, a boliviana Gladis Arce mudou-se para S\u00e3o Paulo. Amante de moda e estudante de costura, achou que cresceria nessa carreira morando no Brasil, como prometiam os an\u00fancios em Santa Cruz de la Sierra, onde vivia. A realidade, por\u00e9m, foi cruel: as jornadas nas oficinas de costura \u2013 clandestinas \u2013 chegavam a durar 18 horas por dia, com sal\u00e1rios de R$ 400 ao m\u00eas. Seus patr\u00f5es diziam que seria presa caso sa\u00edsse do local durante a semana, j\u00e1 que sua documenta\u00e7\u00e3o estava irregular. Mas n\u00e3o explicavam como obter os documentos necess\u00e1rios. Gr\u00e1vida de sete meses e impedida de fazer os exames de pr\u00e9-natal, ela teve uma crise de febre alta, n\u00e3o foi socorrida pelos patr\u00f5es e poderia ter morrido, n\u00e3o fosse a ajuda de uma brasileira. \u201cEu me sentia uma escrava, n\u00e3o tinha livre express\u00e3o, n\u00e3o era permitido sair, passear, fazer minhas coisas, conhecer a cidade\u201d, relata\u00a0Gladis. \u201cPassei um sufoco. Tenho essa lembran\u00e7a muito feia pra mim. Fiquei revoltada, eu me senti sozinha na vida\u201d, lembra. O filho nasceu prematuro e desnutrido.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o pela qual Gladis passou \u00e9 chamada trabalho an\u00e1logo ao de escravo, ou escravid\u00e3o contempor\u00e2nea. Hoje com 36 anos, ela n\u00e3o passava dificuldades antes de se mudar para o Brasil. Com a fam\u00edlia, vivia numa fazenda pr\u00f3pria na cidade boliviana de Cochabamba. Lembra-se de quando ouvia m\u00fasica brasileira no r\u00e1dio e viajava no sonho de se mudar para o Brasil, onde ainda quer fazer carreira na costura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_40105\" aria-describedby=\"caption-attachment-40105\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40105 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_09-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_09-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_09.jpg 573w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40105\" class=\"wp-caption-text\">NA MIRA &#8211; Patr\u00edcia Bezerra prop\u00f4s lei que prev\u00ea puni\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0s empresas que usam o trabalho escravo | Foto: Equipe de Eventos\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como Gladis, quem vira escravo em plena S\u00e3o Paulo de 2017 costuma ser proveniente da Bol\u00edvia, al\u00e9m de Peru e Paraguai. Mas, diferentemente dela, a maioria \u00e9 pobre, segundo a defensora Fabiana Galera Severo, coordenadora nacional do Grupo de Trabalho Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo da Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU), que presta assist\u00eancia jur\u00eddica gratuita individual nas esferas criminal e trabalhista. As v\u00edtimas trabalham, principalmente, em oficinas de costura clandestinas urbanas, que servem a grandes marcas de roupas. A constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 o segundo setor que mais escraviza na cidade, ao explorar, em sua maioria, migrantes brasileiros.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio j\u00e1 estava desenhado em 2006, quando a C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP) publicou o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) para apurar a explora\u00e7\u00e3o de trabalho an\u00e1logo ao de escravo no Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. A investiga\u00e7\u00e3o, presidida pelo vereador Claudinho de Souza (PSDB), com vice-presid\u00eancia do ent\u00e3o vereador Cl\u00e1udio Prado, come\u00e7ou com den\u00fancias na imprensa sobre a presen\u00e7a de mais de 60 mil bolivianos sem documenta\u00e7\u00e3o regular na cidade, trabalhando em mais de 8 mil oficinas ilegais de costura, em condi\u00e7\u00f5es degradantes. Na \u00e9poca, tamb\u00e9m fizeram parte da CPI os ent\u00e3o vereadores Ademir da Guia, Jooji Hato, Jos\u00e9 Am\u00e9rico e Marta Costa, al\u00e9m de Noemi Nonato (PR), Toninho Paiva (PR) e Soninha (PPS), que continuam na verean\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAs jornadas de trabalho estendem-se pela madrugada, pois o fato de o ganho se dar por pe\u00e7a produzida, juntamente com o baixo valor percebido por pe\u00e7a, obriga a maratona para compor um sal\u00e1rio que lhes ofere\u00e7a m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia\u201d, apontou o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca, como ainda ocorre atualmente, os custos das viagens para o Brasil eram pagos pelos contratantes, que os superestimam, de modo que se torna muito dif\u00edcil pagar a d\u00edvida com os irris\u00f3rios sal\u00e1rios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_40092\" aria-describedby=\"caption-attachment-40092\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-40092\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40-734x1024.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"893\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40-734x1024.png 734w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40-215x300.png 215w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40-768x1071.png 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_40.png 831w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40092\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Julia Gemignani\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trabalhadores empobrecidos ou fragilizados s\u00e3o, ainda, alvo f\u00e1cil de um mercado \u00e1vido por produzir rapidamente e a baixo custo. \u201cO contexto de migra\u00e7\u00e3o, internacional ou interno, est\u00e1 muito atrelado ao trabalho escravo, porque \u00e9 mais uma das vulnerabilidades\u201d, explica Fabiana Severo. A defensora lembra que a explora\u00e7\u00e3o da pobreza e fragilidade dos trabalhadores para escraviz\u00e1-los afeta tamb\u00e9m a livre concorr\u00eancia, j\u00e1 que as empresas que usam o trabalho escravo t\u00eam custo menor. Segundo ela, os benefici\u00e1rios da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea, para tentar escapar de puni\u00e7\u00f5es, escolhem n\u00e3o ver a ilicitude cometida para que possam usufruir de seus benef\u00edcios, num mecanismo conhecido pela Justi\u00e7a como Teoria da Cegueira Deliberada ou Doutrina da Cegueira Intencional.<\/p>\n<p>Apesar dos bastidores sujos, o mercado d\u00e1 nome elogioso \u00e0 velocidade com que as tend\u00eancias e cole\u00e7\u00f5es chegam e saem das lojas: moda r\u00e1pida. \u201cA ind\u00fastria t\u00eaxtil se organizou de forma a atender essa din\u00e2mica da fast fashion. O produto gira muito r\u00e1pido, ent\u00e3o a necessidade e exig\u00eancia de produzir em tempo ex\u00edguo \u00e9 muito grande tamb\u00e9m\u201d, diz Tatiana Bivar Simonetti, procuradora do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h3><strong>Salsicha, arroz e ovo<\/strong><\/h3>\n<p>Em ingl\u00eas, recebem o nome de \u201cf\u00e1bricas de suor\u201d os locais onde acontece a superexplora\u00e7\u00e3o de trabalhadores para a ind\u00fastria da moda. S\u00e3o espa\u00e7os em que os funcion\u00e1rios trabalham e,\u00a0muitas vezes, tamb\u00e9m moram. H\u00e1 restri\u00e7\u00e3o para sair e as jornadas s\u00e3o extenuantes, com condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. Os ganhos, geralmente, est\u00e3o abaixo do m\u00ednimo determinado por lei e outras atrocidades, como o estupro, s\u00e3o comuns.<\/p>\n<p>\u201cQuer que eu te conte como \u00e9 uma oficina de costura clandestina?\u201d, pergunta a boliviana Clara (nome fict\u00edcio), 21 anos, que trabalhou nas f\u00e1bricas de suor paulistanas dos 15 aos 18 anos. A primeira das oficinas em que atuou pertencia a uma de suas irm\u00e3s, que a impedia de sair. \u201cJ\u00e1 fiz pe\u00e7a por 15, 20, 25 centavos&#8230; D\u00e1 pra fazer 700, 800 reais (de sal\u00e1rio por m\u00eas), mas tem que trabalhar muito.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes acorda 4 horas da manh\u00e3 e vai dormir meia-noite, uma da manh\u00e3, nem almo\u00e7a\u201d, descreve Clara, que saiu de alguns empregos sem ao menos receber o sal\u00e1rio. A boliviana diz que o card\u00e1pio di\u00e1rio do almo\u00e7o era salsicha, arroz, ovo e salada. \u201cA gente enjoa, n\u00e3o come, a maioria joga tudo fora, preferimos comer Miojo. J\u00e1 deram comida estragada. Tinha uma oficina que tinha pulga, percevejo. Tinha uma que s\u00f3 pegava novinhos, meninas e meninos bolivianos. O mais velho tinha 18 anos\u201d, revela. Ela relata que os filhos dos trabalhadores ficavam trancados o dia todo nos quartos ou andavam soltos pela oficina.<\/p>\n<p>Em uma dessas situa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 tr\u00eas anos, viu quando uma crian\u00e7a perdeu quatro dedos da m\u00e3o na correia da m\u00e1quina de costura. \u201cO dono da oficina nem deu ajuda m\u00e9dica e a m\u00e3e teve que sair sozinha\u201d, lembra Clara. A ida ao servi\u00e7o de sa\u00fade gerou uma den\u00fancia e os trabalhadores foram resgatados pelo poder p\u00fablico. \u201cA gente j\u00e1 se acostuma com isso e acha que \u00e9 normal. N\u00e3o v\u00ea mal na comida e em trabalhar nesse hor\u00e1rio\u201d, lamenta. Por n\u00e3o conhecerem a legisla\u00e7\u00e3o e por receberem informa\u00e7\u00f5es incorretas dos empregadores, muitos trabalhadores chegam a acreditar que eles pr\u00f3prios s\u00e3o os criminosos. \u201cAchei que os policiais iam me levar presa quando invadiram a oficina\u201d, conta a boliviana.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-40106 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_10.jpg 1397w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/td>\n<td><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-40107 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_11.jpg 1398w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\">DEGRADA\u00c7\u00c3O &#8211; Condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias encontradas em oficinas de costura, onde crian\u00e7as circulam livremente | Fotos: MPT-SP<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A defensora p\u00fablica Fabiana Severo afirma que existe uma banaliza\u00e7\u00e3o do trabalho escravo porque o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de profundas desigualdades sociais. \u201cA explora\u00e7\u00e3o do trabalho sempre existiu em muitos contextos, em diversos lugares, mas n\u00e3o \u00e9 por isso e pela pr\u00e1tica ainda existir, nos rinc\u00f5es do Pa\u00eds e nas grandes cidades, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de vida aceit\u00e1vel\u201d, diz.<br \/>\nReduzir algu\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo \u00e9 crime previsto no C\u00f3digo Penal Brasileiro. Na lei, quem comete esse delito, submetendo pessoas a jornada exaustiva ou condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho, por exemplo, pode sofrer pena de reclus\u00e3o de dois a oito anos (veja infogr\u00e1fico nesta mat\u00e9ria).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 simples punir todas as empresas envolvidas no trabalho escravo. Uma das raz\u00f5es \u00e9 que as oficinas clandestinas est\u00e3o cada vez mais espalhadas pela cidade, e assim fica mais complicado conseguir flagrantes. Al\u00e9m disso, anormatiza\u00e7\u00e3o existente, cuja reda\u00e7\u00e3o atual o Tribunal Superior do Trabalho (TST) publicou em 2011, prev\u00ea a responsabilidade do contratante final apenas se o empregador direto n\u00e3o puder arcar sozinho com as d\u00edvidas trabalhistas. Uma decis\u00e3o judicial do TST \u00e9 que acaba funcionando como precedente no reconhecimento de plena rela\u00e7\u00e3o de emprego entre a contratante final e o funcion\u00e1rio de empresa terceirizada.<\/p>\n<p>Essa brecha tem permitido responsabilizar donos de grandes marcas pelo cumprimento dos direitos trabalhistas de quem atua nas oficinas subcontratadas, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 ordens diretas. \u201cA marca terceiriza a produ\u00e7\u00e3o de corte e costura, mas imp\u00f5e prazo, apresenta a pe\u00e7a piloto para as oficinas, cobra, pune quando a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 devolvida no tempo certo, da forma correta, mas n\u00e3o quer ter responsabilidade por todo o crime que est\u00e1 acontecendo naquelas oficinas\u201d, diz a procuradora Tatiana Simonetti.<\/p>\n<h3><strong>Puni\u00e7\u00e3o no bolso<\/strong><\/h3>\n<p>Uma importante arma para a responsabiliza\u00e7\u00e3o de todos os agentes dessa cadeia de superexplora\u00e7\u00e3o surgiu em dezembro de 2016, quando o Executivo paulistano sancionou a lei 16.606, proposta e aprovada pela C\u00e2mara Municipal, que aplica penalidades aos estabelecimentos do Munic\u00edpio respons\u00e1veis, direta ou indiretamente, por reduzir pessoas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo.<br \/>\nApresentada pela vereadora Patr\u00edcia Bezerra (PSDB), ex-secret\u00e1ria municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a lei prev\u00ea multa de R$ 100 mil a R$ 100 milh\u00f5es. Tamb\u00e9m pode haver cassa\u00e7\u00e3o do alvar\u00e1 de funcionamento se o pagamento n\u00e3o for feito, se for reincid\u00eancia ou se houver comprova\u00e7\u00e3o da extrema gravidade da conduta. Se a licen\u00e7a for cassada, ser\u00e1 proibida a concess\u00e3o de novo alvar\u00e1 por cinco a dez anos. A elabora\u00e7\u00e3o dessa lei foi uma das propostas da CPI realizada em 2006.<\/p>\n<figure id=\"attachment_40110\" aria-describedby=\"caption-attachment-40110\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40110 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_13-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_13-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_13.jpg 573w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40110\" class=\"wp-caption-text\">COMPROMETIMENTO &#8211; Projeto de lei de Jos\u00e9 Police Neto prev\u00ea compromisso da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica com &#8220;trabalho decente&#8221; | Foto: Equipe de Eventos\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 atingir o violador de direitos \u2013 que \u00e9 um criminoso \u2013 em seu &#8216;\u00f3rg\u00e3o&#8217; mais sens\u00edvel: o bolso\u201d, diz Patr\u00edcia Bezerra. Para ela, a escravid\u00e3o contempor\u00e2nea \u00e9 um crime de natureza econ\u00f4mica. \u201cEm virtude da busca por lucros cada vez maiores, poucos t\u00eam se importado com a forma de obten\u00e7\u00e3o do dinheiro, mesmo que para isso seja necess\u00e1rio explorar os semelhantes\u201d, critica Bezerra. \u201cEnt\u00e3o, a pena para esse crime tamb\u00e9m precisa ser de ordem econ\u00f4mica\u201d, completa.<\/p>\n<p>A defensora Fabiana Severo concorda que a san\u00e7\u00e3o prevista na lei atinge o cerne do problema: \u201cse as medidas alcan\u00e7am os grandes benefici\u00e1rios desse modelo de atividade econ\u00f4mica, h\u00e1 mais efetividade para at\u00e9 mesmo as empresas usarem outros modelos de neg\u00f3cio, eliminando, por exemplo, intermedi\u00e1rios ao longo da cadeia produtiva, aproximando o trabalhador final das empresas\u201d. Para a procuradora Tatiana Simonetti, \u201co Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de vanguarda nessa iniciativa, que comp\u00f5e as medidas que o Estado brasileiro deve adotar para combater o trabalho escravo\u201d. Ela diz que a lei 16.606 pode ser aplicada pela Prefeitura como medida administrativa, contra empresas que perderem as a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n<h3><strong>Investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o na CMSP o projeto de lei (PL) 206\/2010, do vereador Jos\u00e9 Police Neto (PSD) e do ex-vereador Cl\u00e1udio Prado, que determina compromisso expresso com a pr\u00e1tica do \u201ctrabalho decente\u201d \u00e0s empresas que assinarem contrato de obras e servi\u00e7os com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica municipal. A justificativa do PL diz que cabe ao poder p\u00fablico cumprir sua parte na promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o profissional, educativas, culturais e de reinser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, entre outras iniciativas que gerem oportunidades desassociadas da superexplora\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 fundamental, al\u00e9m de gerar oportunidades de servi\u00e7os, garantir trabalho com qualidade agregado \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda suficiente\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p>\u201cTrabalho decente\u201d, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), pressup\u00f5e, entre outras caracter\u00edsticas, a elimina\u00e7\u00e3o do trabalho for\u00e7ado, do trabalho infantil e da discrimina\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o do emprego produtivo e de qualidade. J\u00e1 o PL 557\/2011, do vereador Alfredinho (PT), pretende que o cumprimento das normas de trabalho decente esteja mencionado tamb\u00e9m nos editais de licita\u00e7\u00f5es e nos contratos de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses esfor\u00e7os, foi instalada em fevereiro de 2017, na CMSP, a CPI da Pol\u00edtica de Migra\u00e7\u00e3o, presidida por Eduardo Suplicy (PT), com vice-presid\u00eancia de Fernando Holiday (Democratas), relatoria de F\u00e1bio Riva (PSDB) e composta tamb\u00e9m por Caio Miranda Carneiro (PSB), Edir Sales (PSD), Gilberto Nascimento (PSC) e Noemi Nonato (PR). A CPI tem at\u00e9 junho (os trabalhos podem ser prorrogados por seis meses) para investigar, entre outros temas, a superexplora\u00e7\u00e3o e a submiss\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o contempor\u00e2nea de migrantes brasileiros e estrangeiros no Munic\u00edpio.<br \/>\nSegundo Suplicy, a CPI receber\u00e1 den\u00fancias sobre trabalho escravo na capital paulista. \u201cSempre que houver situa\u00e7\u00f5es com pessoas empregadas na cidade sem o registro devido e que estejam realizando jornadas exageradas, sem cumprir a lei sobre oito horas de trabalho, podem nos informar que iremos tomar provid\u00eancias\u201d, comentou o parlamentar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_40109\" aria-describedby=\"caption-attachment-40109\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40109 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_12-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_12-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_12.jpg 573w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40109\" class=\"wp-caption-text\">CPI &#8211; Comiss\u00e3o presidida por Eduardo Suplicy recebe den\u00fancias sobre trabalho escravo | Foto: \u00c2ngelo Dantas\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se no \u00e2mbito municipal a ideia \u00e9 fechar o cerco ao trabalho escravo, est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o no Senado o PL 432\/2013, que pretende mudar a defini\u00e7\u00e3o de trabalho escravo contempor\u00e2neo. \u201cO texto quer retirar da hip\u00f3tese legal atualmente existente as condutas de jornada exaustiva e condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho\u201d, diz Fabiana Severo. \u201cN\u00f3s, que lidamos com a tem\u00e1tica de direitos humanos, temos a preocupa\u00e7\u00e3o com a ocorr\u00eancia de um retrocesso social caso essa lei seja aprovada\u201d, diz a defensora p\u00fablica. Ela ressalta, ainda, que a aprova\u00e7\u00e3o da lei 13.429 de 2017 facilita a terceiriza\u00e7\u00e3o e pode tornar mais prec\u00e1rias as rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Outro complicador foi a resist\u00eancia do governo federal em publicar a \u201clista suja\u201d, o cadastro dos infratores flagrados submetendo trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 de escravo que deve ser divulgado semestralmente pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE). Os empregadores inseridos nesse cadastro ficam impedidos de obter empr\u00e9stimos em bancos oficiais do governo, entre outras san\u00e7\u00f5es. No fim de 2014, a divulga\u00e7\u00e3o da lista foi proibida por liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido de uma associa\u00e7\u00e3o de incorporadoras. A proibi\u00e7\u00e3o de divulgar foi extinta em maio de 2016, mas o cadastro s\u00f3 voltou a ser publicado em mar\u00e7o de 2017, j\u00e1 que a ordem passou a constar em decis\u00e3o judicial definitiva.<\/p>\n<h3><strong>Recome\u00e7o<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_40112\" aria-describedby=\"caption-attachment-40112\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40112 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_15-237x300.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_15-237x300.jpg 237w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_15.jpg 688w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40112\" class=\"wp-caption-text\">VULNERABILIDADE &#8211; Para a defensora Fabiana Severo, trabalho escravo na capital aproveita a fragilidade do migrante | Foto: Gute Garbelotto\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um refor\u00e7o importante \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Estado no combate ao trabalho escravo vem de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que d\u00e3o orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, ensinam portugu\u00eas, inform\u00e1tica e empreendedorismo, por exemplo, a pessoas que j\u00e1 passaram pela situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ajud\u00e1-las a exercer a cidadania e a ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio \u00e9 uma forma de romper o ciclo pernicioso, no qual ex-escravos abrem oficinas de costura clandestinas e filhos de escravos n\u00e3o conseguem ir \u00e0 escola. \u201cAno passado, uma professora me chamou porque as crian\u00e7as bolivianas come\u00e7aram a faltar na escola\u201d, conta Carla Aparecida Aguilar, assistente social do Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami). \u201cFui visitar as oficinas e verifiquei que estavam sofrendo acidentes l\u00e1: uma crian\u00e7a estava com o bra\u00e7o quebrado, outra teve traumatismo craniano, outra perdeu o dedinho\u201d, revela. A profissional acredita que leis mais duras, como a da CMSP, podem ajudar a cidade a romper esse ciclo.<\/p>\n<p>Gladis, a boliviana do in\u00edcio da reportagem, h\u00e1 cinco anos costura em uma pequena oficina pr\u00f3pria instalada em sua casa e \u00e9 uma das assistidas pelo Cami. \u201cEu digo que tenho um neg\u00f3cio porque \u00e9 meu sustento\u201d, diz ela, que j\u00e1 aprendeu sobre as leis trabalhistas brasileiras e fala portugu\u00eas com flu\u00eancia. Desde o ano passado, deixou as m\u00e1s lembran\u00e7as de lado e foi \u00e0 luta: \u201cdisse para mim mesma que iria superar. Decidi melhorar e vencer neste pa\u00eds grande e amoroso\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_40113\" aria-describedby=\"caption-attachment-40113\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-40113\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_16.jpg 1569w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40113\" class=\"wp-caption-text\">REVIRAVOLTA &#8211; Ex-trabalhadora escrava, hoje Gladis tem uma oficina de costura | Marcelo Ximenes\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"576\">\n<figure id=\"attachment_40111\" aria-describedby=\"caption-attachment-40111\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_14.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-40111 size-medium\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_14-237x300.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_14-237x300.jpg 237w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_14.jpg 688w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40111\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Rocha\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong><span style=\"color: #993300\">Entrevista<\/span> | Luciana Chau\u00ed-Berlinck<\/strong><\/h3>\n<p>Psicanalista e autora do livro Melancolia, rastros de dor e de perda, Luciana Chau\u00ed-Berlinck falou sobre o consumo voraz que a sociedade p\u00f3s-industrial promove e que, ao mesmo tempo, causa depress\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e estimula a exist\u00eancia da escravid\u00e3o.<\/p>\n<h4>Qual mecanismo alimenta a ind\u00fastria de roupas feitas por trabalhadores escravos?<\/h4>\n<p style=\"padding-left: 30px\">Enquanto na sociedade industrial havia preocupa\u00e7\u00e3o de uns com os outros em rela\u00e7\u00f5es sociais muito fortes, com a durabilidade e estabilidade da era p\u00f3s-industrial h\u00e1 uma fragmenta\u00e7\u00e3o disso. Tudo o que na sociedade industrial era de ordem p\u00fablica, na sociedade p\u00f3s-industrial \u00e9 de ordem privada. A preocupa\u00e7\u00e3o, portanto, vai se tornando narc\u00edsica, consigo mesmo. Eu posso me horrorizar com o trabalho escravo e a explora\u00e7\u00e3o que vejo na televis\u00e3o, mas sou capaz de destruir o outro para ser reconhecido, porque o reconhecimento dele vai dizer que eu existo. Por isso vou \u00e0 loja e compro a roupa [feita com trabalho escravo]. A sociedade diz que tenho de estar bem, ser feliz e ter sucesso.<\/p>\n<h4>Quem promove esse movimento narc\u00edsico?<\/h4>\n<p style=\"padding-left: 30px\">A promo\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela dor. As modifica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do capitalismo geram uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es sociais que tamb\u00e9m mudam a forma de o sujeito estar no mundo e se relacionar. Com a compress\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo, vale o agora e o aqui. Sem passado e futuro, s\u00f3 com o presente, tenho que me realizar agora, ter as coisas j\u00e1, sem esperar para ser reconhecido.<\/p>\n<h4>Quais sentimentos o narcisismo provoca?<\/h4>\n<p style=\"padding-left: 30px\">A sociedade narcisista promove uma tristeza profunda e prolongada, um sentimento de impot\u00eancia total de nunca poder atingir o que se espera como ideal. Quero poder, tenho determinados valores, eles s\u00e3o os que quero alcan\u00e7ar para ser o mais perfeito poss\u00edvel, para ser amado. Mas nessa sociedade, em que tudo \u00e9 muito r\u00e1pido, ef\u00eamero e descart\u00e1vel, nunca consigo chegar pr\u00f3ximo desse ideal, o que gera um vazio enorme. Isso a gente chama de melancolia ou depress\u00e3o. [O psicanalista] Freud pensa a melancolia como uma neurose narc\u00edsica. H\u00e1 uma incid\u00eancia de deprimidos, hoje, muito grande.<\/p>\n<h4>Como parar esse processo autodestrutivo da sociedade?<\/h4>\n<p style=\"padding-left: 30px\">N\u00e3o sei se para. As pessoas v\u00e3o se justificando porque t\u00eam uma culpa grande e precisam de um al\u00edvio. Usar roupa de determinado lugar que sei que usa trabalho escravo, apesar de eu n\u00e3o ligar para o outro, me atinge nos valores e gera culpa, mas me alivia pensar que fulano, apesar de n\u00e3o ter onde trabalhar, foi acolhido por algu\u00e9m [da ind\u00fastria]&#8230; No entanto, n\u00e3o cessa meu sentimento de impot\u00eancia, de n\u00e3o ser o que eu queria, de querer ser admirado e de continuar explorando o outro.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"576\">\n<h2><span style=\"color: #800000\"><strong>Den\u00fancias<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><strong>\u2022\u00a0Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho:<br \/>\n<\/strong>Link para den\u00fancias: <a href=\"http:\/\/peticionamento.prt2.mpt.mp.br\/denuncia\"><em>peticionamento.prt2.mpt.mp.br\/denuncia<\/em><\/a><\/p>\n<p><strong>\u2022 Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Atendimento de v\u00edtimas das 8:30 \u00e0s 14h.<br \/>\nRua Fernando de Albuquerque, 155 &#8211; Consola\u00e7\u00e3o &#8211; S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><strong>\u2022 Disque 158<br \/>\n<\/strong>Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego<\/p>\n<p><strong>\u2022 Disque 100<br \/>\n<\/strong>Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Cidad\u00e2nia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"border: none\">\n<tbody>\n<tr style=\"border: none\">\n<td><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_38.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-40090 size-large\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_38-248x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_38-248x1024.jpg 248w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_38-73x300.jpg 73w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_38.jpg 431w\" sizes=\"auto, (max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a><\/td>\n<td><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_39.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-40091 size-large\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_39-248x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_39-248x1024.jpg 248w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_39-73x300.jpg 73w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2017\/06\/revista_apartes_n24_39.jpg 432w\" sizes=\"auto, (max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3><strong><span style=\"color: #993300\">SAIBA MAIS<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><strong>Sites<br \/>\n<\/strong>Lista suja do trabalho escravo.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/migre.me\/wAt5M\">migre.me\/wAt5M<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Document\u00e1rio<br \/>\n<\/strong>The True cost. Andrew Morgan, 2015. Sobre os custos humanit\u00e1rios e ambientais da moda r\u00e1pida.<\/p>\n<p><strong>Reportagem<\/strong><br \/>\nModa livre. Denuncia marcas de roupas envolvidas em trabalho escravo &#8211; Dispon\u00edvel para Android e iOS.<\/p>\n<p><strong>Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado<br \/>\n<\/strong>Trabalho escravo urbano contempor\u00e2neo no Brasil: an\u00e1lise dos mecanismos de repress\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o para a efetiva\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos. Fabiana Galera Severo (USP, 2017).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1bricas de suor e sofrimento Novas a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico endurecem o combate ao trabalho escravo contempor\u00e2neo, uma realidade abafada na metr\u00f3pole Gisele Machado | gisele@saopaulo.sp.leg.br &nbsp; Em 2008, com uma filha de tr\u00eas anos e uma faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social trancada, a boliviana Gladis Arce mudou-se para S\u00e3o Paulo. Amante de moda e estudante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"parent":40080,"menu_order":5,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-40170","page","type-page","status-publish","hentry"],"meta_all":{"_edit_lock":["1507243361:109"],"_edit_last":["109"],"_wp_page_template":["default"],"_yoast_wpseo_content_score":["30"],"_cmsp_page_download-files":["a:1:{i:0;a:1:{s:4:\"type\";s:3:\"pdf\";}}"],"_yoast_wpseo_opengraph-title":["F\u00e1bricas de suor e sofrimento"],"_yoast_wpseo_opengraph-description":["Novas a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico endurecem o combate ao trabalho escravo contempor\u00e2neo, uma realidade abafada na metr\u00f3pole."],"_yoast_wpseo_twitter-title":["F\u00e1bricas de suor e sofrimento"],"_yoast_wpseo_twitter-description":["Novas a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico endurecem o combate ao trabalho escravo contempor\u00e2neo, uma realidade abafada na metr\u00f3pole."]},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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