{"id":36875,"date":"2016-11-07T19:28:59","date_gmt":"2016-11-07T21:28:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/?page_id=36875"},"modified":"2016-12-15T14:56:00","modified_gmt":"2016-12-15T16:56:00","slug":"no01-em-busca-da-verdade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-1-janeiro-junho2013\/no01-em-busca-da-verdade\/","title":{"rendered":"N\u00ba01 &#8211; Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"<h1><strong><span style=\"color: #800000\">Em busca da\u00a0verdade<\/span><\/strong><\/h1>\n<h2>Comiss\u00e3o Municipal Vladimir Herzog investiga\u00a0crimes e legados da ditadura militar<\/h2>\n<p><strong>Fausto Salvadori Filho<\/strong> | <a href=\"mailto:fausto@saopaulo.sp.leg.br\">fausto@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36588 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22.jpg\" width=\"1993\" height=\"2619\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22.jpg 1993w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22-228x300.jpg 228w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22-768x1009.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_22-779x1024.jpg 779w\" sizes=\"auto, (max-width: 1993px) 100vw, 1993px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">Comiss\u00e3o recebeu nome de Vladimir Herzog, jornalista morto pela ditadura<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Instituto Vladimir Herzog<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<p>O trajeto at\u00e9 o Cemit\u00e9rio Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus, era demorado. Para visitar o t\u00famulo do marido, em 1971, Fanny Akselrud Seixas precisava pegar o trem e depois percorrer quatro quil\u00f4metros a p\u00e9, subindo e descendo morros, acompanhada de duas filhas. O percurso ficava ainda mais longo com a presen\u00e7a de um carro ocupado por militares, que costumavam seguir as tr\u00eas mulheres disparando xingamentos e amea\u00e7as. A perturba\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes continuava cemit\u00e9rio adentro. Agentes da repress\u00e3o se aproximavam da fam\u00edlia diante do t\u00famulo e diziam: \u201cEssa sepultura do lado dele est\u00e1 reservada para o seu filho. N\u00f3s vamos mat\u00e1-lo e enterr\u00e1-lo aqui do lado do papai\u201d.<\/p>\n<p>O marido de Fanny era o sindicalista e militante da luta armada Joaquim Alencar Seixas, assassinado naquele ano, sob tortura, nas depend\u00eancias do Departamento de Ordem Interna \u2013 Centro de Ordem de Defesa Interna (DOI-Codi). O filho que os militares amea\u00e7avam matar era Ivan Akselrud Seixas. Com 16 anos, o jovem militante havia sido preso e torturado junto com o pai. Sem condena\u00e7\u00e3o formal, Ivan permaneceria preso pelo Estado at\u00e9 completar 22 anos. \u00c0quela altura, a fam\u00edlia j\u00e1 havia conseguido transferir os restos mortais de Joaquim para o jazigo de um parente, no Rio de Janeiro, atendendo ao conselho de um coveiro: \u201cTirem ele da\u00ed porque vai haver uma vala e v\u00e3o misturar todos os ossos\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Corpos clandestinos<\/strong><\/h3>\n<p>A vala foi mesmo constru\u00edda no Cemit\u00e9rio de Perus, e recebeu clandestinamente mais de mil corpos sem identifica\u00e7\u00e3o. Entre os cad\u00e1veres, misturavam-se mortos pela viol\u00eancia do Estado e indigentes. \u201cA vala de Perus recebeu pessoas v\u00edtimas da viol\u00eancia policial, da viol\u00eancia da fome ou de uma epidemia de meningite, que matou por volta de 3 mil pessoas em 1973, obviamente os mais pobres, mas que a censura n\u00e3o permitiu que se investigasse\u201d, contou Ivan Seixas, hoje presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade, da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP).<\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36589 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23.jpg\" width=\"3460\" height=\"1805\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23.jpg 3460w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23-300x157.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23-768x401.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_23-1024x534.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 3460px) 100vw, 3460px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">&#8220;Estudantes protestam contra a ditadura no Largo S\u00e3o Francisco, em 5 de maio de 1977&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<p>A comiss\u00e3o foi instalada na CMSP em 11 de abril de 2012 com o objetivo de promover \u201cesclarecimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorridas no Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo ou praticadas por agentes p\u00fablicos municipais\u201d durante a ditadura militar, per\u00edodo que come\u00e7ou em 1964, com a deposi\u00e7\u00e3o do presidente Jo\u00e3o Goulart, e terminou em 1985, com a posse do primeiro presidente civil em duas d\u00e9cadas, Jos\u00e9 Sarney. A comiss\u00e3o recebeu o nome de Vladimir Herzog, em homenagem ao jornalista assassinado pela repress\u00e3o em 1975 (veja mais na p\u00e1g. 48).<\/p>\n<p>\u201cEssa comiss\u00e3o tem o objetivo de passar a limpo a hist\u00f3ria: ver o que aconteceu, aprender com isso e recomendar a\u00e7\u00f5es para que o Brasil se torne um pa\u00eds democr\u00e1tico e respeitador dos direitos humanos\u201d, afirmou o relator da comiss\u00e3o, vereador Eliseu Gabriel (PSB), na sess\u00e3o de abertura. A Vladimir Herzog funcionou, inicialmente, at\u00e9 o final de 2012, conforme previsto na resolu\u00e7\u00e3o que a criou. Neste ano, um novo ato reabriu a comiss\u00e3o, estendendo seu prazo at\u00e9 16 de maio de 2014.<\/p>\n<p>Agindo em parceria com outros dois grupos, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, a comiss\u00e3o de vereadores decidiu retomar os trabalhos de uma investiga\u00e7\u00e3o pioneira, conduzida 22 anos antes pela CMSP: a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) que investigou a vala clandestina de Perus.<\/p>\n<h3><strong>T de \u201cterrorista\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>A exist\u00eancia da vala, conhecida h\u00e1 anos por parentes de mortos e desaparecidos pela ditadura, veio \u00e0 luz da opini\u00e3o p\u00fablica em 1990, por conta de uma reportagem do jornalista Caco Barcellos, da TV Globo, que deu origem a uma investiga\u00e7\u00e3o aberta pelo governo da prefeita Lu\u00edza Erundina (1989-1992). A CPI da C\u00e2mara, a primeira investiga\u00e7\u00e3o do tipo conduzida por um Parlamento brasileiro, foi instalada no mesmo ano.<\/p>\n<p>\u201cForam seis meses de muita investiga\u00e7\u00e3o e muita tens\u00e3o\u201d, relembrou o ex-vereador \u00cdtalo Cardoso, que participou da CPI de Perus e, doze anos depois, presidiu a Comiss\u00e3o Municipal da Verdade em sua primeira fase. Enquanto interrogavam publicamente personalidades da repress\u00e3o, como Paulo Maluf, prefeito na \u00e9poca dos fatos investigados, e os m\u00e9dicos Harry Shibata e Isaac Abramovitch, profissionais do Instituto M\u00e9dico Legal (IML) que assinavam os laudos dos mortos pela ditadura, a comiss\u00e3o teve de lidar com liga\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas que amea\u00e7avam matar vereadores e jornalistas e explodir o Pal\u00e1cio Anchieta, relatadas no livro <em>Vala Clandestina de Perus.<\/em><\/p>\n<p>As pesquisas mostraram como funcionava a m\u00e1quina de ocultar viola\u00e7\u00f5es contra os direitos humanos praticados pela ditadura. Em S\u00e3o Paulo, a repress\u00e3o estava concentrada em dois \u00f3rg\u00e3os. Um era a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes (Oban), um grupo paramilitar financiado pelo governo e por empres\u00e1rios, que depois foi institucionalizado com o nome de DOI-Codi, subordinado ao Ex\u00e9rcito. Entre 1970 e 1974, o DOI-Codi foi comandado por Carlos Alberto Brilhante Ustra \u2013 que em 2008 tornou-se o primeiro militar reconhecido como torturador pela Justi\u00e7a brasileira. A outra central de torturas da ditadura era o Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (Deops ou Dops), no qual se destacava o delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury. \u201cS\u00e3o Paulo sediou talvez o maior centro de torturas e arbitrariedades do Pa\u00eds, durante o regime de exce\u00e7\u00e3o institucional p\u00f3s 64\u201d, afirma o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Municipal da Verdade, aprovado no final do ano passado.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas dos \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o eram encaminhadas ao IML com uma letra T vermelha anotada em sua documenta\u00e7\u00e3o, indicando que eram \u201cterroristas\u201d. Era um recado aos legistas para produzir laudos falsos, ignorando ind\u00edcios de execu\u00e7\u00f5es e torturas e confirmando as vers\u00f5es oficiais para a causa da morte, que falavam em atropelamento ou troca de tiros. \u201cA caracter\u00edstica comum dos laudos de necropsia \u00e9 sempre confirmar a vers\u00e3o da autoridade policial que o solicitou. Atestavam les\u00f5es condizentes com o breve hist\u00f3rico constante das respectivas requisi\u00e7\u00f5es de laudos, ignorando as les\u00f5es reais nos cad\u00e1veres, indicadoras de torturas severas que deram causa \u00e0 morte\u201d, contou a ex-vereadora Tereza Lajolo, relatora da CPI de Perus, \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade Vladimir Herzog.<\/p>\n<h3><strong>Estatuto do sepultamento<\/strong><\/h3>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36591 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24.jpg\" width=\"2141\" height=\"1141\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24.jpg 2141w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24-300x160.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24-768x409.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_24-1024x546.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2141px) 100vw, 2141px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">&#8220;Memorial erguido no Cemit\u00e9rio de Perus homenageia desaparecidos\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Gute Garbelotto\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<p>Na vala de Perus, foram encontradas 1.049 ossadas \u2013 destas, 450 eram de crian\u00e7as menores de dez anos, danificadas demais para serem identificadas. Os restos mortais foram encaminhados \u00e0 Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que n\u00e3o deu prosseguimento ao trabalho de identifica\u00e7\u00e3o. A pedido dos familiares dos desaparecidos, houve uma interven\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que obrigou o retorno das ossadas a S\u00e3o Paulo. Hoje, est\u00e3o no Cemit\u00e9rio do Ara\u00e7\u00e1, no aguardo de um destino.<\/p>\n<p>Em 22 anos de idas e vindas de ossadas pelos corredores de diferentes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, apenas oito corpos da vala de Perus foram identificados, segundo os dados do MPF. Todos eram militantes pol\u00edticos assassinados pelo governo militar: Ant\u00f4nio Carlos Biscalho Lana, S\u00f4nia Maria de Moraes Angel Jones, D\u00eanis Casemiro, Helber Jos\u00e9 Gomes Goulart, Frederico Eduardo Mayr, Fl\u00e1vio de Carvalho Molina, Luiz Jos\u00e9 da Cunha e Miguel Sabat Nuet.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio que se terminem os trabalhos de identifica\u00e7\u00e3o das ossadas de Perus, quanto aos desaparecidos pol\u00edticos, e que se d\u00ea uma destina\u00e7\u00e3o final \u00e0quelas ossadas, com um sepultamento digno\u201d, afirma o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Vladimir Herzog. O relat\u00f3rio pede a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cestatuto do sepultamento\u201d, para garantir que os corpos de indigentes s\u00f3 sejam sepultados ou cremados ap\u00f3s os respons\u00e1veis terem usado todos os meios poss\u00edveis para identific\u00e1-los, principalmente testes de DNA. Segundo o texto, os governos atuais podem fazer sumir corpos de criminosos e moradores de rua, como o regime militar fazia com seus opositores nos anos 70, \u201cj\u00e1 que as estruturas permaneceram intactas, mormente o IML, ligado \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a e n\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m pede a mudan\u00e7a dos nomes ligados \u00e0 repress\u00e3o e \u00e0 tortura que ainda permanecem estampados nas placas de ruas paulistanas \u201cbatizadas em homenagem a torturadores, colaboradores e pr\u00f3ceres da ditadura militar\u201d (conhe\u00e7a algumas dessas localidades na p\u00e1g. 44). A lei 15.717, criada pelo vereador Orlando Silva e pelo ex-vereador Jamil Murad (ambos do PC do B), sancionada em 23 de abril, vai ao encontro da sugest\u00e3o, ao permitir alterar nomes de locais \u201cquando se tratar de denomina\u00e7\u00e3o referente \u00e0 autoridade que tenha cometido crime de lesa-humanidade ou graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d.<\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36906 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1.jpg\" width=\"1992\" height=\"1011\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1.jpg 1992w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1-300x152.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1-768x390.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_26-1-1024x520.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1992px) 100vw, 1992px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">Ex-vereadora Tereza Lajolo relembra CPI de 1990<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">F\u00e1bio Jr. Lazzari\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<h3><strong>\u201cHeran\u00e7a maldita\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Nem todos os legados dos anos autorit\u00e1rios podem ser eliminados com uma troca de placas. Uma das principais \u201cheran\u00e7as malditas\u201d da ditadura, segundo o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Municipal, foi deixada na pol\u00edcia: \u201ca cultura da viol\u00eancia e a aceita\u00e7\u00e3o natural da tortura como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o, numa confus\u00e3o ontol\u00f3gica entre pol\u00edcia e seguran\u00e7a p\u00fablica eficazes com o emprego irrefreado da viol\u00eancia e da tortura\u201d.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de exterm\u00ednio do Estado durante o regime miliar foi muito al\u00e9m dos opositores ao regime. Presos pol\u00edticos que passaram pelo Pres\u00eddio Tiradentes contam que costumavam acordar de madrugada com os gritos dos presos comuns prestes a serem assassinados pela pol\u00edcia. \u201cEles eram tirados de l\u00e1 gritando: \u2018Pol\u00edticos, pol\u00edticos, socorro! O Esquadr\u00e3o da Morte est\u00e1 nos levando\u2019. Os membros do Esquadr\u00e3o da Morte eram os mesmos que nos torturavam\u201d, contou o militante Cl\u00f3vis de Castro \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade. Comandado por S\u00e9rgio Fleury, o Esquadr\u00e3o da Morte era uma esp\u00e9cie de av\u00f4 das atuais mil\u00edcias: um grupo paramilitar formado por policiais que executavam suspeitos de crimes comuns.<\/p>\n<p>A ditadura aumentou a presen\u00e7a militar nas for\u00e7as de seguran\u00e7a, dando mais poderes \u00e0s pol\u00edcias militares e pondo-as sob o guarda-chuva do Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito. Em 1969, um decreto-lei do governo federal tirou das ruas as Guardas Civis, substituindo-as pelos policiais militares. As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) surgiram no ano seguinte, com a miss\u00e3o de executar \u201ca\u00e7\u00f5es de controle de dist\u00farbios civis e de contraguerrilha urbana\u201d.<\/p>\n<p>O fim do regime militar n\u00e3o modificou a estrutura de policiamento, nem impediu que a Pol\u00edcia Militar (PM) se envolvesse em uma s\u00e9rie de chacinas que marcariam os anos da redemocratiza\u00e7\u00e3o, como os 111 mortos na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, no Carandiru, em 1992, e os 21 mortos na comunidade de Vig\u00e1rio Geral, no Rio de Janeiro, em 1993, al\u00e9m das dezenas de mortes atribu\u00eddas a grupos de exterm\u00ednio como \u201cOs Matadores do 18\u201d, que atuariam na zona norte de S\u00e3o Paulo, e os \u201cHighlanders\u201d, na zona sul.<\/p>\n<p>O maior dos massacres ocorreu em maio de 2006, quando o Estado comandou uma suposta rea\u00e7\u00e3o aos ataques do crime organizado, que haviam matado 43 agentes p\u00fablicos. A a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e de grupos de exterm\u00ednio encapuzados multiplicou o n\u00famero de v\u00edtimas, que em nove dias chegou a 493 mortos (mais do que a ditadura conseguiu eliminar em duas d\u00e9cadas). \u201cIsso tudo \u00e9 heran\u00e7a da ditadura\u201d, afirma a jornalista Rose Nogueira, que, como presidente do Condepe, ajudou a montar uma comiss\u00e3o independente que analisou os homic\u00eddios de maio de 2006. Para ela, aqueles crimes repetiram o procedimento adotado d\u00e9cadas antes pela repress\u00e3o pol\u00edtica. \u201cOs carrascos da ditadura diziam que, para cada agente do Estado que fosse morto, matariam outras dez pessoas\u201d, conta Rose, que conheceu as torturas do regime autorit\u00e1rio atr\u00e1s das grades do Dops (veja mais ao lado).<\/p>\n<p>Tr\u00eas an\u00e1lises independentes, conduzidas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp), pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise da Viol\u00eancia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Cl\u00ednica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard apontaram ind\u00edcios de execu\u00e7\u00f5es em centenas dos chamados \u201ccrimes de maio\u201d, praticados tanto por policiais fardados em supostos confrontos, como por esquadr\u00f5es da morte encapuzados. \u201cO que aconteceu em maio de 2006 aqui em S\u00e3o Paulo foi uma barbaridade inomin\u00e1vel\u201d, afirmou o vereador Eliseu Gabriel na Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia praticada pelos agentes do Estado tamb\u00e9m atinge os jornalistas, tr\u00eas d\u00e9cadas depois da morte de Vladimir Herzog. No ano passado, dois rep\u00f3rteres sa\u00edram do Pa\u00eds por conta de amea\u00e7as recebidas ap\u00f3s terem feito reportagens denunciando casos de viol\u00eancia policial: Andr\u00e9 Caramante, da <em>Folha de S.Paulo<\/em>, e Mauro K\u00f6nig, da <em>Gazeta do Povo<\/em>, de Curitiba. Policiais tamb\u00e9m s\u00e3o suspeitos da morte dos jornalistas Rodrigo Neto de Faria e Walgney Carvalho, ocorridas neste ano na regi\u00e3o do Vale do A\u00e7o (MG).<\/p>\n<p>Ouvido pela <strong>Apartes<\/strong>, o soci\u00f3logo Lu\u00eds Ant\u00f4nio Francisco de Souza, professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica, afirma que a raiz da viol\u00eancia policial est\u00e1 no legado autorit\u00e1rio que vinculou pol\u00edcias e For\u00e7as Armadas, confundindo as atividades policiais que deveriam ser de car\u00e1ter civil com as essencialmente militares. \u201cO modelo militar d\u00e1 \u00eanfase \u00e0s estrat\u00e9gias de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e ao uso da for\u00e7a letal, sobretudo armamento pesado. Estimula, evidentemente, o uso da for\u00e7a e aumenta os espa\u00e7os para viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d, afirma Souza. \u201cHoje, h\u00e1 consenso, entre pesquisadores e entre policiais, que devemos enfrentar os desafios de uma seguran\u00e7a desmilitarizada.\u201d<\/p>\n<p>A desmilitariza\u00e7\u00e3o da PM como estrat\u00e9gia para combater as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos foi defendida pelas coner\u00eancias nacionais de Direitos Humanos, em 2008, e de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2009, bem como pelo Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), no ano passado.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas hip\u00f3critas que v\u00eam falar da viol\u00eancia policial. \u00c9 uma baita injusti\u00e7a o que se faz com a Pol\u00edcia Militar\u201d, defende o vereador Coronel Paulo Telhada (PSDB), ex-comandante da Rota. Segundo ele, a pol\u00edcia s\u00f3 usa a viol\u00eancia necess\u00e1ria para responder \u00e0s a\u00e7\u00f5es dos criminosos. \u201cSe a pol\u00edcia matou 111 no Carandiru foi porque houve confronto\u201d, diz. Para ele, o mesmo valeu para os crimes de maio de 2006. Telhada, que naquele ano ainda fazia parte da PM, diz que as centenas de mortes ocorreram em trocas de tiros. \u201cQuem fala em execu\u00e7\u00e3o \u00e9 gente que nunca sentou a bunda numa viatura\u201d, diz. \u201cQuem atira na pol\u00edcia vai morrer. Se o cara est\u00e1 atirando em mim, eu acerto na cabe\u00e7a dele. Ali\u00e1s, sou bom nisso. Fiz muito\u201d, conta, rindo.<\/p>\n<p>Para Telhada, n\u00e3o faz sentido falar em heran\u00e7a da ditadura militar no comportamento atual da pol\u00edcia. \u201cSe existe ran\u00e7o de 64, n\u00e3o \u00e9 da pol\u00edcia. Hoje, na Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o tem um s\u00f3 policial que tenha trabalhado na ditadura militar\u201d, afirma. A miss\u00e3o da pol\u00edcia, segundo ele, sempre foi defender a popula\u00e7\u00e3o e combater o crime. \u201cA Rota foi criada para combater o crime organizado, que nos anos 70 era o pessoal de esquerda, que assaltava banco, sequestrava, matava\u201d, compara. O coronel afirma que h\u00e1 hipocrisia, tamb\u00e9m, nas cr\u00edticas \u00e0 ditadura: \u201cA imprensa, por exemplo, apoiou 100% o golpe de 64 e hoje d\u00e1 uma de jo\u00e3o sem bra\u00e7o\u201d.<\/p>\n<h3><strong>C\u00e3es de guarda<\/strong><\/h3>\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36908\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27.jpg\" width=\"300\" height=\"163\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27.jpg 1798w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27-300x163.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27-768x416.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_27-1024x555.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">Procuradora Eug\u00eania Augusta dep\u00f5e na Comiss\u00e3o da Verdade Vladimir Herzog<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">CCI.1\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p>A comiss\u00e3o que leva o nome de Vladimir Herzog tamb\u00e9m analisou as rela\u00e7\u00f5es entre os crimes da ditadura e a imprensa. \u201cO golpe militar e a ditadura que se seguiu p\u00f3s 64 foram uma \u2018parceria\u2019 civil-militar que teve nos \u00e1ulicos empres\u00e1rios da grande imprensa seus \u2018c\u00e3es de guarda\u2019\u201d, afirma o relat\u00f3rio. Trajet\u00f3rias de luta pela liberdade de express\u00e3o, como a de Herzog, foram mais raras do que a maioria das empresas jornal\u00edsticas gosta de admitir. \u201cMuito se fala da resist\u00eancia que a imprensa teve \u00e0 ditadura militar. Se essa resist\u00eancia ocorreu, foi por parte de alguns jornalistas, porque a grande imprensa colaborou fortemente com o processo que se inicia em 31 de mar\u00e7o\u201d, afirmou, em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o, a historiadora Beatriz Kushnir, autora de uma tese de doutorado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) que deu origem ao livro <em>C\u00e3es de Guarda.<\/em><\/p>\n<p>Em vez de resist\u00eancia, o que existiu, segundo a autora, foi um acordo entre as principais empresas jornal\u00edsticas e o Estado autorit\u00e1rio. Ela lembra que muitos dos censores que atuavam para a ditadura eram jornalistas, e que muitas vezes a proibi\u00e7\u00e3o de divulgar uma informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vinha do governo, mas dos propriet\u00e1rios dos ve\u00edculos.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<div style=\"float: right;width: 227px;margin-left: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: right;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36910\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29.jpg\" width=\"260\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29.jpg 870w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29-768x990.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_29-794x1024.jpg 794w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">Para o vereador Coronel Telhada, \u201cse existe ran\u00e7o de 64, n\u00e3o \u00e9 da pol\u00edcia\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">CCI.1\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00eas pesquisarem nos acervos da Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas do Estado de S\u00e3o Paulo, no Arquivo Nacional de Bras\u00edlia, v\u00e3o encontrar uma correspond\u00eancia entre Victor Civita (fundador da Editora Abril) e o diretor da Pol\u00edcia Federal, mostrando que um funcion\u00e1rio da Abril foi a Bras\u00edlia ajudar os censores a melhor censurar\u201d, contou a historiadora. O principal exemplo de colaboracionismo com o regime militar analisado por Beatriz foi o do grupo Folha de S.Paulo, especialmente a Folha da Tarde, t\u00e3o alinhada com os militares que ganhou o apelido de \u201cDi\u00e1rio Oficial da Oban\u201d.<\/p>\n<p>A <em>Folha da Tarde <\/em>era considerada \u201co jornal com maior tiragem\u201d, por causa da quantidade de \u201ctiras\u201d que passou a empregar como jornalistas, andando armados pela reda\u00e7\u00e3o. As manchetes pregavam \u201camor, f\u00e9 e orgulho\u201d no regime e chamavam os opositores de \u201cassassinos e inimigos do povo\u201d. Not\u00edcias sobre a morte de ativistas pol\u00edticos eram publicadas na <em>Folha da Tarde<\/em> quando eles ainda estavam vivos. Ivan Seixas conta que, nos dias em que era torturado com a fam\u00edlia no DOI-Codi, teve certeza de que os militares iriam matar seu pai quando leu no jornal a not\u00edcia sobre a morte de Joaquim.<\/p>\n<p>Den\u00fancias de militantes afirmam que a colabora\u00e7\u00e3o do grupo Folha com a ditadura ia al\u00e9m das p\u00e1ginas do jornal: a empresa \u00e9 acusada de ceder carros para emboscadas da Oban e, posteriormente, do DOI-Codi. Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade, em 24 de abril deste ano, o ex-delegado da Pol\u00edcia Civil Claudio Guerra contou que o propriet\u00e1rio do jornal, Ot\u00e1vio Frias de Oliveira, \u201cvisitava o Dops e era amigo do Fleury\u201d.<\/p>\n<p>Procurada pela <strong>Apartes<\/strong>, a assessoria de imprensa da editora Abril afirmou que n\u00e3o iria se pronunciar sobre o assunto. No caso da <em>Folha<\/em>, a vers\u00e3o da empresa sobre sua atua\u00e7\u00e3o no per\u00edodo ditatorial est\u00e1 no livro <em>Folha Explica a Folha<\/em> (Publifolha, 2012), da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto. O livro confirma v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es feitas contra o grupo, mas p\u00f5e algumas nuances. Segundo a obra, not\u00edcias falsas sobre mortes de militantes, como a de Joaquim Seixas, n\u00e3o foram divulgados apenas pela <em>Folha da Tarde<\/em>: todos os jornais do per\u00edodo publicaram a vers\u00e3o oficial do governo. Carlos Caldeira, s\u00f3cio de Frias na <em>Folha<\/em>, \u201ctinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do coronel Erasmo Dias\u201d. No caso de Ot\u00e1vio Frias, segundo Ana Estela, a fam\u00edlia do empres\u00e1rio passou a ser escoltada por delegados do Deops ap\u00f3s ser amea\u00e7ado pela Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN), grupo armado de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. Sobre o empr\u00e9stimo de carros para Oban e DOI-Codi, \u201ca dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o nega a possibilidade de a colabora\u00e7\u00e3o ter ocorrido, mas sem o conhecimento da empresa\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Crime e castigo<\/strong><\/h3>\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36912\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28.jpg\" width=\"300\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28.jpg 1023w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28-246x300.jpg 246w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28-768x938.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_28-839x1024.jpg 839w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">Kushner: \u201cjornais foram porta-vozes e c\u00famplices da ditadura\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Mozart Gomes\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o final da CPI de Perus, parentes de desaparecidos procuraram o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para for\u00e7ar o Estado a retomar os trabalhos de identifica\u00e7\u00e3o das ossadas, que estavam paralisados. Conversando com as fam\u00edlias, os procuradores descobriram que elas queriam mais. \u201cEntendemos que eles n\u00e3o queriam do Minist\u00e9rio P\u00fablico apenas identifica\u00e7\u00e3o de ossadas, queriam justi\u00e7a\u201d, relembra a procuradora Eug\u00eania Augusta Gonzaga F\u00e1vero. Pesquisando o tema, ela descobriu que \u201cnunca houve no Brasil um \u00fanico procedimento criminal apurando todas essas mortes\u201d. A partir disso, Eug\u00eania e outros procuradores do MPF passaram a mover a\u00e7\u00f5es civis e a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas pedindo a puni\u00e7\u00e3o de respons\u00e1veis por crimes contra a humanidade. Foi em uma dessas a\u00e7\u00f5es que a Justi\u00e7a reconheceu o coronel Ustra como torturador.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Municipal da Verdade apoia a puni\u00e7\u00e3o aos crimes da ditadura e defende que a Lei de Anistia, de 1979, criada para perdoar os crimes pol\u00edticos, n\u00e3o pode ser usada para encobrir viola\u00e7\u00f5es praticadas pelo Estado. \u201cAgente de um Estado que sequestra, tortura, estupra, mata presos pol\u00edticos, n\u00e3o est\u00e1 cometendo nenhum crime pol\u00edtico, ele est\u00e1 cometendo um crime comum\u201d, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A puni\u00e7\u00e3o para os crimes de hoje s\u00f3 pode vir com a puni\u00e7\u00e3o dos crimes de ontem. \u00c9 o que Kathryn Sikkink, especialista em direitos humanos da Universidade de Minnesotta, aponta em seu livro <em>The Justice Cascade<\/em>, que analisou o impacto da redemocratiza\u00e7\u00e3o em cem na\u00e7\u00f5es, entre os anos de 1980 e 2004. \u201cPa\u00edses que processaram os respons\u00e1veis pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, como Argentina e Chile, registraram os maiores avan\u00e7os nos direitos humanos, enquanto pa\u00edses como o Brasil, que n\u00e3o fez os l\u00edderes autorit\u00e1rios prestarem contas de seus atos, t\u00eam os n\u00edveis mais altos de viol\u00eancia\u201d, afirma a autora em artigo no <em>The New York Times<\/em>.<\/p>\n<p>Para a militante D\u00e9bora Maria da Silva \u2013 que fundou o grupo M\u00e3es de Maio, de combate \u00e0 viol\u00eancia policial, ap\u00f3s o assassinato do filho, em maio de 2006 \u2013 a viol\u00eancia impune n\u00e3o para nunca de produzir mortes. \u00c0 <strong>Apartes<\/strong>, ela afirmou que \u201cse os crimes da ditadura tivessem sido punidos, os crimes de maio de 2006 n\u00e3o teriam ocorrido. Se os crimes de maio de 2006 tivessem sido punidos, os grupos de exterm\u00ednio n\u00e3o estariam matando hoje nas periferias\u201d.<\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36914 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30.jpg\" width=\"2067\" height=\"1027\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30.jpg 2067w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30-300x149.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30-768x382.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_30-1024x509.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2067px) 100vw, 2067px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">PM reprime confronto entre estudantes da USP e Mackenzie na regi\u00e3o central, em 1968<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"background-color: #f0dfc1\">\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<div style=\"float: right;width: 227px;margin-left: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: right;padding: 5px;background-color: transparent !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36920\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100.jpg\" width=\"250\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100.jpg 900w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100-249x300.jpg 249w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100-768x925.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_100-850x1024.jpg 850w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<h3><strong>\u201cTortura \u00e9 para sempre\u201d<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Maria Am\u00e9lia de Almeida Telles,<\/strong> militante<\/p>\n<p>Fui militante praticamente a minha vida inteira. Em 1972, dia 28 de dezembro, eu e meu marido fomos presos. Em seguida, foram \u00e0 minha casa e sequestraram minha irm\u00e3 e os meus dois filhos \u2013 minha filha com cinco anos de idade e o meu filho com quatro. Ficamos na Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes.<br \/>\nNo segundo dia, j\u00e1 estavam os meus filhos dentro da sala de tortura. Eu estava amarrada na cadeira do drag\u00e3o [instrumento de tortura, era uma cadeira que dava choques], sem roupa, urinada, com fezes, com v\u00f4mito, e meus filhos foram colocados dentro dessa sala da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes. Eles ficaram ali durante uns 10, 15 dias \u2013 iam e voltavam. Minha irm\u00e3 foi torturada, gr\u00e1vida de sete meses.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu sou testemunha ocular, sim, da hist\u00f3ria. Infelizmente, carrego isso comigo. Desde aquela \u00e9poca, eu tenho um compromisso de, junto com fam\u00edlias, com amigos, com pessoas que apoiam, que se interessam, buscar a hist\u00f3ria dos mortos e desaparecidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os meus filhos s\u00e3o traumatizados at\u00e9 hoje. Tortura \u00e9 para sempre.<\/p>\n<p><strong>Trechos de depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade Vladimir Herzog, em 19\/7\/12<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: transparent !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36927 size-full\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102.jpg\" width=\"1200\" height=\"1140\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102.jpg 1200w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102-300x285.jpg 300w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102-768x730.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_102-1024x973.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"background-color: #f0dfc1\">\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<div style=\"float: right;width: 227px;margin-left: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: right;padding: 5px;background-color: transparent !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36930\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101.jpg\" width=\"250\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101.jpg 900w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101-235x300.jpg 235w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101-768x979.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_101-803x1024.jpg 803w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<h3><strong>\u201cQuem fez terrorismo foi o Estado\u201d<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Rose Nogueira, <\/strong>jornalista<\/p>\n<p>Fui presa diretamente pelo Dops, delegado Fleury, em 1969. Passei por tantas outras coisas horr\u00edveis, mas a maior foi a separa\u00e7\u00e3o do meu filho, que tinha um m\u00eas de idade. Como eu tinha leite no peito, eles me chamavam de Miss Brasil [nome de uma vaca premiada na \u00e9poca] ou de vaca terrorista. Era uma sujeira. Fiquei quase 50 dias no Dops sem tomar banho, sangrando e com leite escorrendo.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia das torturas, nunca mais pude ter filhos, porque tive uma infec\u00e7\u00e3o puerperal.<\/p>\n<p>A Folha da Tarde, que era a minha empregadora, foi informada sobre onde eu estava, mas me deu abandono de emprego, embora eu estivesse em licen\u00e7a-maternidade.<\/p>\n<p>Desde que sa\u00ed da pris\u00e3o, resolvi ser defensora dos direitos humanos. Temos de lembrar que luta de resist\u00eancia \u00e9 universal. Est\u00e1 na B\u00edblia, est\u00e1 na Carta dos Direitos do Homem da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Revolu\u00e7\u00e3o Americana, na Carta da ONU de 1948, na Conven\u00e7\u00e3o de 1993, etc. Resistir \u00e0 tirania \u00e9 um dos direitos do homem, e foi o que fizemos. Quem fez terrorismo foi o Estado brasileiro e quem fez luta armada foi a ditadura contra o governo brasileiro. N\u00f3s fizemos a luta de resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Trechos de depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade Vladimir Herzog, em 17\/9\/12<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"background-color: #f0dfc1\">\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<div style=\"float: right;width: 227px;margin-left: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: right;padding: 5px;background-color: transparent !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36939\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103.jpg\" width=\"250\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103.jpg 900w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103-244x300.jpg 244w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103-768x943.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_103-834x1024.jpg 834w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO DIREITO --><\/p>\n<h3><strong>\u201cParecia um hosp\u00edcio, n\u00e3o um quartel\u201d<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Gilberto Natalini<\/strong>, vereador<\/p>\n<p>Entrei na Escola Paulista de Medicina em 1970. N\u00e3o tinha ainda completado 17 anos. Organizei-me com outros estudantes que lutavam para conquistar determinadas prerrogativas que tinham sido tiradas do movimento estudantil. Em 1972, fui preso. Agrediram meu av\u00f4 e minha av\u00f3, que intervieram para me defender. Eles agrediram at\u00e9 um tio parapl\u00e9gico, tadinho; andava de muletas.<\/p>\n<p>Fiquei v\u00e1rios meses no DOI-Codi e fui muito torturado. Fui um dos que tiveram a honra e a satisfa\u00e7\u00e3o de apanhar pessoalmente do Coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra [comandante do DOI-Codi entre 1970 e 1974]. Durante uma noite inteira me colocou nu em cima de duas latinhas de leite Ninho, com os fios de choque ligados no corpo. Jogavam \u00e1gua com sal na gente e metiam choque em cima. Ele me bateu com uma vara de um cip\u00f3 chamado gurumbumba, que d\u00e1 at\u00e9 n\u00f3, mas n\u00e3o quebra. Ele me bateu durante horas e mais horas naquela noite e eu nunca mais me esqueci disso. Chamavam os soldados de plant\u00e3o para me verem apanhando e me faziam declamar poesia, juras ao Ex\u00e9rcito brasileiro. Na verdade, parecia um hosp\u00edcio, n\u00e3o parecia um quartel de Ex\u00e9rcito da minha P\u00e1tria.<\/p>\n<p>Fui absolvido por unanimidade no Tribunal Militar. N\u00e3o havia nenhuma prova de nada contra mim. Perguntei ao coronel que presidiu o inqu\u00e9rito: \u201cCoronel, e tudo o que eu sofri no DOI-Codi?\u201d Ele disse: \u201cAqui o senhor n\u00e3o reclama muito, sen\u00e3o a gente manda o senhor de volta para experimentar mais um pouco\u201d.<\/p>\n<p><strong>Trechos de depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Municipal da Verdade Vladimir Herzog, em 12\/7\/12<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<h3><strong>A composi\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Municipal da Verdade:<\/strong><\/h3>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"background-color: #72bb81\" width=\"75\">\n<p align=\"center\"><strong>1\u00aa fase<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"background-color: #e2eed8\" width=\"147\"><strong>11\/4\/2012 at\u00e9<br \/>\no final do ano<br \/>\n<\/strong><em>(Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 879\/2012)<\/em><\/td>\n<td style=\"background-color: #72bb81\" width=\"74\">\n<p align=\"center\"><strong>2\u00aa fase<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"background-color: #e2eed8\" width=\"148\"><strong>6\/3\/2013 at\u00e9 16\/5\/2014<br \/>\n<\/strong><em>(Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\/2013) <\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"222\"><strong>Presidente: <\/strong>\u00cdtalo Cardoso (PT)<br \/>\n<strong>Relator: <\/strong>Eliseu Gabriel (PSB)<br \/>\n<strong>Vice-presidente: <\/strong>Gilberto Natalini (PV)<br \/>\n<strong>Demais integrantes: <\/strong><br \/>\nAguinaldo Tim\u00f3teo (PR), Jamil Murad (PC do B), Jos\u00e9 Rolim (PSDB), Juliana Cardoso (PT)<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"222\"><strong>Presidente: <\/strong>Gilberto Natalini (PV)<br \/>\n<strong>Relator: <\/strong>Mario Covas Neto (PSDB)<br \/>\n<strong>Vice-presidenta: <\/strong>Juliana Cardoso (PT)<br \/>\n<strong>Demais integrantes: <\/strong><br \/>\nJos\u00e9 Police Neto (PSD), La\u00e9rcio Benko (PHS), Ricardo Young (PPS), Rubens Calvo (PMDB)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3><span style=\"color: #000000\"><strong>As Propostas<\/strong><\/span><\/h3>\n<div style=\"background-color: #d8e9ce\">\n<p>CONHE\u00c7A PARTE DAS PROPOSTAS APRESENTADAS NO RELAT\u00d3RIO DA PRIMEIRA FASE DA <strong>COMISS\u00c3O MUNICIPAL DA VERDADE VLADIMIR HERZOG:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 CMSP:<\/strong><br \/>\nProduzir legisla\u00e7\u00e3o que permita mudar nomes de ruas que homenageiam personalidades da ditadura<\/p>\n<p><strong>\u00c0s comiss\u00f5es da verdade:<\/strong><br \/>\nSolicitar ao Congresso a elabora\u00e7\u00e3o de um estatuto de sepultamento, exigindo uso de exames de DNA e outros meios na identifica\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres de indigentes<br \/>\nCriar comiss\u00f5es de estudo para propor uma reformula\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias<\/p>\n<p><strong>\u00c0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo:<\/strong><br \/>\nTerminar a identifica\u00e7\u00e3o das ossadas de Perus e dar destina\u00e7\u00e3o final \u00e0s ossadas no Cemit\u00e9rio do Ara\u00e7\u00e1<br \/>\nTombamento do antigo espa\u00e7o do DOI-Codi, na Rua Tutoia<\/p>\n<p><strong>Ao Governo de S\u00e3o Paulo:<\/strong><br \/>\nTransfer\u00eancia do Instituto M\u00e9dico Legal para a Secretaria da Sa\u00fade Retirada das acusa\u00e7\u00f5es das fichas de antecedentes de ex-presos politicos<\/p>\n<\/div>\n<h3><strong>\u201cA arma de Herzog era a caneta\u201d<\/strong><\/h3>\n<div style=\"background-color: #d8e9ce\">\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-36944\" src=\"http:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31.jpg\" width=\"300\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31.jpg 1314w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31-227x300.jpg 227w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31-768x1015.jpg 768w, https:\/\/www.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/11\/apartes_n01_31-775x1024.jpg 775w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Instituto Vladimir Herzog<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem GRANDE - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p>A morte do jornalista Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, marcou o in\u00edcio do fim da ditadura brasileira. Diretor do Departamento de Jornalismo da TV Cultura, ele havia se apresentado um dia antes na sede do DOI-Codi, atendendo a uma intima\u00e7\u00e3o para esclarecer suas liga\u00e7\u00f5es com o Partido Comunista. Ali, foi torturado at\u00e9 a morte. O jornalista era casado com a publicit\u00e1ria Clarice Herzog, com quem teve dois filhos, Ivo e Andr\u00e9.<\/p>\n<p>Os militares divulgaram que Vlado havia se suicidado, e tiraram uma foto do seu corpo enforcado para corroborar a arma\u00e7\u00e3o. Seis dias ap\u00f3s a morte, um ato ecum\u00eanico na Catedral da S\u00e9, celebrado pelo cardeal Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor protestante<br \/>\nJames Wright, reuniu cerca de 8 mil pessoas. Foi o come\u00e7o de uma onda de protestos que acabaria levando o presidente Ernesto Geisel a intensificar o processo de abertura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nascido na Cro\u00e1cia, ent\u00e3o parte da Iugosl\u00e1via, em 27 de junho de 1937, Vlado veio para o Brasil com cinco anos, junto com os pais que fugiam do nazismo. Formou-se em filosofia na USP e come\u00e7ou no jornalismo como rep\u00f3rter do jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em>. Ap\u00f3s o golpe de 1964, mudou-se com Clarice para a Inglaterra, onde trabalhou na BBC. De volta ao Brasil, em 1968, atuou na revista <em>Vis\u00e3o<\/em> antes de ser chamado para comandar o jornalismo da Cultura.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio de tantos outros que tamb\u00e9m tombaram, Herzog nunca pegou numa arma. Sua arma de trabalho era uma caneta. Foi com ela que lutou e por conta dessa arma foi assassinado\u201d, afirma o ex-vereador \u00cdtalo Cardoso, presidente da primeira fase da Comiss\u00e3o Municipal da Verdade Vladimir Herzog. Neste ano, a CMSP promulgou projeto de lei assinado por \u00cdtalo e pelos vereadores Claudinho de Souza (PSDB), Dalton Silvano (PV), Jos\u00e9 Police Neto (PSD) e Toninho Paiva (PR), que deu o nome de Herzog para a pra\u00e7a situada ao lado do Pal\u00e1cio Anchieta, sede da CMSP.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h4><\/h4>\n<h4>SAIBA MAIS<\/h4>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;background-color: #72bb81\">\n<p><strong><span style=\"color: #ffffff\">Livros<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Vala Clandestina de Perus: Desaparecidos Pol\u00edticos, um Cap\u00edtulo n\u00e3o Encerrado da Hist\u00f3ria Brasileira.<\/strong> V\u00e1rios autores. Instituto Macuco, 2012.<\/p>\n<p><strong>C\u00e3es de Guarda: Jornalistas e Censores, do AI-5 \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/strong>. Beatriz Kushnir. Boitempo, 2004.<\/p>\n<p><strong>Combate nas Trevas &#8211; A Esquerda Brasileira: das Ilus\u00f5es Perdidas \u00e0 Luta Armada<\/strong>. Jacob Gorender. Perseu Abramo, 1987.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;background-color: #72bb81\">\n<p><strong><span style=\"color: #ffffff\">Filmes<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>1964 \u2013 Um Golpe Contra o Brasil<\/strong>. Al\u00edpio Freire. 2013.<\/p>\n<p><strong>A Noite que Durou 21 Anos<\/strong>. Camilo Tavares. 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em busca da\u00a0verdade Comiss\u00e3o Municipal Vladimir Herzog investiga\u00a0crimes e legados da ditadura militar Fausto Salvadori Filho | fausto@saopaulo.sp.leg.br Comiss\u00e3o recebeu nome de Vladimir Herzog, jornalista morto pela ditadura Instituto Vladimir Herzog O trajeto at\u00e9 o Cemit\u00e9rio Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus, era demorado. Para visitar o t\u00famulo do marido, em 1971, Fanny Akselrud [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"parent":24343,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-36875","page","type-page","status-publish","hentry"],"meta_all":{"_edit_lock":["1481820882:109"],"_edit_last":["109"],"_wp_page_template":["default"],"_yoast_wpseo_content_score":["30"],"_cmsp_page_download-files":["a:1:{i:0;a:1:{s:4:\"type\";s:3:\"pdf\";}}"],"_yoast_wpseo_opengraph-title":["Em busca da verdade"],"_yoast_wpseo_opengraph-description":["Comiss\u00e3o Municipal Vladimir Herzog investiga crimes e legados da ditadura militar"],"_yoast_wpseo_twitter-title":["Em busca da verdade"],"_yoast_wpseo_twitter-description":["Comiss\u00e3o Municipal Vladimir Herzog investiga crimes e legados da ditadura militar"]},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>N\u00ba01 - 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